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terça-feira, 29 de setembro de 2026

REPESAR A VIDA!


Bom dia amigos (as) leitores....

Hoje, escrevo uma carta para você em especial, espero que esta o, a, encontre bem, leve e feliz...

"Repesar a vida não para desistir dela, mas para descobrir o que já não precisamos continuar carregando. Não porque não tenha ninguém para estar perto, mas por não sentir o abraço forte que precisa naquele instante. E a chave está justamente em não negar o cansaço, mas também não deixar que ele tenha a última palavra. Repesar a vida pode ser, afinal, retirar dos ombros aquilo que já cumpriu seu tempo e deixar espaço para aquilo que ainda pode nascer".

Há momentos em que a vida nos pede uma pausa.

Não necessariamente porque tenhamos desistido de caminhar, mas porque os pés, depois de tantos anos percorrendo estradas, começam a reclamar do peso que carregamos. São décadas de passos, encontros, despedidas, alegrias guardadas, dores escondidas, perdas que deixaram seus lugares vazios e tantas outras coisas que fomos colocando sobre os ombros sem perceber.

Até que chega um dia em que já não conseguimos continuar insistindo no mesmo ritmo.

Então paramos.

E talvez seja justamente aí que comece o tempo de repesar a vida.

Sentamo-nos diante da televisão e, enquanto a vida dos outros se desenrola na tela, alguma personagem desconhecida começa a chorar. E choramos também.

Talvez não por ela.

Talvez por nós.

A dor daquela atriz atravessa a película fina que separa a ficção da nossa realidade e encontra um lugar conhecido dentro do peito. A personagem sofre, e, de algum modo, reconhecemos naquele sofrimento alguma coisa que também é nossa.

É curioso como, às vezes, precisamos que alguém inventado chore para descobrirmos que ainda existem lágrimas dentro de nós.

A casa pode estar silenciosa, mas não necessariamente vazia.

Lá fora, a vida continua fazendo barulho: uma freada brusca, uma porta que se fecha, alguém que grita ao longe, o vento que passa pelas árvores, uma pequena ave que canta sozinha, talvez procurando o caminho de volta para o ninho.

Tudo continua.

E nós, por alguns instantes, permanecemos imóveis, como se o mundo tivesse acelerado enquanto nossos passos diminuíram.

Não é exatamente solidão.

É solitude.

Há uma diferença.

A solidão nos faz sentir que não existe ninguém.

A solitude, às vezes, nos coloca diante de nós mesmos.

E talvez seja esse o encontro que mais adiamos durante a vida inteira.

Porque enquanto caminhamos, trabalhamos, cuidamos, amamos, educamos, resolvemos problemas e carregamos responsabilidades, quase nunca temos tempo para perguntar:

E eu?

O que aconteceu comigo durante todos esses anos?

O que ficou pelo caminho?

O que ainda carrego sem precisar?

Quais dores continuam ocupando espaço dentro de mim simplesmente porque nunca parei para lhes dar um nome?

Repesar a vida, meu amigo, minha amiga, talvez seja isso.

Não jogar tudo fora.

Não apagar o passado.

Não fingir que determinadas dores não existiram.

Mas olhar para aquilo que carregamos e perguntar, com alguma ternura:

Ainda preciso levar tudo isso comigo?

Há pesos que foram necessários durante uma parte da caminhada, mas que já não precisam continuar conosco.

Há culpas que precisam descansar.

Há ressentimentos que já envelheceram.

Há ausências que jamais deixarão de doer, mas podem aprender a ocupar outro lugar dentro de nós.

E há sonhos que, apesar de adormecidos, talvez ainda estejam respirando.

Porque a vida não termina quando diminuímos o passo.

Às vezes, ela apenas muda o ritmo.

Talvez não tenhamos mais a mesma força para correr, mas ainda podemos caminhar.

Talvez já não desejemos multidões, mas ainda possamos desejar um abraço.

Talvez não tenhamos respostas para todas as perguntas, mas ainda possamos conservar uma pergunta acesa.

E enquanto houver uma pergunta acesa, haverá uma pequena chama.

Enquanto houver uma chama, haverá possibilidade de amanhecer.

Por isso, naquela casa silenciosa, diante da televisão que continua contando histórias que não são nossas, talvez seja possível desligar o aparelho por alguns minutos e ouvir outra narrativa.

A nossa.

Ouvir o coração.

Ouvir o vento.

Ouvir o passarinho distante.

Ouvir aquele silêncio que, de tão profundo, parece vazio, mas talvez esteja apenas preparando espaço.

Espaço para um novo dia.

Espaço para um afeto.

Espaço para uma amizade inesperada.

Espaço para uma palavra.

Espaço para Deus.

Porque esperança não é a certeza de que amanhã tudo será diferente.

Esperança é continuar deixando uma pequena porta aberta para que o amanhã possa ser diferente.

E talvez seja isso que ainda nos movimenta quando os pés já estão cansados:

não a certeza de que a estrada será fácil,

mas a possibilidade de que ainda exista alguma beleza esperando por nós depois da próxima curva.

Então, hoje, talvez eu não precise caminhar tanto.

Talvez precise apenas me sentar um pouco, respirar, enxugar as lágrimas e repesar a vida.

Separar o que é peso do que é memória.

O que é ferida do que é aprendizado.

O que precisa permanecer do que já pode partir.

E, depois, quando os pés estiverem um pouco mais leves, levantar-me.

Não para voltar a ser quem fui.

Mas para descobrir quem ainda posso ser.

Porque, enquanto houver vida, nenhuma manhã precisa ser considerada a última página.

Algumas páginas apenas precisam de mais tempo para serem escritas.

E talvez a esperança seja justamente essa:

a vida ainda não terminou de escrever a nossa história.

Para guardar no coração

“Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças; sobem com asas como águias; correm e não se cansam, caminham e não desfalecem.”
Isaías 40,31

By MângelaCastro - 29/9/2026

Enviado por MângelaCastro em 29/09/2026
Código do texto: T8730661
Classificação de conteúdo: seguro

sábado, 26 de setembro de 2026

PRESA, ENSIMESMADA, MAS AINDA CANTANDO ...

Bom dia amadinhos, amadinhas  de Nosso (a) Senhor (a)!

Há momentos em que a alma se sente presa entre grades que ninguém vê.
Mas, mesmo ferida, ainda pode cantar — porque enquanto houver vida, há sempre uma janela aberta para a regeneração.

🌿 Uma reflexão sobre dor, silêncio, tempo, fé e a coragem de continuar.


Salmos 126:2: "Não, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de cânticos; então, se dizia entre as nações: Grandes coisas fez o Senhor a estes."

  • Provérbios 17:22: "O coração alegre aformoseia o rosto, mas, pela dor do coração, o espírito se abate."

  • Bom dia, amadinhos e amadinhas de Nosso (a) Senhor (a)!

  • Há dias em que a alma parece atravessar uma tempestade, mesmo quando lá fora quase não chove.

    Ontem foi um desses dias.

    Não houve necessariamente grandes enxurradas sobre a cidade, mas dentro de mim havia um barulho difícil de silenciar. E, quando o barulho interior se torna intenso demais, esquecemos até mesmo algumas das regras mais simples da existência: respirar, esperar, ouvir, ponderar.

    É quando podemos nos esquecer de nós mesmos, e quiçá do outro ao seu lado.

    E talvez tenha sido justamente assim que, em meio àquela turbulência, me veio a imagem de uma fotografia antiga, já um tanto embaçada pelo tempo.

    Uma fotografia que parecia prestes a se desfazer.

    Mas, olhando melhor, percebi que talvez ela ainda pudesse receber alguns retoques.

    Segurei-a, então, simbolicamente, entre as mãos.

    Porque nem tudo aquilo que o tempo desgasta está perdido.

    Há coisas que precisam apenas de cuidado.

    E foi quando o barulho se calou.

    Um silêncio inesperado fez morada dentro de mim. E, como um lampejo atravessando as vidraças de uma janela escancarada para a vida lá fora, quase ouvi uma voz dizendo:

    — Vá. Saia por essa janela. A vida lá fora ainda espera por você.

    Foi então que compreendi que aquela fotografia não era apenas uma lembrança.

    Era também uma metáfora.

    Talvez todos nós sejamos, em algum momento, fotografias antigas tentando resistir às intempéries do tempo.

    E talvez a nossa maior dificuldade seja compreender que, quando alguma coisa se quebra dentro de nós, a primeira reação não deveria ser abandoná-la, mas procurar saber se ainda existe ali alguma possibilidade de regeneração.

    Foi quando me veio outra imagem: uma avezinha presa numa gaiola.

    Ela canta.

    Mas seu canto é triste.

    Olha para fora e vê outras aves bailando livres pelo céu, leves, soltas, enquanto permanece entre grades e ferrolhos, num espaço escurecido demais para quem nasceu para voar e brilhar por si só.

    E penso que, às vezes, também nos sentimos assim.

    Presos. 

    Entediados.

    Amuados, como diz meu neto.

    E, nos momentos mais íntimos de silêncio, talvez a pequena ave se pergunte:

    — O que faço com este momento?

    Talvez seja essa também a nossa pergunta.

    Vivemos tempos difíceis. E, em meio a tantas divergências, violências contra todo um sistema, parece que muitas vezes perdemos o nosso centro.

    E perder o centro, para mim, é também correr o risco de perder Deus como referência da existência.

    Quando olhamos apenas para o próprio umbigo, esquecemos que a vida é muito maior do que nossas certezas, nossas disputas e nossas pequenas razões.

    A vida tem poder de regeneração.

    Mas regenerar exige equilíbrio.

    Exige bom senso.

    Exige cuidado.

    Exige compaixão.

    Radicalidade em todas as coisas, nunca foi a resposta que a vida espera de nós.

    Eclesiastes (3:11) nos lembra que há tempo determinado para todo propósito debaixo do céu.

    Talvez nos falte justamente aprender a respeitar os tempos. O tempo de fazer.

    O tempo de falar.

    O tempo de silenciar.

    O tempo de discordar.

    O tempo de compreender. 

    O tempo de deixar ir.

    E também o tempo de reconstruir.

    Porque, quando nos deixamos dominar pelas emoções, podemos acabar roubando da calma a sua plenitude e transformando a própria existência num lamento permanente.

    É nos meus silêncios mais profundos, quando tudo finalmente se aquieta n’alma, que algumas perguntas insistem em chegar:

    Por que divergimos tanto?

    Por que guardamos tantos tesouros dentro de nossas pequenas pirâmides, se a vida passa tão depressa?

    Para que tanta disputa, tanta dureza, tanta necessidade de ter razão, se amanhã poderemos simplesmente não estar mais aqui?

    Um dia, tudo ficará para trás.

    E então penso nos sepulcros caiados.

    Penso naquilo que permanece quando todas as aparências desaparecem.

    E me pergunto:

    O que levaremos conosco?

    Certamente não os tesouros.

    Não as disputas.

    Não as vaidades.

    Talvez levemos apenas aquilo que conseguimos transformar em amor.

    E talvez seja justamente aí que esteja a grande lição:

    a vida não nos pede que permaneçamos intactos.

    Pede-nos que, mesmo depois das tempestades, aprendamos a nos regenerar.

    Que a fotografia, ainda que marcada pelo tempo, possa receber novos retoques.

    Que a avezinha, mesmo depois de muito tempo entre grades, não esqueça que nasceu para cantar.

    E que nós, apesar de todas as nossas feridas, não nos esqueçamos de que ainda existe uma janela aberta para a vida. 

    • Esse é o tempo de fazer o que está ainda para ser feito... Não morrer pelas contraditas, mas viver pela ressurreição com toda plenitude!


    Paz e Bem.

    By MângelaCastro — 26/09/2026

  • Enviado por MângelaCastro em 26/09/2026
    Código do texto: T8728518
    Classificação de conteúdo: seguro







  • By MângelaCastro - 26/0/2026

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

🌿 PRIMAVERA - MULHER QUE DÁ O CONTORNO À VIDA ...🌷

 A chuva que cai nesses dias sobre nossos telhados, deixa de ser apenas metáfora da tristeza e passa a ser também sinal da ação de Deus, que fecunda aquilo que parecia adormecido.


Bom dia caríssimos e diletos leitores de todos os dias, os quais trazem muito alegria e conforto pro meu coração. Amigos, amigas! Talvez, porque temos sido tema quase central de diálogos nesses últimos anos, nascido como semente que acaba de germinar uma leve moção de palavras ensejando o ser feminino que habita em nós, chegando de mansinho com a estação primaveril que também acaba de nascer para cumprir mais um ciclo de vida ....

🌧️🌷 E se a Primavera chegasse para nos ensinar a desacelerar?

Entre a chuva que parece lágrima e as flores que insistem em nascer, talvez a vida esteja apenas nos pedindo um instante de pausa.

Para sentir o perfume, contemplar a beleza e lembrar que, mesmo depois das partidas, a vida sempre procura um jeito de florescer novamente.

A manhã amanheceu chuvosa.

Para mim, meio lacrimosa.

Talvez porque o comboio da morte tenha passado tantas vezes por perto, levando parentes, amigos, pessoas que ontem ainda faziam parte da paisagem de nossas vidas.

Ele passa. E nos comove.

Entristece.

Mas também nos recorda que existe um ciclo maior do qual fazemos parte: nascer, florir, frutificar e, um dia, cair sobre a terra para que dela possa nascer novamente a vida.

Talvez seja por isso que eu goste de olhar a chuva de outra maneira.

Ela chega como lágrima, mas também como promessa.

A Primavera acaba de nascer, e a chuva vem recebê-la. Molha a terra, desperta sementes, devolve perfume ao mundo.

E há algo de profundamente feminino nisso.

A mulher, em sua simbologia mais bonita, traz consigo o mistério de gerar, acolher e dar contorno à vida.

E talvez seja justamente isso que esteja faltando aos nossos tempos tão secos: não apenas água sobre a terra, mas delicadeza sobre os dias.

Ser Primavera é ser leve sem ser superficial.

É ser alegria sem perder a sintonia com as experiências da vida.

É florescer depois das chuvas.

É espalhar perfume sem precisar anunciar a própria presença.

Porque todo frasco de perfume guarda uma sensação que não se vê, mas permanece.

Assim é a Primavera.

Assim pode ser a mulher.

Mulher que dá o contorno à vida.

E quando penso na locomotiva da existência, desejo apenas que ela não passe tão depressa por nós.

Que, ao chegar à Primavera, diminua a velocidade.

Que pare, por um instante, para sentir o perfume das flores, contemplar sua alegria colorida, ouvir a chuva sobre a terra e perceber que ainda há muito para florescer.

Depois, sim...

Que siga viagem.

Porque a locomotiva da vida não pode permanecer parada.

Mas talvez possa aprender, de vez em quando, a desacelerar diante da beleza.

E nós, passageiros dessa breve viagem, talvez devêssemos fazer o mesmo.

Isaías em  55, 10-11 se expressa, sintetizando bem assim:

“A chuva rega a terra. A Palavra rega a alma. E onde Deus encontra uma semente, a vida pode voltar a florescer.” 🌧️🌱



Paz e Bem.

By MângelaCastro - 23/0/2026

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A LUZ FORA DAS CAVERNAS ....

Uma ideia começa com o lindo dia nascendo,  amadurecendo por aqui, que pode nos levar a um caminho que enseja a diferença entre uma luz que simplesmente ilumina e a Luz que gera vida. E o título A Luz Fora das Cavernas permite justamente fazer uma ponte muito interessante com a alegoria da caverna de Platão, mas levando-a para o campo da fé, do saber: sair das sombras não apenas para ver, mas para transformar aquilo que vemos.

.

Hoje, mesmo antes de o sol mostrar sua graça, eu já havia acordado. Como não consegui dormir novamente, resolvi levantar junto com ele.

Coar meu café, colocar meu pãozinho na chapa e, enquanto a fumaça e o aroma se espalham pelo ar, dar início às minhas escritas...

Talvez seja assim que algumas ideias também nasçam: lentamente, entre o silêncio da manhã, o cheiro do café e uma luz que começa, pouco a pouco, a vencer as sombras.

A verdadeira Luz não é aquela que nos deixa cegos diante de sua intensidade; é aquela que, ao nos iluminar, permite-nos enxergar, transformar e viver.

Há luzes que nos chamam para fora do nosso mundo, mas nem sequer conseguimos enxergá-las.

E então me pergunto:

Será que toda luz é sinônimo de vida?

Não me refiro à luz que nos amedronta, anunciando o fim, nem àquela que ofusca nossos olhos sem nos permitir compreender o que está diante de nós.

Estou falando de outra Luz.

A Luz de Cristo.

É aquela que ilumina o caminho do caminheiro quando a noite parece não ter estrelas nem luar.

É como o pequeno ponto luminoso de um farol, no alto de uma fortaleza à beira-mar, orientando o barqueiro perdido a encontrar novamente o caminho de casa.

É direção.

É abrigo.

É Porto Seguro.

É a luz que não precisa fazer estardalhaço para transformar.

Talvez seja por isso que possamos reconhecê-la em tantas dimensões da própria existência.

Até a natureza parece nos ensinar que a verdadeira luz não existe simplesmente para ser contemplada. Como o ar não existe só para senti-lo no frescor da pele.

Ela existe, assim como o ar, para gerar vida.

Adentremos um pouco mais nessa ideia, saindo das sombras das cavernas, e olhando para a lua, tão linda, que avistamos em nosso céu noturno.

Ela não possui luz própria; reflete a luz do Sol. E, ainda assim, sinto com sua presença que ela interfere nos ritmos da natureza, movimenta as marés e participa dos ciclos que envolvem a vida na Terra.

Mas até essa luz refletida nos lembra de nossa própria fragilidade.

Ontem à noite, quando em visita à nossos irmãos, ao sair para a calçada e seguir rumo para nossa casa, olhei para o céu noturno, e lá estava bem à nossa frente, reinando com um brilho intenso, o planeta júpiter, deslumbrada com o seu brilho, voltei para minha irmã e lhe disse: ___veja o mistério do céu, só podemos enxergar a luz brilhante daquela estrela, como assim o chamamos, mesmo estando anos luz de distância aqui de nós, e isso se dá por conta do seu imenso tamanho 318 vezes maior que nosso planeta, e irradia não luz própria como nós também não, mas sim a luz solar, não é governo de rei? Você não se sente súdita desse reino celestial??

Tudo aquilo que conhecemos neste mundo é real sob nosso prisma, e tudo gira em torno do astro rei, mesmo sendo passageiro, e não nos pertencer, usufruímos, então, mister cuidar, pois não estamos sós nesse grandioso e harmonioso sistema estelar.

Um dia, astros, ciclos e formas de vida como conhecemos poderão desaparecer, por distintos motivos, sim. E nós, tão importantes aos olhos de Deus, enquanto alma e consciência, podemos ainda parecer tão pequenos diante da imensidão do Universo.

Mas talvez esse não seja o fim.

Talvez seja justamente aí que possamos compreender a diferença entre a luz que vemos e a Luz que nos sustenta. Entre a luz que brilha na simplicidade, e as sombras que escurecem na arrogância.

A Luz de Jesus como nos enseja, e nos ensina, não depende do Sol, da Lua ou das estrelas.

Ela permanece quando o mundo parece mergulhar na escuridão.

Quando encontramos desordens emocionais, crimes contra pessoas, insensatez humana, momentos de insanidade provocados pelo estresse, pelo cansaço, pela desesperança ou pela perda da fé, ou pela deseducação, Jesus se aproxima e nos aponta para o renascimento da vida.

Do amor.

Da esperança.

E talvez seja também por isso que precisamos olhar com mais responsabilidade, ternura, amor, para nossas crianças nascidas da bacia das almas, como as estrelas nascem do seu próprio berçário celeste. A vida é uma constante luz que brilha. 

Se soubermos cuidar delas hoje, colocando limites, ensinando-as através do nosso amor e carinho, respeitando e evitando os excessos de exposição como se faz com as joias raras, e compreendendo melhor os impactos dessa era tecnológica que abriu diante de nós um universo de possibilidades, como os satélites, planetas que fazem ronda pela nossa galáxia, descobrindo mistérios antes imagináveis, talvez possamos ajudar a formar homens e mulheres mais equilibrados, menos ansiosos, não agressivos no seu cotidiano nascente, haja vista, nós adultos hoje, já estarmos entrando em nossa fase crepuscular.

Quiçá, no amanhã, seres humanos menos aprisionados pelos excessos caóticos, que esta geração vive.

Mais conscientes de que o direito de cada um termina onde começa o direito do outro.

Mais respeitosos.

Mais amorosos.

Mais capazes de conviver.

Talvez não consigamos corrigir, hoje, todas as vicissitudes que atravessam nossa sociedade.

Adquirimos, ao longo dos tempos, hábitos difíceis de abandonar. Muitas vezes acreditamos ser donos de nós mesmos e, pior ainda, donos dos outros.

É verdade que nossa vida nos pertence e somos responsáveis por nossos atos, e de nossos filhos, embora muitos de nós, ainda não admita, ou talvez não conseguimos ainda bem entender e ver esse horizonte bem aberto à nossa frente, que mistérios nele se esconde? Mas também pertencemos a uma sociedade, submetida a regras, leis e responsabilidades coletivas, e carregamos conosco, o futuro de nossas crianças. Em princípio, não é o que se faz, mas como é feito.

E talvez ainda nos falte amadurecer para compreender que a verdadeira democracia, essa luz que deveria brilhar em nossa sociedade, não pode existir apenas nos discursos ou nas respostas que damos a tudo que nos chega, e sem ao menos filtra-las. Ela precisa estar também na vida cotidiana, quando aprendemos a respeitar os limites, as escolhas e as responsabilidades de cada família.

Não podemos querer educar os filhos dos outros segundo princípios que nem sempre compartilhamos ou praticamos. E quando falamos de crianças e adolescentes expostos nas redes sociais, precisamos lembrar que são seres em formação e que determinadas exposições e julgamentos podem afetar sua dimensão psicossocial.

Liberdade de expressão não é licença para ferir. Dizer o que pensamos nas redes sociais exige discernimento, respeito e responsabilidade. Se existe alguma situação que realmente coloque uma criança em risco, há órgãos próprios para apurá-la e protegê-la. Não cabe a cada um de nós transformar as redes sociais em tribunal ou assumir o papel dos órgãos de proteção à infância e à juventude.

Proteger também é saber quando falar, como falar e, sobretudo, quando respeitar.

Ela deveria trazer conhecimento.

Liberdade com Responsabilidade.

E liberdade conquistada pela verdade.

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
(João 8,32)

Não basta enxergar; é preciso ter discernimento sobre aquilo que fazemos com o que enxergamos.

Entretanto, quando a turbulência, e a divergência se instala, tudo parece mais difícil de controlar.

Talvez por isso existam terremotos interiores muito mais fortes do que aqueles que acontecem fora de nós.

São tremores escondidos no fundo do nosso próprio ser, do nosso âmago.

Precisamos aprender a acomodá-los, compreendê-los e, quando possível, transformá-los.

Precisamos sair das sombras.

Talvez sejamos ainda, muitas vezes, como aqueles antigos homens das cavernas, acostumados à penumbra, confundindo sombras com realidade e acreditando conhecer o mundo simplesmente porque nos habituamos a enxergá-lo daquela maneira.

Mas existe uma luz lá fora.

E sair da caverna não significa apenas abrir os olhos.

Significa ter coragem para ver diferente.

Significa permitir que a verdade nos transforme.

Significa deixar de viver apenas reagindo às sombras para começar a participar da construção da própria luz.

Porque onde Cristo ilumina, alguma coisa começa a nascer.

Nasce a esperança.
Nasce o amor.
Nasce o perdão.
Nasce uma nova maneira de olhar.
Nasce, enfim, a própria vida.

Talvez seja essa a grande diferença:

Há luzes que simplesmente nos fazem enxergar.

E há uma Luz que nos ensina a viver.

Paz e bem.

MângelaCastro - 04/9/2026

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Enviado por MângelaCastro em 04/09/2026
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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

A VASILHA QUE DEIXAREMOS PARA O FUTURO🌱

Quando me pego vislumbrando o horizonte, com um olhar pensativo, o que me questiono? E você também já se pegou auto questionando? Como está a sua íntima vasilha? O que tem feito de bom para a sua família, vista que o bom trabalho começa dentro do nosso lar, ou tem apenas se preocupado com a vasilha dos outros, então como tem sido? Qual a medida da sua vasilha?

Hoje é aniversário de passagem do nosso pai para a pátria celestial, é verdade que pouco ele pode nos ensinar, pois estava apenas com 33 anos, e poucos desses, viveu junto do seu seio familiar, dos três filhos biológico, o mais velho, tinha acabado de completar 7 aninhos de idade, mas o que realizou para nós em amor, afeto, acolhida, foi o suficiente para que permanecêssemos unidos durante a nossa caminhada por essas terras, e minha mãe, foi uma verdadeira Pãe! Sempre nos ensinou o bom caminho, principalmente a respeitar as pessoas, desde cedo, aprendemos a não discriminar pessoas, e não sermos preconceituosos, embora, fomos por uma sociedade machista muito discriminados, mas isso, nunca nos afetou a ponto de revidarmos, sempre seguimos o ensinamento de amor de Jesus, mesmo chateada, nervosa às vezes com alguns acontecimentos, penso comigo mesma: ___Pai, perdoa- os, pois não sabem o que fazem ou o que dizem, e esse pensamento acalma o meu coração, alivia minha alma, porque é Nele que entrego todas as minhas tribulações, dúvidas, inquietações, e continuo seguindo o destino para mim por Ele traçado, sabendo também que tenho junto de nós uma perfeita guarida. E que nosso pai, esteja onde estiver, esteja bem, em paz, e aprendendo bastante, melhorando ainda mais o que seus pais iniciaram em sua vida.

Noite passada tive um sonho bem expressivo: Sonhei que estava em uma casa grande, porém bem simples na aparência. Via como se fosse através de uma janela, uma mulher alimentando alguns cachorrinhos, um deles até parecia o nosso querido Bethoven, esse o nome que demos ao cachorrinho que chegou às nossas mãos, após ter sido rejeitado por ser pretinho 😪, e o registramos no veterinário com esse nome, mas, o apelidamos de Be, viveu mais de 17 anos conosco, era da raça poodle médio, o cachorrinho do sonho era maior que o Be, mas, muito parecido em peraltices, ficava saltitando diante daquela mulher esperando seu alimento. Vendo eu as vasilhas que ela enchia com o alimento para eles, percebi que do cachorrinho, maior que os outros, precisava também de uma vasilha maior, então, lhe fiz esta sugestão, chamando-a, disse-lhe apontando para o cachorrinho maior: ___Ele precisa ser alimentado com uma vasilha maior, e mostrei-lhe qual era a vasilha. Ela abaixou-se pegando-a, e depositou nela o alimento para o cachorrinho maior. E o cachorrinho ficou saltitando à sua frente todo alegrinho, como se lhe estivesse a agradecer!

Preste bem atenção: não precisamos nos revoltar diante daquilo que não temos. Precisamos compreender e cuidar bem daquilo que nos foi confiado.

Jesus nos ensina, em Lucas 12:48: “A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido.”

Essa passagem não fala apenas — e talvez nem principalmente — de bens materiais, riqueza, fortuna ou conforto. Talvez não tenha sido para isso que viemos a este mundo.

Viemos para aprender, amadurecer, transformar-nos e, de alguma maneira, deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos.

Deus nos concede oportunidades, talentos, inteligência, afetos, encontros, experiências, pessoas e, sobretudo, o precioso dom da vida. E tudo aquilo que recebemos traz consigo uma responsabilidade.

Por isso, talvez a grande pergunta não seja:

“Quanto eu tenho?”

Mas:

“O que estou fazendo com aquilo que recebi?”

Que fizemos com as oportunidades que a vida nos ofereceu?

Com os conhecimentos adquiridos?

Com as dores que atravessamos?

Com as pessoas que encontramos pelo caminho?

Com os filhos, netos, amigos e afetos que nos foram confiados?

Com as memórias que construímos?

Talvez seja isso que precisamos nos questionar, e tentar melhorar, a nossa própria vida e dos nossos entes queridos que serão uma consequência dos meus atos praticados.

Talvez seja exatamente para isso que criamos memórias: para que o tempo não leve tudo consigo e para que aqueles que vierem depois possam encontrar, em nossas experiências, alguma pequena luz para iluminar seus próprios caminhos. Deus sempre providencia exatamente o que precisamos, não precisamos nos preocupar tanto, olhe o ensino que Jesus nos deixou: Não precisamos nos preocupar com o amanhã, nem com o que tem na vasilha do outro, posto que Deus tudo já nos providencia, mas isso não quer dizer que fiquemos muito acomodados, precisamos seguir sim trabalhando, nos esmerando para que tenhamos uma vida digna, próspera preparando a vida para nossa descendência, foi isso que Jesus fez para nós.

«Ninguém pode servir a dois senhores; pois ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de unir-se a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos da vossa vida pelo que haveis de comer ou beber, nem do vosso corpo pelo que haveis de vestir; não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta; não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um cúbito à sua estatura? Por que andais ansiosos pelo que haveis de vestir? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Se Deus, pois, assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Assim não andeis ansiosos, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois os gentios é que procuram todas estas coisas); porque vosso Pai celestial sabe que precisais de todas elas. Mas buscai primeiramente o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.» (Mateus 6:24–33)

Não fomos colocados neste mundo para acumular indefinidamente.

Somos passageiros.

Somos sementes.

Somos frutos de uma árvore que já existia antes de nós e raízes que, de alguma forma, continuarão alimentando aqueles que vierem depois.

E talvez seja essa a verdadeira riqueza que levaremos conosco:

não aquilo que conseguimos possuir, mas aquilo que conseguimos transformar em amor, conhecimento, dignidade, solidariedade e bons exemplos, aqui, devemos nos perguntar: ___estou realmente sendo bom exemplo para os meus afetos, amigos? Porque os nossos pequenos seguirão no caminho que para eles preparamos, e nunca sairá dele.

Provérbios 22:6 - Ensine com bons exemplos para seus filhos, pois será essa linha de conduta que ele seguirá na sua vida adulta. Entretanto, o fato de passarmos esses valores ainda na infância, não é garantia de que quem recebeu a instrução não terá um desvio de conduta. É evidente que aquele que foi fundamentado na Palavra de Deus logo na infância, terá os meios necessários para ter uma vida reta, próspera e digna. Mas, com o livre-arbítrio, cabe sempre a quem recebe o ensino praticar o que aprendeu e permanecer no que foi instruído, e sucessivamente ensinar para sua descendência.

Por isso, diante daquilo que não temos, não precisamos alimentar revoltas.

Diante daquilo que recebemos, precisamos cultivar responsabilidade.

Porque quanto maiores forem os dons, as oportunidades e a confiança que nos foram entregues, maior será também a responsabilidade de fazê-los frutificar.

E talvez seja justamente aqui que aquela pequena vasilha do meu sonho volte a fazer sentido.

Alguns receberam uma vasilha pequena.

Outros, uma maior.

Não nos cabe invejar a vasilha do outro.

Cabe-nos perguntar:

“O que estou fazendo com a minha?”

Porque, no final, não seremos lembrados pelo tamanho da vasilha que recebemos, mas pelos frutos que conseguimos oferecer.

E esses frutos, cedo ou tarde, encontrarão alguém que deles necessite.

Talvez essa seja a maneira mais bonita de atravessarmos o nosso próprio tempo:

receber com gratidão, cuidar com responsabilidade, repartir com generosidade e partir em paz.

O que estamos preparando para quem virá depois de nós?

Entre a poeira que a chuva pode lavar, a cruz que às vezes precisamos dividir e a vasilha que precisa ser maior para alimentar quem tem mais necessidade, talvez a vida esteja nos fazendo uma pergunta simples:

Não importa apenas o que recebemos. Importa o que fazemos com aquilo que nos foi confiado.

Porque, no fim, não seremos lembrados pelo tamanho da nossa vasilha, mas pelos frutos que conseguimos oferecer. E isso, nossos pais devem estar em paz, pois, deram o melhor de si para sua família. E se por alguma desventura, algum de nós tenha errado não seguindo os princípios de vida que nos ensinou, e sempre dizia: __Faça o que falo, mas não faça o que faço, porque na sua simples sabedoria de vida, sabia que em algum momento podemos errar, e se assim foi, PEÇO PERDÃO! Só gratidão!

By MângelaCastro - 28/8/2026

 

domingo, 9 de agosto de 2026

QUANDO O FOGO SE APAGA COM NOSSAS PRÓPRIAS MÃOS

 

Uma reflexão sobre sonhos, relações, fé, responsabilidade e a coragem de fazer a nossa parte.

Há sonhos que não precisam ser interpretados como presságios. Talvez precisem apenas ser escutados como perguntas.

O que o meu sonho está me fazendo pensar sobre mim?

Talvez, ao olhar para dentro, descubramos alguns “fogos” que só poderão ser apagados quando tomarmos atitudes concretas.

🔥 O que ainda está queimando em mim?
🌿 E o que já queimou, mas ainda deixou marcas?

 — porque às vezes continuamos vivendo como se o incêndio ainda estivesse acontecendo, quando restaram apenas as marcas.

Há sonhos que parecem nascer apenas da imaginação. Outros, porém, quando despertamos, permanecem conosco como uma pergunta.

Foi assim com um sonho que tive recentemente.

Eu estava na cozinha — um espaço muito presente em minha vida cotidiana — quando percebi que o micro-ondas estava em chamas. O fogo ardia dentro dele. Assustei-me, corri para desligá-lo da tomada e, imediatamente, procurei os bombeiros.

Engraçado que no sonho aflita com a situação, tentava lembrar o número de emergência, e me veio esse, mas, eu não tinha certeza, não é que acertei??? 😁Liguei para o 193.

Uma voz feminina me atendeu, dizendo que eu realmente havia ligado para o Corpo de Bombeiros, mas pediu que eu esperasse.

Esperasse?

Meu aparelho estava pegando fogo!

Voltei para ele e, para minha surpresa, o fogo já havia se apagado. Então desliguei o telefone, pensando, com certo humor:

Se eu dependesse deles, estaria “ferrada”!😄Mas na realidade, são bem eficientes, já precisei do corpo de bombeiros, e chegaram bem rápido para o atendimento, nada sério, mas, um foi com enxame de marimbondos, outro, foi com uma panela de óleo que pegou fogo e chegou a queimar o exaustor, nada tão sério, mas solicitei ajuda, esses eventos podem ocorrer em nosso cotidiano, e se tornarem bem drásticos. Mas esse sonho, analiso sob outros aspectos.

Em minhas ocorrências no dia a dia, conto com  meu filho, sempre pronto para ajudar. E com você, tem ajuda também de algum familiar pronto para o auxílio?

Voltando para o sonho. Depois, encontrei-me em uma espécie de sala de aula e conversei com uma jovem. Contei-lhe o que havia acontecido e ela me disse que conversaria com seu “amigo espiritual” para saber o que ele teria a dizer.

Perguntei:

— Mas, para conversar com um amigo espiritual, não precisamos orar ou entrar em meditação?

Ela respondeu tranquilamente que não. Bastava conversar.

E eu, dentro do próprio sonho, questionei.😏

Mais tarde, encontrei algumas roupas queimando no quintal. Joguei água sobre elas. A fumaça subiu, as roupas estavam bem chamuscadas, marcadas pelo fogo, mas já não havia mais chamas.

E pensei:

“Pronto. Agora não há mais perigo.”

Acordei.


Depois de refletir sobre esse sonho, percebi que talvez ele não precise ser entendido como uma previsão, nem como uma mensagem sobrenatural pronta para ser decifrada.

Talvez ele possa ser simplesmente uma pergunta.

Quantas vezes, na vida, percebemos que alguma coisa está “pegando fogo” e imediatamente esperamos que alguém venha apagar?

Esperamos um telefonema.

Uma visita.

Uma palavra.

Uma atitude.

Esperamos que alguém perceba aquilo que estamos sentindo sem que precisemos pedir.

E, algumas vezes, esperamos tanto que descobrimos, depois de algum tempo, que precisamos tomar a iniciativa.

Não porque não precisemos uns dos outros.

Precisamos.

Somos seres de relação. Ninguém atravessa a vida completamente sozinho.

Mas existe uma diferença entre precisar do outro e entregar ao outro a responsabilidade por aquilo que também nos cabe fazer.

Talvez alguns dos incêndios da nossa vida precisem, sim, de ajuda.

Mas outros exigem de nós uma atitude concreta.

É preciso desligar alguma coisa.

É preciso colocar limites.

É preciso conversar.

É preciso pedir perdão.

É preciso perdoar.

É preciso procurar ajuda.

É preciso sair de determinado lugar.

É preciso abandonar um hábito.

É preciso, algumas vezes, simplesmente parar de esperar que o outro faça aquilo que somente nós podemos fazer.

Existe um antigo ditado popular que diz:

“Se queres algo bem feito, faça você mesmo.”

Eu acrescentaria uma pequena ressalva:

Não precisamos fazer tudo sozinhos.

Mas precisamos fazer a nossa parte.


E talvez seja justamente aí que o sonho encontre a espiritualidade.

Fé não significa permanecer parado esperando que Deus faça aquilo que está ao alcance das nossas mãos.

A oração não deveria ser uma substituta da atitude.

Podemos pedir luz e, depois, caminhar.

Podemos pedir discernimento e, depois, escolher.

Podemos pedir força e, depois, agir.

Talvez a fé amadureça justamente quando compreendemos que nem sempre o milagre será o fogo desaparecer sozinho.

Às vezes, o milagre pode estar na coragem que encontramos para procurar a tomada, desligar o aparelho e jogar água sobre aquilo que ainda está ardendo.

E talvez Deus também esteja presente na sabedoria de reconhecer:

“Eu preciso de ajuda.”

Porque pedir ajuda também é uma atitude.


Mas há algo ainda mais interessante no final do sonho.

As roupas estavam queimadas.

A fumaça ainda subia.

As marcas permaneciam.

Mas o fogo havia acabado.

Quantas vezes confundimos as marcas do que aconteceu com o perigo que ainda existe?

Uma experiência pode deixar cicatrizes sem continuar nos ferindo.

Uma perda pode deixar saudade sem continuar nos destruindo.

Uma decepção pode deixar marcas sem determinar nosso futuro.

Uma fase difícil pode deixar fumaça no coração, mesmo depois que as chamas já se apagaram.

Talvez seja preciso aprender a distinguir:

o que ainda está queimando daquilo que simplesmente já queimou.


E quanto aos nossos sonhos?

Talvez devêssemos ter cuidado para não transformá-los imediatamente em revelações ou presságios.

Podemos escutá-los de outra maneira.

Como quem abre uma janela para dentro de si.

O que este sonho despertou em mim?

Que medo ele revelou?

Que relação ele trouxe à memória?

Que necessidade minha apareceu?

O que estou esperando dos outros?

O que está ao meu alcance fazer?

E, sobretudo:

que fogo da minha vida precisa ser apagado com uma atitude concreta?

Talvez cada um de nós tenha, em algum canto da própria “casa interior”, um pequeno incêndio acontecendo.

E talvez nem sempre precisemos esperar pelos bombeiros.

Às vezes, a primeira providência é nossa.

Desligar.

Agir.

Pedir ajuda quando necessário.

E depois, com serenidade, olhar para a fumaça que ficou e reconhecer:

“Ainda há marcas, mas já não há perigo.”

Talvez isso também seja amadurecer.

Talvez isso também seja fé.

Talvez isso também seja aprender a cuidar da própria vida sem deixar de reconhecer que, quando o caminho pesa demais, precisamos uns dos outros. 

E sempre de Deus, tal qual um Pai amoroso, zeloso, cuidador, tudo sabe, nos ausculta, nos ama infinitamente, nos indicando a melhor atitude, o melhor caminho, aquele que precisamos para percorrer em aprendizados, para pedir sabedoria, mas, temos que ser obedientes, seguir os bons conselhos ... 

"Tu és o meu socorro e o meu libertador; meu Deus, não te demores!" (Salmos 34:19)  FELIZ E ABENÇOADO DIA DOS PAIS!


Paz e bem.

MângelaCastro - 08/8/2026

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Enviado por MângelaCastro em 09/08/2026
Código do texto: T8693139
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