No Dia da Mulher, uma reflexão sobre dor, dignidade e o verdadeiro “primeiro lugar” no olhar de Deus.
Hoje amanheceu por aqui entre o morno e o quente.
O sol se esconde entre nuvens e os ventos marcam presença, balançando as folhagens de um lado para o outro.
E foi assim, em meio a esses pensamentos esvoaçantes da manhã, que uma palavra me visitou: premier.
Nada nasce por acaso neste mundo, e até as palavras que surgem no silêncio da manhã podem carregar pequenas sementes de reflexão.
Premier — primeiro, aquele que ocupa o lugar de destaque.
E então percebo como as mulheres têm ocupado, tantas vezes, os primeiros lugares nos noticiários.
Infelizmente, muitas vezes pelos motivos mais dolorosos: violência doméstica, desaparecimentos, tráfico de mulheres e o terrível crime do feminicídio.
Mesmo existindo leis de proteção, ainda há histórias que nos atravessam o coração.
Pedidos de socorro e sinais são feitos, o botão do pânico é acionado, e muitas vezes, quando a ajuda chega, encontra apenas um corpo estendido no chão. E tem também ocorrido suicídios, deixando um vazio na história do ente querido (a).
Algo ainda falha.
Mas há também outro primeiro lugar que merece ser lembrado.
O apoio de um amigo(a), um parente, dizendo num abraço forte: ___ Estou aqui, vou te ajudar nessa travessia, de conflitos!
Mulheres que refazem suas rotinas, criam seus filhos, reinventam caminhos e seguem caminhando.
Mesmo em uma sociedade que ainda carrega resquícios de machismo, preconceito e racismo — muitas vezes silenciosos — elas continuam avançando.
E então lembro da forma como Jesus Cristo olhava para as mulheres em seu tempo.
Em uma sociedade que frequentemente as marginalizava, escravizava, e ou ainda seguem nesse contexto, Ele lhes devolvia respeito e dignidade.
Entre elas estava Maria Madalena, que encontrou em sua presença a restauração de sua vida e se tornou discípula fiel.
E também a mulher samaritana, no Evangelho de João, que buscava água ao meio-dia, quando famílias almoçavam, para evitar os julgamentos, e ataques da comunidade prosaica.
A ambas Ele ofereceu algo raro naquele tempo: acolhida, escuta, paciência e a possibilidade de recomeçar.
Talvez seja esse o verdadeiro premier no Reino de Deus:
E então me perguntei, neste amanhecer:
Hoje, portanto, não celebro apenas conquistas.
Celebro a nossa coragem como mulheres que continuam caminhando, aprendendo com a vida, trabalhando, educando seus filhos e reconstruindo suas histórias.
E aqui deixo uma reflexão que talvez possa nos ajudar a pensar em caminhos melhores.
Por que, mesmo com leis protetivas e instrumentos de defesa e apoios multidisciplinares e religiosos, ainda vemos no meio de nós, famílias inteiras, porque sim, qualquer tipo de violência que um membro familiar sofra, desestrutura-se todo o clã, sendo vítimas de violência doméstica, e ou social, por preconceitos, perseguições, racismos, falta de acolhida, bullying, por conta daqueles que foram um dia, próximos, que caminharam lado a lado e tanto se amaram? Percebo que o amor foi transformado pelo desrespeito, insegurança, receios, o desespero toma conta. Um caminho verdejante, florido se transforma em um deserto árido
Que novos caminhos de prevenção, orientação e cuidado ainda precisamos construir para que relações que nasceram do amor não terminem em dor?
Alguns passos já começam a surgir no âmbito serviço social, quando a justiça encaminha companheiros que tornam seu cotidiano doméstico um caos de sofrimento, porque estes somam e estão no ranking da pirâmide estrutural social, para acolhe-los nos grupos de apoio psicológico, multidisciplinar, com o intuito de ajudá-los a compreender seus próprios conflitos e seguir adiante sem repetir a violência.
Talvez a verdadeira mudança comece dentro de cada relação humana.
Como nos enseja esse período quaresmal de conversão interior. Porque, como ensinou Jesus Cristo no Evangelho de Mateus:
“Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles.”
Se essa simples regra encontrasse morada no coração das pessoas, talvez muitos lares deixassem de se transformar em campos de batalha.
E o amor, que um dia aproximou duas vidas, poderia ao menos conservar aquilo que nunca deveria se perder: O respeito.
By MângelaCastro - 8/3/2026


