Bom dia, amadinhos do Senhor.

Meu despertar de hoje começou ainda no eco de um sonho.
Primeiro, vi apenas um grande vazio, escuro e silencioso, como se estivesse sendo preparada para a visita noturna que antecederia o amanhecer.
Depois, encontrei-me caminhando por uma casa antiga, ampla e toda ladrilhada, de época remota. Os cômodos eram tão espaçosos que transmitiam uma sensação de frio e distância. Eu entrava e saía deles como quem procura alguém muito querido.
Buscava um amigo com quem não troco impressões há bastante tempo. A vida, às vezes, nos leva para lados diferentes da estrada, e seguimos ocupados com nossos próprios propósitos. Neste sonho, eu o via em pensamento, mas não conseguia encontrá-lo.
Até que entrei em uma sala onde estava sentada uma senhora de aparência forte e serena. Parecia uma matriarca à espera de alguém. Próximo dali, em outra pequena sala, uma mulher recebia uma injeção; eu não via seu rosto.
A senhora, porém, eu vi claramente. Era alta, de pele clara, rosto salpicado de sardas, cabelos curtos e grisalhos. Vestia roupas simples e me observava com curiosidade, como se perguntasse silenciosamente:
— Quem é você?
Foi então que, de repente, como um raio, surgiu meu amigo.
Estava sem camisa, vestindo uma calça preta. Olhou para mim e perguntou, sorrindo:
— O que faz aqui, criatura?
Era aquele sorriso de quem surpreende alguém fazendo alguma travessura.
Naquele instante, tive a impressão de que ele não desejava que eu me aproximasse das mulheres presentes, como se estivesse guardando algum segredo.
Gentilmente, ofereceu-me o braço e disse:
— Venha, vamos sair daqui.
Seguimos juntos procurando outro compartimento da casa, onde estava como a me esperar minha irmã ...
Ao encontrar. Acordei.
Meu coração estava sereno e feliz.
Talvez por isso, nesta manhã chuvosa, as palavras tenham chegado mais devagar, como as gotas que escorrem pela janela.
Há dias em que o céu se fecha por fora apenas para nos convidar a acender uma luz por dentro.
E, se me permite uma pequena reflexão para acompanhar o café ou o chá, independentemente do lugar do mundo onde você esteja:
"A chuva não apaga os caminhos. Apenas convida os viajantes a caminharem com mais atenção. Assim também são os dias de silêncio: não interrompem a vida, apenas nos ajudam a ouvir o que o coração costuma dizer baixinho e a encontrar aquilo que procuramos."
Na verdade, o que mais gosto é de transformar sentimentos em palavras e palavras em acolhimento.
Pela ferramenta do Map do meu blog, sei que meus textos atravessam cidades, países e até continentes, alcançando pessoas que talvez eu nunca venha a conhecer, assim como o amigo que procurei naquele sonho.
E isso me faz muito bem. Não por nao encontra-los pessoalmente, mas por minhas palavras chegarem até eles.
Talvez exista nisso um pouco da missionariedade de Paulo de Tarso, que encontrou nas cartas uma forma de compartilhar não apenas suas experiências pessoais, mas também sua transformação interior diante Daquele que mudou sua maneira de pensar, sentir e agir, carregadas de sua cristandade universal.
Paulo compreendeu algo precioso: cada ser humano é único, raro e insubstituível.
Por isso, mesmo diante das quedas, das dúvidas e das dissidências do nosso tempo, continuo acreditando nos recomeços.
As quedas são muitas, bem sei.
Mas os levantes costumam ser ainda maiores.
E foi justamente em um desses momentos de silêncio que ouvi, dentro de mim, uma voz clara e firme dizer:
— Você não existe!
Curiosamente, eu senti lá no meu mais íntimo âmago, que esta frase não me diminuía. Pelo contrário.
Ela me lembrou que o ego passa, as aparências passam, mas aquilo que Deus constrói em nós permanece.
Se puder, aproveite no seu amanhecer ou no ocaso de cada dia, o som da chuva, dos pingos de neve, do chuveiro, ou mesmo o calor do sol tocando sua pele.
Perceba o perfume que deles emanam como fossem terra molhada. Sinta o frescor subir pelos seus pés alcançando seu coração.
Agradeça por mais um amanhecer, e cada entardecer vencido.
E lembre-se:
"Quando sentimos Deus em cada detalhe da vida, passamos a enxergar o mundo como um lindo jardim."
"As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã."
