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segunda-feira, 4 de agosto de 2025

...🌳ENTRE A DOR E O DOM: A SEMENTE QUE GERMINOU.🌳

 Bom dia!

"Meus Talentos, Minhas Raízes: Uma História de Despertar"

Neste novo despertar que Deus me concedeu, neste futuro que começa hoje, reencontro as benesses do amor, da saúde, da paz e da alegria, e claro que com a minha humanidade atravesso vez ou outra minhas dificuldades conflitantes também, um silêncio entristecido — mas mesmo nos momentos frágeis, quando os pensamentos se embaralham e o coração se desorienta. Que eu — e tantos irmãos e irmãs — possamos frutificar nesta grandiosa árvore da vida.

Recordo um tempo em que eu ainda buscava compreender meus próprios sentimentos. Era o despertar da adolescência: um corpo em ebulição, uma alma em silêncio gritante. Havia algo no ar — invisível — que mexia com minha sensibilidade. Chorava sem entender, penso que todo adolescente passa por esta fase, né? E minha mãe, em sua simplicidade, recorria à fé:
Vai rezar, minha filha... só Deus pode te ajudar.

Ela não sabia, nem eu, que ali nascia em mim a espiritualidade. A sensibilidade de uma alma conectada a algo maior, mas ainda sem palavras, sem entendimento, que às vezes debruçada na janela conversava em pensamento com as estrelas, lá havia um mistério, e eu gostava, era um momento de paz, buscava na saudade que sentia, uma morada, porque eu sabia que tinha. Pensei em fugir, até num convento me esconder. Mas minha mãe me ancorou no mundo: comprava livros, lembro de muitos fascículos da revistinha Sabrina, que se comprava em bancas de jornais, quem foi uma jovem, dos anos 60,70 com certeza deve ter lido também, e viajava nas leituras com romances lindos, lugares inimagináveis se desenrolava toda uma história de vida... enciclopédias para ajudar nos estudos escolares, tinha uma certa tendência de conhecer mais sobre as estrelas, o que eram? 

E entre um intervalo e outro de devaneios, mamãe me levava à missa, e até sua morte, ainda tínhamos esse costume de ir à missa juntas, me incentivava a fazer parte de grupos de jovens. Nada parecia aliviar. Eu orava em silêncio, conversava com Deus, chegava até contestá-lo, falando sério. A fé era meu abrigo, mas os conflitos persistiam, e confesso, ainda vez ou outra tomam conta, hoje sei que é normal, faz parte desta existência, aparando minhas arestas, pois nelas existem muitas contradições. E interessante, que enquanto escrevia essa memória, tive a nítida sensação de sua presença aqui comigo, cheguei a levantar para ver onde uma porta do quarto bateu, bem, posso ter sido sugestionada, né?

Bem, e foi nesse turbilhão que uma mão invisível me conduziu. Um dia, lá nos idos 79/80, já morando em Uberaba, fazendo faculdade, aconselhada por uma amiga, procurei um padre.
— Escreva, Maria. Escreva tudo o que vier ao seu pensamento — ele me disse. E foi assim que um caderno se tornou meu lugar seguro. Palavras fluíam, e com elas, eu me esvaziava das dores e preenchia de esperança. Recordo que fiz uma poesia sobre o meio ambiente, os pássaros fazendo revoadas, cantavam pedindo para os homens não destruir a natureza, e hoje, isto é uma realidade.


Um certo dia, em Uberaba, MG, recebemos a visita de amigas de Franca. Uma delas, Dona (Lar) Leonor, espírita, nos falou de Chico Xavier. Fomos juntas até ele, em sua casa, que ela tinha total liberdade de ir e vir, sem precisar agendar rs. A casa simples, o olhar bondoso, a conversa leve, a alegria do reencontro de almas amigas… 

Ali, pela primeira vez, encontrei respostas para perguntas que meu coração há muito fazia. Hoje entendo que, naquele instante, atravessei um verdadeiro portal — foi no quarto dele, quando fui pegar um remédio a pedido de uma senhora que o acompanhava, enquanto tantos amigos se reuniam ao redor de uma mesa rústica de madeira com bancos em volta.

Obediente e gentil, segui até o cômodo, e o que vi me encantou. Experimentei uma paz serena, uma sensação quase sagrada. Anos se passaram. Quando retornei àquela casa, agora transformada em museu, fui surpreendida ao ver o quarto em exposição. Perguntei a mim mesma: ____“Como assim?” Aquele não era o quarto que entrei. Não mesmo.

O quarto que conheci era completamente branco — as paredes, a cama, o criado-mudo... tudo. No guarda-roupa, havia uma penteadeira, e o espelho fora substituído por uma imagem de Jesus aplicando um passe em uma jovem sentada no chão. Foi nesse ambiente que entrei para buscar o remédio de Chico. Não compreendi muito na época... Apenas voltamos para Franca.

Meio a estas lembranças, dos anos 78/70/80, veio a que entre uma conversa e outra com seu sobrinho Vivaldo, diagramador e organizador das mensagens que chegavam pelas mãos abençoadas de Chico, ganhei o livro “Nosso Lar” meu primeiro contato com a literatura espírita. Li de ponta a ponta. E compreendi: não era loucura, não era fraqueza — era dom, era um desabrochar de uma sensibilidade espiritual.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:32)
Como quem aprende a ler, comecei a juntar as letras da minha alma.

Hoje sei: o talento que Deus me deu — a escrita — é meu instrumento de cura e partilha. Não preciso provar nada a ninguém. A árvore que um dia foi semente em minha família agora floresce. Minhas raízes continuam firmes, mas meus galhos acolhem, as flores perfumam a vida, e seus frutos alimentam.

Tudo flui, como águas límpidas que descem da serra moldando as pedras. Inúmeras vezes, fui aconselhada por padres, médicos, amigos e irmãos espirituais. Todos diziam:
— Continue escrevendo. Hoje sei que nada é por acaso, tudo tem um propósito de vida.
E eu sigo.
Em cada amanhecer, uma flor.
Em cada manhã, uma nova reflexão.

Os talentos que nos foram dados são responsabilidade nossa. E um dia, serão cobrados. Que eu nunca os esconda. E que meu dom, seja ele qual for, sempre sirva para amar, consolar e edificar.

Porque é na simplicidade que mora o verdadeiro poder do amor, palavras de Chico Xavier, 


e tantos mais, Santos e Santas católicos, sofreram suas agruras, não desistiram de seus talentos, e venceram na missão. Como nos enseja Dom Orlando Brandes, hoje Arcebispo Metropolitano de Aparecida, quando em sua evangelização pela TV Rede Vida, ensinava: ____"Fé em Deus, Bíblia na mão e pé na missão"! Parece que suas palavras ecoam em meu pensamento, com entonação, ouço-a! É isto!

By MângelaCastro – 04/08/2025





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