Perguntas lançadas como sementes aos ventos, algumas retornando já rebrotando respostas; outras, ainda amadurecendo no tempo. 🌱
Fazendo aqui um feedback, Jesus senta-se à mesa com Mateus e outros cobradores de impostos, considerados por muitos como indignos daquela convivência. Mas, diante da crítica dos que se julgavam justos, responde:
Talvez essa passagem também possa conversar com o nosso tempo.
Afinal, não é uma grande mesa de diálogo que se abre, simbolicamente, na 81ª Assembleia Geral da ONU, cujo tema propõe “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação”?
Então, quase dois anos depois, volto à minha reflexão de janeiro de 2025 para conversar com aquela MângelaCastro que lançava perguntas ao futuro.
(HORIZONTES MEMORÁVEIS...: Resultados da pesquisa TRUMP É REELEITO) e no andar da carruagem, um dos pontos de geopolítica que mais impactou o mundo do empreendedorismo e humanitário, na ERA TRUMP.: IMIGRAÇÃO E TAXAS DE JUROS DE EXPORTAÇÕES... diga-se de passagem, não só para Mexicanos, mas, afetando com efeito dominó mais paises.
O que ressoou? O que mudou? O que se confirmou? E o que ainda aguarda o tempo para responder?
É essa conversa que convido você a fazer comigo.
“Quando o mundo deixa de conversar, as consequências não ficam confinadas às salas dos governos; de estudos, jornalísticas, sejam eles quais forem, simplesmente, elas chegam às nossas casas.”
Há textos que escrevemos para o presente e que, algum tempo depois, parecem nos chamar novamente para uma conversa.
Foi o que aconteceu comigo ao reencontrar uma reflexão publicada em 25 de janeiro de 2025, quando começava uma nova gestão presidencial nos Estados Unidos. Naquele momento, escrevi sobre geopolítica, meio ambiente, imigração, economia e sobre os possíveis efeitos das escolhas de uma grande potência sobre o restante do mundo.
Quase dois anos depois, volto àquele texto não para dizer que eu havia previsto o futuro. Seria pretensão.
Volto para perguntar:
O que ressoou daqueles “Horizontes Memoráveis”?
Talvez a resposta esteja menos naquilo que aconteceu exatamente como imaginávamos e mais nas perguntas que permaneceram.
A MângelaCastro de 2025 conversa com a de 2026
Naquela manhã, eu observava a chamada “Era Trump” com a inquietação de quem compreende que nenhuma grande nação vive isolada do restante do planeta.
Hoje, olhando para trás, vejo que aquela preocupação continua atual, embora o cenário tenha adquirido novos contornos.
O mundo chega à 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas atravessado por guerras, tensões econômicas, mudanças climáticas, desenvolvimento desigual e novos desafios tecnológicos, entre eles a inteligência artificial. O próprio tema escolhido para esta Assembleia — “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação” — parece responder, de certa maneira, a uma das inquietações que eu já colocava naquele texto de 2025.
Restaurar a confiança.
Talvez seja justamente essa uma das maiores necessidades do nosso tempo.
Brasil e Estados Unidos: dois países, muitos interesses em comum
Brasil e Estados Unidos não precisam pensar da mesma maneira sobre tudo.
São países diferentes, com histórias, interesses, responsabilidades e visões políticas próprias.
Mas possuem também relações econômicas, diplomáticas e sociais que tornam difícil imaginar que decisões tomadas em um país não repercutam no outro.
As recentes medidas tarifárias americanas sobre produtos brasileiros mostram isso concretamente. Segundo o governo brasileiro, as novas sobretaxas alcançaram parcela significativa das exportações destinadas ao mercado americano e contribuíram para uma redução das exportações brasileiras aos Estados Unidos em 2026.
Por outro lado, o comércio não é uma estrada de mão única.
Empresas, trabalhadores e consumidores americanos também participam dessa relação.
É justamente por isso que a retomada das negociações entre os dois governos pode representar uma oportunidade: não necessariamente para que um lado “vença” o outro, mas para que ambos encontrem mecanismos capazes de reduzir prejuízos e ampliar aquilo que pode ser construído em comum. As equipes dos dois países voltaram a conversar depois de uma ligação entre Lula e Trump em agosto, e novas tratativas estão previstas para o encontro do G20 no final de setembro.
E o que a Assembleia da ONU pode nos oferecer?
Talvez não devamos esperar de uma Assembleia Geral soluções mágicas.
A ONU não substitui a soberania dos países, nem pode obrigar governos a abandonarem suas diferenças.
Mas existe algo que somente um grande fórum multilateral pode oferecer:
a possibilidade de conversar quando seria mais fácil romper.
Nesta Assembleia serão discutidos temas que ultrapassam fronteiras: paz, desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, direitos humanos, inteligência artificial e os grandes conflitos que afetam a segurança e a economia mundial. Há inclusive reuniões específicas dedicadas à ação climática, à transição justa e às ameaças provocadas pela elevação do nível do mar.
E talvez seja aí que minha reflexão ambiental de 2025 encontre novamente o presente.
O clima não pergunta qual é a nacionalidade de quem sofre.
A fumaça não conhece fronteiras.
A seca não respeita passaportes.
As enchentes não escolhem ideologias.
E uma crise econômica, em um mundo interdependente, pode atravessar oceanos muito mais rapidamente do que qualquer navio.
O que Brasil e Estados Unidos poderiam levar dessa oportunidade?
Talvez, antes de tudo, a compreensão de que soberania não precisa significar isolamento.
O Brasil tem o direito de defender seus interesses, sua democracia, seu território, sua economia e suas escolhas.
Os Estados Unidos também.
Mas ambos podem descobrir que defender seus próprios interesses não significa necessariamente ignorar os interesses legítimos do outro.
Para o Brasil, interessa preservar mercados, empregos, investimentos, estabilidade econômica e sua capacidade de dialogar com diferentes parceiros internacionais.
Para os Estados Unidos, interessa manter relações comerciais e estratégicas com uma das maiores economias e um dos países de maior peso ambiental e geopolítico das Américas.
E para ambos interessa combater aquilo que nenhum deles consegue resolver sozinho: o crime transnacional, as mudanças climáticas, as crises econômicas, os riscos tecnológicos e as ameaças à paz.
Não se trata de concordância absoluta.
Trata-se de cooperação possível dentro da diferença.
E onde entram os cidadãos?
Aqui talvez esteja a parte mais importante desta reflexão.
Governos passam.
Presidentes passam.
Políticas econômicas mudam.
Tarifas podem subir ou baixar.
Mas os povos permanecem.
São os trabalhadores, empresários, agricultores, estudantes, cientistas, famílias e pequenos empreendedores, nossas comunidades religiosas, que acabam sentindo no cotidiano as consequências das grandes decisões tomadas nas salas de governo.
Por isso, quando observo as relações entre Brasil e Estados Unidos, não consigo enxergar apenas Lula e Trump. Assim como quando olho para Jesus narrado pelo evangelho de Mateus e sob seu ponto de vista, Jesus, sentado àquela mesa de pessoas não bem quistas da sociedade, não consigo enxergar apenas Jesus e Cobradores de Impostos mas sim, ___Enxergo como fossem brasileiros e estadunidenses, os quais permanecem aguardando uma luz no fundo do túnel, para atravessarmos pontes que nos conduzirão a consolidações favoráveis, em várias esferas de governo, vejo muito além de governanças, vejo, simplesmente cidadãos comuns do povo aguardando soluções accessíveis, plausíveis, através de suas lideranças, quiçá a cura de todos nossos problemas.😋
Dois povos que, embora separados por uma fronteira continental e por diferenças culturais e políticas, fazem parte de uma mesma realidade mundial.
E talvez seja essa a grande responsabilidade dos líderes:
não transformar diferenças entre governos em distanciamento entre povos. E como cristãos que em maioria somos, orar para que essa Assembleia se torne um campo de sementes fortificadoras para o futuro ...
Quase dois anos depois...
Volto então à MângelaCastro de janeiro de 2025.
Ela me perguntava sobre os horizontes que se abriam diante do mundo.
Eu, agora, respondo a ela:
— Alguns daqueles horizontes realmente mudaram. Outros se tornaram ainda mais complexos. E algumas perguntas continuam sem resposta.
Mas uma certeza parece ter amadurecido.
Nenhuma grande nação constrói seu futuro completamente sozinha.
A liberdade de cada país precisa caminhar ao lado da responsabilidade pelas consequências de suas escolhas.
E talvez seja essa a maior lição que podemos retirar destes quase dois anos:
quando o mundo deixa de conversar, as consequências não ficam confinadas às salas dos governos; elas chegam às ruas, às casas, aos empregos, aos preços, às famílias e ao futuro das próximas gerações.
Por isso, antes de perguntarmos quem ganhou ou quem perdeu, talvez devêssemos perguntar:
O que podemos construir juntos?
Essa pergunta não pertence apenas a Lula.
Nem apenas a Trump.
Pertence aos dois povos.
Pertence ao Brasil.
Pertence aos Estados Unidos.
E, de certa maneira, pertence a todos nós.
Porque os horizontes podem ser nacionais, mas o planeta sobre o qual caminhamos continua sendo um só.
Quase dois anos depois, já que passamos mais da metade do ano de 2026, talvez seja isso que tenha ressoado dos meus “Horizontes Memoráveis”: não uma previsão do futuro, mas a necessidade de continuar perguntando antes que o futuro nos obrigue a responder.
É quase como se a pergunta de Jesus a Mateus atravessasse dois milênios e chegasse à Assembleia Geral: quem ainda estamos dispostos a convidar para a mesa? 🌱
Paz e Bem.
By MângelaCastro - 21/9/2026
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