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domingo, 31 de maio de 2026

"DOMOS" DE VIDRO. ___QUEM ME CHAMA À VIVÊNCIA?

 Bom dia com alegria, 

Entre o ninho e o voo existe um aprendizado indispensável: viver em comunidade. Uma reflexão sobre família, pertencimento, crescimento e os caminhos que nos ensinam a voltar para casa. 🍃

Família

"Onde a vida começa
e o amor nunca termina".
(Ninho de beija-flor em nossa varanda ...foram seis(6) ninhadas consecutivas)...

Mais uma reflexão nasceu nessa manhã de sábado ensolarado, um convite à vida lá fora...

A terra já desperta para a vida, tem a sua própria sonoridade, como o bem-te-vi, ouço ao longe um chamado diferenciado e melódico durante o romper da aurora. ___Quem me chama à vivência?

Desde os primórdios, somos comunidade. Necessitamos uns dos outros para aprender, crescer e atravessar os dias. Ninguém vive sozinho.

Nós, pais, por amor, muitas vezes colocamos nossos filhos em "domos" de vidro, tentando protegê-los das intempéries do mundo, do que presumimos ser, inadequado para eles. Sem perceber, podemos enfraquecê-los. E quando chega a adolescência, fase em que procuram suas próprias tribos, suas afinidades e pertencimentos, sentem mais dificuldade para construir seus próprios ninhos.

A boa notícia é que, enquanto houver vida, sempre haverá oportunidade de corrigir rotas e aprender novos voos.

Reunimo-nos em grupos conforme nossas necessidades, afinidades e propósitos. Isso é saudável para o crescimento humano, espiritual e intelectual. É também nesses espaços que construímos nossas memórias afetivas.

Valeu a pena. Conviver nem sempre é fácil, porém são esses aprendizados, construídos no encontro com os outros, que levamos para o resto da vida. São eles que fortalecem nossas asas para os voos futuros e, quando necessário, nos ajudam a encontrar o caminho de volta ao ninho.

Hoje, já na maturidade da vida, sinto alegria ao recordar que convivi com muitas "tribos" além da família. Uma delas foi a Igreja, através do catecismo. Lembro-me da querida Dona Galdina nos ensinando as orações, os Dez Mandamentos e os fundamentos da fé. Eu achava o Credo muito comprido e custava a decorar a Salve Rainha. Hoje, curiosamente, é uma das orações que mais rezo e com a qual faço meus pedidos, até neste tempo de entardecer da idade.

Recordo também das pequenas provas catequéticas. O padre nos chamava para recitar as orações e eu tremia da cabeça aos pés. As regras eram rígidas e precisávamos ter tudo na ponta da língua. Naquele tempo parecia difícil, mas hoje sorrio ao lembrar de mim mesma.

Valeu a pena. 




Eu primeira comunhão em Pedregulho, e meu irmão mais velho João Carlos ...

Conviver nem sempre é fácil, porém são esses aprendizados, construídos no encontro com os outros, que levamos para o resto da vida. São eles que fortalecem nossas asas para os voos futuros e, quando necessário, nos ajudam a encontrar o caminho de volta ao ninho.

O lar é nosso primeiro porto seguro. É nele que aprendemos a viver em comunidade, respeitando limites, regras e diferenças. É ali que recebemos as primeiras lições de convivência.

É verdade, vivemos tempos inquietos. Pessoas mais agitadas, ansiosas e nervosas, parecem que já intuíram que estão perdendo chão. Especialistas observam profundas transformações sociais e ambientais que afetam nossa forma de sentir e viver. 

Como parte da Terra, também somos influenciados por essas mudanças. Mas também percebo que a nova geração, nossas crianças transitam por nossos espaços com passos firmes, como se tudo já conhecessem, e querendo nos dizer: ___ esse chão é meu, conheço bem e sem cambalear vão conquistando o seu próprio mundo!

Ainda assim, quem cultiva vínculos verdadeiros dificilmente se perde. Há sempre um chamado silencioso, semelhante ao canto dos pássaros ao amanhecer. Não o vejo, mas o ouço. Ele fortalece, orienta e recorda o caminho de volta.

Foi assim em meu sonho dessa noite, quando uma jovem senhora e seu filho aparentando 9 a dez anos de idade, sobem uma ladeira comigo, e depois, mais à minha frente, dobram uma esquina à esquerda e os perco de vista. Penso comigo, onde entraram? Para onde foram? A princípio fiquei preocupada, meio temerosa. Sem respostas, meio que só os vendo no pensamento com um leve sorriso nos lábios, tomo decisão, penso, se foram, daqui para frente estou só comigo mesma, e sigo em frente ...

A verdade, embora alguns dizem ser relativa, nos mostra que nossa casa — de tijolos ou de barro, ou um ninho de pássaro construído com arquitetura e sólidas bases, seguem firmes mesmo em um galho de árvore, somos sustentados por fortes raízes — continua sendo o ninho onde aprendemos a recomeçar, a preparar novos voos. Como aves ainda em aprendizado, somos guiados pelo amor, pelo exemplo e pelos laços que nos unem.

"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam, e nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como qualquer deles." E nós com todos nossos defeitos, fragilidades, ainda somos considerados mais importantes que eles. Não é descaso de Deus por outras "coisas", é um chamado de motivação, um convite ao desapego, e à aliança com Ele, nossa força interior, pois, Ele está no comando e não nos deixará perdidos por aí, e nada nos faltará. (Mateus 6:28-29)"

Viver em comunidade nem sempre é fácil. Cada pessoa pensa, sente e age de maneira diferente, mas devemos ser respeitados. A essência humana, e de todos os seres nesse planeta, permanece a mesma: todos desejamos acolhimento, compreensão e pertencimento.

Por isso, é necessário viver em comunidade. É nela que aprendemos a reconhecer nossos erros, corrigir a direção do voo e fortalecer nossas asas.

Talvez seja esse o verdadeiro crescimento: avançar sem perder o vínculo com aqueles que nos ensinaram a voar, e como no sonho, me acompanharam por um pequeno período no trajeto, uma vez em segurança, soltaram minhas mãos.

Enfim, 🍃 "Nenhuma ave aprende a voar apenas dentro do ninho; é na convivência com o mundo que fortalece as asas e descobre o caminho de volta."MângelaCastro - 30/5/2026

Como nos recorda o Evangelho de Lucas (2,52):

"E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens."

Um feliz e Santo sábado para todos, hoje comemoramos mais uma primavera, do nosso irmão mais novo, rogo oração por ele, o Rico, desejo-lhe tudo de bom nessa vida, e muitas bençãos e frutos que ainda virão a ser colhidos... Te amamos de muintão....Parabéns!

Temos que reaprender diuturnamente, a amar, perdoar, valorizar nossos aprendizados, respeitar as diferenças e reflorescer todos os dias de nossas vidas... Paz e bem.



By MângelaCastro 30.5.2026



sexta-feira, 29 de maio de 2026

A FLOR QUE NÃO ADORMECE ...


A FLOR QUE NÃO ADORMECE ...



Bom dia Caríssimos!

Dar sombra sem escolher quem chega, permanecer firmes mesmo com ventos, e compreender que crescer também exige silêncio por dentro. Há um verde invisível que nasce quando: — alguém perdoa, — alguém acolhe, — alguém escuta, — alguém recomeça. E talvez seja esse o jardim que o céu espera de nós.

Colorir a vida de verde, da cor da esperança que insiste em nascer até nos galhos aparentemente secos.
Verde das matas que respiram por nós.
Das folhas que dançam sem pedir aplausos.
Do café no quintal, do cheiro da terra molhada, da calma que Deus espalhou silenciosamente sobre a criação.

Talvez o mundo esteja cansado justamente porque se afastou do verde da alma.
Corremos demais sobre o cimento das preocupações e esquecemos de repousar os olhos onde a vida ainda floresce sem barulho.

Hoje, que possamos ser um pouco árvore:
dar sombra sem escolher quem chega,
permanecer firmes mesmo com ventos,
e compreender que crescer também exige silêncio por dentro.

Há um verde invisível que nasce quando:
— alguém perdoa,
— alguém acolhe,
— alguém escuta,
— alguém recomeça.

E talvez seja esse o jardim que o céu espera de nós.

🍃 “Quem cultiva a esperança dentro de si, jamais atravessa o mundo em completo inverno.” — MângelaCastro

Que seu amanhecer seja leve, perfumado de paz e cheio dessas pequenas sementes de eternidade... 🌱

By MângelaCastro - 29/5/2026


Enviado por MângelaCastro em 29/05/2026
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terça-feira, 26 de maio de 2026

UM MUNDO DE AMOR POR NÓS

Meio a caminhos tortuosos, quando somos enxovalhados de informações que nos chegam por todos os meios, tais que insistem ser traçadas em nossa jornada, algo silencioso me fala: "Enquanto houver amanhecer, o Senhor da vida continuará nos lembrando que viver é receber novas oportunidades de amar."

 

Bom dia!

Hoje amanheci com o coração em paz, apesar das intempéries que às vezes cercam os nossos dias. Despertei com a certeza de que o Senhor que tudo cria, e faz movimentar, nos antecede, abençoando cada amanhecer como semente lançada à terra, esperando a água, o sol e o tempo de florescer.

Quem abre os olhos para um novo dia recebe também a oportunidade do recomeço. é o milagre cotidiano silencioso acontecendo em nós; prova constante de amor nos dias leves e também nos difíceis.

Todos que vivem sobre esta Terra carregam oportunidades de despertar para a verdadeira vida: amar, agradecer e reconhecer os milagres escondidos na simplicidade.


Ele nos renova sem exigir nada em troca. Alegra-Se quando seguimos, aprendemos, frutificamos. Eu, você e tantos outros somos frutos desse eterno vicejar da vida.


Então, por que entristecer-se tanto, se o amor continua ligando corações, perto ou longe? O amor nunca foi perdição; talvez seja uma das maiores formas de salvação para nós e para o mundo.


O Senhor de todas as causas primárias e futuras, não retira os frutos já colhidos. Ao contrário, acolhe, sustenta e responde quando clamamos.


Laudate ___ "Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor e dai-nos a vossa salvação."(Salmo 84 (85). 


Que a paz habite a nossa terra, o nosso coração e os caminhos daqueles que hoje precisam apenas acreditar mais uma vez. 

By MângelaCastro - 26/5/2026  

Enviado por MângelaCastro em 26/05/2026
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domingo, 24 de maio de 2026

OS "FORA DA LEI"? QUEM SOMOS AFINAL?

 Bom dia!

A ADVOCACIA NÃO É CÚMPLICE DO CRIME. É GARANTIA DE DIREITO.

A advocacia entrou em voga ... "Os fora da lei"? .... Quem somos afinal?

Um texto para reflexão, sem pensamento discriminador, ou até mesmo "achismos", ou apologia ao ódio.... Não podemos misturar os cernes das questões.. Uma coisa , é uma coisa, outra coisa, é outra coisa...rs

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A ADVOCACIA NÃO É CÚMPLICE DO CRIME. É GARANTIA DE DIREITO.

Tenho observado, com preocupação, o crescente julgamento social dirigido aos advogados e advogadas pelo simples fato de exercerem a defesa de clientes em causas impopulares ou criminalmente sensíveis.

Vivemos tempos em que muitos parecem esquecer um princípio elementar do Estado Democrático de Direito: ninguém perde o direito à defesa. A ampla defesa e o contraditório não são favores; são garantias constitucionais.

A ADVOCACIA E A DEFESA.

A defesa existe justamente onde o julgamento já começou.

Defender alguém não significa concordar com seus atos. Orientar juridicamente não é compactuar com eventual ilícito. O advogado não é extensão da vida privada do cliente, nem instrumento para continuidade de práticas ilegais. Há limites éticos, legais e profissionais muito claros.

Quando um profissional responde por atos próprios ilícitos, isso deve ser apurado individualmente. Porém, transformar a advocacia criminal, ou qualquer área da advocacia, em profissão suspeita por natureza, fragiliza não apenas uma classe — fragiliza o próprio direito de defesa de toda a sociedade. Direito de cidadania.

Hoje são os advogados sendo julgados por defender. Amanhã poderá ser qualquer cidadão sem defesa, porque alguém decidiu que defender virou sinônimo de apoiar.

A advocacia livre, independente e protegida não é privilégio da categoria. É proteção da democracia.

Respeito à advocacia é respeito à Constituição. E à própria cidadania!

É importante também salientar que o advogado goza dos deveres, dos princípios fundamentais do direito da classe da advocacia, das prerrogativas do seu direito e da Ética profissional, portanto, tem também o legítimo direito de se defender em liberdade, até que se prove o contrário! O que já é triturador, uma vez colaborador(a) com a justiça, sem advogado (a) não tem julgamento diante da lei... Como diz os antigos, "Entrando de calcanhar pra trás"! Estamos indo de encontro ao Código de Hamurabi? "Olho por olho, dente por dente"? Se Isto estiver acontecendo, é retrocesso, não evolução do direito .... Podemos enquanto sociedade estarmos em perigo Iminente!

Quando o medo alcança quem defende direitos, a sociedade inteira perde proteção.

By MângelaCatro - 24/5/2026

ESPÍRITO, ESPÍRITO, RENOVA-NOS NA EUCARISTIA, BATISMO E MISSÃO ...

Pentecostes: a revelação eucarística, batismal e missionária do Cristo que permanece Vivo.

Hoje, domingo de Pentecostes, celebramos o mistério do Espírito que desce como fogo, mas não queima; ilumina.


Os discípulos estavam reunidos em um local que somente eles conheciam chamado CENÁCULO, permaneciam ali escondidos, como bichinhos acuados com medo do inimigo, ensimesmados, e em oração, entristecidos, pensando haver perdido para sempre o Mestre Amado, Ele se foi. Com eles estava Sua Mãe, perseverando na esperança silenciosa. Talvez ali naquele momento que almas tanto sofriam, lembravam a advertência de Jesus enquanto no meio deles:  ___Orai e vigiai!

Então, é "nessa comunhão" que o Céu visita a Terra.

🔥🔥🔥🔥🔥🔥

Línguas como fogo pairam sobre cada um, o medo cede lugar à coragem e o Cristo, Vivo em Espírito, devolve-lhes aquilo que o mundo tantas vezes tenta nos roubar:

“A paz Seja convosco.” Essa era a sua Senha primordial!

Olhos estupefatos, corações acelerados, diziam para si mesmos: ____É Ele!

E essa paz torna-se força.
A tristeza torna-se missão.
O esconderijo torna-se caminho.
Foi exatamente neste instante, que o Paráclito prometido nos foi enviado, para conosco permanecer para eternidade...

Nasce ali a comunidade enviada ao mundo para anunciar amor, perdão, fraternidade e esperança. Surge uma Igreja missionária, fortalecida pelo Espírito Santo, sustentada pela Presença Viva do Ressuscitado.

Ainda hoje o Espírito sopra. E faz novamente reacender as cinzas que já estavam quase totalmente apagadas, desmotivadas a sustentar-se, por si mesma.

É aí, que Ele Desce sobre a assembleia, sobre corações cansados, sobre almas feridas e pensamentos desordenados. Faz discernir quem permanece no bem, reacende a fé e recorda-nos que Deus continua conosco.

Há uma língua que arde como fogo, mas restaura.
Há uma água invisível que lava culpas e fortalece passos.
Há um silêncio Santo onde compreendemos, sem palavras, todas as linguagens do amor.

Que neste domingo recebamos o Espírito Santo como quem recebe flores luminosas vindas do Céu. Que Ele renove o que se cansou, fortaleça o que enfraqueceu e devolva paz ao que se perdeu.

Vinde, Espírito Santo.
Renova-nos.
Habita-nos.
Faze-nos instrumentos do bem e da Vossa Paz.

Lembremo-nos então nesse dia glorioso que, estejamos onde estivermos, nos quatro cantos do mundo: ___Há fogos de línguas que queimam, machucam. Mas Há também, o fogo do Espírito, que restaura. Então, unidos em um só pensamento, fortalecemo-nos na coragem recebida como assembleia renascente:

Neste domingo, peçamos: Vinde, Espírito Santo de Deus... renova-nos por dentro, onde somente o Céu alcança. 🕊️🔥
_______________/

By MângelaCastro - 24/5/2026

Enviado por MângelaCastro em 24/05/2026
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Amém.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

DESFRAGMENTO DO SER . Alma em Construção ...

Uma conversa silenciosa com a alma... Entre o efêmero e o que permanece. 

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Estive conversando com uma amiga de adolescência e hoje já em nossa maturidade, também escritora de suas memórias e sentimentos, falávamos sobre um dos meus textos, que leu, e me disse: ___ tem momentos que parecem poesia, passando sentimento espiritual, convidando à reflexão, um desabafo, ou tudo alinhado. É isso, há autores que contam histórias, e há outros que em tênues e simples poemas, recolhem pedaços do existir — quase como quem junta folhas secas guardadas dentro de livros antigos para descobrir o perfume do tempo. Meus escritos caminham muito por aí.

Ao reler esta reflexão de 2023, vejo uma mulher debruçada na janela da própria vida, observando o movimento do mundo sem muita pressa de acompanhá-lo. 

Do meu sentimento espiritual, recordo um romance de Chico Xavier belíssimo, e muito forte, que narra a vida de Jesus, e particularmente com personagens também importantes de sua comunidade: "Há dois mil anos", que independente de nossa religiosidade, deveríamos ler.

Nesse romance, quando Jesus já está na cruz no monte do Gólgota a esposa de um senador, do poder romano, tinha o hábito de se desfragmentar da sua identidade como esposa de um político, se vestindo como uma de suas amas, e se dirigia aos encontros com Jesus, só para lhe ouvir as palavras de ternura que a cativou. 

E foi em um dado momento da crucificação de Jesus, já quase ao final da tarde, que ela se debruça na janela e olha em direção ao monte, com um misto de sentimentos: entristecido e amoroso, ela sente naquele momento, no fundo de sua alma, que o seu olhar se encontra com o olhar triste e também amoroso de Jesus na cruz, é um momento enobrecedor, de almas afins que se abraçam com intuito do auxílio. 

Talvez por isso me veja como mulher de fases, que às vezes sai — para cumprir deveres, visitar pessoas, enfrentar o cotidiano — e depois retorna ao seu abrigo interior, esse lugar silencioso onde pensamentos se assentam e a fé encontra morada. Mas nem sempre o caminho é de ida; por vezes a existência parece uma película antiga rodando ao contrário, e imagens, certezas, sonhos e dores voltam desordenados, obrigando-nos a revisitar quem fomos, e ao mesmo tempo nos revitalizar.

Talvez seja isso um desfragmento do ser: pequenos pedaços de nós espalhados entre perdas, esperanças, medo do efêmero, desejo de permanência e busca por algo eterno. Fragmentos que não desapareceram — apenas aguardavam ser reencontrados.

Sim, tem momentos que ao "pensar na materialidade dói em mim", esse é um pensar que chega de fora de mim, percebo então, quão são efêmeras as ilusões da vida, que tudo é transitório, tudo é conhecimento, tudo passa e segue o curso natural junto às estações do ano... assim, faço do tempo e do pensamento, meus aliados.

Às vezes, é necessário sim, que se deixe ir, para que sequem as lágrimas, que se curve diante da vida, dos sonhos, alentos e desejos. E que saiba desejar. Esse é um convite ao desapego das ilusões mundanas.

É preciso que mergulhe profundo nos veios que levam ao futuro, que está apenas começando, sem medo de se arriscar, se fazer feliz, e seguir pelas abstratas alamedas que despontam na contramão da vida.

É certo que é um jogo no escuro, o qual devemos com ele ter paciência, mesmo nem sempre sendo clarividente. Outras vezes, é preciso que se deixe levar pelas asas da prontidão, legando-te a liberdade de voar, voar, além das íntimas muralhas, comungando-te com as verdades que ainda habitam em ti.

Tem momentos que pensando sobre “todas as coisas” me sinto só, na alcova dos meus medos, e me pego questionando:

___Para que louvar então o efêmero?

Sacrificando os dias no pulsar da vida, tornando-se dela dependente... Aqui percebo que, o importante é chegar no final do entardecer dos dias, não em desespero, mas com a certeza de missão cumprida, em entrega total ao Amor que une e nos abraça. Aqui complemento, como aprendi ainda em criança, entregar meu cotidiano, a Ele, Jesus, que conduzirá meus passos, e unirá meus fragmentos conforme minhas necessidades. Amém? 

Paz e bem.

MângelaCastro – 03/8/2023
Revisitado em 22/5/2026


Enviado por MângelaCastro em 22/05/2026
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quinta-feira, 21 de maio de 2026

CAMINHOS - "QUANDO ISSO NÃO ACONTECE, A ALMA ADOECE..."

 "ESPÍRITO SANTO EM DEUS, FAÇA QUE SEJAMOS UM" ....

Quando a alma perde o sentido de pertencimento, adoece em silêncio. Talvez caminhar não seja apenas seguir em frente… mas reaprender a estar ligado ao Amor que sustenta a vida. É dar as mãos e sentir o coração (sentimento) do outro (a) ...

Esta é mais uma de antigas mensagens dos meus guardados, que trago para o hoje, o agora, sacudindo a poeira do tempo, mas, a essência continua a mesma. Nesse texto: escrito em 1982, já carrega em si, inquietações que parecem atemporais — solidão, desconexão, excesso de autonomia sem comunhão, alma cansada, necessidade de pertencimento e de Deus. Eu já escrevia sobre isso décadas antes de se tornar conversa cotidiana.

Diz-nos Jesus, embora muitas vezes O escutemos pouco:

"Eu estou neles… e eles deveriam estar em Mim."

Entretanto, talvez sem perceber, o mundo continua caminhando sozinho, desconectado da essência, da verdade maior, da união necessária. Quando afrouxamos os laços que nos tornam mais vivos, mais humanos e mais plenos, a alma — sim — tende a adoecer. Passa a tremer, mesmo sem sentir frio.

O que sou, o que tu és, talvez sejam poemas nascidos do invisível, procurando sentido.

Talvez da inquietude do ser.
Talvez da mansidão do saber.

A singeleza e a pureza acalentam nossa alma aflita, muitas vezes carente de tudo… e de todos.

Somos como rios: corremos apressados, formando espumas ao longo do caminho, enquanto a água parece sussurrar:

"A vida não deve parar."

Assim como o rio corre em direção ao mar, o homem necessita caminhar ao encontro do próprio "eu".

São caminhos percorridos por conta e risco. Às vezes difíceis, sofridos; outras vezes, transformadores. Caminhos que ajudam a renascer, reencontrar paz e sentido.

Não basta apenas seguir.
Enquanto caminhas, observa a vida que germina ao redor.

Nas grandes jazidas encontra-se a riqueza das labutas. No saber, habita outra fortuna ainda maior: a experiência compartilhada, a benevolência, as relações verdadeiras entre seres humanos, que podem ser até divergentes uns com outros, e segundo alguns espiritualistas, filósofos, nos leva ao lê-los que nosso pensamento só 20% é nosso, os outros 80% vem de nosso exterior, são os barulhos, as ondas hertz, que chegam de lugares longínquos às vezes, por isso, precisamos saber bem filtrar tudo que nos vem ...

" Ensina a Bíblia que o próprio Senhor da Vida não estacionou no Verbo e continuou o trabalho criativo na Ação. Todos sabemos que o pensamento é força essencial, mas não admitimos nossa milenária viciação no desvio dessa força”.

E ensina mais: __“O pensamento é força viva, em toda parte; é atmosfera criadora que envolve o Pai e os filhos, a Causa e os Efeitos, no Lar Universal. Nele, transformam-se homens em anjos, a caminho do céu ou se fazem gênios diabólicos, a caminho do inferno”.

Diante de tais informações só nos resta, como obrigação natural, nos conscientizarmos a respeito do esforço que devemos priorizar no vigiar e orar, conforme nos recomendou Nosso Senhor Jesus Cristo, para pensar sempre no bem e no amor.

Não aquelas construídas pelo hábito automático, mas pela presença.

Não basta dizer:

"Eu posso."
"Eu faço."
"Eu deixo de fazer porque quero."

Talvez seja mais profundo dizer:

"Faço e refaço, se preciso for, porque O sinto em minha essência. e o refaço da melhor forma que me é possível".

O verdadeiro poder não está em aparentá-lo, mas em lapidá-lo silenciosamente, dia após dia.

Às vezes, diante da imensidão do mundo, sentimos ser apenas um ponto perdido no universo.

Mas são justamente esses pequenos pontos que compõem a grandeza da existência.

São eles que formam cada nota musical soada dentro de nós.

As estrelas, a lua e o sol, são Deus em todo seu contexto de coexistir em nós, que irradiam sua luz; e aqueles que já não conseguem enxergar com os olhos, podem ainda senti-la pela alma.

Porque este é o caminho indicado por Jesus:

A Verdade.
A Luz.
A Vida.

Luz que clareia passos imperfeitos.
Passos que erram, amam, caem, recomeçam e seguem procurando a união que um dia Cristo nos propôs pela Boa Nova.

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida."
— (Cf Ioão 14:6)

Não tenhamos medo de caminhar.

Temamos, talvez, apenas permanecer estagnados.

A vida não cessa. O mundo não para.

E talvez nossa maior força esteja justamente nisso: continuar percorrendo as alamedas da existência entre suor e esperança, labutas e amor, fé e união de coração para coração.

Porque Ele existe.

Mesmo quando não O percebemos.
Mesmo quando o desespero chega.

Ele caminha conosco.

Intui, fortalece, sustenta.

E parece repetir baixinho:

"Olhe… não pare. Continue. O caminho ainda é longo. A jornada precisa prosseguir."

MângelaCastro - 21/5/2026
Escrito originalmente em 11/02/1982 — Uberaba/MG
Revisitado pelo tempo, mas ainda vivo.

MângelaCastro - 21/5/2026


quarta-feira, 20 de maio de 2026

PEDRO: A AVE QUE FUGIU DO VENDAVAL ...

O desespero até pode tomar poder.

Porque o tronco sangrava, vergava sob o peso da dor e parecia prestes a cair — sofre_dor. Porém, algumas verdades só são compreendidas quando o vendaval passa, e certas aves retornam ao lugar onde o amor permaneceu até o fim.

Há aves que permanecem no vendaval.

Há aves que partem.

E há aquelas que regressam quando o céu deixa de ameaçar.

Pedro talvez fosse destas.

Não foi escolhido porque nunca caiu, mas porque soube levantar-se de suas íntimas dores e voltar, carregando nos ombros o peso do próprio erro.

JESUS, naquele momento crucial, era a nossa própria humanidade, e para muitos dos seus, isso se tornava incompreensível, pelo muito que sabiam, mas Ele, o homem descido do céu, ao que parece, não edificava Seu Reino sobre homens impecáveis, mas sobre corações capazes de reconhecer a própria pequenez.

Porque quem nunca teve medo, pouco entende do medo alheio.

Quem nunca negou, talvez julgue depressa demais os que fraquejam.

Quem nunca fugiu desconhece a coragem silenciosa de voltar.

E Pedro voltou.

Voltou ao chamado.

Voltou ao amor.

Voltou à margem do lago.

Voltou ao olhar daquele Mestre que não perguntou sobre sua queda, mas apenas:

— Tu me amas?

Talvez ali, mais do que pedra, Pedro tenha se tornado abrigo.

Como árvore depois da tempestade.

Como galho firme.

Como ninho.

E ainda hoje ecoa no canto dos ventos a pergunta que insiste em atravessar os séculos:

— Tu me amas?

Foi refletindo sobre a fuga de Pedro — quando se esperava dele, por ser o mais velho entre os discípulos, o papel de sustenta_dor — que nesta manhã chuvosa, enquanto a terra molhada espalhava seu perfume e o vento suave adentrava a casa como quem traz lembranças antigas, meus olhos repousaram sobre uma árvore coberta não de frutos, mas de aves.

Ali pareciam encontrar descanso, até que um movimento repentino sacudiu seus galhos, como se um sopro mais forte anunciasse a chegada do inesperado.

Muitas levantaram voo.

Partiram depressa, talvez por instinto.

Talvez por medo.

Outras permaneceram agarradas ao galho, juntas, resistindo ao vendaval.

Assim imaginei os últimos instantes de JESUS.

Quando a tempestade da dor se aproximou da cruz, muitos dos que O seguiam se dispersaram. O medo tem passos rápidos quando a esperança parece fraquejar.

Alguns discípulos fugiram, esconderam-se dos abutres do julgamento e da perseguição.

Entre eles, Pedro — o homem que caminhou sobre as águas, mas afundou diante do medo; o homem que prometeu permanecer, mas negou por três vezes Aquele que amava.

Então surge a pergunta que atravessa o tempo:

Por que Pedro foi escolhido para sustentar a pedra fundamental da primeira comunidade?

Talvez porque JESUS não edificasse Seu Reino sobre homens perfeitos, mas sobre corações que conheceram a própria fragilidade.

Pedro fugiu no vendaval.

Mas voltou.

Há coragem em permanecer, como João, as mulheres e Maria aos pés da cruz.

Porém existe também uma coragem silenciosa em regressar depois da queda, carregando o peso da culpa e ainda assim aceitar o chamado novamente.

Porque quem nunca teve medo, pouco compreende o medo do outro.

Quem nunca caiu talvez desconheça a grandeza de levantar-se.

Pedro tornou-se pedra não por jamais ter rachado, mas porque suas rachaduras ensinaram misericórdia.

Talvez tenha sido por isso que JESUS, após a tempestade, não lhe perguntou sobre a fuga ou a negação.

Perguntou apenas:

— Tu me amas?

E naquela resposta simples nasceu algo maior que liderança:

Nasceu abrigo.

Como árvore depois do vendaval.

Como galho firme.

Como ninho para aves cansadas.

Talvez a fé madura não pertença apenas aos que nunca partiram, mas também aos que, feridos pelo medo, encontram forças para voltar ao galho da vida.

Porque algumas aves voam diante da tempestade…

Mas certas aves retornam.

E às vezes, são justamente elas que aprendem a acolher as que ainda procuram onde repousar.

Então concluo:

Nem toda ave que foge abandona para sempre o abrigo; algumas retornam quando descobrem que o amor permanece mesmo após a tempestade.

Voe, voe alto e rápido, mas, ao cansar-se de procurar abrigo, volte, porque sempre haverá uma ave aqui a te esperar ...

MângelaCastro - 20/05/2026

DEUS, A MENTE E EU... POR TRÁS DO MURO CAIADO .

"Nem toda parede branca anuncia paz. Algumas apenas aguardam que a verdade atravesse a porta." Como não acredito em coincidência, ...