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sábado, 26 de setembro de 2026

PRESA, ENSIMESMADA, MAS AINDA CANTANDO ...

Bom dia amadinhos, amadinhas  de Nosso (a) Senhor (a)!

Há momentos em que a alma se sente presa entre grades que ninguém vê.
Mas, mesmo ferida, ainda pode cantar — porque enquanto houver vida, há sempre uma janela aberta para a regeneração.

🌿 Uma reflexão sobre dor, silêncio, tempo, fé e a coragem de continuar.


Salmos 126:2: "Não, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de cânticos; então, se dizia entre as nações: Grandes coisas fez o Senhor a estes."

  • Provérbios 17:22: "O coração alegre aformoseia o rosto, mas, pela dor do coração, o espírito se abate."

  • Bom dia, amadinhos e amadinhas de Nosso (a) Senhor (a)!

  • Há dias em que a alma parece atravessar uma tempestade, mesmo quando lá fora quase não chove.

    Ontem foi um desses dias.

    Não houve necessariamente grandes enxurradas sobre a cidade, mas dentro de mim havia um barulho difícil de silenciar. E, quando o barulho interior se torna intenso demais, esquecemos até mesmo algumas das regras mais simples da existência: respirar, esperar, ouvir, ponderar.

    É quando podemos nos esquecer de nós mesmos, e quiçá do outro ao seu lado.

    E talvez tenha sido justamente assim que, em meio àquela turbulência, me veio a imagem de uma fotografia antiga, já um tanto embaçada pelo tempo.

    Uma fotografia que parecia prestes a se desfazer.

    Mas, olhando melhor, percebi que talvez ela ainda pudesse receber alguns retoques.

    Segurei-a, então, simbolicamente, entre as mãos.

    Porque nem tudo aquilo que o tempo desgasta está perdido.

    Há coisas que precisam apenas de cuidado.

    E foi quando o barulho se calou.

    Um silêncio inesperado fez morada dentro de mim. E, como um lampejo atravessando as vidraças de uma janela escancarada para a vida lá fora, quase ouvi uma voz dizendo:

    — Vá. Saia por essa janela. A vida lá fora ainda espera por você.

    Foi então que compreendi que aquela fotografia não era apenas uma lembrança.

    Era também uma metáfora.

    Talvez todos nós sejamos, em algum momento, fotografias antigas tentando resistir às intempéries do tempo.

    E talvez a nossa maior dificuldade seja compreender que, quando alguma coisa se quebra dentro de nós, a primeira reação não deveria ser abandoná-la, mas procurar saber se ainda existe ali alguma possibilidade de regeneração.

    Foi quando me veio outra imagem: uma avezinha presa numa gaiola.

    Ela canta.

    Mas seu canto é triste.

    Olha para fora e vê outras aves bailando livres pelo céu, leves, soltas, enquanto permanece entre grades e ferrolhos, num espaço escurecido demais para quem nasceu para voar e brilhar por si só.

    E penso que, às vezes, também nos sentimos assim.

    Presos. 

    Entediados.

    Amuados, como diz meu neto.

    E, nos momentos mais íntimos de silêncio, talvez a pequena ave se pergunte:

    — O que faço com este momento?

    Talvez seja essa também a nossa pergunta.

    Vivemos tempos difíceis. E, em meio a tantas divergências, violências contra todo um sistema, parece que muitas vezes perdemos o nosso centro.

    E perder o centro, para mim, é também correr o risco de perder Deus como referência da existência.

    Quando olhamos apenas para o próprio umbigo, esquecemos que a vida é muito maior do que nossas certezas, nossas disputas e nossas pequenas razões.

    A vida tem poder de regeneração.

    Mas regenerar exige equilíbrio.

    Exige bom senso.

    Exige cuidado.

    Exige compaixão.

    Radicalidade em todas as coisas, nunca foi a resposta que a vida espera de nós.

    Eclesiastes (3:11) nos lembra que há tempo determinado para todo propósito debaixo do céu.

    Talvez nos falte justamente aprender a respeitar os tempos. O tempo de fazer.

    O tempo de falar.

    O tempo de silenciar.

    O tempo de discordar.

    O tempo de compreender. 

    O tempo de deixar ir.

    E também o tempo de reconstruir.

    Porque, quando nos deixamos dominar pelas emoções, podemos acabar roubando da calma a sua plenitude e transformando a própria existência num lamento permanente.

    É nos meus silêncios mais profundos, quando tudo finalmente se aquieta n’alma, que algumas perguntas insistem em chegar:

    Por que divergimos tanto?

    Por que guardamos tantos tesouros dentro de nossas pequenas pirâmides, se a vida passa tão depressa?

    Para que tanta disputa, tanta dureza, tanta necessidade de ter razão, se amanhã poderemos simplesmente não estar mais aqui?

    Um dia, tudo ficará para trás.

    E então penso nos sepulcros caiados.

    Penso naquilo que permanece quando todas as aparências desaparecem.

    E me pergunto:

    O que levaremos conosco?

    Certamente não os tesouros.

    Não as disputas.

    Não as vaidades.

    Talvez levemos apenas aquilo que conseguimos transformar em amor.

    E talvez seja justamente aí que esteja a grande lição:

    a vida não nos pede que permaneçamos intactos.

    Pede-nos que, mesmo depois das tempestades, aprendamos a nos regenerar.

    Que a fotografia, ainda que marcada pelo tempo, possa receber novos retoques.

    Que a avezinha, mesmo depois de muito tempo entre grades, não esqueça que nasceu para cantar.

    E que nós, apesar de todas as nossas feridas, não nos esqueçamos de que ainda existe uma janela aberta para a vida. 

    • Esse é o tempo de fazer o que está ainda para ser feito... Não morrer pelas contraditas, mas viver pela ressurreição com toda plenitude!


    Paz e Bem.

    By MângelaCastro — 26/09/2026

  • Enviado por MângelaCastro em 26/09/2026
    Código do texto: T8728518
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  • By MângelaCastro - 26/0/2026

PRESA, ENSIMESMADA, MAS AINDA CANTANDO ...

Bom dia amadinhos, amadinhas  de Nosso (a) Senhor (a)! Há momentos em que a alma se sente presa entre grades que ninguém vê. Mas, mesmo feri...