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terça-feira, 29 de setembro de 2026

REPESAR A VIDA!


Bom dia amigos (as) leitores....

Hoje, escrevo uma carta para você em especial, espero que esta o, a, encontre bem, leve e feliz...

"Repesar a vida não para desistir dela, mas para descobrir o que já não precisamos continuar carregando. Não porque não tenha ninguém para estar perto, mas por não sentir o abraço forte que precisa naquele instante. E a chave está justamente em não negar o cansaço, mas também não deixar que ele tenha a última palavra. Repesar a vida pode ser, afinal, retirar dos ombros aquilo que já cumpriu seu tempo e deixar espaço para aquilo que ainda pode nascer".

Há momentos em que a vida nos pede uma pausa.

Não necessariamente porque tenhamos desistido de caminhar, mas porque os pés, depois de tantos anos percorrendo estradas, começam a reclamar do peso que carregamos. São décadas de passos, encontros, despedidas, alegrias guardadas, dores escondidas, perdas que deixaram seus lugares vazios e tantas outras coisas que fomos colocando sobre os ombros sem perceber.

Até que chega um dia em que já não conseguimos continuar insistindo no mesmo ritmo.

Então paramos.

E talvez seja justamente aí que comece o tempo de repesar a vida.

Sentamo-nos diante da televisão e, enquanto a vida dos outros se desenrola na tela, alguma personagem desconhecida começa a chorar. E choramos também.

Talvez não por ela.

Talvez por nós.

A dor daquela atriz atravessa a película fina que separa a ficção da nossa realidade e encontra um lugar conhecido dentro do peito. A personagem sofre, e, de algum modo, reconhecemos naquele sofrimento alguma coisa que também é nossa.

É curioso como, às vezes, precisamos que alguém inventado chore para descobrirmos que ainda existem lágrimas dentro de nós.

A casa pode estar silenciosa, mas não necessariamente vazia.

Lá fora, a vida continua fazendo barulho: uma freada brusca, uma porta que se fecha, alguém que grita ao longe, o vento que passa pelas árvores, uma pequena ave que canta sozinha, talvez procurando o caminho de volta para o ninho.

Tudo continua.

E nós, por alguns instantes, permanecemos imóveis, como se o mundo tivesse acelerado enquanto nossos passos diminuíram.

Não é exatamente solidão.

É solitude.

Há uma diferença.

A solidão nos faz sentir que não existe ninguém.

A solitude, às vezes, nos coloca diante de nós mesmos.

E talvez seja esse o encontro que mais adiamos durante a vida inteira.

Porque enquanto caminhamos, trabalhamos, cuidamos, amamos, educamos, resolvemos problemas e carregamos responsabilidades, quase nunca temos tempo para perguntar:

E eu?

O que aconteceu comigo durante todos esses anos?

O que ficou pelo caminho?

O que ainda carrego sem precisar?

Quais dores continuam ocupando espaço dentro de mim simplesmente porque nunca parei para lhes dar um nome?

Repesar a vida, meu amigo, minha amiga, talvez seja isso.

Não jogar tudo fora.

Não apagar o passado.

Não fingir que determinadas dores não existiram.

Mas olhar para aquilo que carregamos e perguntar, com alguma ternura:

Ainda preciso levar tudo isso comigo?

Há pesos que foram necessários durante uma parte da caminhada, mas que já não precisam continuar conosco.

Há culpas que precisam descansar.

Há ressentimentos que já envelheceram.

Há ausências que jamais deixarão de doer, mas podem aprender a ocupar outro lugar dentro de nós.

E há sonhos que, apesar de adormecidos, talvez ainda estejam respirando.

Porque a vida não termina quando diminuímos o passo.

Às vezes, ela apenas muda o ritmo.

Talvez não tenhamos mais a mesma força para correr, mas ainda podemos caminhar.

Talvez já não desejemos multidões, mas ainda possamos desejar um abraço.

Talvez não tenhamos respostas para todas as perguntas, mas ainda possamos conservar uma pergunta acesa.

E enquanto houver uma pergunta acesa, haverá uma pequena chama.

Enquanto houver uma chama, haverá possibilidade de amanhecer.

Por isso, naquela casa silenciosa, diante da televisão que continua contando histórias que não são nossas, talvez seja possível desligar o aparelho por alguns minutos e ouvir outra narrativa.

A nossa.

Ouvir o coração.

Ouvir o vento.

Ouvir o passarinho distante.

Ouvir aquele silêncio que, de tão profundo, parece vazio, mas talvez esteja apenas preparando espaço.

Espaço para um novo dia.

Espaço para um afeto.

Espaço para uma amizade inesperada.

Espaço para uma palavra.

Espaço para Deus.

Porque esperança não é a certeza de que amanhã tudo será diferente.

Esperança é continuar deixando uma pequena porta aberta para que o amanhã possa ser diferente.

E talvez seja isso que ainda nos movimenta quando os pés já estão cansados:

não a certeza de que a estrada será fácil,

mas a possibilidade de que ainda exista alguma beleza esperando por nós depois da próxima curva.

Então, hoje, talvez eu não precise caminhar tanto.

Talvez precise apenas me sentar um pouco, respirar, enxugar as lágrimas e repesar a vida.

Separar o que é peso do que é memória.

O que é ferida do que é aprendizado.

O que precisa permanecer do que já pode partir.

E, depois, quando os pés estiverem um pouco mais leves, levantar-me.

Não para voltar a ser quem fui.

Mas para descobrir quem ainda posso ser.

Porque, enquanto houver vida, nenhuma manhã precisa ser considerada a última página.

Algumas páginas apenas precisam de mais tempo para serem escritas.

E talvez a esperança seja justamente essa:

a vida ainda não terminou de escrever a nossa história.

Para guardar no coração

“Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças; sobem com asas como águias; correm e não se cansam, caminham e não desfalecem.”
Isaías 40,31

By MângelaCastro - 29/9/2026

Enviado por MângelaCastro em 29/09/2026
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Classificação de conteúdo: seguro

sábado, 26 de setembro de 2026

PRESA, ENSIMESMADA, MAS AINDA CANTANDO ...

Bom dia amadinhos, amadinhas  de Nosso (a) Senhor (a)!

Há momentos em que a alma se sente presa entre grades que ninguém vê.
Mas, mesmo ferida, ainda pode cantar — porque enquanto houver vida, há sempre uma janela aberta para a regeneração.

🌿 Uma reflexão sobre dor, silêncio, tempo, fé e a coragem de continuar.


Salmos 126:2: "Não, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de cânticos; então, se dizia entre as nações: Grandes coisas fez o Senhor a estes."

  • Provérbios 17:22: "O coração alegre aformoseia o rosto, mas, pela dor do coração, o espírito se abate."

  • Bom dia, amadinhos e amadinhas de Nosso (a) Senhor (a)!

  • Há dias em que a alma parece atravessar uma tempestade, mesmo quando lá fora quase não chove.

    Ontem foi um desses dias.

    Não houve necessariamente grandes enxurradas sobre a cidade, mas dentro de mim havia um barulho difícil de silenciar. E, quando o barulho interior se torna intenso demais, esquecemos até mesmo algumas das regras mais simples da existência: respirar, esperar, ouvir, ponderar.

    É quando podemos nos esquecer de nós mesmos, e quiçá do outro ao seu lado.

    E talvez tenha sido justamente assim que, em meio àquela turbulência, me veio a imagem de uma fotografia antiga, já um tanto embaçada pelo tempo.

    Uma fotografia que parecia prestes a se desfazer.

    Mas, olhando melhor, percebi que talvez ela ainda pudesse receber alguns retoques.

    Segurei-a, então, simbolicamente, entre as mãos.

    Porque nem tudo aquilo que o tempo desgasta está perdido.

    Há coisas que precisam apenas de cuidado.

    E foi quando o barulho se calou.

    Um silêncio inesperado fez morada dentro de mim. E, como um lampejo atravessando as vidraças de uma janela escancarada para a vida lá fora, quase ouvi uma voz dizendo:

    — Vá. Saia por essa janela. A vida lá fora ainda espera por você.

    Foi então que compreendi que aquela fotografia não era apenas uma lembrança.

    Era também uma metáfora.

    Talvez todos nós sejamos, em algum momento, fotografias antigas tentando resistir às intempéries do tempo.

    E talvez a nossa maior dificuldade seja compreender que, quando alguma coisa se quebra dentro de nós, a primeira reação não deveria ser abandoná-la, mas procurar saber se ainda existe ali alguma possibilidade de regeneração.

    Foi quando me veio outra imagem: uma avezinha presa numa gaiola.

    Ela canta.

    Mas seu canto é triste.

    Olha para fora e vê outras aves bailando livres pelo céu, leves, soltas, enquanto permanece entre grades e ferrolhos, num espaço escurecido demais para quem nasceu para voar e brilhar por si só.

    E penso que, às vezes, também nos sentimos assim.

    Presos. 

    Entediados.

    Amuados, como diz meu neto.

    E, nos momentos mais íntimos de silêncio, talvez a pequena ave se pergunte:

    — O que faço com este momento?

    Talvez seja essa também a nossa pergunta.

    Vivemos tempos difíceis. E, em meio a tantas divergências, violências contra todo um sistema, parece que muitas vezes perdemos o nosso centro.

    E perder o centro, para mim, é também correr o risco de perder Deus como referência da existência.

    Quando olhamos apenas para o próprio umbigo, esquecemos que a vida é muito maior do que nossas certezas, nossas disputas e nossas pequenas razões.

    A vida tem poder de regeneração.

    Mas regenerar exige equilíbrio.

    Exige bom senso.

    Exige cuidado.

    Exige compaixão.

    Radicalidade em todas as coisas, nunca foi a resposta que a vida espera de nós.

    Eclesiastes (3:11) nos lembra que há tempo determinado para todo propósito debaixo do céu.

    Talvez nos falte justamente aprender a respeitar os tempos. O tempo de fazer.

    O tempo de falar.

    O tempo de silenciar.

    O tempo de discordar.

    O tempo de compreender. 

    O tempo de deixar ir.

    E também o tempo de reconstruir.

    Porque, quando nos deixamos dominar pelas emoções, podemos acabar roubando da calma a sua plenitude e transformando a própria existência num lamento permanente.

    É nos meus silêncios mais profundos, quando tudo finalmente se aquieta n’alma, que algumas perguntas insistem em chegar:

    Por que divergimos tanto?

    Por que guardamos tantos tesouros dentro de nossas pequenas pirâmides, se a vida passa tão depressa?

    Para que tanta disputa, tanta dureza, tanta necessidade de ter razão, se amanhã poderemos simplesmente não estar mais aqui?

    Um dia, tudo ficará para trás.

    E então penso nos sepulcros caiados.

    Penso naquilo que permanece quando todas as aparências desaparecem.

    E me pergunto:

    O que levaremos conosco?

    Certamente não os tesouros.

    Não as disputas.

    Não as vaidades.

    Talvez levemos apenas aquilo que conseguimos transformar em amor.

    E talvez seja justamente aí que esteja a grande lição:

    a vida não nos pede que permaneçamos intactos.

    Pede-nos que, mesmo depois das tempestades, aprendamos a nos regenerar.

    Que a fotografia, ainda que marcada pelo tempo, possa receber novos retoques.

    Que a avezinha, mesmo depois de muito tempo entre grades, não esqueça que nasceu para cantar.

    E que nós, apesar de todas as nossas feridas, não nos esqueçamos de que ainda existe uma janela aberta para a vida. 

    • Esse é o tempo de fazer o que está ainda para ser feito... Não morrer pelas contraditas, mas viver pela ressurreição com toda plenitude!


    Paz e Bem.

    By MângelaCastro — 26/09/2026

  • Enviado por MângelaCastro em 26/09/2026
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  • By MângelaCastro - 26/0/2026

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

🌿 PRIMAVERA - MULHER QUE DÁ O CONTORNO À VIDA ...🌷

 A chuva que cai nesses dias sobre nossos telhados, deixa de ser apenas metáfora da tristeza e passa a ser também sinal da ação de Deus, que fecunda aquilo que parecia adormecido.


Bom dia caríssimos e diletos leitores de todos os dias, os quais trazem muito alegria e conforto pro meu coração. Amigos, amigas! Talvez, porque temos sido tema quase central de diálogos nesses últimos anos, nascido como semente que acaba de germinar uma leve moção de palavras ensejando o ser feminino que habita em nós, chegando de mansinho com a estação primaveril que também acaba de nascer para cumprir mais um ciclo de vida ....

🌧️🌷 E se a Primavera chegasse para nos ensinar a desacelerar?

Entre a chuva que parece lágrima e as flores que insistem em nascer, talvez a vida esteja apenas nos pedindo um instante de pausa.

Para sentir o perfume, contemplar a beleza e lembrar que, mesmo depois das partidas, a vida sempre procura um jeito de florescer novamente.

A manhã amanheceu chuvosa.

Para mim, meio lacrimosa.

Talvez porque o comboio da morte tenha passado tantas vezes por perto, levando parentes, amigos, pessoas que ontem ainda faziam parte da paisagem de nossas vidas.

Ele passa. E nos comove.

Entristece.

Mas também nos recorda que existe um ciclo maior do qual fazemos parte: nascer, florir, frutificar e, um dia, cair sobre a terra para que dela possa nascer novamente a vida.

Talvez seja por isso que eu goste de olhar a chuva de outra maneira.

Ela chega como lágrima, mas também como promessa.

A Primavera acaba de nascer, e a chuva vem recebê-la. Molha a terra, desperta sementes, devolve perfume ao mundo.

E há algo de profundamente feminino nisso.

A mulher, em sua simbologia mais bonita, traz consigo o mistério de gerar, acolher e dar contorno à vida.

E talvez seja justamente isso que esteja faltando aos nossos tempos tão secos: não apenas água sobre a terra, mas delicadeza sobre os dias.

Ser Primavera é ser leve sem ser superficial.

É ser alegria sem perder a sintonia com as experiências da vida.

É florescer depois das chuvas.

É espalhar perfume sem precisar anunciar a própria presença.

Porque todo frasco de perfume guarda uma sensação que não se vê, mas permanece.

Assim é a Primavera.

Assim pode ser a mulher.

Mulher que dá o contorno à vida.

E quando penso na locomotiva da existência, desejo apenas que ela não passe tão depressa por nós.

Que, ao chegar à Primavera, diminua a velocidade.

Que pare, por um instante, para sentir o perfume das flores, contemplar sua alegria colorida, ouvir a chuva sobre a terra e perceber que ainda há muito para florescer.

Depois, sim...

Que siga viagem.

Porque a locomotiva da vida não pode permanecer parada.

Mas talvez possa aprender, de vez em quando, a desacelerar diante da beleza.

E nós, passageiros dessa breve viagem, talvez devêssemos fazer o mesmo.

Isaías em  55, 10-11 se expressa, sintetizando bem assim:

“A chuva rega a terra. A Palavra rega a alma. E onde Deus encontra uma semente, a vida pode voltar a florescer.” 🌧️🌱



Paz e Bem.

By MângelaCastro - 23/0/2026

domingo, 16 de agosto de 2026

SONHOS E SUAS REVELAÇÕES , ENTRE A PSIQUE, A FÉ E O MISTÉRIO


Eu já inicio essa postagem com uma pergunta. ___E se nem todo sonho vier para ser decifrado, mas alguns apenas para nos fazer olhar para dentro? 🌿

Entre a fé, a psicologia e o mistério, talvez a pergunta mais importante não seja “o que esse sonho quis me revelar?”, mas: “o que ele despertou em mim?”

É sabido que a Bíblia, a qual a vejo como um grande compêndio da vida, reunindo histórias, experiências, vivências, anúncios, profissões de fé, revela-nos alguns sonhos que vieram como profetizados pelo próprio Deus ao homem... Isso é certo.

Atos 2:17 menciona que, no fim dos tempos, os crentes terão visões e sonhos. "Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos".

Essa imagem que postei acima, me faz recordar um sonho que tive já algum tempo atrás, e realmente me deixou a pensar sobre ele, buscar mais informações a respeito, seu significado... O que minha mente tentou me informar? Ao contrário dessa imagem aqui postada, vi primeiro abrirem-se no céu dois portais, os quais haviam nele uma luz perene, e desses portais desceram por uma espécie de caminho rumo à terra, dois cavalos, ambos de cor marrom, e sobre ele dois soldados tipo da idade média, porém, o que mais me chamou a atenção, foi que ambos os cavalos, não encostaram suas patas no solo terrestre, ficaram alguns palmos acima da crosta, como que levitando. E acordei com essa cena. Importante aqui frisar que, meu sonho, não é nada semelhante ao narrado em Apocalipse! Mas foi o meu sonho!

O que esse sonho está me fazendo pensar sobre mim?”

Nem todo sonho precisa ser imediatamente compreendido como revelação divina, ou prenúncios, mas, pode sim, ser uma informação, um alerta, uma mudança de vida. Há, inclusive, uma passagem em Eclesiastes que relaciona os sonhos à multiplicidade das preocupações:

“Dos muitos afazeres vêm os sonhos.”

(Eclesiastes 5,2)

Talvez esteja aí uma primeira chave para compreendermos essa experiência tão humana: há sonhos que nos inquietam porque carregamos muitas coisas dentro de nós; e há experiências que, pela fé, somos convidados a colocar diante de Deus em oração e discernimento.

Há manhãs em que acordamos de um sonho.

E há manhãs em que acordamos do silêncio.

Hoje foi assim.

O vento lá fora, alguns poucos passarinhos chilreando sobre os telhados vizinhos e aquele silêncio quase ensurdecedor fizeram-me sentar diante dos teclados e escrever.

Curiosamente, esta noite não sonhei.

E isso, para mim, é quase uma novidade, porque costumo sonhar com frequência.

Aliás, não sou eu quem afirma que sonhar seja simplesmente uma particularidade minha. Estudos sobre o sono e a psicologia mostram que sonhar faz parte do funcionamento normal do cérebro e está relacionado a processos importantes, como memória, emoções e elaboração de experiências vividas. Há, inclusive, estudos psicológicos que associam a atividade onírica à nossa vida emocional e ao processamento de conteúdos psíquicos. Uma vez tecendo comentário sobre um sonho que tive, minha irmã me disse: ___Maria, acho engraçado como você sonha e recorda de seus sonhos, eu penso que não sonho. Então lhe respondi: ____Sim, você sonha, todos nós sonhamos, só que algumas pessoas tendem a não se recordar de todos os sonhos que têm, e segundo a psicologia, isso é também normal.

Por isso, quando alguém diz: “Eu quase nunca sonho”, talvez não seja necessariamente que não sonhe; muitas vezes, pode simplesmente não se lembrar dos sonhos ao despertar.

No meu caso, porém, costumo lembrar-me de muitos deles — alguns tão intensos que permanecem comigo depois que acordo.

E talvez seja justamente por isso que a ausência de um sonho nesta noite tenha me feito lembrar de tantos outros... Sonhos.

Quem nunca acordou de um deles carregando uma sensação difícil de explicar?

Alguns desaparecem poucos minutos depois de abrirmos os olhos. Outros, entretanto, permanecem. Não sabemos exatamente por quê. Às vezes esquecemos a história, mas a emoção permanece. Outras vezes, uma imagem fica gravada na memória durante anos.

Foi assim com um sonho que tive há algum tempo.

E é sobre ele que quero refletir hoje: não para afirmar que foi uma profecia, nem para tentar decifrar aquilo que talvez pertença ao campo do mistério, mas para olhar para o sonho sob três perspectivas que podem dialogar entre si: o que a Bíblia nos diz sobre os sonhos, o que a psicologia pode nos ajudar a compreender e aquilo que permanece como mistério espiritual.

Por fim é certo que, não precisamos descobrir se o sonho foi uma profecia para reconhecer que ele produziu em nós uma pergunta. 

Às vezes, o mais importante não é aquilo que o sonho “previu”, mas aquilo que ele despertou. Concorda comigo? Como são seus sonhos? Eles te surpreendem? Te colocam para pensar? Ou você se sente incomodado (a), ou até mesmo com medo, com sensações que algo pode acontecer? Nós seres humanos temos uma forte tendência de sofrer por antecipação, por inseguranças plantadas em nosso cotidiano, nem tudo é profecia, nem tudo é fantasmagórico, nem tudo é normal, ou paranormal, são apenas nossas emoções em constantes ebulições... São muitas informações chegando até nós, e isso pode nos confundir as "ideias" rs. Temos que aprender a reagir conosco mesmo, não acreditar em tudo que nos chega, é preciso sim, discernir, saber filtrar. Assim como chega conosco uma manhã com ventos, silêncio, passarinhos, luz solar, serenidade, emoções a burilar, é a vida a despertar...

Talvez seja assim também com alguns sonhos.

Vemos fragmentos.

Imagens.

Sensações.

Portais.

Cavalos.

Pessoas.

Luzes.

Planetas soltos no espaço.

Rochas

Rios, mares

Natureza

Às vezes até damos voos rasos e rápidos que nos dá frio no estômago.

E tentamos organizar tudo com a nossa limitada compreensão. Jesus, mexia muito com a forma de ser, pensar, agir, de seus discípulos, sempre colocava e coloca quem o estuda, meio que, um Mestre que nos põe pra pensar, questionar a nós mesmos, e as ações que os outros nos provocam.

  • Mateus 10:29-31: "Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos." Esses versículos nos lembram da importância de refletir sobre nossos pensamentos e ações, buscando sempre o que é verdadeiro e bom.

Mas nem sempre precisamos transformar tudo em uma resposta.

Às vezes, o mistério também pode ser um convite à contemplação.

A fé não precisa transformar cada sonho em profecia.

E a razão não precisa transformar cada experiência espiritual em mera atividade cerebral.

Podemos simplesmente permanecer diante dela, com respeito e discernimento.

“Senhor, o que isso despertou em mim?”

Talvez essa seja uma oração muito mais fecunda do que:

“Senhor, o que isso vai acontecer?”

Porque uma pergunta procura prever o amanhã.

A outra procura transformar o hoje.

Foi uma profecia?

Não sei.

E talvez seja justamente aqui que eu precise ter cuidado.

Não considero que eu seja uma profetisa porque sonho.

Os sonhos fazem parte da experiência humana, e a própria Bíblia nos mostra que precisamos discernir aquilo que vivenciamos.

Também já tive sonhos acompanhados de vozes, imagens coloridas, e ou preto e branco, como um filme antigo, muito fortes e sensações que permaneceram depois que acordei.

Isso não significa, por si só, que sejam mensagens sobrenaturais.

Mas também não significa que eu deva simplesmente ignorá-los.

Posso observá-los.

Refletir sobre eles.

Pesquisar.

Rezar.

Discernir.

E, sobretudo, perguntar o que eles movimentaram dentro de mim.

Porque talvez a grande revelação de um sonho não esteja necessariamente no que ele nos mostra sobre o futuro. Até porque o futuro já é agora.

Talvez esteja no que ele nos revela sobre nós mesmos.

E aqui volto à manhã de hoje.

Esta noite não sonhei.

O que, para mim, foi uma surpresa.

Mas talvez o silêncio também tenha seus sonhos. Ou talvez, meu cérebro, minhas emoções, precisavam desse tempo de silêncio, de simplesmente nada a ser declarado.😊

Talvez hoje Deus não tenha precisado falar através de imagens enquanto eu dormia.

Talvez tenha bastado o vento batendo forte sobre meus telhados me acordando

Os passarinhos, do lado de fora de mim, chilreando, fazendo-se presentes:

— Oiê! Estamos aqui!

Ventos, passarinhos, anúncio de vida, vertentes que nos anima...

E foi assim, nesse instante, que outra lembrança me ocorreu:

São João Paulo II dedicou uma encíclica inteira a essa relação: Fides et Ratio — Fé e Razão. Nela, refletiu sobre a necessidade de que fé e razão caminhem juntas na busca da verdade.

Talvez seja justamente isso que tantas vezes tenha me tocado em suas homilias: ele não me convidava a sentir menos, mas a pensar também aquilo que eu sentia. Talvez por isso às vezes chegava até chorar, é que ele me colocava meio frente a um espelho...

E Jesus, se prestarmos bastante atenção aos seus ensinamentos, parece fazer algo muito semelhante com seus discípulos: despertá-los para a vida que os rodeava, para aquilo que acontecia diante de seus próprios olhos, no cotidiano, e lhes chamava a ter mais fé, os achava, homens de pouca fé. (Mateus 8:26)

Jesus não ensinava apenas para que seus discípulos acreditassem. Ele os fazia olhar, observar, perguntar, compreender, discernir. E é assim comigo, e talvez com você que me lê.

Talvez seja essa a ponte que hoje consigo perceber entre o sonho, a emoção, a fé e o discernimento racional.

E, pensando nisso, compreendo também que talvez eu mesma tenha, algumas vezes, tentado racionalizar demais a fé, quando o que João Paulo II nos propunha era algo muito mais profundo.

Não se trata simplesmente de ter uma “fé racional”.

Trata-se de permitir que fé e razão caminhem juntas, sem que uma precise eliminar a outra.

Porque fé e razão não se anulam.

Iluminam-se mutuamente na busca da verdade.

E talvez seja justamente nesse equilíbrio — entre aquilo que sentimos, aquilo que pensamos e aquilo que ainda não conseguimos compreender — que vamos, pouco a pouco, amadurecendo nossa maneira de viver, ser e de estar na vida.

E cá para nós, como é bom esse viver cheio de sonhos né não?

By MângelaCastro - 16/8/206

domingo, 9 de agosto de 2026

QUANDO O FOGO SE APAGA COM NOSSAS PRÓPRIAS MÃOS

 

Uma reflexão sobre sonhos, relações, fé, responsabilidade e a coragem de fazer a nossa parte.

Há sonhos que não precisam ser interpretados como presságios. Talvez precisem apenas ser escutados como perguntas.

O que o meu sonho está me fazendo pensar sobre mim?

Talvez, ao olhar para dentro, descubramos alguns “fogos” que só poderão ser apagados quando tomarmos atitudes concretas.

🔥 O que ainda está queimando em mim?
🌿 E o que já queimou, mas ainda deixou marcas?

 — porque às vezes continuamos vivendo como se o incêndio ainda estivesse acontecendo, quando restaram apenas as marcas.

Há sonhos que parecem nascer apenas da imaginação. Outros, porém, quando despertamos, permanecem conosco como uma pergunta.

Foi assim com um sonho que tive recentemente.

Eu estava na cozinha — um espaço muito presente em minha vida cotidiana — quando percebi que o micro-ondas estava em chamas. O fogo ardia dentro dele. Assustei-me, corri para desligá-lo da tomada e, imediatamente, procurei os bombeiros.

Engraçado que no sonho aflita com a situação, tentava lembrar o número de emergência, e me veio esse, mas, eu não tinha certeza, não é que acertei??? 😁Liguei para o 193.

Uma voz feminina me atendeu, dizendo que eu realmente havia ligado para o Corpo de Bombeiros, mas pediu que eu esperasse.

Esperasse?

Meu aparelho estava pegando fogo!

Voltei para ele e, para minha surpresa, o fogo já havia se apagado. Então desliguei o telefone, pensando, com certo humor:

Se eu dependesse deles, estaria “ferrada”!😄Mas na realidade, são bem eficientes, já precisei do corpo de bombeiros, e chegaram bem rápido para o atendimento, nada sério, mas, um foi com enxame de marimbondos, outro, foi com uma panela de óleo que pegou fogo e chegou a queimar o exaustor, nada tão sério, mas solicitei ajuda, esses eventos podem ocorrer em nosso cotidiano, e se tornarem bem drásticos. Mas esse sonho, analiso sob outros aspectos.

Em minhas ocorrências no dia a dia, conto com  meu filho, sempre pronto para ajudar. E com você, tem ajuda também de algum familiar pronto para o auxílio?

Voltando para o sonho. Depois, encontrei-me em uma espécie de sala de aula e conversei com uma jovem. Contei-lhe o que havia acontecido e ela me disse que conversaria com seu “amigo espiritual” para saber o que ele teria a dizer.

Perguntei:

— Mas, para conversar com um amigo espiritual, não precisamos orar ou entrar em meditação?

Ela respondeu tranquilamente que não. Bastava conversar.

E eu, dentro do próprio sonho, questionei.😏

Mais tarde, encontrei algumas roupas queimando no quintal. Joguei água sobre elas. A fumaça subiu, as roupas estavam bem chamuscadas, marcadas pelo fogo, mas já não havia mais chamas.

E pensei:

“Pronto. Agora não há mais perigo.”

Acordei.


Depois de refletir sobre esse sonho, percebi que talvez ele não precise ser entendido como uma previsão, nem como uma mensagem sobrenatural pronta para ser decifrada.

Talvez ele possa ser simplesmente uma pergunta.

Quantas vezes, na vida, percebemos que alguma coisa está “pegando fogo” e imediatamente esperamos que alguém venha apagar?

Esperamos um telefonema.

Uma visita.

Uma palavra.

Uma atitude.

Esperamos que alguém perceba aquilo que estamos sentindo sem que precisemos pedir.

E, algumas vezes, esperamos tanto que descobrimos, depois de algum tempo, que precisamos tomar a iniciativa.

Não porque não precisemos uns dos outros.

Precisamos.

Somos seres de relação. Ninguém atravessa a vida completamente sozinho.

Mas existe uma diferença entre precisar do outro e entregar ao outro a responsabilidade por aquilo que também nos cabe fazer.

Talvez alguns dos incêndios da nossa vida precisem, sim, de ajuda.

Mas outros exigem de nós uma atitude concreta.

É preciso desligar alguma coisa.

É preciso colocar limites.

É preciso conversar.

É preciso pedir perdão.

É preciso perdoar.

É preciso procurar ajuda.

É preciso sair de determinado lugar.

É preciso abandonar um hábito.

É preciso, algumas vezes, simplesmente parar de esperar que o outro faça aquilo que somente nós podemos fazer.

Existe um antigo ditado popular que diz:

“Se queres algo bem feito, faça você mesmo.”

Eu acrescentaria uma pequena ressalva:

Não precisamos fazer tudo sozinhos.

Mas precisamos fazer a nossa parte.


E talvez seja justamente aí que o sonho encontre a espiritualidade.

Fé não significa permanecer parado esperando que Deus faça aquilo que está ao alcance das nossas mãos.

A oração não deveria ser uma substituta da atitude.

Podemos pedir luz e, depois, caminhar.

Podemos pedir discernimento e, depois, escolher.

Podemos pedir força e, depois, agir.

Talvez a fé amadureça justamente quando compreendemos que nem sempre o milagre será o fogo desaparecer sozinho.

Às vezes, o milagre pode estar na coragem que encontramos para procurar a tomada, desligar o aparelho e jogar água sobre aquilo que ainda está ardendo.

E talvez Deus também esteja presente na sabedoria de reconhecer:

“Eu preciso de ajuda.”

Porque pedir ajuda também é uma atitude.


Mas há algo ainda mais interessante no final do sonho.

As roupas estavam queimadas.

A fumaça ainda subia.

As marcas permaneciam.

Mas o fogo havia acabado.

Quantas vezes confundimos as marcas do que aconteceu com o perigo que ainda existe?

Uma experiência pode deixar cicatrizes sem continuar nos ferindo.

Uma perda pode deixar saudade sem continuar nos destruindo.

Uma decepção pode deixar marcas sem determinar nosso futuro.

Uma fase difícil pode deixar fumaça no coração, mesmo depois que as chamas já se apagaram.

Talvez seja preciso aprender a distinguir:

o que ainda está queimando daquilo que simplesmente já queimou.


E quanto aos nossos sonhos?

Talvez devêssemos ter cuidado para não transformá-los imediatamente em revelações ou presságios.

Podemos escutá-los de outra maneira.

Como quem abre uma janela para dentro de si.

O que este sonho despertou em mim?

Que medo ele revelou?

Que relação ele trouxe à memória?

Que necessidade minha apareceu?

O que estou esperando dos outros?

O que está ao meu alcance fazer?

E, sobretudo:

que fogo da minha vida precisa ser apagado com uma atitude concreta?

Talvez cada um de nós tenha, em algum canto da própria “casa interior”, um pequeno incêndio acontecendo.

E talvez nem sempre precisemos esperar pelos bombeiros.

Às vezes, a primeira providência é nossa.

Desligar.

Agir.

Pedir ajuda quando necessário.

E depois, com serenidade, olhar para a fumaça que ficou e reconhecer:

“Ainda há marcas, mas já não há perigo.”

Talvez isso também seja amadurecer.

Talvez isso também seja fé.

Talvez isso também seja aprender a cuidar da própria vida sem deixar de reconhecer que, quando o caminho pesa demais, precisamos uns dos outros. 

E sempre de Deus, tal qual um Pai amoroso, zeloso, cuidador, tudo sabe, nos ausculta, nos ama infinitamente, nos indicando a melhor atitude, o melhor caminho, aquele que precisamos para percorrer em aprendizados, para pedir sabedoria, mas, temos que ser obedientes, seguir os bons conselhos ... 

"Tu és o meu socorro e o meu libertador; meu Deus, não te demores!" (Salmos 34:19)  FELIZ E ABENÇOADO DIA DOS PAIS!


Paz e bem.

MângelaCastro - 08/8/2026

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Enviado por MângelaCastro em 09/08/2026
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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O PRESENTE ANTES DA RESPOSTA


Bom dia amigos (as) família...

Às vezes, Deus nos fala não por grandes acontecimentos, mas pela delicadeza de um gesto, de uma lembrança... ou até de um sonho.

Nesta reflexão, compartilho como um simples ato de dobrar um tecido branco e florido me levou a compreender que o amor de Deus sempre nos alcança primeiro. Antes de qualquer resposta, Ele nos oferece Seu dom.

Convido você a ler e refletir comigo.

Bora lá, para mais uma reflexão?


(O QUADRO DA SANTA CEIA NA PAREDE FOI PINTADO PELA MINHA IRMÃ MARGARETH)

Esta manhã despertei refletindo sobre um sonho que tive durante a noite.

Sonhos nem sempre são mensagens sobrenaturais. Muitas vezes, eles nascem de lembranças, emoções, preocupações ou desejos que habitam nosso inconsciente. Contudo, para quem vive a fé, eles também podem tornar-se ocasião de discernimento. Por isso, gosto de contemplá-los unindo dois olhares: o psicológico, que revela nossos afetos, e o espiritual, que nos aproxima do nosso íntimo, onde Deus também fala em silêncio.

No sonho, meu irmão e minha cunhada chegavam juntos à nossa casa.

Embora os dois estivessem presentes, era ela quem realizava um gesto muito delicado. Trazia consigo um belo atoalhado branco, com um barrado todo florido, e o dobrava cuidadosamente.

Meu irmão apenas observava.

Naquele instante, pensei: "É Natal..."

Mas logo veio outra preocupação:

"Nossa ceia está tão simples... quase não temos nada. Como poderei retribuir um presente tão bonito?"

Foi então que despertei.

Ao recordar o sonho, compreendi que talvez ele não estivesse falando sobre um Natal, nem sobre um presente material.

Falava sobre algo muito mais profundo.

O branco do tecido recordava a paz, a esperança e os recomeços.

As flores lembravam a delicadeza da vida e do carinho.

E o tecido... o tecido une inúmeros fios para formar uma única peça, assim nos vejo espiritualmente, seres vitalizados unidos por fios, tecidos em uma única consciência, o nosso TODO. Assim também somos nós em nossos cotidianos. Nossa história é tecida pelos encontros, pelos afetos (família, amigos), pelas lembranças e, até mesmo, pelas ausências.

Talvez por isso o sonho me tenha tocado tanto.

Percebi também que minha primeira reação não foi a alegria de receber.

Foi a preocupação em corresponder.

Quantas vezes fazemos isso também na vida?

Preocupamo-nos tanto com o que temos para oferecer, que nos esquecemos de acolher aquilo que a vida, as pessoas e o próprio Deus já nos oferecem gratuitamente.

Foi então que uma verdade do Evangelho iluminou meu coração.

Antes de Deus pedir alguma coisa de nós, Ele sempre chega trazendo algo.

Foi assim desde a Criação.

Foi assim com Abraão, com Moisés, com Maria.

Foi assim com os discípulos.

E foi plenamente assim no Natal.

A humanidade nada possuía para oferecer em troca do nascimento de Jesus.

Foi Deus quem tomou a iniciativa.

Primeiro veio o dom.

Depois veio a resposta.

Talvez seja exatamente esse o convite que o sonho desejava deixar em meu coração.

Nem tudo precisa ser equilibrado pela lógica da reciprocidade.

Existem presentes que simplesmente precisam ser acolhidos.

E há outro detalhe que continua ressoando em mim.

Minha cunhada não abria o tecido.

Ela o dobrava cuidadosamente.

Na tradição bíblica, guardar uma veste ou dobrar um pano é um gesto de cuidado, de respeito e de preparação. Não é abandono. É zelo.

Talvez algumas graças também cheguem assim à nossa vida.

Não de uma só vez.

Mas lentamente.

Respeitando o tempo da alma.

Como um tecido que vai sendo delicadamente desdobrado ao longo da existência.

Hoje compreendo que o sonho talvez não falasse apenas de minha família.

Falava da maneira como Deus continua visitando nossos corações.

Sempre em silêncio.

Sempre com delicadeza.

Sempre oferecendo primeiro o Seu amor.

Porque o amor verdadeiro não começa quando damos.

Muitas vezes, ele começa quando aprendemos, humildemente, a receber.

"Conservai-vos mutuamente no amor fraternal."
(Hebreus 13,1)

Esse sonho com certeza tem muito a me ensinar sobre esse amor quase que filial, entender o verdadeiro significado do que é ser família, recordando que este laço não é somente consanguíneo mas acima de tudo espiritual e fraternal. 

Paz e bem.🌹

By MângelaCastro - 06/8/2026








ENTRE A FÉ E A HISTÓRIA: QUANDO O CONHECIMENTO NOS ENSINA A PERGUNTAR E CONHECER!

  “Que tenhamos sempre a humildade de aprender, a coragem de pensar e a delicadeza de respeitar.” Que tenhamos uma manhã que já vai longe, ...