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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

A COZINHA. OFICINA DA ALMA... ...

 OS ANJOS QUE CHEGAM SEM ASAS

E se alguns anjos chegassem sem asas?
Talvez disfarçados de amigos, abraços, lembranças e sonhos...
Há encontros que parecem acontecer justamente quando mais precisamos deles. ✨

Há sonhos que parecem apenas sonhos. E há aqueles que, quando despertamos, permanecem conosco como uma visita que ainda não terminou. Não sabemos exatamente de onde vieram, nem se foram apenas costurados pelas linhas da memória, pelos movimentos do corpo adormecido ou por alguma delicada passagem entre o visível e o invisível. Mas ficam.

Naquela noite, antes de dormir, eu havia feito um pedido. A dor no pescoço, provocada talvez por um travesseiro alto demais ou por alguma posição desajeitada, estava quase insuportável. Pedi aos medianeiros de Jesus que intercedessem por mim, que aliviassem aquela dor.

E dormi.

Foi então que meus amigos de adolescência chegaram.

João, Izabel e Lourdes.

Três amigos que pertencem a um tempo distante da minha vida. Dois deles não vejo há muitos anos; com a outra, vez ou outra, ainda troco algumas palavras pelo WhatsApp. Curiosamente, os três carregam nomes de santos. E, no sonho, chegaram juntos, felizes, sorridentes, como se o tempo não tivesse passado.

João me abraçou.

E eu fiquei surpresa com aquela visita.

Meu irmão mais velho também estava ali. Estávamos numa cozinha — e isso não deixa de me intrigar, porque em tantos dos meus sonhos a cozinha aparece como cenário. Talvez seja apenas uma lembrança afetiva. Talvez seja o lugar onde minha memória costuma preparar suas refeições invisíveis.

João vestia uma camisa vermelha, simples, de mangas curtas.

Lourdes estava, em determinado momento, do lado de fora da casa, num terreno baldio, como se aguardasse o momento certo para entrar.

Izabel corria pelos campos, feliz.

E, depois, estávamos todos juntos.

Havia também uma igreja. Pessoas usando máscaras brancas. A missa seria presidida por um padre amigo, de quem estou afastada há algum tempo e que atualmente enfrenta um tratamento. Talvez uma viagem ou uma missa com a Nossa Senhora de Lourdes pode curar todas as dores que enfrentam-se no momento.

Na fé, uma obra na oficina da alma, nada nos parece assustador.

Ao contrário.

Antes de tudo um alento, um abraço conforta_dor.

Havia uma espécie de alegria silenciosa naquele encontro.

E foi então que, pela manhã, tudo ganhou outra tonalidade.

Uma dimensão sem precedentes com a espiritualidade.

Assistindo à missa pela televisão, ouvi a leitura e a homilia falando sobre os anjos que o Senhor envia pelos caminhos.

Parei.

Meu pensamento voltou imediatamente ao sonho.

E pensei:

Talvez os anjos nem sempre cheguem com asas.

Às vezes chegam com o rosto de um amigo que não víamos há muito tempo.

Chegam num abraço.

Num sorriso.

Numa lembrança que reaparece quando menos esperamos.

Chegam correndo pelos campos, como Izabel.

Esperando do lado de fora, como Lourdes.

Ou simplesmente entrando pela porta da nossa memória, como João.

Talvez os anjos também possam ser aqueles que, de alguma maneira, nos devolvem a alegria de um tempo que julgávamos distante.

Não sei se o sonho foi uma resposta espiritual, uma elaboração da minha memória, uma reação do corpo à dor ou uma dessas misteriosas combinações que a alma faz enquanto dormimos.

E talvez eu nem precise saber.

Porque há mistérios que não pedem explicação.

Pedem apenas escuta.

Quando me sentei diante do computador naquela manhã, com a missa ainda acontecendo na televisão, uma frase surgiu dentro de mim:

“Tudo está no seu devido lugar. Agora é só fazer a obra.”

E compreendi que talvez seja exatamente isso.

Pedimos.

Esperamos.

Sonhamos.

Recebemos sinais que interpretamos à luz daquilo em que acreditamos.

Mas depois precisamos levantar e fazer a nossa parte.

Nossos pedidos não são ordens lançadas ao céu. São sementes que entregamos a Deus, confiando que Ele sabe onde, quando e como fazê-las germinar.

E nossos dons talvez sejam justamente essas ferramentas que recebemos para transformar aquilo que sentimos em alguma coisa que possa alcançar o outro.

Uma palavra.

Um abraço.

Uma oração.

Uma profissão exercida com dignidade.

Uma mão estendida.

Uma crônica escrita numa manhã qualquer.

Talvez seja essa a nossa pequena obra.

Deus pode nos enviar anjos pelo caminho.

Mas também pode nos transformar em anjos no caminho de alguém.

E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de compreender a frase que ficou comigo naquela manhã:

Tudo está no seu devido lugar. Agora é só fazer a obra.

A máquina de costura antiga continua ali.

E eu me sento diante dela.

Puxo a linha.

Escolho o tecido das lembranças.

E começo a costurar.

Sem saber exatamente onde terminam os sonhos e começam as respostas.

Mas com uma certeza tranquila:

nunca estamos tão sós quanto imaginamos.

Porque há pessoas que passam pela nossa vida e deixam presença.

Há pessoas que permanecem mesmo depois de partir.

Há pessoas que reaparecem em nossos sonhos.

E há aqueles encontros que, por alguma razão que somente Deus conhece, chegam justamente quando mais precisamos deles.

Talvez sejam anjos.

Talvez sejam memórias.

Talvez sejam simplesmente amigos.

Ou talvez, no misterioso tecido da vida, sejam todas essas coisas ao mesmo tempo.

Paz e Bem.

By MângelaCastro - 02/10/2026

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Enviado por MângelaCastro em 02/10/2026
Código do texto: T8732908
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