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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O OUTRO LADO DA PORTA

Bom dia caríssimos e diletos amigos leitores.

Nesta manhã, achei bem interessante, quando uma pergunta aparentemente simples me veio ao pensamento, sobre algo em que acredito que quase nunca pensamos, embora faça parte da nossa cultura, da nossa casa e da nossa própria intimidade, e até mesmo citada em algumas passagens das escrituras:

Afinal, por que portas em nossas casas?

Há portas que fechamos para proteger nossa intimidade. Há outras que precisamos abrir para acolher o amor.

Mas existe uma porta diante da qual alguém simplesmente bate... e espera.

Hoje uma lembrança antiga me fez pensar nisso. Coincidência? Talvez. Eu prefiro chamar de providência.

E você: o que existe do outro lado da sua porta?

Há manhãs em que o céu amanhece nublado, e nós quase sentimos falta da claridade. Mas talvez até as nuvens tenham sua razão de existir. Precisávamos de chuva para lavar o ar empoeirado, aliviar a terra e levar consigo um pouco das fumaças que ainda insistem em permanecer sobre nós.

E, olhando para uma manhã assim, pensei nas portas.

Apocalipse 3,20 nos apresenta uma das imagens mais delicadas das Escrituras:

“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo.”

Jesus não abre simplesmente a porta e entra.

Ele bate.

Há uma diferença enorme entre essas duas coisas.

Uma porta existe para separar, proteger, guardar aquilo que está dentro. Desde muito cedo aprendemos que nossa casa é o lugar onde podemos repousar, silenciar, estar com os nossos e, algumas vezes, simplesmente estar conosco.

Fechamos uma porta não necessariamente porque rejeitamos o mundo, mas porque também precisamos de um espaço interior onde possamos respirar, resguardar nossa intimidade.

Há momentos em que precisamos da porta fechada. É uma atitude não só de adultos, mas também de adolescentes, os quais tomam para si, e alguns pais se preocupam. Normal.

E tudo bem.

Precisamos de limites. Precisamos de privacidade. Precisamos daquele pequeno território de silêncio onde ninguém entra sem ser convidado. E aqui pode refletir também a porta do nosso eu interior, do nosso coração, onde pulsam nossas emoções.

Talvez por isso a imagem de Jesus batendo à porta seja tão bonita.

Ele não invade.

Ele espera.

Ele se coloca do lado de fora e deixa que a decisão de abrir venha de quem está dentro.

E talvez essa seja também uma das mais belas lições de convivência e educação, que podemos aprender: amar alguém não nos dá o direito de invadir sua intimidade.

Toda casa tem um senhor.

Todo coração também.

Há portas que somente o próprio dono pode abrir.

E quando pensamos nisso, percebemos que a porta do coração humano pode ser ainda mais delicada que a porta de uma casa. Ali estão nossas lembranças, nossos medos, nossas alegrias, nossas dores, nossos sonhos e tudo aquilo que nem sempre conseguimos explicar.

Por isso, quem ama, e diz respeitar o próximo, não "arromba" portas, às vezes somos por demais ansiosos. (A não ser claro, em alguma situação física, que foge do total controle emergencial, diga-se de passagem.)😐

A princípio, é simples assim: 

Bate.

Espera.

Respeita.

E, quando é recebido, entra com cuidado.

Jesus faz exatamente isso.

Ele deseja sentar-se à nossa mesa, participar de nossa intimidade, cear conosco. Não como um estranho que chega impondo sua presença, ou insistindo quando bate e do outro lado da porta apenas se silencia, mas, se bate, não se obtém resposta, simplesmente espera, e ou volta depois, faz como Amigo que espera o convite.

E há ainda outra porta nas Escrituras: a porta estreita de Lucas 13. Uma porta que nos recorda que entrar ou não, exige escolha, responsabilidade, transformação, respeito, discrição. Não basta desejar atravessá-la; é preciso preparar o coração para aquilo que existe do outro lado.

Talvez porque toda porta verdadeira seja também uma passagem.

Quando abrimos uma porta, alguma coisa muda.

Do lado de fora pode estar o desconhecido.

Do lado de dentro, aquilo que conhecemos, ou não.

E entre os dois existe uma escolha.

Mas por que, afinal, pensei justamente hoje nesse assunto?

Há algum tempo, recordei uma história contada por uma pessoa da família. Sua avó teria sido encontrada já sem vida, caída entre o lado de dentro e de fora da porta, ou seja, exatamente no meio. 

E, se minha memória não me trai, havia em suas mãos algo parecido com um bilhete, uma anotação relacionada justamente àquele momento, e que se referenciava o "outro lado da porta".

Não me recordo de todos os detalhes e, por isso, não quero acrescentar à história aquilo que já não consigo afirmar com segurança.

Mas aquela lembrança ficou em algum lugar da minha memória.

E hoje, sem que eu estivesse procurando por ela, voltou.

Foi então que pensei: talvez algumas lembranças não desapareçam; apenas aguardem o momento de voltar à nossa consciência.

Não sei se devemos chamar tudo de coincidência.

Eu, particularmente, prefiro concordar e aceitar como providência.

Não necessariamente porque tudo tenha sido previamente determinado, mas porque a vida, às vezes, coloca diante de nós uma lembrança, uma palavra, uma imagem ou uma pergunta que nos convida a olhar novamente para alguma coisa.

E foi assim que cheguei à porta.

A uma porta física.

À porta de uma casa.

À porta de uma cidade, ou uma porta no céu, como tantas vezes aparece nas Escrituras.

E, sobretudo, à porta do coração.

O Salmo 118,19-20 também nos conduz à imagem dos portões:

“Abri-me os portões da justiça; entrarei por eles e darei graças ao Senhor.”

Que bela imagem para uma vida inteira.

Portas, portões, janelas, tramelas, chancelas, que se abrem para a justiça, para a verdade, para o amor, para a reconciliação, para o respeito da intimidade, um silenciar, e ou simplesmente não abrir a porta, escolhas.

Mas também portas que precisamos aprender a manter fechadas quando aquilo que vem de fora ameaça a paz que Deus nos confiou.

Talvez maturidade seja justamente aprender a diferença entre uma porta fechada por medo, por necessidade, e uma porta fechada por sabedoria.

Porque existem portas que precisam permanecer fechadas.

Outras precisam ser abertas.

E há aquelas diante das quais alguém permanece silenciosamente esperando.

Quem sabe, nesta manhã nublada, Jesus esteja novamente do outro lado de alguma porta nossa.

Não para forçar passagem.

Apenas para bater.

E esperar.

Assim seja. E assim permaneça em nós a boa convivência: com Deus, conosco mesmos e com aqueles que caminham ao nosso lado.

Paz e Bem.

By MângelaCastro - 10/9/2026

_______________________/

Enviado por MângelaCastro em 10/09/2026
Código do texto: T8716532
Classificação de conteúdo: seguro

domingo, 16 de agosto de 2026

SONHOS E SUAS REVELAÇÕES , ENTRE A PSIQUE, A FÉ E O MISTÉRIO


Eu já inicio essa postagem com uma pergunta. ___E se nem todo sonho vier para ser decifrado, mas alguns apenas para nos fazer olhar para dentro? 🌿

Entre a fé, a psicologia e o mistério, talvez a pergunta mais importante não seja “o que esse sonho quis me revelar?”, mas: “o que ele despertou em mim?”

É sabido que a Bíblia, a qual a vejo como um grande compêndio da vida, reunindo histórias, experiências, vivências, anúncios, profissões de fé, revela-nos alguns sonhos que vieram como profetizados pelo próprio Deus ao homem... Isso é certo.

Atos 2:17 menciona que, no fim dos tempos, os crentes terão visões e sonhos. "Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos".

Essa imagem que postei acima, me faz recordar um sonho que tive já algum tempo atrás, e realmente me deixou a pensar sobre ele, buscar mais informações a respeito, seu significado... O que minha mente tentou me informar? Ao contrário dessa imagem aqui postada, vi primeiro abrirem-se no céu dois portais, os quais haviam nele uma luz perene, e desses portais desceram por uma espécie de caminho rumo à terra, dois cavalos, ambos de cor marrom, e sobre ele dois soldados tipo da idade média, porém, o que mais me chamou a atenção, foi que ambos os cavalos, não encostaram suas patas no solo terrestre, ficaram alguns palmos acima da crosta, como que levitando. E acordei com essa cena. Importante aqui frisar que, meu sonho, não é nada semelhante ao narrado em Apocalipse! Mas foi o meu sonho!

O que esse sonho está me fazendo pensar sobre mim?”

Nem todo sonho precisa ser imediatamente compreendido como revelação divina, ou prenúncios, mas, pode sim, ser uma informação, um alerta, uma mudança de vida. Há, inclusive, uma passagem em Eclesiastes que relaciona os sonhos à multiplicidade das preocupações:

“Dos muitos afazeres vêm os sonhos.”

(Eclesiastes 5,2)

Talvez esteja aí uma primeira chave para compreendermos essa experiência tão humana: há sonhos que nos inquietam porque carregamos muitas coisas dentro de nós; e há experiências que, pela fé, somos convidados a colocar diante de Deus em oração e discernimento.

Há manhãs em que acordamos de um sonho.

E há manhãs em que acordamos do silêncio.

Hoje foi assim.

O vento lá fora, alguns poucos passarinhos chilreando sobre os telhados vizinhos e aquele silêncio quase ensurdecedor fizeram-me sentar diante dos teclados e escrever.

Curiosamente, esta noite não sonhei.

E isso, para mim, é quase uma novidade, porque costumo sonhar com frequência.

Aliás, não sou eu quem afirma que sonhar seja simplesmente uma particularidade minha. Estudos sobre o sono e a psicologia mostram que sonhar faz parte do funcionamento normal do cérebro e está relacionado a processos importantes, como memória, emoções e elaboração de experiências vividas. Há, inclusive, estudos psicológicos que associam a atividade onírica à nossa vida emocional e ao processamento de conteúdos psíquicos. Uma vez tecendo comentário sobre um sonho que tive, minha irmã me disse: ___Maria, acho engraçado como você sonha e recorda de seus sonhos, eu penso que não sonho. Então lhe respondi: ____Sim, você sonha, todos nós sonhamos, só que algumas pessoas tendem a não se recordar de todos os sonhos que têm, e segundo a psicologia, isso é também normal.

Por isso, quando alguém diz: “Eu quase nunca sonho”, talvez não seja necessariamente que não sonhe; muitas vezes, pode simplesmente não se lembrar dos sonhos ao despertar.

No meu caso, porém, costumo lembrar-me de muitos deles — alguns tão intensos que permanecem comigo depois que acordo.

E talvez seja justamente por isso que a ausência de um sonho nesta noite tenha me feito lembrar de tantos outros... Sonhos.

Quem nunca acordou de um deles carregando uma sensação difícil de explicar?

Alguns desaparecem poucos minutos depois de abrirmos os olhos. Outros, entretanto, permanecem. Não sabemos exatamente por quê. Às vezes esquecemos a história, mas a emoção permanece. Outras vezes, uma imagem fica gravada na memória durante anos.

Foi assim com um sonho que tive há algum tempo.

E é sobre ele que quero refletir hoje: não para afirmar que foi uma profecia, nem para tentar decifrar aquilo que talvez pertença ao campo do mistério, mas para olhar para o sonho sob três perspectivas que podem dialogar entre si: o que a Bíblia nos diz sobre os sonhos, o que a psicologia pode nos ajudar a compreender e aquilo que permanece como mistério espiritual.

Por fim é certo que, não precisamos descobrir se o sonho foi uma profecia para reconhecer que ele produziu em nós uma pergunta. 

Às vezes, o mais importante não é aquilo que o sonho “previu”, mas aquilo que ele despertou. Concorda comigo? Como são seus sonhos? Eles te surpreendem? Te colocam para pensar? Ou você se sente incomodado (a), ou até mesmo com medo, com sensações que algo pode acontecer? Nós seres humanos temos uma forte tendência de sofrer por antecipação, por inseguranças plantadas em nosso cotidiano, nem tudo é profecia, nem tudo é fantasmagórico, nem tudo é normal, ou paranormal, são apenas nossas emoções em constantes ebulições... São muitas informações chegando até nós, e isso pode nos confundir as "ideias" rs. Temos que aprender a reagir conosco mesmo, não acreditar em tudo que nos chega, é preciso sim, discernir, saber filtrar. Assim como chega conosco uma manhã com ventos, silêncio, passarinhos, luz solar, serenidade, emoções a burilar, é a vida a despertar...

Talvez seja assim também com alguns sonhos.

Vemos fragmentos.

Imagens.

Sensações.

Portais.

Cavalos.

Pessoas.

Luzes.

Planetas soltos no espaço.

Rochas

Rios, mares

Natureza

Às vezes até damos voos rasos e rápidos que nos dá frio no estômago.

E tentamos organizar tudo com a nossa limitada compreensão. Jesus, mexia muito com a forma de ser, pensar, agir, de seus discípulos, sempre colocava e coloca quem o estuda, meio que, um Mestre que nos põe pra pensar, questionar a nós mesmos, e as ações que os outros nos provocam.

  • Mateus 10:29-31: "Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos." Esses versículos nos lembram da importância de refletir sobre nossos pensamentos e ações, buscando sempre o que é verdadeiro e bom.

Mas nem sempre precisamos transformar tudo em uma resposta.

Às vezes, o mistério também pode ser um convite à contemplação.

A fé não precisa transformar cada sonho em profecia.

E a razão não precisa transformar cada experiência espiritual em mera atividade cerebral.

Podemos simplesmente permanecer diante dela, com respeito e discernimento.

“Senhor, o que isso despertou em mim?”

Talvez essa seja uma oração muito mais fecunda do que:

“Senhor, o que isso vai acontecer?”

Porque uma pergunta procura prever o amanhã.

A outra procura transformar o hoje.

Foi uma profecia?

Não sei.

E talvez seja justamente aqui que eu precise ter cuidado.

Não considero que eu seja uma profetisa porque sonho.

Os sonhos fazem parte da experiência humana, e a própria Bíblia nos mostra que precisamos discernir aquilo que vivenciamos.

Também já tive sonhos acompanhados de vozes, imagens coloridas, e ou preto e branco, como um filme antigo, muito fortes e sensações que permaneceram depois que acordei.

Isso não significa, por si só, que sejam mensagens sobrenaturais.

Mas também não significa que eu deva simplesmente ignorá-los.

Posso observá-los.

Refletir sobre eles.

Pesquisar.

Rezar.

Discernir.

E, sobretudo, perguntar o que eles movimentaram dentro de mim.

Porque talvez a grande revelação de um sonho não esteja necessariamente no que ele nos mostra sobre o futuro. Até porque o futuro já é agora.

Talvez esteja no que ele nos revela sobre nós mesmos.

E aqui volto à manhã de hoje.

Esta noite não sonhei.

O que, para mim, foi uma surpresa.

Mas talvez o silêncio também tenha seus sonhos. Ou talvez, meu cérebro, minhas emoções, precisavam desse tempo de silêncio, de simplesmente nada a ser declarado.😊

Talvez hoje Deus não tenha precisado falar através de imagens enquanto eu dormia.

Talvez tenha bastado o vento batendo forte sobre meus telhados me acordando

Os passarinhos, do lado de fora de mim, chilreando, fazendo-se presentes:

— Oiê! Estamos aqui!

Ventos, passarinhos, anúncio de vida, vertentes que nos anima...

E foi assim, nesse instante, que outra lembrança me ocorreu:

São João Paulo II dedicou uma encíclica inteira a essa relação: Fides et Ratio — Fé e Razão. Nela, refletiu sobre a necessidade de que fé e razão caminhem juntas na busca da verdade.

Talvez seja justamente isso que tantas vezes tenha me tocado em suas homilias: ele não me convidava a sentir menos, mas a pensar também aquilo que eu sentia. Talvez por isso às vezes chegava até chorar, é que ele me colocava meio frente a um espelho...

E Jesus, se prestarmos bastante atenção aos seus ensinamentos, parece fazer algo muito semelhante com seus discípulos: despertá-los para a vida que os rodeava, para aquilo que acontecia diante de seus próprios olhos, no cotidiano, e lhes chamava a ter mais fé, os achava, homens de pouca fé. (Mateus 8:26)

Jesus não ensinava apenas para que seus discípulos acreditassem. Ele os fazia olhar, observar, perguntar, compreender, discernir. E é assim comigo, e talvez com você que me lê.

Talvez seja essa a ponte que hoje consigo perceber entre o sonho, a emoção, a fé e o discernimento racional.

E, pensando nisso, compreendo também que talvez eu mesma tenha, algumas vezes, tentado racionalizar demais a fé, quando o que João Paulo II nos propunha era algo muito mais profundo.

Não se trata simplesmente de ter uma “fé racional”.

Trata-se de permitir que fé e razão caminhem juntas, sem que uma precise eliminar a outra.

Porque fé e razão não se anulam.

Iluminam-se mutuamente na busca da verdade.

E talvez seja justamente nesse equilíbrio — entre aquilo que sentimos, aquilo que pensamos e aquilo que ainda não conseguimos compreender — que vamos, pouco a pouco, amadurecendo nossa maneira de viver, ser e de estar na vida.

E cá para nós, como é bom esse viver cheio de sonhos né não?

By MângelaCastro - 16/8/206

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O PRESENTE ANTES DA RESPOSTA


Bom dia amigos (as) família...

Às vezes, Deus nos fala não por grandes acontecimentos, mas pela delicadeza de um gesto, de uma lembrança... ou até de um sonho.

Nesta reflexão, compartilho como um simples ato de dobrar um tecido branco e florido me levou a compreender que o amor de Deus sempre nos alcança primeiro. Antes de qualquer resposta, Ele nos oferece Seu dom.

Convido você a ler e refletir comigo.

Bora lá, para mais uma reflexão?


(O QUADRO DA SANTA CEIA NA PAREDE FOI PINTADO PELA MINHA IRMÃ MARGARETH)

Esta manhã despertei refletindo sobre um sonho que tive durante a noite.

Sonhos nem sempre são mensagens sobrenaturais. Muitas vezes, eles nascem de lembranças, emoções, preocupações ou desejos que habitam nosso inconsciente. Contudo, para quem vive a fé, eles também podem tornar-se ocasião de discernimento. Por isso, gosto de contemplá-los unindo dois olhares: o psicológico, que revela nossos afetos, e o espiritual, que nos aproxima do nosso íntimo, onde Deus também fala em silêncio.

No sonho, meu irmão e minha cunhada chegavam juntos à nossa casa.

Embora os dois estivessem presentes, era ela quem realizava um gesto muito delicado. Trazia consigo um belo atoalhado branco, com um barrado todo florido, e o dobrava cuidadosamente.

Meu irmão apenas observava.

Naquele instante, pensei: "É Natal..."

Mas logo veio outra preocupação:

"Nossa ceia está tão simples... quase não temos nada. Como poderei retribuir um presente tão bonito?"

Foi então que despertei.

Ao recordar o sonho, compreendi que talvez ele não estivesse falando sobre um Natal, nem sobre um presente material.

Falava sobre algo muito mais profundo.

O branco do tecido recordava a paz, a esperança e os recomeços.

As flores lembravam a delicadeza da vida e do carinho.

E o tecido... o tecido une inúmeros fios para formar uma única peça, assim nos vejo espiritualmente, seres vitalizados unidos por fios, tecidos em uma única consciência, o nosso TODO. Assim também somos nós em nossos cotidianos. Nossa história é tecida pelos encontros, pelos afetos (família, amigos), pelas lembranças e, até mesmo, pelas ausências.

Talvez por isso o sonho me tenha tocado tanto.

Percebi também que minha primeira reação não foi a alegria de receber.

Foi a preocupação em corresponder.

Quantas vezes fazemos isso também na vida?

Preocupamo-nos tanto com o que temos para oferecer, que nos esquecemos de acolher aquilo que a vida, as pessoas e o próprio Deus já nos oferecem gratuitamente.

Foi então que uma verdade do Evangelho iluminou meu coração.

Antes de Deus pedir alguma coisa de nós, Ele sempre chega trazendo algo.

Foi assim desde a Criação.

Foi assim com Abraão, com Moisés, com Maria.

Foi assim com os discípulos.

E foi plenamente assim no Natal.

A humanidade nada possuía para oferecer em troca do nascimento de Jesus.

Foi Deus quem tomou a iniciativa.

Primeiro veio o dom.

Depois veio a resposta.

Talvez seja exatamente esse o convite que o sonho desejava deixar em meu coração.

Nem tudo precisa ser equilibrado pela lógica da reciprocidade.

Existem presentes que simplesmente precisam ser acolhidos.

E há outro detalhe que continua ressoando em mim.

Minha cunhada não abria o tecido.

Ela o dobrava cuidadosamente.

Na tradição bíblica, guardar uma veste ou dobrar um pano é um gesto de cuidado, de respeito e de preparação. Não é abandono. É zelo.

Talvez algumas graças também cheguem assim à nossa vida.

Não de uma só vez.

Mas lentamente.

Respeitando o tempo da alma.

Como um tecido que vai sendo delicadamente desdobrado ao longo da existência.

Hoje compreendo que o sonho talvez não falasse apenas de minha família.

Falava da maneira como Deus continua visitando nossos corações.

Sempre em silêncio.

Sempre com delicadeza.

Sempre oferecendo primeiro o Seu amor.

Porque o amor verdadeiro não começa quando damos.

Muitas vezes, ele começa quando aprendemos, humildemente, a receber.

"Conservai-vos mutuamente no amor fraternal."
(Hebreus 13,1)

Esse sonho com certeza tem muito a me ensinar sobre esse amor quase que filial, entender o verdadeiro significado do que é ser família, recordando que este laço não é somente consanguíneo mas acima de tudo espiritual e fraternal. 

Paz e bem.🌹

By MângelaCastro - 06/8/2026








sábado, 1 de agosto de 2026

COEXISTIR: EIS O VERDADEIRO SENTIDO DA VIDA



Vivemos correndo em busca da vida, mas será que, nessa corrida, não estamos deixando de vivê-la?

Uma reflexão inspirada no Evangelho e na própria natureza, sobre o verdadeiro significado de coexistir e descobrir que a vida encontra seu sentido quando deixa de ser apenas nossa para tornar-se um dom compartilhado.

🌿 Boa leitura!

Há pensamentos que chegam sem pedir licença.

Eles simplesmente se apresentam à nossa consciência, como se fossem pequenas sementes trazidas pelo vento. Algumas passam despercebidas. Outras, porém, encontram terreno fértil e insistem em permanecer, convidando-nos a refletir.

Hoje, ao abrir meu blog, uma pergunta surgiu silenciosamente em meu coração:

O que significa, afinal, buscar o sentido da vida?

Talvez nos pegamos questionando: ___Qual minha missão nesta vida?

Vivemos em uma sociedade que nos ensina, desde cedo, a conquistar, acumular, competir, vencer. Corremos atrás de sonhos, objetivos, reconhecimento, estabilidade, bens materiais... e, muitas vezes, nessa busca incessante, esquecemo-nos de viver.

Foi então que me recordei das palavras de Jesus:

"Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á."
(Mateus 16,25)

À primeira vista, esse ensinamento parece um paradoxo. Como alguém pode encontrar a vida justamente quando deixa de tentar possuí-la?

Talvez porque exista uma diferença entre possuir a vida e participar dela.

Quanto mais tentamos fazer da vida uma propriedade exclusivamente nossa, mais ela parece escapar por entre os dedos. A busca desenfreada por sucesso, prestígio ou segurança pode nos afastar daquilo que verdadeiramente dá sentido à existência: o amor, a compaixão, a solidariedade, a gratidão e o cuidado com tudo o que vive.

Foi então que outra palavra brotou em meu pensamento:

Coexistir. Sim. 

Gosto profundamente desse termo.

Porque ninguém existe por si só.

O ser humano depende da fecundação, seja de forma natural e ou laboratorial, da natureza, dos animais, das plantas, da água, do ar e, sobretudo, uns dos outros. Até mesmo os pequenos seres que habitam os lugares mais improváveis da Terra, como os vermes atolados nos charcos, invisíveis aos nossos olhos ou desprezados por nossa ignorância, desempenham uma função indispensável no equilíbrio da criação.

Nada foi criado sem propósito.

Talvez sejamos nós que ainda não o compreendemos completamente.

Ontem conversando com minha irmã, falamos sobre um tipo de melado que a seiva de uma determinada espécie de árvore, "Bracatinga" vi em um filme quando o pai abandona suas pequenas filhas, e juntas com o irmão mais velho, eles coletavam a seiva dessa árvore e a transformavam em mel, como as abelhas e alguns insetos a tem como alimento, em verdade,  tudo coexiste para a prosperidade da própria vida, e uma simples seiva, pode produzir e se fazer fonte de alimento e renda de trabalho, como a seringueira, na floresta amazônica transforma sua seiva em borracha, em tudo coexiste vida em abundância. Quando observamos uma simples  árvore, percebemos que ela não produz frutos para alimentar a si mesma.

O rio não bebe da própria água.

O sol não guarda sua luz.

As flores não conservam seu perfume apenas para si.

Tudo na natureza existe em relação.

Tudo coopera.

Tudo coexiste.

E por que nós, justamente nós, tantas vezes insistimos em viver como se fôssemos ilhas?

As irmãs desse filme que assisti nos passa esse ensinamento, elas aprenderam olhando o pai fabricar o melado da seiva dessa árvore, e mesmo sem saber, ele estava ensinando um ofício a seus filhos, e eles, ao invés de ficarem se lamentando, uniram esforços e reavivaram o pequeno empreendimento familiar em renda para a sua sobrevivência.

Talvez aí esteja uma das maiores lições da vida.

Buscar apenas a própria felicidade pode nos afastar dela.

Enquanto isso, aqueles que repartem o pão, oferecem um abraço, um aconchego, um telhado que nos abriga das intempéries sazonais, ou apenas um "oi", escutam uma dor, estendem a mão ou simplesmente fazem o bem sem esperar recompensa acabam descobrindo uma alegria que não se compra nem se explica.

Jesus também afirmou:

"Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância."
(João 10,10)

Essa abundância não parece referir-se à quantidade de bens acumulados, mas à plenitude de uma existência vivida em comunhão. Por acaso você que lê os evangelhos, viu Jesus caminhar sozinho, alimentar-se sem a companhia de seu próximo, ter atitudes vis, ou não tenha acolhido qualquer que fosse quem Dele se aproximasse, ou fazer suas obras sem o auxilio cooperativo de seus discípulos?

Talvez o verdadeiro sentido da vida nunca tenha sido simplesmente existir.

Talvez Deus nos tenha criado para algo maior: aprender a coexistir. Esse era uma chamado constante de Jesus a todo aquele (a) que o seguia pelos caminhos da vida, ou dizia seguir e com Ele aprender.

Coexistir com a natureza, respeitando cada forma de vida.

Coexistir com as diferenças, reconhecendo a dignidade de cada ser humano.

Coexistir conosco mesmos, acolhendo nossas limitações e possibilidades, principalmente em nossos íntimos momentos de recolhimento.

E coexistir com Deus, permitindo que Seu amor transforme nossa maneira de olhar o mundo.

Quanto mais reflito sobre isso, mais compreendo que viver não significa ocupar espaço ou contar os anos que passam.

Viver é deixar que nossa existência produza frutos capazes de alimentar outras vidas.

Talvez seja esse o grande paradoxo dos Evangelhos.

Nos ensejando, que quando deixamos de correr desesperadamente atrás da vida para aprendermos a compartilhá-la, é justamente nesse instante que começamos, enfim, a encontrá-la.

Concluo:

"Talvez o maior equívoco da humanidade tenha sido acreditar que viver é vencer, possuir ou destacar-se. A natureza, silenciosamente, ensina outra lição. Tudo nela coopera. Tudo se relaciona. Tudo coexisti. E talvez Deus tenha escrito, desde a primeira manhã da criação, que o verdadeiro sentido da vida nunca foi simplesmente existir, mas aprender a coexistir. Porque somente quem compreende que pertence ao Todo descobre, enfim, por que nasceu, e a que veio."

Paz e bem!

A vida é um sopro, por isso, cada momento, cada minuto, cada segundo coexistindo pode fazer toda a diferença.

By MângelaCastro - 01/8/2026

Enviado por MângelaCastro em 01/08/2026
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terça-feira, 28 de julho de 2026

"VÓS SOIS DEUSES" __ O QUE JESUS QUIS NOS ENSINAR REALMENTE COM ESSAS PALAVRAS?

 

Olá caríssimos!


Existem temas diante dos quais todos nos tornamos iguais.

A morte é um deles.

Outro bem intrigante, é a curiosidade de saber nossa real origem, hoje em dia se diz muitas coisas, ou para onde irá nossa alma, nosso princípio vital, é o que nos sobrevive, pós morte física, sim, continua sendo um dos maiores mistérios da humanidade, mesmo que a ciência, filosofia, religião, tenta nos desvendar, como muitos dizem, tirar o véu de Isis, continua sendo um dos maiores mistérios da humanidade. 

Entre a fé, a ciência e os ensinamentos de Jesus, talvez a maior resposta ainda seja a esperança, e o despertar de nossa consciência, posto que, permitindo-nos, poderemos melhorar nossa forma de ser, enquanto por aqui vivemos, nada mais é que: Conhecimento, Convicção, Discernimento, Compreensão.

Assim, convido você a ler esta reflexão e compartilhar, com respeito, seu olhar sobre um tema que, mais cedo ou mais tarde, toca a todos nós.

E nessas ultimas semanas venho sonhando com amigos que já partiram para a verdadeira colheita, (Mateus 13,24-30). como dizem os cristãos, alguns veem com aconselhamentos, outros, apenas se mostram como a dizer: ___"ainda estou por aqui"! Em verdade, este é um tema considerado por muitos um tabu, alguns teem tanto medo que ao tomar conhecimento, chega a adoecer. Mas o certo é que, tememos falar da morte porque amamos a vida. Mas talvez o Evangelho nos ensine justamente o contrário: quem aprende a olhar a morte sem desespero passa a viver com mais intensidade, mais humildade e muito mais amor caridoso, posto que, sem caridade nossa vida não tem sentido, não tem uma alegria real.

Não importa nossa religião, nossa formação acadêmica ou nossa idade: cedo ou tarde ela bate à porta da humanidade, trazendo perguntas para as quais nem sempre encontramos respostas.

Esta não é uma tentativa de responder a todos esses mistérios.

É apenas um convite à reflexão, inspirado nos ensinamentos de Jesus, nas descobertas da ciência e na esperança que atravessa os séculos.

"Vós sois deuses" (João 10,34).

O que Jesus realmente quis nos ensinar com essas palavras?

Embora saibamos que ela faz parte da vida desde o instante em que nascemos, começamos a morrer, dia a dia, porém, ainda encontramos enorme dificuldade em aceitá-la, sobretudo quando leva alguém que amamos. Não importa nossa religião, nossas convicções filosóficas ou nosso conhecimento científico: a despedida quase sempre vem acompanhada da saudade e de muitas perguntas.

Talvez seja justamente por isso que Jesus tenha dedicado tantos ensinamentos à vida eterna, procurando despertar em nós uma compreensão mais profunda da existência.

Em determinado momento, ao responder àqueles que questionavam Sua identidade, Jesus recordou as palavras do Salmo 82:

"Vós sois deuses." (João 10,34)

Essa expressão, muitas vezes mal compreendida, não significa que o ser humano seja igual ao Criador. No contexto bíblico, Jesus recorda que fomos criados à imagem e semelhança de Deus e chamados a viver em comunhão com Ele, refletindo Seu amor, Sua justiça e Sua misericórdia.

Mais do que discutir conceitos, Cristo desejava despertar consciências. Abrir nossas mentes para tomarmos conhecimentos reais e aprender com discernimento como resolve-los da melhor forma possível, um dia de cada vez. A verdade, sempre nos liberta. Porque ao conhece-la, entenderemos o que realmente está acontecendo conosco, e saberemos como devemos agir. (João 8:32)     Nos traz melhor qualidade de vida.

Sua missão foi anunciar o Reino de Deus, ensinar o caminho do amor, da compaixão, do perdão e da esperança. Seus milagres, suas palavras e sua própria vida continuam inspirando pessoas de diferentes tradições religiosas e espirituais a buscarem uma existência mais plena.

Ao longo dos séculos, diversas correntes procuraram compreender esses acontecimentos extraordinários sob perspectivas distintas. A tradição cristã os reconhece como manifestações da ação divina; outras correntes espiritualistas apresentam interpretações próprias sobre esses fenômenos. Independentemente da compreensão de cada um, permanece inegável a profundidade dos ensinamentos deixados por Jesus e sua permanente atualidade.

Curiosamente, a própria ciência também passou a voltar seus olhos para alguns aspectos do processo de morrer.

Pesquisas indicam que, em determinadas situações, a audição pode permanecer ativa até os momentos finais da vida, razão pela qual muitos profissionais da saúde orientam familiares a continuarem falando com seus entes queridos, oferecendo palavras de carinho, serenidade e gratidão.

Outros estudos investigam experiências de quase morte e procuram compreender melhor o funcionamento do cérebro e da consciência. Embora muitas perguntas permaneçam sem respostas definitivas, cada descoberta amplia nosso entendimento sobre a extraordinária complexidade da vida humana. O certo é que somos e existimos nas mais variadas formas, com personalidades, identidades distintas umas das outras, mas, em todos indistintamente, um coração pulsa, uma vitalidade corre por meio de nossas veias, semelhante ao que ocorre no universo...

Talvez fé e ciência não caminhem por estradas opostas.

Cada uma, à sua maneira, busca compreender o mesmo mistério: quem somos, de onde viemos e para onde seguimos quando nossa jornada terrena chega ao fim.

Jesus também nos deixou outra preciosa lição ao afirmar a Tomé:

"Felizes os que creram sem terem visto." (João 20,29)

Não como um convite ao abandono da razão, mas como um chamado para que o coração permaneça aberto à esperança.

Os milagres continuam acontecendo.

Alguns desafiam nossa compreensão; outros acontecem silenciosamente, quando alguém reencontra forças para recomeçar, quando o perdão vence o ressentimento, quando o amor consola uma dor profunda ou quando a esperança ressurge onde parecia existir apenas o vazio.

Talvez seja esse o verdadeiro sentido da Boa Nova anunciada por Cristo: recordar-nos de que a vida não termina no amor que sentimos nem nas marcas que deixamos.

Enquanto houver amor, haverá esperança.

E onde houver esperança, Deus continuará revelando Sua presença.

"Vós sois deuses."

Aprecio muito essa expressão de Jesus. Me faz desejar crescer mais como pessoa, ela me motiva positivamente, sem me deixar ser arrogante. Talvez esse convite continue ecoando através dos séculos, lembrando-nos de que fomos criados não para viver prisioneiros do medo da morte, mas para aprender, dia após dia, a refletir a luz do Amor que nos deu a vida.

"Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá."
(João 11,25)

Caríssimos, em verdade, na minha forma de ser, "Sou a favor de tudo e de todos, embora não concorde com tudo e com todos."

Talvez existam perguntas que Deus não nos responda porque deseja que aprendamos a caminhar pela fé, mesmo que caminhar pelos próprios pés nos doa, às vezes é preciso.

Enquanto isso, continuemos semeando amor.

Afinal, talvez seja justamente o amor a única realidade capaz de atravessar a fronteira entre a vida e a eternidade.

Creio que esse pensamento possa vir resumir muito do meu modo de caminhar. Penso que é possível acolher as pessoas, e todo conhecimento que nos chega, sem abrir mão das próprias convicções. Essa postura aparece em meus textos e, talvez por isso, espero que toquem leitores de diferentes crenças.

Assim sendo, continuo escrevendo, com a alma aberta, mas buscando ser, ou pelo menos me aproximar o máximo possível da delicadeza de quem oferece uma reflexão, e não uma sentença. É justamente essa forma de ser e escrever que trago junto,  um convite ao diálogo, e não à divisão.

Paz e Bem.

By MângelaCastro: 26/7/2026

sábado, 11 de julho de 2026

"A ARTE DE IMITAR O MESTRE: ___É PRECISO TRANSFORMAR: JESUS, O GRANDE CATEQUISTA DA HUMANIDADE


Lucas 11,10

"Porque todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, a porta será aberta."

Nem sempre compreendemos de imediato como Deus responde às nossas orações. Ainda assim, não devemos desistir do bem nem da missão que Ele nos confiou.

Fomos plantados nesta terra como sementes chamadas a germinar, florescer e produzir bons frutos. Em Jesus encontramos a força para viver as transformações necessárias e ajudar a renovar nossas famílias, nossas comunidades e o mundo.

Toda verdadeira transformação começa primeiro no coração. Transforme-se, e o mundo começará a transformar-se com você.

Nesta manhã de sábado, despertei com o coração profundamente agradecido. Depois do necessário repouso do corpo, percebi, mais uma vez, que a alma permanece desperta, aprendendo e recebendo inspirações.

Na noite anterior, vivi uma experiência muito significativa em sonho. Vi dois queridos amigos, hoje já pertencentes à Pátria Celestial. Ambos haviam presidido, em momentos distintos, uma pequena e simples casa de oração, dedicando suas vidas aos ensinamentos de Jesus e ao exercício da caridade junto à comunidade.

Enquanto acompanhava uma reunião, compreendi que o presidente mais antigo daquela instituição voltou-se para mim e disse serenamente:

"É necessário que ocorram transformações dentro das comunidades."

Apreensiva, respondi:

"Sim, entendo... mas não será fácil realizar esse trabalho catequético."

Então ele concluiu, com firmeza e serenidade:

"Sim... mas é necessário que se faça."

Despertei com essas palavras gravadas na memória e imediatamente senti que deveria transmiti-las a uma amiga em comum, também comprometida com essa missão. A mensagem precisava chegar; o trabalho, porém, pertence àqueles que continuam servindo.

Ainda envolvida pelo silêncio generoso dessa manhã — quando até os pássaros parecem recolhidos — acompanhei a Santa Missa da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, celebrada na Paróquia Nossa Senhora da Divina Providência.

Na festa de São Bento, a comunidade recebeu o Coral da Capela Sistina, vindo de Roma especialmente para esse Congresso, formado por crianças, jovens e alguns adultos, juntamente com a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, vinda do Pará, por ocasião do Congresso de Catequistas naquela Arquidiocese, inúmeros deles, delas, ali estariam reunidas sob as bençãos de Maria, para receberem as instruções necessárias à sua valorosa missão com Jesus Cristo.

O tema central era justamente a Iniciação à Vida Cristã.

Tive a graça de participar dessa missão junto à comunidade de catequistas da Paróquia São Benedito, em nossa Diocese de Franca. Após a devida preparação, compreendi que evangelizar exige muito mais do que transmitir conhecimentos: requer disposição para acompanhar as transformações da sociedade, sem jamais perder a fidelidade ao Evangelho.

Foi um tempo de profundas e necessárias mudanças interiores, vivido exatamente quando delas eu mais precisava. Guiada pelos subsídios das edições Paulinas, participei da formação de jovens e adultos, procurando compreender que a Catequese prepara discípulos missionários para viverem o Cristianismo em suas famílias, em suas comunidades e na sociedade.

Acredito que toda pastoral é chamada a caminhar com seu tempo, discernindo os desafios tecnológicos, sociais, filosóficos e morais que surgem a cada geração. Renovar métodos não significa mudar o Evangelho; significa encontrar novas formas de anunciar a mesma Boa-Nova de Cristo ao coração humano.

Porque a fé que não se traduz em acolhimento, compaixão, serviço, fraternidade e compromisso com o bem comum corre o risco de permanecer apenas nas palavras. É quando o ensinamento se torna vida que o Evangelho realiza sua verdadeira missão.

Como nos ensina a Carta de Tiago: (Tg 2,17), a fé sem obras é morta. Toda catequese que não se traduz em acolhimento, compaixão, serviço e compromisso com a comunidade corre o risco de permanecer apenas no discurso. O Evangelho floresce quando se torna vida."

Ao ouvir Dom Orani João Tempesta falar sobre a missão dos catequistas, recordei imediatamente o sonho da noite anterior. Para mim, não se tratava de coincidência, mas de uma delicada confirmação da Providência Divina, acho importante tomarmos conhecimento, que antes de toda preparação de cunho social, cristão, dentro da missionariedade de cada um, ela começa no top celestial, é bem isso mesmo, o telefone sempre toca de lá para cá, para que fiquemos atentos a tudo que nos chega.

Recordei também o tempo em que auxiliei a Catequese na Igreja São Benedito, acompanhando jovens e adultos em seus primeiros passos na fé. Ali compreendi que iniciar alguém na vida cristã não consiste apenas em transmitir conhecimentos religiosos. É ajudar a formar consciências, fortalecer valores morais, desenvolver o senso comunitário e despertar uma espiritualidade viva, capaz de transformar a sociedade.

Os excelentes materiais preparados pelas Irmãs Paulinas e toda a pedagogia catequética adotada em tantas paróquias mostram que evangelizar é formar discípulos conscientes de sua missão no mundo.

Ser catequista não significa apenas ensinar conteúdos. Significa testemunhar o Evangelho.

Ser catequizando também não é simplesmente preparar-se para receber um sacramento. É acolher o Espírito Santo para tornar-se discípulo missionário, levando Cristo à família, à escola, ao trabalho, aos amigos e a todos os ambientes onde a vida acontece.

Talvez seja justamente isso que o sonho procurava ensinar.

Toda verdadeira transformação nasce primeiro na espiritualidade. Antes de modificar estruturas, Deus toca os corações, e Jesus por várias vezes exemplificou aos seus amigos e apóstolos que antes de tomar qualquer atitude, se distanciava um pouco dos barulhos do mundo, para orar e ouvir o que Deus tinha para lhe falar, inspirar. Antes de renovar comunidades, renova pessoas. Antes de pedir, aprendamos a agradecer.

Inspiradas por seus santos padroeiros, pelas comunidades de fé e pela ação silenciosa do Espírito Santo, as mudanças começam no interior de cada um, como ventos que sussurram sobre as árvores e, pouco a pouco, alcançam toda a Igreja.

Jesus foi o primeiro e o maior Transformador.

Chamou homens simples, pescadores, cobradores de impostos e pessoas comuns, formando neles uma nova maneira de viver. Curou enfermidades do corpo, mas, sobretudo, restaurou as feridas da alma. Ensinou o perdão, a misericórdia, a fraternidade e o amor sem distinções.

Mais do que fundador do Cristianismo, Jesus tornou-se o maior Catequista da humanidade. Sua vida continua sendo o modelo perfeito para todos aqueles que desejam servir ao próximo.

Ser cristão não é viver preso ao passado, nem agir com radicalismo. É possuir um olhar renovado, capaz de enxergar as necessidades do povo e perguntar diariamente:

"O que posso fazer para ajudar minha comunidade?"

Essa pergunta continua ecoando através dos séculos.

Talvez seja exatamente essa a transformação que o Senhor ainda espera de cada um de nós.

Que possamos permitir que Cristo transforme primeiro o nosso coração para que, depois, através de nossas atitudes, também possamos ajudar a transformar o mundo.

Já aqui encerrando essa reflexão, e sob as bênçãos de Maria, Nossa Senhora, e Nossa Mãe, e inspirados por seus ensinamentos de fé e obediência, possamos continuar batendo às portas dos corações acolhedores, semeando a paz, a misericórdia, a compaixão e a caridade.

Que jamais busquemos exaltar nossa humanidade ou nossa própria sabedoria, mas que permitamos resplandecer, acima de tudo, a luz de Jesus em nós e através de nós, alcançando o coração do nosso próximo, ouvindo e seguindo , todas as orientações que chegam através da inspiração do Espírito Santo, posto que, Ele sabe bem como, quando e onde deve chegar. Aos sinceros e generosos de coração, aos mansos e pacíficos, aos que anseiam grandes e ou pequenas transformações em si mesmos, e aos de boa e eterna vontade, aos amorosos, fraternos e auxiliadores no bem comum.

 "___Assim como nas Bodas de Caná, quando Maria orientou os serventes: "Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jo 2,5), também hoje ela continua conduzindo seus filhos ao encontro de Cristo. O primeiro sinal realizado por Jesus não foi apenas a transformação da água em vinho; foi, sobretudo, o anúncio da grande transformação que Deus deseja realizar no coração da humanidade.

Veja bem, creio que esse último parágrafo, recordando aqui o primeiro milagre de Jesus à sua comunidade, me leva a terminar essa reflexão, exatamente nesse horizonte: ____" a transformação não acontece porque seguimos um (a) catequista, um sacerdote, sacerdotisa, diácono, diaconisa, ou uma comunidade como um todo, mas porque seguimos Jesus, guiados por Aquela que, desde Caná, continua observando nossas dificuldades, orientando e repetindo à humanidade: __ "Fazei tudo o que Ele vos disser." São essas as últimas palavras de Maria à humanidade, registradas nos Evangelhos. E, de certo modo, resumem toda a sua missão: conduzir cada pessoa até Jesus.

E em tudo o que fizerdes, dai graças!

(1Tessalonicenses 5:18)

Paz e Bem!



MângelaCastro - 11/7/2026

domingo, 5 de julho de 2026

VALE MESMO A PENA? Entre : Marte, a Terra, e o coração de Mãe.

 Quando a escuridão cai sobre nós...


Enquanto eu me preocupava com o futuro do planeta e com a chegada do meu filho, Deus já havia colocado a resposta diante dos meus olhos. Às vezes, o medo fala mais alto que a confiança. Uma reflexão sobre ciência, fé e a serenidade que nasce quando aprendemos a enxergar o presente. 🌎✨

Era exatamente 00h45. Permanecia na sala assistindo a uma série sobre a tentativa de reflorestar Marte — hoje um planeta árido, vermelho como ferrugem, coberto por rochas que parecem guardar a memória silenciosa de um tempo em que talvez tenha existido vida.

Enquanto acompanhava aquela impressionante demonstração da inteligência humana, uma pergunta insistia em nascer dentro de mim.

Quanto esforço, quantos recursos, quanta dedicação para buscar, a bilhões de quilômetros da Terra, um lugar onde um dia talvez possamos viver... Não seria mais sábio concentrar parte dessa mesma capacidade em preservar o extraordinário planeta que já nos foi confiado?

A própria série mostrava uma verdade incontestável: sem água pura, sem oxigênio, sem equilíbrio, a vida simplesmente não floresce.

Mas, enquanto esses pensamentos percorriam o universo, outro universo ocupava meu coração.

Meu filho ainda não havia chegado em casa.

Como toda mãe, entreguei-o em oração, pedindo aos bons espíritos e aos anjos de Deus que os acompanhassem pelo caminho. Contudo, embora orasse, meu coração insistia em permanecer inquieto. Eu queria notícias. Queria certezas.

Somente pela manhã percebi algo quase constrangedor.

A mensagem que tanto aguardava já estava ali, havia horas.

___"Já em casa."

Passei boa parte da noite consumindo energias em preocupações que já não correspondiam à realidade. A resposta existia; era eu quem não conseguia enxergá-la, porque o medo havia ocupado o lugar da serenidade.

Foi então que compreendi que, muitas vezes, fazemos o mesmo com a própria vida.

O futuro nos assusta tanto que deixamos de perceber as respostas que Deus já colocou diante de nós.

Gastamos forças tentando controlar o amanhã, enquanto a paz nos espera discretamente no presente.

Talvez a verdadeira restauração que buscamos não esteja em Marte, nem em qualquer outro lugar distante.

Talvez ela comece dentro de nós.

Confiar também é uma forma de sabedoria.

Enquanto houver vida, haverá esperança.

Enquanto repousamos, Deus continua velando por Sua criação.

E, assim como inspirou homens e mulheres a protegerem a Terra através da ciência, das plataformas espaciais, da pesquisa e do conhecimento, também inspira aqueles que silenciosamente cuidam da vida em todas as suas formas.

Os verdadeiros anjos da guarda talvez sejam muitos: os que oram, os que amam, os que preservam a natureza, os que pesquisam, os que socorrem e todos aqueles que, iluminados pela Providência Divina, trabalham para que a esperança jamais deixe de existir.

Naquela madrugada compreendi que a confiança também precisa ser exercitada.

Nem sempre é a ausência de respostas que nos faz sofrer.

Às vezes, é o excesso de preocupações que nos impede de perceber que elas já chegaram.

E, diante disso, a pergunta continua ecoando dentro de mim:

Vale mesmo a pena viver aprisionados pelos temores do futuro, quando a vida nos convida, a cada amanhecer, a confiar um pouco mais no amor e na providência Divina?

Uma coisa, porém, trago comigo como certeza: somos seres humanos, eternos buscadores. Não sossegamos enquanto não alcançamos aquilo que acreditamos ser o melhor para nós, custe o que custar. Talvez seja justamente essa inquietação que impulsione as grandes descobertas da humanidade, e a exercitar mais a fé (esperança). O verdadeiro desafio, entretanto, está em discernir se nossa busca nos aproxima da sabedoria ou apenas nos afasta da paz que já habita em nosso interior.

By MângelaCastro - 05/07/2026

A VOZ!...

  Bom dia, caros leitores e eleitores cristãos ou não. Vejamos, aqui se fala de: _Consciência, Transparência e Democracia, através da voz de...