__Há um momento em que deixamos de ouvir o mundo…
e começamos, enfim, a lembrar quem somos.—
Uma reflexão entre arrependimento, batismo e perdão.
(Bíblia – Atos 2:38)
Há amanheceres que não chegam com o dia.
Despertam por dentro — silenciosos, tardios… inevitáveis.
Às vezes, é preciso descer um degrau
para só depois compreender a subida.
E não como conquista,
mas como consciência.
Há momentos em que alguém nos chama
não pelo nome,
mas por aquilo que vê.
“A de amarelo.”
E, de início, parece pouco.
Quase nada.
Mas há um instante — breve e profundo —
em que a alma pergunta:
“E quem sou eu, além do que veem?”
O batismo, dizem, é um rito.
Mas, em verdade, é lembrança.
É fonte do Espírito Santo.
Não da água que toca a pele,
mas daquilo que um dia tocou o espírito.
Há quem vista o branco por tradição.
Há quem carregue marcas invisíveis por dentro.
Há sombras se revelando na luz.
E, entre símbolos e silêncios,
a vida segue nos chamando de volta.
Nem sempre com palavras.
Às vezes, com encontros.
Outras, com pequenas rupturas.
Um olhar.
Um esquecimento.
Um nome não dito.
E, curiosamente, é nesses desvios
que algo se revela.
Não sobre o outro —
mas sobre nós.
Há silêncios que curam.
E há silêncios que escondem.
Discernir entre eles
é também um caminho de fé.
Como Maria, que guardava no coração,
há tempos de recolher.
Mas também há tempos de emergir.
Sem confronto.
Sem dureza.
Apenas verdade.
Porque lembrar o próprio nome
não é um ato de afirmação ao mundo —
é um reencontro íntimo com aquilo que Deus já conhece.
“Antes que fosses formado, já eras conhecido.”
(Jeremias 1:5)
E então compreendemos:
Nem sempre é sobre o que dizem.
É sobre o que, dentro de nós, desperta.
Há histórias que não precisam ser explicadas.
Há caminhos que não precisam ser justificados.
O que é verdadeiro
permanece.
O que é essencial
retorna.
E, mesmo que o mundo insista em reduzir,
a alma — quando desperta — já não se esquece.
Se vierem os rótulos, que venham.
Se vierem os enganos, que passem.
Há algo que permanece intacto:
o nome inscrito onde ninguém vê.
E, quando isso se torna claro,
já não importa como chamam.
Porque, enfim,
há reconhecimento.
— não no exterior,
mas no silêncio onde Deus habita.
MângelaCastro – 04/05/2026
