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terça-feira, 5 de maio de 2026

“A DE AMARELO"...

__Há um momento em que deixamos de ouvir o mundo…
e começamos, enfim, a lembrar quem somos.


Uma reflexão entre arrependimento, batismo e perdão.

(Bíblia – Atos 2:38)

Há amanheceres que não chegam com o dia.
Despertam por dentro — silenciosos, tardios… inevitáveis.

Às vezes, é preciso descer um degrau
para só depois compreender a subida.
E não como conquista,
mas como consciência.

Há momentos em que alguém nos chama
não pelo nome,
mas por aquilo que vê.

“A de amarelo.”

E, de início, parece pouco.
Quase nada.

Mas há um instante — breve e profundo —
em que a alma pergunta:
“E quem sou eu, além do que veem?”

O batismo, dizem, é um rito.
Mas, em verdade, é lembrança.

É fonte do Espírito Santo.

Não da água que toca a pele,
mas daquilo que um dia tocou o espírito.

Há quem vista o branco por tradição.
Há quem carregue marcas invisíveis por dentro.

Há sombras se revelando na luz.

E, entre símbolos e silêncios,
a vida segue nos chamando de volta.

Nem sempre com palavras.
Às vezes, com encontros.
Outras, com pequenas rupturas.

Um olhar.
Um esquecimento.
Um nome não dito.

E, curiosamente, é nesses desvios
que algo se revela.

Não sobre o outro —
mas sobre nós.

Há silêncios que curam.
E há silêncios que escondem.

Discernir entre eles
é também um caminho de fé.

Como Maria, que guardava no coração,
há tempos de recolher.

Mas também há tempos de emergir.

Sem confronto.
Sem dureza.
Apenas verdade.

Porque lembrar o próprio nome
não é um ato de afirmação ao mundo —
é um reencontro íntimo com aquilo que Deus já conhece.

“Antes que fosses formado, já eras conhecido.”

(Jeremias 1:5)

E então compreendemos:

Nem sempre é sobre o que dizem.
É sobre o que, dentro de nós, desperta.

Há histórias que não precisam ser explicadas.
Há caminhos que não precisam ser justificados.

O que é verdadeiro
permanece.

O que é essencial
retorna.

E, mesmo que o mundo insista em reduzir,
a alma — quando desperta — já não se esquece.

Se vierem os rótulos, que venham.
Se vierem os enganos, que passem.

Há algo que permanece intacto:

o nome inscrito onde ninguém vê.

E, quando isso se torna claro,
já não importa como chamam.

Porque, enfim,
há reconhecimento.

— não no exterior,
mas no silêncio onde Deus habita.

MângelaCastro – 04/05/2026


Enviado por MângelaCastro em 04/05/2026
Reeditado em 05/05/2026
Código do texto: T8619324
Classificação de conteúdo: seguro
Licença Creative CommonsEsta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

É Preciso Fazer de Novo: Um Sonho, Uma Preparação”

 

____Às vezes, Deus nos fala em silêncio — e os sonhos se tornam pontes de auxílio, cuidado e autoconhecimento. Ouvir o que a alma revela também é uma forma de se evangelizar, se educar para a vida. ____

Assim, hoje eu vos convido a: ___observar, acolher, discernir, agradecer pelo dom da vida e as experiências que Deus nos concede todos os dias de infinitas formas e sinais, pontes de amor, de alivio para o cansaço, de fortaleza e cura para a alma, para enriquecer nossa jornada… e seguir.

E assim desperto para mais um dia de trabalho e partilha espiritual, com desejos de um bom dia e de paz para os paises em guerra, em conflitos, fazendo acordos, principalmente os que se intitulam cristãos!

Deus conosco, sob as bênçãos de Nossa Senhora! Assim, sem contestar os caminhos que Deus preparou para essa minha jornada, seja envolta em marés revoltas, ou brandas com leve sopro para a alma, então, me sentindo abraçada por essa proteção, que iniciei minha manhã orante e reflexiva. Pois, na noite passada, que se despedia — já quase amanhecendo — vivi um encontro que ficou pulsando em mim como revelação silenciosa. Um sonho que me inspirou às verdades de Jesus. (Atos 2:17"Jeremias 29:11, Daniel 2;28, Gênesis 37:5

Esses versículos mostram que Deus pode usar os sonhos para comunicar Seus planos orientar nossas vidas.

Veja bem, foram anos valorosos para mim o que agora compartilho. Estive com uma irmã de fé, de caminhada e de trabalho no bem. Mulher íntegra, caridosa, de profunda espiritualidade e amor ao serviço fraterno. Como todo grupo que se propõe a evangelizar pelo exemplo, vivia os ensinamentos de Jesus na prática cotidiana da caridade, do acolhimento e da fraternidade. Foi uma irmã entre tantas outras que presidiu, com dedicação e amor, uma casa de sopa onde aprendi a servir, por mais de dez anos — um tempo de preparo espiritual vivido de forma simples e quase anônima. Essa experiência sempre me recordou o próprio Jesus, que antes de sua vida missionária passou por um período de recolhimento, oração e amadurecimento espiritual junto a comunidades de profunda fé e vida fraterna, como a dos essênios. Ali a pedido da espiritualidade da casa, muito bem dirigida, aprendi a exercer meu dom de escrevente e cresci na escuta interior, compreendendo que a verdadeira evangelização começa no silêncio do coração e se expressa no cuidado com o outro.

No sonho, essa amada irmã,(deixo de citar nomes para cuidar da privacidade familiar, e aqui, denominar pessoas não é o objetivo da postagem mas compartilhar minha experiência espiritual e filosofia de vida.) ela estava com seu esposo, agora viúvo, que ainda caminha no meio de nós, em um quarto muito pequeno, simples, quase provisório. Parecia que haviam chegado ali a convite de um senhor que lhes arrumara aquele espaço em um prédio. Sentei-me ao seu lado, numa cama ainda por arrumar. Tudo ali me dizia que o ambiente precisava ser reorganizado, preparado.

Ao nosso lado, havia uma colcha de retalhos, bem colorida. E eu, inquieta, insisti em perguntar:

É isso mesmo que você quer, a chamando pelo seu nome!?

Com a calma que sempre lhe foi própria, ela me respondeu:

Sim, Maria. É preciso fazer de novo. Tentar de novo, me respondeu ela…

"___nascer novamente, sendo velho. Jesus esclareceu que novo nascimento é 

espiritualnão físico, envolve nascer "da água do Espírito" (João 3:5).

Depois que saí daquele lugar, deparei-me com uma jovem mãe, com dois filhos ainda bebês. Em meus braços, eu segurava uma menininha — que no sonho seria filha do meu filho. Vi então meu próprio filho dormindo tranquilamente entre duas crianças.

Disse à moça, que no sonho era amiga dele:

Olhe… não precisa se preocupar. Eles estão bem. Estão em paz.

Na terceira e última cena, vi minha irmã saindo de carro. Um carro diferente dos que estamos acostumados a ver. Na carroceria, havia uma grande pele de um animal — parecia a pele de um boi. Dentro do carro, três moças que não conheço, que não fazem parte do meu círculo de convivência. Elas seguiam para uma festa, estavam bem trajadas e com cores claras, o carro era sem capota, estilo de jovem, e tinha uma tonalidade creme bem suave.

No fundo, senti um leve receio. Mas, ao mesmo tempo, sabia que tudo seguia conforme precisava ser.

De repente, uma das moças desceu do carro e resolveu voltar para casa. Sentiu medo. Logo atrás dela vinha minha irmã, correndo de volta também.

Perguntei:

O que aconteceu, Margo? Por que estão voltando?

Ela me respondeu:

Ela não quis mais seguir viagem. Então resolvi voltar com ela, para que não voltasse sozinha.

E então acordei.

O que ficou em mim, sobretudo do encontro com a irmã da casa da sopa, foi a sensação clara de preparação. Como se ela estivesse se organizando para refazer sua vida, em outro plano, em outro tempo, em outra forma de serviço.

Porque, como ela mesma me disse:

____“É preciso, Maria, tentar de novo. fazer de novo” (João 3:5)

Dessa forma, percebo que nossas idas e vindas sejam exatamente isso: convites da espiritualidade para recomeços necessários. É como coser uma grande colcha de retalhos, nossos pedaços de vida, vamos assim fechando um quadro e abrindo um novo, nada deve ficar por fazer, incompleto ...

Lembro-me de Chico Xavier, em aparição a José de Paula, esse mesmo contou-me quando lhe fiz uma visita no leito de dor, segundo ele em visão em sua casa, Chico lhe disse com doçura e humor, o chamando por um apelido mútuo, cujo não mais me recordo :

Você está pensando que estou aqui descansando numa rede? Nada disso, meu amigo… sigo trabalhando.

José de Paula, foi presidente de um centro espírita em Franca, também Kardecista, de fraternidade e oração, distribuíam sopas, pães, cobertores no frio, confidenciou-me certa vez quando retornei à sua casa a seu convite para falarmos sobre os tempos de Jesus, que tinha medo de partir e deixar seu trabalho incompleto, eu lhe respondi, que ele podia ficar tranquilo porque nada fica incompleto. Algum tempo depois, também ele retornou à Pátria Espiritual, acometido por um câncer, seu trabalho aqui entre nós, com certeza segue no auxilio. E ficou para mim como legado, sua afirmação, quando saindo da casa de sopa se voltando para trás, olhou para mim, e me disse: ______Nunca te esquecerei!! Você pode "bater" a sua batida não dói"! Foi o ultimo aconselhamento que guardo comigo como tesouro de vida...

Hoje compreendo melhor: o trabalho não cessa. Ele apenas muda de plano, de forma, de vestimenta.

E talvez, no silêncio dos sonhos, o céu encontre maneiras delicadas de nos contar isso.


🌙 LEITURA ESPIRITUAL DO SONHO (EM SÍNTESE)

  • O quarto pequeno e simples → espaço transitório, preparo, adaptação espiritual

  • A cama por arrumar → continuidade do trabalho, nada está “finalizado”

  • A colcha de retalhos → vidas costuradas por experiências, perdas, recomeços

  • “É preciso fazer de novo” → lei do progresso, serviço contínuo

  • As crianças dormindo em paz → proteção espiritual, confiança no amparo

  • O carro e a festa → escolhas da vida, caminhos distintos

  • Voltar para não deixar ninguém sozinho → amor, responsabilidade espiritual, solidariedade que transcende planos


 FRASE FINAL : -Na espiritualidade, ninguém repousa no ócio. O amor nos chama sempre a recomeçar. Como semente lançada ao solo novamente. A VIDA, tanto espiritual tanto como verbo encarnado é sempre recomeços, nada fica estagnado ou perdido na estrada de nossas experiências, de nossos trabalhos, fé orante, tudo é luz, caminho, verdade (João 14:6 )🌿

By MângelaCastro - 23/01/2026
Enviado por MângelaCastro em 23/01/2026
Código do texto: T8541377
Classificação de conteúdo: seguro

domingo, 18 de janeiro de 2026

SAUDADE IMAGINÁRIA ...

___Há saudades que não têm memória,
mas habitam a alma como se sempre estivessem ali.
Talvez não seja do que vivi, mas do que sempre soube que era possível sentir. ___

Um convite, não solte o fio!! ...

Há janelas que não se abrem para fora,
mas para dentro da alma.

Hoje amanheci com uma alegria mansa no coração,

Notícias que atravessam fronteiras, trazem alívio,

respostas pras manhãs em oração ....

E ...
uma fé lagrimosa, dessas que não fazem alarde,
mas dão resposta em silêncio —
como se a missa tivesse falado direto comigo.

Nos meus despertares da vida, quase incontáveis,
muitas foram as vezes em que me debrucei
na janela da minha casa.
Desde a adolescência até a maturidade,
experimentei ali minha solitude.

E então vinha — vem ainda —

uma saudade estranha.
Não tem imagens, não tem cores definidas,
não traz sons, perfumes ou sabores, apenas o encanto

de olhar para o céu a noite e piscar no ritmo das estrelas,

ou no por do sol que lentamente se esconde trás o monte ...
É uma falta que se faz presente sem memória.

Lembro da brisa leve roçando meu rosto de menina,

Não via, mas sentia  a energia...
ainda sem compreender a vida que já se mostrava difícil.
Eu, sozinha com minhas emoções,
sem saber nomeá-las,
sem segredar os sentimentos que se entrelaçavam
como galhos, folhas e flores ao vento.

Meus pensamentos vazios.
Há apenas eu
e uma saudade que dói.
Sem história.
Sem passado.
Mas viva.

Sentir falta de algo que nunca foi vivido
pode parecer contradição,
mas aprendi com o tempo,

que é experiência comum da alma humana.
Ela nasce da memória, da imaginação
e das escolhas que ficaram pelo caminho.

É uma nostalgia antecipada, até engraçada!
Uma saudade imaginária. sentindo carinho.

A mente cria cenários, olhando para estrelas, pores do sol, 

sentindo desencontros e possibilidades
tão carregados de afeto, como nuvens trazendo consigo ventos,
que passam a doer como lembranças reais.

Muitas vezes, o que falta não é o fato, não é afeto,
mas o que ele simboliza:
o desejo de pertencer,
de amar profundamente,
de ser livre,
de ser reconhecida.

E para isso não se tem idade...

Eterna é nossa mocidade...

Talvez não seja explicado e do que não aconteceu,

mas do que a alma sempre soube
que era possível sentir. Vozes que nascem
do eco de dentro de mim, de lembranças não lembradas..

By MângelaCastro - 18/01/2026
Enviado por MângelaCastro em 18/01/2026
Código do texto: T8537388
Classificação de conteúdo: seguro

sábado, 10 de janeiro de 2026

“EU SOPRO AOS TEUS OUVIDOS"!

Quando Deus sussurra, a alma reconhece. Há chamados que não fazem barulho — apenas pedem presença. ✨

Depois de alguns dias de descanso nas abençoadas litorâneas de São Sebastião do Rio de Janeiro, mais precisamente em Niterói — onde meu filho e eu fomos acolhidos com amor e alegria — retorno ao lar com a alma mais atenta. Nada acontece fora da condução de Deus; tudo é convite, quando sabemos escutar.

Já em casa, após o café da manhã, quando o corpo desperta para o dia e a alma pede silêncio, retorno às escritas. Foi assim, numa manhã comum, durante a prática ergométrica, que um pensamento veio suave e firme, como quem não pede licença:

“Eu sopro aos teus ouvidos.”

Ao revisitar a postagem de ontem, que nasceu com esse mesmo sopro, compreendi o que nela habitava: um chamado ao retorno. E respondi, quase sem pensar, como quem reconhece a voz que sempre esteve ali:

“Eis-me aqui, Senhor.”

Naquela mesma noite, um sonho veio confirmar a entrega. Nele, uma amiga da adolescência me pedia ajuda para favorecer um encontro que parecia simples, mas carregava esperança. Minha resposta foi igualmente simples, nascida do afeto e da confiança:

Convide-o para um café.

Acordei com o coração leve. Entendi o sonho como sinal: Deus não convoca aos grandes gestos espetaculares, mas à fidelidade cotidiana. Um compromisso renovado de continuar escrevendo palavras que consolem, esclareçam e acendam pequenas luzes no caminho.

Ecoa em mim a invocação que atravessa a história da fé e permanece viva no coração da Igreja:

“Eis-me aqui, Senhor.”

Amanheço atenta também às palavras do Papa Leão XIV ao corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé. Mais do que protocolos, há um apelo urgente ao diálogo, à responsabilidade coletiva e à reconstrução de pontes, em um mundo ferido por guerras, crises humanitárias, deslocamentos forçados e um empobrecimento perigoso da escuta.

O que acontece além de nossos muros não nos é estranho. Reverbera na terra inteira e alcança nossas estruturas humanas, sociais e espirituais. A fé não nos permite a indiferença; chama-nos à vigilância amorosa.

A vida nos convoca, todos os dias, a mover-nos em direção ao outro. Como cristãos, somos chamados a oferecer o melhor de nós — lucidez, oração, ética e gestos concretos de fraternidade — sendo, à maneira de Jesus, lâmpadas para os pés dos caminhantes cansados, que ainda buscam um pouco mais de vida plena.



“Falai, Senhor, porque o vosso servo escuta.”
  (1 Samuel 3,10)


By - MângelaCastro - 10/1/2026









"DAR O TROCO" ...CAINDO NA MALHA DA PRÓPRIA INSATISFAÇÃO ...

___Dar o troco parece justiça, mas quase sempre se transforma em prisão para quem o pratica. O perdão não muda o passado, mas devolve a paz ...