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sábado, 21 de março de 2026

UMA PITADA DE AMOR NO ESFUMAÇAR DO TEMPO

___Entre lembranças e saudades, descobri: o tempo passa… mas o amor permanece.__ Aqui, neste lugar, onde tudo começou, em uma madrugada de inverno rigoroso, nasci para mais uma jornada, uma estação para renovação de um ciclo. Grandes aprendizados de vida!



✨ Logo ao amanhecer, deixo-me envolver por uma música suave…

E, sem perceber, sou levada pelo tempo —

esse sopro invisível que passa como fumaça,
esvaindo-se entre os dedos da memória.

Tudo parece distante…
e, ao mesmo tempo, tão perto do coração.

Há dias em que as lembranças doem.
Não por serem tristes —
mas porque já não podemos voltar para habitá-las.
Ainda assim, permito-me senti-las…
como quem toca, com reverência, o que foi sagrado.

Às vezes me percebo assim:
um pouco perdida no tempo,
como se uma névoa suave embaçasse os contornos da vida —
e, ainda assim, sigo.

Sigo por uma estrada cujo fim não enxergo,
mas onde cada passo é recomeço,
cada etapa, uma estação.

Há primaveras que florescem dentro da alma…
e há outonos que chegam, silenciosos,
dourando o chão com folhas secas —
não como fim,
mas como preparação.

Respiro…
e em cada arfar, uma pausa:
para sentir o pulsar da vida,
que insiste em se renovar em tudo.

O tempo passa…
e com ele, os dias.

E, de repente, me vejo criança outra vez —
levada, curiosa, arteira —
recortando, com mãos pequenas,
o vestidinho que mamãe havia acabado de costurar.

Era sua primeira criação…
feita com tanto zelo,
sobre a cama estendida,
esperando o olhar orgulhoso de papai.

Mamãe…
mulher de tantos dons.
Costurava, bordava, cozinhava, cuidava —
e, em tudo, colocava algo que não se aprende:
o amor que transforma o simples em extraordinário.

Na cozinha, era mestra.
Das mãos dela nasciam sabores que arrancavam sorrisos —
e quem provava, nunca esquecia.

Lembro-me de vovó chegando e dizendo:
Antonia, faz aquela polentinha gostosa com leite?

E mamãe, com alegria, atendia.

Quando pedíamos a receita, curiosas, ela sorria e dizia:
Uma pitada de amor, minha filha…

Hoje, já no amadurecer dos dias,
carrego essas palavras como herança viva.

E sigo…
no meio da luta, das incertezas, dos recomeços,
tentando, em tudo, colocar essa mesma medida invisível.

Porque aprendi:
quando há amor, há caminho.

Não há erro que não possa ser corrigido,
não há clamor que não seja ouvido por Deus.

"Ergo meus olhos para os montes,

de onde vem meu socorro?. Vem d'O Deus de Israel

que nunca dorme..." (salmo 121:1-4)

E assim atravessamos…
esse tempo que se desfaz como fumaça —
mas que, quando vivido com amor,
permanece eterno naquilo que realmente importa.

Envia

MângelaCastro 🌿21/3/2026

Enviado por MângelaCastro em 21/03/2026
Código do texto: T8586023

Classificação de conteúdo: seguro

sexta-feira, 20 de março de 2026

O Azul das Paredes, o Perfume do Tempo e Simplesmente Antonia

“Entre paredes azuis e o cheiro de café fresco, descobri que a saudade também é uma forma de abraço…” 💙☕



É importante antes de tudo entronizar a família em tudo que fazes.
Uma família conduzida pela Palavra de Deus foi edificada sobre rocha! Toda família tem os seus problemas e dificuldades, mas aquela família edificada em Cristo supera tudo…- 2 Timóteo 3:16-17

Logo ao amanhecer, sento-me à minha mesa costumeira.

Ergo a tampa do notebook… e, como em cena de filme antigo, os pensamentos me levam de volta no tempo.

Vejo-me sentada diante de uma mesa de fórmica branca.
Estou no interior de uma cozinha de paredes azul intenso — um azul vivo, quase pulsante.
A tinta era preparada ali mesmo: anil, água e cal.
Era mamãe quem misturava tudo, com gosto e paciência, dizendo que nada se comparava ao perfume de parede recém-pintada.

O dinheiro era curto…
mas a criatividade e a vontade de fazer bonito eram imensas.
E, de algum modo, tudo parecia mais simples. Mais leve. Mais possível.

Naquela manhã, porém, algo rompe o silêncio.
Gritos — ou melhor, risos misturados a gritos — ecoam pela casa.

Corro até a cozinha.

E ali encontro uma cena que o tempo jamais apagou:
mamãe jogava sal em uma pequena perereca, tentando fazê-la sair dali.
O bichinho pulava de um canto a outro, enquanto mamãe e meu irmão caçula — ainda no andador, nosso “disco voador” — gargalhavam sem parar.

Entro apressada e protesto:
— Mas o que é isso? Coitado do bichinho!

Ela, rindo, responde:
— Estou tentando colocá-la para fora… não quero usar a vassoura e acabar machucando.

Ainda assustada, retruco:
— Eu ein… acordei com esse alvoroço!

E ela, D.Antonia viúva, como quem muda o rumo da vida com simplicidade, diz:
— Então senta… vou preparar seu café.

E assim… nascia mais um dia.

Na casa da “viúva”, como a chamavam.
Naquele tempo, era comum nomear assim, para distinguir entre tantas outras Senhoras D. Antônias da cidade.
Não havia maldade — ao menos não como hoje, quando palavras podem ferir, ganhar força, ecoar e se tornar peso.

Porque, no fundo, o que realmente importa…
é a intenção que habita cada gesto, cada palavra.

Hoje, mamãe mora na pátria celeste.
E eu espero, de coração, que esteja em paz.

Mas sua presença ainda vive — forte — nas lembranças.
Nada era exatamente bucólico…
conviver com ela era, ao mesmo tempo, fácil e desafiador.

Era firme. Intransigente com a vida.

Mas deixou…
um rastro inesquecível.

O perfume do pão aquecido na chapa.
O café passado na hora.
O lanche da escola — ora com mortadela, ora com doce de goiaba,
ou simplesmente pão com margarina, açúcar e canela.

E, de repente…
a vida se tornava doce.

As risadas ainda ecoam — distantes, quase se apagando —
mas não se perdem.

Porque hoje, tudo revive na memória.

E o que resta…
é essa saudade mansa,
dos bons tempos que não voltam mais,
mas que insistem em permanecer vivos
enquanto o coração souber lembrar.
MângelaCastro 🌿20/3/2026
Enviado por MângelaCastro em 20/03/2026
Código do texto: T8585253
Classificação de conteúdo: seguro

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___Dar o troco parece justiça, mas quase sempre se transforma em prisão para quem o pratica. O perdão não muda o passado, mas devolve a paz ...