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terça-feira, 22 de setembro de 2026

ENTRE O ALTAR E A PRAÇA — O QUE FEBE NOS RECORDA

 Bom dia caros irmãos (ãs) de fé e laicato....

Recordando que qualquer comentário e ou opinião sobre os dogmas da igreja, são apenas opiniões diversas, que podem ser apreciadas pelos demais, mas, não é LEI!

Uma coisa é respeitar a autonomia da Igreja para guardar sua doutrina. Outra, bem diferente, é imaginar que a discussão sobre o lugar da mulher dentro dela esteja encerrada. A própria história da Igreja nos lembra de Febe, a diaconisa de Cencreia.

Entre o altar e a praça, há uma conversa que ainda precisa ser feita.

E que dentro da teologia católica apostólica romana, não haja uma democracia velada...

Bora lá entender um pouco mais um tema que caminha nas poeiras do séculos, entre o VELHO E O NOVO NORMAL.

Há manhãs em que a natureza parece nos ensinar antes mesmo que abramos um livro.

Hoje amanheceu nublado. A madrugada foi de chuva e, embora o sol não tenha aparecido, o dia trouxe um ar mais ameno, mais leve de respirar. A terra molhada devolveu à manhã aquele perfume que parece sair das próprias raízes da vida.

Talvez por isso eu tenha pensado que algumas discussões humanas também precisariam de chuva.

Precisariam ser lavadas um pouco do calor das palavras, das respostas apressadas e das certezas que, às vezes, transformam uma conversa em confronto.

As notícias destes últimos dias trouxeram novamente para o centro da discussão a relação entre política e religião, depois de declarações do presidente da República sobre a Igreja Católica, o celibato sacerdotal e a possibilidade de maior participação das mulheres na estrutura religiosa.

Algumas lideranças católicas reagiram duramente.

E compreendo que a Igreja tenha o direito de preservar sua doutrina, sua tradição e sua autonomia diante do poder civil.

Mas, ao ouvir algumas dessas manifestações, uma pergunta me veio à consciência:

Será que a discussão sobre o lugar da mulher dentro da Igreja Católica está realmente encerrada?

Talvez a própria Bíblia nos peça um pouco mais de cuidado antes de responder.

Quase dois mil anos atrás, São Paulo escreveu aos cristãos de Roma recomendando uma mulher chamada Febe.

Não apenas a mencionou.

Recomendou-a.

Chamou-a de irmã e associou seu nome ao serviço da Igreja de Cencreia.

Febe não é uma invenção dos tempos modernos.

Não é produto do feminismo contemporâneo.

Não nasceu de uma discussão política.

Seu nome está nas Escrituras.

E a própria Igreja Católica reconhece historicamente a existência de mulheres que exerceram serviços diaconais nas primeiras comunidades cristãs e, posteriormente, em diferentes regiões da Igreja antiga, embora a natureza dessas funções não tenha sido idêntica ao diaconato masculino tal como hoje o conhecemos.

É justamente por isso que precisamos separar as coisas.

Uma coisa é discutir a ordenação sacerdotal feminina, questão que a Igreja Católica mantém em sua doutrina atual.

Outra é afirmar que a presença feminina em funções de serviço, responsabilidade, liderança e governo dentro da Igreja seria uma novidade estranha à sua própria história.

Não é.

A história é mais complexa.

E talvez seja justamente essa complexidade que nos ajude a conversar melhor.

Ao longo dos séculos, o ministério das diaconisas existiu de formas diferentes em determinadas regiões da Igreja. Em alguns lugares, elas auxiliavam no batismo das mulheres, cuidavam de necessidades específicas das comunidades femininas e exerciam funções de serviço e mediação junto aos bispos. A documentação histórica reunida pela própria Comissão Teológica Internacional reconhece que esse ministério existiu, embora ressalte que ele não era simplesmente o equivalente feminino do diaconato masculino atual.

Portanto, dizer que a mulher na Igreja é uma novidade do nosso século seria esquecer uma parte importante da própria história cristã.

E talvez seja aqui que nossa reflexão precise respirar.

Uma coisa é a autonomia da Igreja para guardar sua doutrina; outra, bem diferente, é imaginar que a discussão sobre o lugar da mulher dentro dela já esteja encerrada. A primeira deve ser respeitada. A segunda continua sendo objeto de reflexão dentro da própria Igreja.

Francisco abriu novos espaços para a participação feminina na vida e no governo da Igreja, e o processo de reflexão não terminou com seu pontificado.

Isso também não significa dizer que a Igreja tenha decidido ordenar mulheres sacerdotes ou bispas.

Não decidiu.

E não precisamos alterar os fatos para defender uma reflexão.

Talvez justamente o contrário.

Quando conhecemos nossa história, não precisamos inventar argumentos.

Eles já estão lá.

Estão nas Escrituras.

Estão nos documentos antigos.

Estão nas mulheres que, ao longo dos séculos, serviram à comunidade cristã.

Estão nas mulheres que hoje estudam teologia, ensinam, evangelizam, administram instituições, participam de organismos eclesiais, cuidam dos pobres, acompanham enfermos, catequizam crianças e jovens e ocupam funções de responsabilidade dentro da Igreja.

E talvez a pergunta mais profunda não seja apenas:

“A mulher chegará um dia ao altar?”

Talvez devêssemos perguntar:

“Quantos lugares dentro da Igreja já foram transformados pela presença das mulheres?”

Febe talvez não tenha imaginado que seu nome atravessaria dois milênios.

Mas atravessou.

E chegou até nós justamente pelas palavras de Paulo.

Uma mulher reconhecida por seu serviço à comunidade cristã.

Uma mulher que não precisou desaparecer da narrativa para que a tradição fosse preservada.

Ao contrário: ela permaneceu na própria Escritura.

Por isso, quando hoje discutimos o papel da mulher na Igreja, talvez devêssemos fazê-lo não como quem chega a uma casa estranha para exigir entrada.

Talvez devêssemos fazê-lo como quem reencontra, dentro da própria casa, uma antiga fotografia esquecida.

Febe está ali.

E nos lembra que a presença feminina na Igreja não começou ontem.

A discussão de hoje é outra.

É saber como essa presença continuará sendo compreendida pela Igreja do nosso tempo, à luz de sua tradição, de sua teologia e também dos sinais dos tempos.

Entre o altar e a praça existe um espaço onde precisamos aprender a conversar.

Na praça está o cidadão.

No altar está o fiel.

E uma mesma pessoa pode ser os dois.

Pode respeitar a Igreja e exercer sua cidadania.

Pode defender a autonomia da religião e, ao mesmo tempo, refletir sobre seus caminhos.

Pode amar a tradição sem acreditar que toda reflexão sobre ela deva ser encerrada.

Talvez seja essa a maturidade que nosso tempo esteja nos pedindo.

Não transformar a fé em instrumento político.

Não transformar a política em tribunal da fé.

E não transformar uma discussão legítima sobre a mulher em uma guerra entre homens e mulheres.

Porque, no fundo, talvez a questão seja muito maior.

É sobre serviço.

É sobre dignidade.

É sobre vocação.

É sobre a capacidade de uma comunidade de reconhecer os dons que Deus distribui entre seus filhos e suas filhas.

Hoje, enquanto a chuva repousa sobre a terra, penso em Febe.

E me pergunto se algumas palavras antigas não continuam chegando até nós justamente quando precisamos delas.

Talvez a chuva desta manhã tenha sido apenas chuva.

Mas talvez também tenha sido um convite:

Entre o VELHO E O NOVO NORMAL...

baixar a poeira, refrescar as palavras e voltar a conversar.

Entre o altar e a praça.

Entre a tradição e a reflexão.

Entre o que a Igreja preserva e aquilo que ela continua discernindo.

E, quem sabe, entre nós e aquela mulher chamada Febe, que há quase dois mil anos nos lembra que a mulher também estava lá.

Servindo.

Participando.

E fazendo parte da história da Igreja.

Talvez seja justamente por isso que conhecer a história seja tão necessário — e respeitar as diferentes opiniões, ainda mais.

A Constituição de 1988 nos assegurou a liberdade de consciência e de crença, estabelecendo o respeito à diversidade religiosa em nossa sociedade. Mas uma Igreja também é feita de pessoas que pensam, perguntam, refletem e, dentro de seus próprios limites teológicos, continuam discernindo seus caminhos.

A tradição merece respeito.

A doutrina merece ser conhecida.

E a opinião diferente também merece ser ouvida sem que, por isso, alguém seja transformado em adversário da fé.

Talvez uma Igreja que reconhece os erros de seu passado e continua refletindo sobre o seu presente não seja uma Igreja enfraquecida.

Talvez seja justamente uma Igreja viva.

E talvez seja essa a grande lição que Febe, silenciosamente, ainda nos oferece:

A história não começou conosco — mas também não terminou em nós.

Paz e Bem.

By MângelaCastro - 22/9/2026
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ENTRE O ALTAR E A PRAÇA — O QUE FEBE NOS RECORDA

 Bom dia caros irmãos (ãs) de fé e laicato.... Recordando que qualquer comentário e ou opinião sobre os dogmas da igreja, são apenas opiniõe...