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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

DEPOIS DE TUDO - REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL: MUDAR A IDADE RESOLVE O PROBLEMA?

 BOM DIA!

“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável perfeita vontade de Deus”— Romanos 12:2

.


Exercício da cidadania

Entre segurança pública, educação e saúde, precisamos de respostas efetivas, não apenas de novas leis. Antes de reduzir a idade penal, vamos corrigir as falhas que permitem a continuidade da criminalidade juvenil? Uma reflexão cidadã sobre nossas crianças, nossos jovens e o futuro do Brasil.

Estamos na reta final dos discursos eleitorais e da apresentação de propostas e projetos governamentais (?). Nesse contexto, considero prudente a decisão de deixar para depois das eleições a retomada de temas de tamanha relevância para a sociedade, como a PEC que propõe a redução da maioridade penal e as medidas de segurança pública.

São assuntos que exigem responsabilidade, amplo debate e análise cuidadosa de suas consequências, não decisões apressadas ao sabor das circunstâncias políticas.

Entretanto, há outra questão de extrema importância que também precisa ocupar lugar de destaque na agenda nacional: A SAÚDE PÚBLICA, uma responsabilidade repassada aos estados e municípios, assim como a educação do ensino fundamental, políticas que precisam comungar juntas, não "anda tão bem das pernas" como muitos gestores afirmam estar sendo executadas conforme os programas de política social, claro que estas são pastas que não se generalizam, há diferentes correntes!

Segurança, educação e saúde são direitos fundamentais e responsabilidades do Estado. Não podemos discutir o futuro de nossas crianças e jovens sem refletir sobre as condições em que vivem, aprendem, adoecem e constroem suas oportunidades.

É a partir dessa preocupação que proponho a seguinte reflexão: reduzir a maioridade penal resolverá a criminalidade juvenil ou precisamos, antes, enfrentar as falhas que permitem a continuidade desse ciclo?

Deixo aqui a minha expressividade e entendimento sobre dois temas tão importantes que podem transformar nossa atual sociedade para melhor, para que flua com mais segurança afetiva, psicossocial: FAMÍLIA & ESTADO....

A discussão sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos exige muito mais do que indignação diante do aumento da criminalidade juvenil. Exige responsabilidade, estudos e reflexão sobre as causas do problema e a eficácia das soluções propostas.

Não podemos ignorar a gravidade dos atos infracionais, o sofrimento das vítimas nem a necessidade de responsabilizar os adolescentes que cometem crimes. Entretanto, é preciso perguntar: reduzir a idade penal resolverá a criminalidade ou poderá apenas ampliar o alcance do sistema prisional, enquanto o crime organizado segundo as estatísticas e "fiscalizações" multidisciplinares pelas instituições responsáveis principalmente pela segurança infantojuvenil, passa a recrutar crianças ainda mais novas?

A educação familiar e escolar, a responsabilidade parental e a atuação do Estado são fundamentais. Porém, essas estruturas e obrigações legais já existem. As escolas comunicam situações de risco aos órgãos competentes, e a rede de proteção tem responsabilidades definidas. Por que, então, ainda enfrentamos tantas dificuldades?

Talvez uma das questões centrais esteja nas falhas de comunicação, acompanhamento e efetividade das providências adotadas, e como sempre as carências nos cargos seletivos (concursos para aumento de mão de obra especializada). Não basta identificar o problema, registrar a ocorrência ou encaminhar o caso. É necessário verificar se houve intervenção adequada, se há realmente um contingente efetivo de funcionários a cargo desse serviço multidisciplinar, se a família recebeu o suporte necessário, se o adolescente foi acompanhado e se os resultados esperados foram alcançados.

A pobreza, e as moradias nos morros e periferias das grandes cidades, por si só, não significa negligência familiar. Da mesma forma, compreender as causas sociais de um ato infracional não significa justificá-lo. Precisamos de políticas que fortaleçam a família, garantam uma educação de qualidade, ofereçam formação profissional e enfrentem o aliciamento de crianças e adolescentes pelos crimes aprendidos em maioria nas ruas e praças públicas, há alguns anos atrás, as prefeituras, cito aqui nossa cidade, mantinham monitores formados em educação física, para prática de jogos permitidos, como vôleis, basquetes, futebol de quadras, e acredito que essa prática, mantinha jovens mais comprometidos com os campeonatos, e com certeza ajudava na interrelação e tratativas entre bairros e famílias participantes.

Antes de alterar a Constituição, é necessário avaliar com seriedade os resultados das medidas existentes, identificar suas falhas e exigir dos poderes públicos respostas concretas.

Não podemos confundir a existência de leis e instituições com o funcionamento efetivo delas.

A sociedade não precisa escolher entre impunidade e encarceramento precoce. Precisamos de uma resposta que proteja as vítimas, responsabilize os infratores e impeça que crianças sejam transformadas em instrumentos do crime organizado.

Porque, se não corrigirmos as falhas que permitem a continuidade desse ciclo, poderemos mudar a idade prevista na lei e continuar diante do mesmo problema — apenas alcançando crianças cada vez mais novas. Insustentável tal dinâmica legal.

Paz e Bem! 🌷

By MângelaCastro - 16/10/2026

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

A COZINHA. OFICINA DA ALMA... ...

 OS ANJOS QUE CHEGAM SEM ASAS

E se alguns anjos chegassem sem asas?
Talvez disfarçados de amigos, abraços, lembranças e sonhos...
Há encontros que parecem acontecer justamente quando mais precisamos deles. ✨

Há sonhos que parecem apenas sonhos. E há aqueles que, quando despertamos, permanecem conosco como uma visita que ainda não terminou. Não sabemos exatamente de onde vieram, nem se foram apenas costurados pelas linhas da memória, pelos movimentos do corpo adormecido ou por alguma delicada passagem entre o visível e o invisível. Mas ficam.

Naquela noite, antes de dormir, eu havia feito um pedido. A dor no pescoço, provocada talvez por um travesseiro alto demais ou por alguma posição desajeitada, estava quase insuportável. Pedi aos medianeiros de Jesus que intercedessem por mim, que aliviassem aquela dor.

E dormi.

Foi então que meus amigos de adolescência chegaram.

João, Izabel e Lourdes.

Três amigos que pertencem a um tempo distante da minha vida. Dois deles não vejo há muitos anos; com a outra, vez ou outra, ainda troco algumas palavras pelo WhatsApp. Curiosamente, os três carregam nomes de santos. E, no sonho, chegaram juntos, felizes, sorridentes, como se o tempo não tivesse passado.

João me abraçou.

E eu fiquei surpresa com aquela visita.

Meu irmão mais velho também estava ali. Estávamos numa cozinha — e isso não deixa de me intrigar, porque em tantos dos meus sonhos a cozinha aparece como cenário. Talvez seja apenas uma lembrança afetiva. Talvez seja o lugar onde minha memória costuma preparar suas refeições invisíveis.

João vestia uma camisa vermelha, simples, de mangas curtas.

Lourdes estava, em determinado momento, do lado de fora da casa, num terreno baldio, como se aguardasse o momento certo para entrar.

Izabel corria pelos campos, feliz.

E, depois, estávamos todos juntos.

Havia também uma igreja. Pessoas usando máscaras brancas. A missa seria presidida por um padre amigo, de quem estou afastada há algum tempo e que atualmente enfrenta um tratamento. Talvez uma viagem ou uma missa com a Nossa Senhora de Lourdes pode curar todas as dores que enfrentam-se no momento.

Na fé, uma obra na oficina da alma, nada nos parece assustador.

Ao contrário.

Antes de tudo um alento, um abraço conforta_dor.

Havia uma espécie de alegria silenciosa naquele encontro.

E foi então que, pela manhã, tudo ganhou outra tonalidade.

Uma dimensão sem precedentes com a espiritualidade.

Assistindo à missa pela televisão, ouvi a leitura e a homilia falando sobre os anjos que o Senhor envia pelos caminhos.

Parei.

Meu pensamento voltou imediatamente ao sonho.

E pensei:

Talvez os anjos nem sempre cheguem com asas.

Às vezes chegam com o rosto de um amigo que não víamos há muito tempo.

Chegam num abraço.

Num sorriso.

Numa lembrança que reaparece quando menos esperamos.

Chegam correndo pelos campos, como Izabel.

Esperando do lado de fora, como Lourdes.

Ou simplesmente entrando pela porta da nossa memória, como João.

Talvez os anjos também possam ser aqueles que, de alguma maneira, nos devolvem a alegria de um tempo que julgávamos distante.

Não sei se o sonho foi uma resposta espiritual, uma elaboração da minha memória, uma reação do corpo à dor ou uma dessas misteriosas combinações que a alma faz enquanto dormimos.

E talvez eu nem precise saber.

Porque há mistérios que não pedem explicação.

Pedem apenas escuta.

Quando me sentei diante do computador naquela manhã, com a missa ainda acontecendo na televisão, uma frase surgiu dentro de mim:

“Tudo está no seu devido lugar. Agora é só fazer a obra.”

E compreendi que talvez seja exatamente isso.

Pedimos.

Esperamos.

Sonhamos.

Recebemos sinais que interpretamos à luz daquilo em que acreditamos.

Mas depois precisamos levantar e fazer a nossa parte.

Nossos pedidos não são ordens lançadas ao céu. São sementes que entregamos a Deus, confiando que Ele sabe onde, quando e como fazê-las germinar.

E nossos dons talvez sejam justamente essas ferramentas que recebemos para transformar aquilo que sentimos em alguma coisa que possa alcançar o outro.

Uma palavra.

Um abraço.

Uma oração.

Uma profissão exercida com dignidade.

Uma mão estendida.

Uma crônica escrita numa manhã qualquer.

Talvez seja essa a nossa pequena obra.

Deus pode nos enviar anjos pelo caminho.

Mas também pode nos transformar em anjos no caminho de alguém.

E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de compreender a frase que ficou comigo naquela manhã:

Tudo está no seu devido lugar. Agora é só fazer a obra.

A máquina de costura antiga continua ali.

E eu me sento diante dela.

Puxo a linha.

Escolho o tecido das lembranças.

E começo a costurar.

Sem saber exatamente onde terminam os sonhos e começam as respostas.

Mas com uma certeza tranquila:

nunca estamos tão sós quanto imaginamos.

Porque há pessoas que passam pela nossa vida e deixam presença.

Há pessoas que permanecem mesmo depois de partir.

Há pessoas que reaparecem em nossos sonhos.

E há aqueles encontros que, por alguma razão que somente Deus conhece, chegam justamente quando mais precisamos deles.

Talvez sejam anjos.

Talvez sejam memórias.

Talvez sejam simplesmente amigos.

Ou talvez, no misterioso tecido da vida, sejam todas essas coisas ao mesmo tempo.

Paz e Bem.

By MângelaCastro - 02/10/2026

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Enviado por MângelaCastro em 02/10/2026
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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

QUANDO A FÉ ENTRA NA DISPUTA ELEITORAL: ___Maria cidadã + mulher de fé + advogada”: " Conheça a verdade, e a verdade vos libertará"

“Quem não acredita não precisa acreditar. Quem venera tem o direito de venerar. E ambos precisam ter o direito de existir em liberdade.” 

Esta é uma frase que enseja ensinamentos bíblicos, quanto cívico, amparada, protegida pela Nossa Constituição Federal, a Carta Magna do Brasil, em seu pleno exercício do Estado Democrático de Direitos. E claro, sem querer influenciar votos e ou posicionamentos, apenas requerendo bom senso, discernimento e respeito uns para com os outros.

Há momentos em que a política deixa de disputar apenas projetos de governo e começa a tocar aquilo que existe de mais íntimo no ser humano: a sua fé.

E talvez seja justamente aí que precisamos parar, respirar e pensar.

A recente polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida reacendeu uma antiga divergência entre católicos e evangélicos acerca de Maria, dos santos e das imagens religiosas. Não é uma divergência nova. Ela nasce de diferentes interpretações bíblicas e de diferentes tradições cristãs.

Para muitos evangélicos, a Bíblia é interpretada de modo a rejeitar a veneração de imagens, entendendo que determinadas passagens condenam sua utilização no culto. Para os católicos, porém, a imagem não é Deus, nem a estátua é objeto de adoração. Ela representa alguém cuja memória e fé remetem ao sagrado.

São compreensões diferentes. São imagens que também evangelizam. 

E compreender essa diferença não deveria exigir que uma religião desqualificasse a outra.

Nossa Senhora Aparecida, para o catolicismo brasileiro, não é uma deusa. É Maria, Mãe de Jesus, venerada pelos católicos, e cuja imagem se tornou um dos maiores símbolos religiosos da história do Brasil.

Em 1930, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada Padroeira do Brasil pela Igreja Católica. Esse reconhecimento pertence à tradição religiosa católica e não transforma a devoção mariana em obrigação para quem professa outra fé.

Quem não acredita não precisa acreditar.

Quem venera tem o direito de venerar.

E ambos precisam ter o direito de existir em liberdade.

E quanto a Jesus Cristo Ele  já se faz presente no meio de nós, em santuários, simbolicamente nos cruzeiros de madeiro, nos ambientes das esferas que decidem a história do Brasil, como plenário, e Câmaras Estaduais e Municipais, todas as crenças e fé, dogmática ou não, bem como dentro de muitos lares brasileiros.

É exatamente aí que a nossa Constituição Federal deveria ser a grande mediadora de nossas diferenças: não dizendo em que devemos acreditar, mas garantindo a liberdade de consciência e de crença.

O que me preocupa, portanto, não é que católicos e evangélicos e qualquer outra doutrina e ou filosofia de vida pensem diferente.

O que me preocupa é quando essa diferença religiosa começa a ser utilizada como combustível eleitoral.

A história recente da política brasileira mostrou como a aproximação de Jair Bolsonaro com segmentos evangélicos se tornou parte importante e polêmica, em sua trajetória eleitoral, isso é fato, embora ele se identificasse publicamente como católico, e tantos outros seus antecessores manifestaram em algumas oportunidades pública, sua fé dogmática também, independe da política. Sua atual esposa, é evangélica, e o ambiente político da família manteve relações estreitas com lideranças desse segmento, isso também é fato, são escolhas de vida, normal!

Agora, em 2026, uma nova polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida tomou conta das redes sociais. Mas aqui precisamos ter cuidado com a verdade: não há registro de que Flávio Bolsonaro tenha prometido retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil, justiça seja feita. A informação que circulou e ganhou grandes proporções, foi desmentida por ele e identificada por veículos de checagem como falsa.

O fato verdadeiro, porém, é que existe um histórico anterior que ajuda a explicar por que o assunto encontrou terreno tão sensível: em 2007, o então deputado Victório Galli apresentou projeto relacionado à mudança do título de Nossa Senhora Aparecida; a proposta foi arquivada em 2008. Décadas depois, a antiga iniciativa voltou a aparecer no debate eleitoral de 2026, agora associada, sem comprovação, ao candidato Flávio Bolsonaro.

E é justamente nesse ponto que penso que precisamos separar fé de medo.

Nossa Senhora Aparecida não deveria ser transformada em instrumento para angariar votos.

Jesus Cristo também não.

Nem a Bíblia.

Nem a cruz.

Nem qualquer símbolo sagrado.

A fé pode iluminar a política quando inspira justiça, fraternidade, solidariedade e respeito à dignidade humana.

Mas quando é utilizada para construir inimigos, dividir brasileiros ou alimentar suspeitas religiosas, talvez estejamos nos afastando justamente daquilo que dizemos defender.

Sou católica.

Respeito minha fé e amo a vida que Nossa Senhora teve, enquanto por aqui na terra caminhou como Mãe, Mulher Veneranda.

Mas isso não me autoriza a dizer ao meu irmão evangélico no que ele deve acreditar.

Da mesma forma, a convicção de um evangélico não lhe dá o direito de apagar aquilo que é sagrado para um católico.

Talvez esta seja uma das grandes provas da democracia:

aprender a conviver com aquilo em que o outro acredita sem precisar destruir aquilo em que nós acreditamos.

Porque, no fim das contas, quando a fé vira arma de campanha, todos nós perdemos alguma coisa.

Inclusive a própria fé.

Enquanto discutimos símbolos religiosos como se fossem trincheiras eleitorais, há um Brasil inteiro esperando que seus candidatos debatam aquilo que realmente poderá mudar a vida do povo.

“Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.”


 By MângelaCastro 30/9/2026 

Enviado por MângelaCastro em 30/09/2026
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terça-feira, 29 de setembro de 2026

REPESAR A VIDA!


Bom dia amigos (as) leitores....

Hoje, escrevo uma carta para você em especial, espero que esta o, a, encontre bem, leve e feliz...

"Repesar a vida não para desistir dela, mas para descobrir o que já não precisamos continuar carregando. Não porque não tenha ninguém para estar perto, mas por não sentir o abraço forte que precisa naquele instante. E a chave está justamente em não negar o cansaço, mas também não deixar que ele tenha a última palavra. Repesar a vida pode ser, afinal, retirar dos ombros aquilo que já cumpriu seu tempo e deixar espaço para aquilo que ainda pode nascer".

Há momentos em que a vida nos pede uma pausa.

Não necessariamente porque tenhamos desistido de caminhar, mas porque os pés, depois de tantos anos percorrendo estradas, começam a reclamar do peso que carregamos. São décadas de passos, encontros, despedidas, alegrias guardadas, dores escondidas, perdas que deixaram seus lugares vazios e tantas outras coisas que fomos colocando sobre os ombros sem perceber.

Até que chega um dia em que já não conseguimos continuar insistindo no mesmo ritmo.

Então paramos.

E talvez seja justamente aí que comece o tempo de repesar a vida.

Sentamo-nos diante da televisão e, enquanto a vida dos outros se desenrola na tela, alguma personagem desconhecida começa a chorar. E choramos também.

Talvez não por ela.

Talvez por nós.

A dor daquela atriz atravessa a película fina que separa a ficção da nossa realidade e encontra um lugar conhecido dentro do peito. A personagem sofre, e, de algum modo, reconhecemos naquele sofrimento alguma coisa que também é nossa.

É curioso como, às vezes, precisamos que alguém inventado chore para descobrirmos que ainda existem lágrimas dentro de nós.

A casa pode estar silenciosa, mas não necessariamente vazia.

Lá fora, a vida continua fazendo barulho: uma freada brusca, uma porta que se fecha, alguém que grita ao longe, o vento que passa pelas árvores, uma pequena ave que canta sozinha, talvez procurando o caminho de volta para o ninho.

Tudo continua.

E nós, por alguns instantes, permanecemos imóveis, como se o mundo tivesse acelerado enquanto nossos passos diminuíram.

Não é exatamente solidão.

É solitude.

Há uma diferença.

A solidão nos faz sentir que não existe ninguém.

A solitude, às vezes, nos coloca diante de nós mesmos.

E talvez seja esse o encontro que mais adiamos durante a vida inteira.

Porque enquanto caminhamos, trabalhamos, cuidamos, amamos, educamos, resolvemos problemas e carregamos responsabilidades, quase nunca temos tempo para perguntar:

E eu?

O que aconteceu comigo durante todos esses anos?

O que ficou pelo caminho?

O que ainda carrego sem precisar?

Quais dores continuam ocupando espaço dentro de mim simplesmente porque nunca parei para lhes dar um nome?

Repesar a vida, meu amigo, minha amiga, talvez seja isso.

Não jogar tudo fora.

Não apagar o passado.

Não fingir que determinadas dores não existiram.

Mas olhar para aquilo que carregamos e perguntar, com alguma ternura:

Ainda preciso levar tudo isso comigo?

Há pesos que foram necessários durante uma parte da caminhada, mas que já não precisam continuar conosco.

Há culpas que precisam descansar.

Há ressentimentos que já envelheceram.

Há ausências que jamais deixarão de doer, mas podem aprender a ocupar outro lugar dentro de nós.

E há sonhos que, apesar de adormecidos, talvez ainda estejam respirando.

Porque a vida não termina quando diminuímos o passo.

Às vezes, ela apenas muda o ritmo.

Talvez não tenhamos mais a mesma força para correr, mas ainda podemos caminhar.

Talvez já não desejemos multidões, mas ainda possamos desejar um abraço.

Talvez não tenhamos respostas para todas as perguntas, mas ainda possamos conservar uma pergunta acesa.

E enquanto houver uma pergunta acesa, haverá uma pequena chama.

Enquanto houver uma chama, haverá possibilidade de amanhecer.

Por isso, naquela casa silenciosa, diante da televisão que continua contando histórias que não são nossas, talvez seja possível desligar o aparelho por alguns minutos e ouvir outra narrativa.

A nossa.

Ouvir o coração.

Ouvir o vento.

Ouvir o passarinho distante.

Ouvir aquele silêncio que, de tão profundo, parece vazio, mas talvez esteja apenas preparando espaço.

Espaço para um novo dia.

Espaço para um afeto.

Espaço para uma amizade inesperada.

Espaço para uma palavra.

Espaço para Deus.

Porque esperança não é a certeza de que amanhã tudo será diferente.

Esperança é continuar deixando uma pequena porta aberta para que o amanhã possa ser diferente.

E talvez seja isso que ainda nos movimenta quando os pés já estão cansados:

não a certeza de que a estrada será fácil,

mas a possibilidade de que ainda exista alguma beleza esperando por nós depois da próxima curva.

Então, hoje, talvez eu não precise caminhar tanto.

Talvez precise apenas me sentar um pouco, respirar, enxugar as lágrimas e repesar a vida.

Separar o que é peso do que é memória.

O que é ferida do que é aprendizado.

O que precisa permanecer do que já pode partir.

E, depois, quando os pés estiverem um pouco mais leves, levantar-me.

Não para voltar a ser quem fui.

Mas para descobrir quem ainda posso ser.

Porque, enquanto houver vida, nenhuma manhã precisa ser considerada a última página.

Algumas páginas apenas precisam de mais tempo para serem escritas.

E talvez a esperança seja justamente essa:

a vida ainda não terminou de escrever a nossa história.

Para guardar no coração

“Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças; sobem com asas como águias; correm e não se cansam, caminham e não desfalecem.”
Isaías 40,31

By MângelaCastro - 29/9/2026

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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

🌿 PRIMAVERA - MULHER QUE DÁ O CONTORNO À VIDA ...🌷

 A chuva que cai nesses dias sobre nossos telhados, deixa de ser apenas metáfora da tristeza e passa a ser também sinal da ação de Deus, que fecunda aquilo que parecia adormecido.


Bom dia caríssimos e diletos leitores de todos os dias, os quais trazem muito alegria e conforto pro meu coração. Amigos, amigas! Talvez, porque temos sido tema quase central de diálogos nesses últimos anos, nascido como semente que acaba de germinar uma leve moção de palavras ensejando o ser feminino que habita em nós, chegando de mansinho com a estação primaveril que também acaba de nascer para cumprir mais um ciclo de vida ....

🌧️🌷 E se a Primavera chegasse para nos ensinar a desacelerar?

Entre a chuva que parece lágrima e as flores que insistem em nascer, talvez a vida esteja apenas nos pedindo um instante de pausa.

Para sentir o perfume, contemplar a beleza e lembrar que, mesmo depois das partidas, a vida sempre procura um jeito de florescer novamente.

A manhã amanheceu chuvosa.

Para mim, meio lacrimosa.

Talvez porque o comboio da morte tenha passado tantas vezes por perto, levando parentes, amigos, pessoas que ontem ainda faziam parte da paisagem de nossas vidas.

Ele passa. E nos comove.

Entristece.

Mas também nos recorda que existe um ciclo maior do qual fazemos parte: nascer, florir, frutificar e, um dia, cair sobre a terra para que dela possa nascer novamente a vida.

Talvez seja por isso que eu goste de olhar a chuva de outra maneira.

Ela chega como lágrima, mas também como promessa.

A Primavera acaba de nascer, e a chuva vem recebê-la. Molha a terra, desperta sementes, devolve perfume ao mundo.

E há algo de profundamente feminino nisso.

A mulher, em sua simbologia mais bonita, traz consigo o mistério de gerar, acolher e dar contorno à vida.

E talvez seja justamente isso que esteja faltando aos nossos tempos tão secos: não apenas água sobre a terra, mas delicadeza sobre os dias.

Ser Primavera é ser leve sem ser superficial.

É ser alegria sem perder a sintonia com as experiências da vida.

É florescer depois das chuvas.

É espalhar perfume sem precisar anunciar a própria presença.

Porque todo frasco de perfume guarda uma sensação que não se vê, mas permanece.

Assim é a Primavera.

Assim pode ser a mulher.

Mulher que dá o contorno à vida.

E quando penso na locomotiva da existência, desejo apenas que ela não passe tão depressa por nós.

Que, ao chegar à Primavera, diminua a velocidade.

Que pare, por um instante, para sentir o perfume das flores, contemplar sua alegria colorida, ouvir a chuva sobre a terra e perceber que ainda há muito para florescer.

Depois, sim...

Que siga viagem.

Porque a locomotiva da vida não pode permanecer parada.

Mas talvez possa aprender, de vez em quando, a desacelerar diante da beleza.

E nós, passageiros dessa breve viagem, talvez devêssemos fazer o mesmo.

Isaías em  55, 10-11 se expressa, sintetizando bem assim:

“A chuva rega a terra. A Palavra rega a alma. E onde Deus encontra uma semente, a vida pode voltar a florescer.” 🌧️🌱



Paz e Bem.

By MângelaCastro - 23/0/2026

-ENTRE A LEI DOS HOMENS E OS VALORES DA VIDA......

Bom dia de sábado, caríssimos amigxs leitores! Entre as leis dos homens e os valores que Jesus nos ensinou, há um caminho que precisamos apr...