___Entre lembranças e saudades, descobri: o tempo passa… mas o amor permanece.__ Aqui, neste lugar, onde tudo começou, em uma madrugada de inverno rigoroso, nasci para mais uma jornada, uma estação para renovação de um ciclo. Grandes aprendizados de vida!
✨ Logo ao amanhecer, deixo-me envolver por uma música suave…
esse sopro invisível que passa como fumaça,
esvaindo-se entre os dedos da memória.
Tudo parece distante…
e, ao mesmo tempo, tão perto do coração.
Há dias em que as lembranças doem.
Não por serem tristes —
mas porque já não podemos voltar para habitá-las.
Ainda assim, permito-me senti-las…
como quem toca, com reverência, o que foi sagrado.
Às vezes me percebo assim:
um pouco perdida no tempo,
como se uma névoa suave embaçasse os contornos da vida —
e, ainda assim, sigo.
Sigo por uma estrada cujo fim não enxergo,
mas onde cada passo é recomeço,
cada etapa, uma estação.
Há primaveras que florescem dentro da alma…
e há outonos que chegam, silenciosos,
dourando o chão com folhas secas —
não como fim,
mas como preparação.
Respiro…
e em cada arfar, uma pausa:
para sentir o pulsar da vida,
que insiste em se renovar em tudo.
O tempo passa…
e com ele, os dias.
E, de repente, me vejo criança outra vez —
levada, curiosa, arteira —
recortando, com mãos pequenas,
o vestidinho que mamãe havia acabado de costurar.
Era sua primeira criação…
feita com tanto zelo,
sobre a cama estendida,
esperando o olhar orgulhoso de papai.
Mamãe…
mulher de tantos dons.
Costurava, bordava, cozinhava, cuidava —
e, em tudo, colocava algo que não se aprende:
o amor que transforma o simples em extraordinário.
Na cozinha, era mestra.
Das mãos dela nasciam sabores que arrancavam sorrisos —
e quem provava, nunca esquecia.
Lembro-me de vovó chegando e dizendo:
— Antonia, faz aquela polentinha gostosa com leite?
E mamãe, com alegria, atendia.
Quando pedíamos a receita, curiosas, ela sorria e dizia:
— Uma pitada de amor, minha filha…
Hoje, já no amadurecer dos dias,
carrego essas palavras como herança viva.
E sigo…
no meio da luta, das incertezas, dos recomeços,
tentando, em tudo, colocar essa mesma medida invisível.
Porque aprendi:
quando há amor, há caminho.
Não há erro que não possa ser corrigido,
não há clamor que não seja ouvido por Deus.
"Ergo meus olhos para os montes,
de onde vem meu socorro?. Vem d'O Deus de Israel
que nunca dorme..." (salmo 121:1-4)
E assim atravessamos…
esse tempo que se desfaz como fumaça —
mas que, quando vivido com amor,
permanece eterno naquilo que realmente importa.
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MângelaCastro 🌿21/3/2026