“Entre paredes azuis e o cheiro de café fresco, descobri que a saudade também é uma forma de abraço…” 💙☕
É importante antes de tudo entronizar a família em tudo que fazes.
Uma família conduzida pela Palavra de Deus foi edificada sobre rocha! Toda família tem os seus problemas e dificuldades, mas aquela família edificada em Cristo supera tudo…- 2 Timóteo 3:16-17
Logo ao amanhecer, sento-me à minha mesa costumeira.
Ergo a tampa do notebook… e, como em cena de filme antigo, os pensamentos me levam de volta no tempo.
Vejo-me sentada diante de uma mesa de fórmica branca.
Estou no interior de uma cozinha de paredes azul intenso — um azul vivo, quase pulsante.
A tinta era preparada ali mesmo: anil, água e cal.
Era mamãe quem misturava tudo, com gosto e paciência, dizendo que nada se comparava ao perfume de parede recém-pintada.
O dinheiro era curto…
mas a criatividade e a vontade de fazer bonito eram imensas.
E, de algum modo, tudo parecia mais simples. Mais leve. Mais possível.
Naquela manhã, porém, algo rompe o silêncio.
Gritos — ou melhor, risos misturados a gritos — ecoam pela casa.
Corro até a cozinha.
E ali encontro uma cena que o tempo jamais apagou:
mamãe jogava sal em uma pequena perereca, tentando fazê-la sair dali.
O bichinho pulava de um canto a outro, enquanto mamãe e meu irmão caçula — ainda no andador, nosso “disco voador” — gargalhavam sem parar.
Entro apressada e protesto:
— Mas o que é isso? Coitado do bichinho!
Ela, rindo, responde:
— Estou tentando colocá-la para fora… não quero usar a vassoura e acabar machucando.
Ainda assustada, retruco:
— Eu ein… acordei com esse alvoroço!
E ela, D.Antonia viúva, como quem muda o rumo da vida com simplicidade, diz:
— Então senta… vou preparar seu café.
E assim… nascia mais um dia.
Na casa da “viúva”, como a chamavam.
Naquele tempo, era comum nomear assim, para distinguir entre tantas outras Senhoras D. Antônias da cidade.
Não havia maldade — ao menos não como hoje, quando palavras podem ferir, ganhar força, ecoar e se tornar peso.
Porque, no fundo, o que realmente importa…
é a intenção que habita cada gesto, cada palavra.
Hoje, mamãe mora na pátria celeste.
E eu espero, de coração, que esteja em paz.
Mas sua presença ainda vive — forte — nas lembranças.
Nada era exatamente bucólico…
conviver com ela era, ao mesmo tempo, fácil e desafiador.
Era firme. Intransigente com a vida.
Mas deixou…
um rastro inesquecível.
O perfume do pão aquecido na chapa.
O café passado na hora.
O lanche da escola — ora com mortadela, ora com doce de goiaba,
ou simplesmente pão com margarina, açúcar e canela.
E, de repente…
a vida se tornava doce.
As risadas ainda ecoam — distantes, quase se apagando —
mas não se perdem.
Porque hoje, tudo revive na memória.
E o que resta…
é essa saudade mansa,
dos bons tempos que não voltam mais,
mas que insistem em permanecer vivos
MângelaCastro 🌿20/3/2026
Enviado por MângelaCastro em 20/03/2026
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