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sábado, 1 de agosto de 2026

COEXISTIR: EIS O VERDADEIRO SENTIDO DA VIDA



Vivemos correndo em busca da vida, mas será que, nessa corrida, não estamos deixando de vivê-la?

Uma reflexão inspirada no Evangelho e na própria natureza, sobre o verdadeiro significado de coexistir e descobrir que a vida encontra seu sentido quando deixa de ser apenas nossa para tornar-se um dom compartilhado.

🌿 Boa leitura!

Há pensamentos que chegam sem pedir licença.

Eles simplesmente se apresentam à nossa consciência, como se fossem pequenas sementes trazidas pelo vento. Algumas passam despercebidas. Outras, porém, encontram terreno fértil e insistem em permanecer, convidando-nos a refletir.

Hoje, ao abrir meu blog, uma pergunta surgiu silenciosamente em meu coração:

O que significa, afinal, buscar o sentido da vida?

Talvez nos pegamos questionando: ___Qual minha missão nesta vida?

Vivemos em uma sociedade que nos ensina, desde cedo, a conquistar, acumular, competir, vencer. Corremos atrás de sonhos, objetivos, reconhecimento, estabilidade, bens materiais... e, muitas vezes, nessa busca incessante, esquecemo-nos de viver.

Foi então que me recordei das palavras de Jesus:

"Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á."
(Mateus 16,25)

À primeira vista, esse ensinamento parece um paradoxo. Como alguém pode encontrar a vida justamente quando deixa de tentar possuí-la?

Talvez porque exista uma diferença entre possuir a vida e participar dela.

Quanto mais tentamos fazer da vida uma propriedade exclusivamente nossa, mais ela parece escapar por entre os dedos. A busca desenfreada por sucesso, prestígio ou segurança pode nos afastar daquilo que verdadeiramente dá sentido à existência: o amor, a compaixão, a solidariedade, a gratidão e o cuidado com tudo o que vive.

Foi então que outra palavra brotou em meu pensamento:

Coexistir. Sim. 

Gosto profundamente desse termo.

Porque ninguém existe por si só.

O ser humano depende da fecundação, seja de forma natural e ou laboratorial, da natureza, dos animais, das plantas, da água, do ar e, sobretudo, uns dos outros. Até mesmo os pequenos seres que habitam os lugares mais improváveis da Terra, como os vermes atolados nos charcos, invisíveis aos nossos olhos ou desprezados por nossa ignorância, desempenham uma função indispensável no equilíbrio da criação.

Nada foi criado sem propósito.

Talvez sejamos nós que ainda não o compreendemos completamente.

Ontem conversando com minha irmã, falamos sobre um tipo de melado que a seiva de uma determinada espécie de árvore, "Bracatinga" vi em um filme quando o pai abandona suas pequenas filhas, e juntas com o irmão mais velho, eles coletavam a seiva dessa árvore e a transformavam em mel, como as abelhas e alguns insetos a tem como alimento, em verdade,  tudo coexiste para a prosperidade da própria vida, e uma simples seiva, pode produzir e se fazer fonte de alimento e renda de trabalho, como a seringueira, na floresta amazônica transforma sua seiva em borracha, em tudo coexiste vida em abundância. Quando observamos uma simples  árvore, percebemos que ela não produz frutos para alimentar a si mesma.

O rio não bebe da própria água.

O sol não guarda sua luz.

As flores não conservam seu perfume apenas para si.

Tudo na natureza existe em relação.

Tudo coopera.

Tudo coexiste.

E por que nós, justamente nós, tantas vezes insistimos em viver como se fôssemos ilhas?

As irmãs desse filme que assisti nos passa esse ensinamento, elas aprenderam olhando o pai fabricar o melado da seiva dessa árvore, e mesmo sem saber, ele estava ensinando um ofício a seus filhos, e eles, ao invés de ficarem se lamentando, uniram esforços e reavivaram o pequeno empreendimento familiar em renda para a sua sobrevivência.

Talvez aí esteja uma das maiores lições da vida.

Buscar apenas a própria felicidade pode nos afastar dela.

Enquanto isso, aqueles que repartem o pão, oferecem um abraço, um aconchego, um telhado que nos abriga das intempéries sazonais, ou apenas um "oi", escutam uma dor, estendem a mão ou simplesmente fazem o bem sem esperar recompensa acabam descobrindo uma alegria que não se compra nem se explica.

Jesus também afirmou:

"Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância."
(João 10,10)

Essa abundância não parece referir-se à quantidade de bens acumulados, mas à plenitude de uma existência vivida em comunhão. Por acaso você que lê os evangelhos, viu Jesus caminhar sozinho, alimentar-se sem a companhia de seu próximo, ter atitudes vis, ou não tenha acolhido qualquer que fosse quem Dele se aproximasse, ou fazer suas obras sem o auxilio cooperativo de seus discípulos?

Talvez o verdadeiro sentido da vida nunca tenha sido simplesmente existir.

Talvez Deus nos tenha criado para algo maior: aprender a coexistir. Esse era uma chamado constante de Jesus a todo aquele (a) que o seguia pelos caminhos da vida, ou dizia seguir e com Ele aprender.

Coexistir com a natureza, respeitando cada forma de vida.

Coexistir com as diferenças, reconhecendo a dignidade de cada ser humano.

Coexistir conosco mesmos, acolhendo nossas limitações e possibilidades, principalmente em nossos íntimos momentos de recolhimento.

E coexistir com Deus, permitindo que Seu amor transforme nossa maneira de olhar o mundo.

Quanto mais reflito sobre isso, mais compreendo que viver não significa ocupar espaço ou contar os anos que passam.

Viver é deixar que nossa existência produza frutos capazes de alimentar outras vidas.

Talvez seja esse o grande paradoxo dos Evangelhos.

Nos ensejando, que quando deixamos de correr desesperadamente atrás da vida para aprendermos a compartilhá-la, é justamente nesse instante que começamos, enfim, a encontrá-la.

Concluo:

"Talvez o maior equívoco da humanidade tenha sido acreditar que viver é vencer, possuir ou destacar-se. A natureza, silenciosamente, ensina outra lição. Tudo nela coopera. Tudo se relaciona. Tudo coexisti. E talvez Deus tenha escrito, desde a primeira manhã da criação, que o verdadeiro sentido da vida nunca foi simplesmente existir, mas aprender a coexistir. Porque somente quem compreende que pertence ao Todo descobre, enfim, por que nasceu, e a que veio."

Paz e bem!

A vida é um sopro, por isso, cada momento, cada minuto, cada segundo coexistindo pode fazer toda a diferença.

By MângelaCastro - 01/8/2026

Enviado por MângelaCastro em 01/08/2026
Código do texto: T8687363
Classificação de conteúdo: seguro
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