"LIBERTAS QUAE SERA TAMEM MARIA" ..
Bom dia Brasil, TERRA DE SANTA CRUZ!!!
Hoje comemoramos 204 anos de sua Independência continental, uma terra composta por uma crescente miscigenação, mas, seria somente essa liberdade que precisamos comemorar? Brasil é e tem muito mais que ser revisto, para ser bem comemorado, concorda comigo?
Porque talvez o Brasil ainda esteja esperando pelo seu verdadeiro grito de liberdade.
Mais um ano comemorativo, sobre a Independência do Brasil; e ele quer perguntar se nós, brasileiros, realmente nos tornamos independentes. E, sobretudo, quer colocar a sua própria história — a história de sua Maria entre tantas Marias — dentro dessa pergunta.
Hoje, 7 de setembro, o Brasil vesti suas cores, as bandeiras ocupam as ruas, os prédios públicos e, mais uma vez, ouviremos falar do famoso Grito do Ipiranga.
"Independência ou Morte!”
Os livros nos ensinaram a data, os personagens, os acontecimentos e os símbolos. Aprendemos que, naquele momento, o Brasil rompeu os seus laços políticos com Portugal e começou a caminhar como nação independente.
Há versões, controvérsias, documentos, interpretações e até discussões sobre a maneira como aquele momento foi posteriormente representado na memória brasileira.
Mas, para mim, hoje, isso já não é o mais importante.
Porque existe uma pergunta que nenhum livro escolar consegue responder por nós:
Depois de tantos anos, de que realmente nos tornamos independentes?
É aqui que começa a minha história.
Não sou Dom Pedro de Alcântara.
Não tenho uma espada nas mãos.
Não estou às margens do Ipiranga.
Sou apenas Maria.
Maria, cidadã brasileira.
Mulher.
Advogada Pós Graduada (mas esse é só um título, sou muito mais do que isso)
Trabalhadora de várias lidas
Mãe.
Esposa que um dia foi.
Mulher separada não só de alguém, mas de muitas "coisas" que aprendeu a continuar.
Filha.
Professora temporária
Amiga
Catequista.
Escritora de amanheceres.
Uma mulher que já chorou escondida e também já sorriu quando a vida parecia dizer que não havia motivo para sorrir.
Sou uma entre tantas Marias deste imenso Brasil.
E talvez seja justamente por isso que eu tenha aprendido que independência não é apenas romper com quem nos governa.
Independência também é poder pensar.
Escolher.
Trabalhar.
Ser respeitada.
Ter dignidade.
Ter voz.
Poder dizer “sim” quando o coração diz sim e “não” quando alguma coisa dentro de nós grita não.
É não precisar ser escolhida quando desejamos simplesmente ter o direito de escolher.
É poder envelhecer sem perder o direito de sonhar.
É poder discordar sem ser destruída.
É poder defender aquilo em que acreditamos sem transformar o outro em inimigo.
É poder caminhar pelas ruas sem medo.
É ter uma casa onde exista pão, água, luz, segurança e esperança.
É ter uma escola que ensine não apenas a decorar datas, mas a compreender responsabilidades.
É ter leis que não sejam apenas bonitas, de escritas elegantes no papel, mas que alcancem aquele que mais precisa delas.
É ter liberdade sem confundi-la com ausência de responsabilidade.
E é exatamente aí que a minha independência começa a encontrar a independência do meu país.
Porque um Brasil verdadeiramente livre não pode ser medido apenas pelo tamanho de suas fronteiras, pela força de suas Forças Armadas, pela beleza de sua bandeira ou pela grandiosidade de seus desfiles.
Um país é livre quando seu povo consegue viver com dignidade.
E talvez ainda tenhamos muitos “Ipirangas” dentro de nós.
Há uma criança que ainda espera proteção.
Uma mãe que espera atendimento.
Um trabalhador que espera oportunidade.
Um idoso que espera respeito.
Uma mulher que espera ser ouvida e,
ter o direito de não perder sua natural alegria de viver.
Uma família que espera segurança.
Um jovem que espera futuro.
Um brasileiro que não quer favor.
Quer apenas o que é seu por direito.
Por isso, neste 7 de setembro, eu não quero falar apenas do Brasil que se libertou de Portugal.
Quero falar do Brasil que ainda precisa libertar-se de tantas formas de dependência, desigualdade, abandono, violência, corrupção, intolerância e indiferença.
E quero começar por mim.
Porque talvez a verdadeira independência também seja uma conquista íntima.
Foi preciso muito tempo para que esta Maria compreendesse que não precisava deixar de ser sensível para ser forte.
Que lágrimas não diminuem ninguém.
Que recomeçar não é fracassar.
Que a fé não nos impede de lutar — ela nos ensina por que vale a pena continuar lutando.
Que posso carregar cicatrizes e ainda assim oferecer flores.
Que posso atravessar tempestades e continuar procurando o amanhecer.
Que posso amar meu país sem fechar os olhos para aquilo que nele precisa mudar.
E que posso amar as pessoas sem abrir mão do respeito que também mereço.
A minha bandeira, portanto, não é apenas verde, amarela, azul e branca.
Minha bandeira tem a cor da esperança.
Tem o azul daquilo que ainda sonho alcançar.
Tem o verde das vidas que precisam florescer.
Tem o amarelo da luz que procuro todas as manhãs.
E tem também as cores invisíveis da alma: fé, coragem, dignidade, liberdade e amor.
Não quero substituir o Brasil da história.
Quero apenas acrescentar a ele uma página.
A página de uma mulher comum.
A página de Maria.
E nela escrever:
“Brasil, talvez a nossa maior independência ainda esteja por acontecer: aquela que libertará o cidadão não apenas de um domínio político, mas de tudo aquilo que o impede de viver plenamente como ser humano.”
Porque o Brasil não é apenas uma terra descoberta, uma colônia que se tornou império, uma república ou uma bandeira hasteada.
O Brasil somos nós.
Somos as Marias.
Os Josés.
Os Antonios.
As crianças que chegam.
Os velhos que partem.
Os que trabalham.
Os que estudam.
Os que lutam.
Os que acreditam.
Os que ainda esperam.
E, enquanto houver alguém capaz de acreditar que este país pode ser mais justo, mais humano e mais digno, a independência ainda estará acontecendo.
Talvez o verdadeiro grito do Ipiranga, para nós, não precise mais ser:
“Independência ou Morte!”
Talvez possa ser simplesmente:
“INDEPENDÊNCIA PARA VIVER — E LIBERDADE PARA SER.”
E eu, Maria, continuarei fazendo a minha pequena parte.
Entre lutas e paz.
Entre lágrimas e risos.
Entre livros e orações.
Entre o Direito e a fé.
Entre aquilo que fui e aquilo que ainda posso ser.
Porque a liberdade que procuro não é a de fazer tudo o que quero. É a de poder ser quem sou, respeitando o outro e sendo respeitada também.
E talvez seja essa a independência que ainda precisamos conquistar.
Paz e bem.
By MângelaCastro 🌻07/9/2026
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