Bom dia!
"Meus Talentos, Minhas Raízes: Uma História de Despertar"
Ela não sabia, nem eu, que ali nascia em mim a espiritualidade. A sensibilidade de uma alma conectada a algo maior, mas ainda sem palavras, sem entendimento, que às vezes debruçada na janela conversava em pensamento com as estrelas, lá havia um mistério, e eu gostava, era um momento de paz, buscava na saudade que sentia, uma morada, porque eu sabia que tinha. Pensei em fugir, até num convento me esconder. Mas minha mãe me ancorou no mundo: comprava livros, lembro de muitos fascículos da revistinha Sabrina, que se comprava em bancas de jornais, quem foi uma jovem, dos anos 60,70 com certeza deve ter lido também, e viajava nas leituras com romances lindos, lugares inimagináveis se desenrolava toda uma história de vida... enciclopédias para ajudar nos estudos escolares, tinha uma certa tendência de conhecer mais sobre as estrelas, o que eram?
E entre um intervalo e outro de devaneios, mamãe me levava à missa, e até sua morte, ainda tínhamos esse costume de ir à missa juntas, me incentivava a fazer parte de grupos de jovens. Nada parecia aliviar. Eu orava em silêncio, conversava com Deus, chegava até contestá-lo, falando sério. A fé era meu abrigo, mas os conflitos persistiam, e confesso, ainda vez ou outra tomam conta, hoje sei que é normal, faz parte desta existência, aparando minhas arestas, pois nelas existem muitas contradições. E interessante, que enquanto escrevia essa memória, tive a nítida sensação de sua presença aqui comigo, cheguei a levantar para ver onde uma porta do quarto bateu, bem, posso ter sido sugestionada, né?
Um certo dia, em Uberaba, MG, recebemos a visita de amigas de Franca. Uma delas, Dona (Lar) Leonor, espírita, nos falou de Chico Xavier. Fomos juntas até ele, em sua casa, que ela tinha total liberdade de ir e vir, sem precisar agendar rs. A casa simples, o olhar bondoso, a conversa leve, a alegria do reencontro de almas amigas…
Ali, pela primeira vez, encontrei respostas para perguntas que meu coração há muito fazia. Hoje entendo que, naquele instante, atravessei um verdadeiro portal — foi no quarto dele, quando fui pegar um remédio a pedido de uma senhora que o acompanhava, enquanto tantos amigos se reuniam ao redor de uma mesa rústica de madeira com bancos em volta.
Obediente e gentil, segui até o cômodo, e o que vi me encantou. Experimentei uma paz serena, uma sensação quase sagrada. Anos se passaram. Quando retornei àquela casa, agora transformada em museu, fui surpreendida ao ver o quarto em exposição. Perguntei a mim mesma: ____“Como assim?” Aquele não era o quarto que entrei. Não mesmo.
O quarto que conheci era completamente branco — as paredes, a cama, o criado-mudo... tudo. No guarda-roupa, havia uma penteadeira, e o espelho fora substituído por uma imagem de Jesus aplicando um passe em uma jovem sentada no chão. Foi nesse ambiente que entrei para buscar o remédio de Chico. Não compreendi muito na época... Apenas voltamos para Franca.
Os talentos que nos foram dados são responsabilidade nossa. E um dia, serão cobrados. Que eu nunca os esconda. E que meu dom, seja ele qual for, sempre sirva para amar, consolar e edificar.
Porque é na simplicidade que mora o verdadeiro poder do amor, palavras de Chico Xavier,
e tantos mais, Santos e Santas católicos, sofreram suas agruras, não desistiram de seus talentos, e venceram na missão. Como nos enseja Dom Orlando Brandes, hoje Arcebispo Metropolitano de Aparecida, quando em sua evangelização pela TV Rede Vida, ensinava: ____"Fé em Deus, Bíblia na mão e pé na missão"! Parece que suas palavras ecoam em meu pensamento, com entonação, ouço-a! É isto!
By MângelaCastro – 04/08/2025



