O tema de hoje não é poético — é cívico. E, justamente por isso, necessário.
A recente decisão de um cantor em desistir de um especial televisivo, por não concordar com a mistura entre política e entretenimento, foi recebida por alguns com estranhamento. Por outros, com críticas, afinal estamos mal acostumados. No entanto, à luz do Estado Democrático de Direito, trata-se de um exercício legítimo de liberdade individual, amparado pela própria Constituição Federal.
Nada houve de polêmico. Houve coerência. Independente da causa que ele traz no silêncio de seu coração. Suas escolhas de vida.
A Constituição de 1988 assegura aos brasileiros e estrangeiros aqui residentes, liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e a livre manifestação do pensamento. O artigo 220 estabelece que a comunicação social deve ocorrer sem restrições ideológicas, e seu §5º é claro ao afirmar que os meios de comunicação social não podem ser objeto de monopólio ou oligopólio, direta ou indiretamente.
Mais do que uma recusa contratual, a atitude foi um gesto ético consigo mesmo e com seu numeroso público — diverso em opiniões, escolhas e visões de mundo. Ao não permitir que interesses financeiros se sobrepusessem à própria consciência, o artista exerceu, de forma tranquila e responsável, um direito fundamental.
Em tempos de agressividade crescente — aqui e além de nossas fronteiras —, atitudes ponderadas merecem ser reconhecidas.
E isso, sim, fortalece a democracia. Cria pontes fortes com equilíbrio, por onde podemos ir e vir sem sermos molestados. Com cuidado! Assim preservamos nossa saúde espiritual, moral e temporal.
By MângelaCastro - 17/12/2025

