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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

ORDEM — QUANDO A VIDA NOS COLOCA UMA CRIANÇA NOS BRAÇOS... OUTONO 2026 Ficará marcado na história...


Nesse mês de outubro que comemoramos a Mãe Maria, Nossa Senhora de Aparecida, as crianças, um mês outonal com toda a sua transitoriedade, não precisamos voar como folhas secas, mas sim, como sementes esperando um rebroto novo...

“Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo.”

— Provérbios 16:24

A doçura aqui não seria apenas a das palavras, mas também a da maneira como tratamos as pessoas e as responsabilidades que chegam até nós.

Sim, motivo de orgulho, Mulher, Nobel da Paz!

Há amanheceres em que o sol não vem sozinho. Traz consigo ventos que sacodem nossas janelas, memórias que despertam adormecidas e sonhos que, mesmo depois de abrirmos os olhos, continuam conversando conosco.

Nesta manhã, a palavra que permaneceu em minha mente foi ORDEM.

Sonhei com uma antiga residência, a casa de uma estação ferroviária onde meus tios moraram e que fez parte de minha história. Antes de chegar até ela, caminhei por uma rua, cumprimentando comerciantes e crianças sentadas nas calçadas. Eu sorria, perguntava se estava tudo bem, e recebia de volta outros sorrisos. A vida acontecia diante de mim, sem pressa, em sua simplicidade cotidiana.

Uma amiga, cujo nome não consegui recordar, convidou-me para uma competição a cavalo. Hesitei. Não me sentia preparada, mas ela insistiu que poderia me ensinar. E, enquanto eu ainda ponderava sobre aceitar ou não aquele desafio, já me encontrava diante da velha casa.

Lá dentro, havia desordem. Mulheres tentavam reorganizar os cômodos, devolver aos móveis seus lugares, recompor os espaços. E, de repente, uma delas colocou em meus braços uma criança de poucos meses, envolvida em seus paninhos, com as roupinhas manchadas pelo alimento que havia derramado.

Olhei para aquele pequeno ser e perguntei, ainda sem compreender o que acontecia:

— O que vou fazer com esta criança?

A resposta veio simples: cuidar dela por algum tempo e, depois, entregá-la aos donos da casa.

Acordei.

E a palavra continuava ali: ORDEM.

Quantas vezes a vida nos surpreende assim, entregando-nos responsabilidades para as quais não nos julgávamos preparados?

Há desordens que encontramos pelo caminho e outras que se instalam silenciosamente dentro de nós. Algumas pertencem à casa, aos objetos, aos compromissos que se acumulam. Outras moram nas lembranças, nas emoções, nas decisões adiadas e nas palavras que não conseguimos dizer.

E, no meio de tudo isso, aparece uma criança simbólica: uma tarefa, um afeto, uma responsabilidade, uma nova etapa que pede nossos cuidados.

Não sabemos de imediato o que fazer. Hesitamos. Procuramos alguém com quem conversar, um lugar onde nos sentar, uma explicação que nos devolva a tranquilidade. Talvez seja justamente aí que comece a verdadeira organização: não quando tudo já está em seu devido lugar, mas quando reconhecemos o que precisa de nossa atenção.

Recordei, então, uma antiga postagem deste blog, inspirada nas palavras de Provérbios sobre a doçura do mel. Afinal, colocar ordem na vida não significa endurecer o coração, impor silêncio aos sentimentos ou transformar tudo em regras.

Há uma ordem que nasce da delicadeza. Aquela que nos ensina a cuidar sem ferir, corrigir sem humilhar, orientar sem sufocar e acolher sem esquecer os limites necessários.

As abelhas nos oferecem uma imagem preciosa dessa organização. Cada uma cumpre seu papel, e o trabalho coletivo transforma pequenas ações em algo que alimenta a vida. Mas até mesmo a doçura do mel exige trabalho, tempo e cooperação.

Talvez precisemos aprender um pouco mais com essa sabedoria da natureza: não podemos fazer tudo sozinhos, nem precisamos estar inteiramente preparados para começar a aprender.

E quanto à competição a cavalo? Quem sabe ela represente apenas mais um daqueles desafios diante dos quais nossa primeira resposta é a insegurança. Não é necessário transformar todo convite em obrigação, nem recusar antecipadamente aquilo que ainda podemos aprender a fazer.

A vida não é uma competição permanente. Há momentos de avançar, outros de observar e alguns em que precisamos simplesmente parar, respirar e colocar os pensamentos em ordem.

Nesta manhã, não sei por que sonhei com aquela antiga casa, com minhas memórias familiares, com as mulheres faxineiras ou com a criança que me entregaram. Não pretendo atribuir ao sonho uma resposta definitiva. Prefiro acolher a pergunta que ele deixou.

O que, neste momento de minha vida, está pedindo para ser colocado em ordem? E o que me foi confiado e necessita de cuidado, em vez de julgamento?

Talvez a resposta não venha inteira. Talvez comece com uma pequena arrumação, uma conversa necessária, um gesto de ternura ou a coragem de aceitar que ainda estamos aprendendo.

Porque a ordem verdadeira não é aquela em que tudo permanece imóvel, sem imprevistos ou mudanças. É aquela que nos permite reconhecer prioridades, cuidar do que importa e prosseguir sem perder a doçura da alma.

E, se os ventos desta manhã continuam balançando minhas vidraças, que também movimentem o que precisa ser renovado dentro de mim.

Que eu saiba acolher as responsabilidades sem me tornar prisioneira delas, organizar os pensamentos sem aprisionar os sentimentos e seguir meus passos com a serenidade de quem ainda pode aprender.

Afinal, a vida segue.

E talvez colocar a vida em ordem seja, antes de tudo, aprender a cuidar melhor daquilo que ela coloca em nossos braços.

Assim! Que a paz não seja apenas uma palavra bonita, pronunciada em orações ou escrita nas páginas de um blog. Que se transforme em atitudes, respeito, diálogo e compromisso com a dignidade humana.

Que ultrapasse fronteiras, silencie as armas, proteja as crianças e devolva aos povos o direito de viver sem medo.

Inspirados por mulheres que dedicam suas vidas à justiça e aos direitos humanos, lembremos: não haverá verdadeira ordem no mundo enquanto a vida humana não for respeitada em toda a sua dignidade. Que a paz comece  a partir das soleiras de nossas portas, nosso habitat familiar e alcance todos os povos.

Paz e Bem!

By MângelaCastro - 09/10/2026

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Enviado por MângelaCastro em 09/10/2026
Código do texto: T8737842
Classificação de conteúdo: seguro

ORDEM — QUANDO A VIDA NOS COLOCA UMA CRIANÇA NOS BRAÇOS... OUTONO 2026 Ficará marcado na história...

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