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domingo, 26 de julho de 2026

SERENIDADE NO ENTARDECER DA IDADE ... RETROSPECTIVA DA VIDA!

 "A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.(Romanos 5,5)

Há escritos que o tempo não apaga. Apenas lhes acrescenta significado. Hoje compartilho uma página do meu caderno de 1983, onde a esperança já aprendia a florescer. 🌿

Assim nasceram, Joias do Baú das Memórias

Olá, queridos e queridas.

Hoje tomo a liberdade de compartilhar um pouco da minha intimidade. Lá nos idos de 1983, jovem ainda, com muitos sonhos e desejos à flor do coração, a vida parecia florescer ao meu redor. Uma nova etapa estava nascendo. Recém-casada e, em meio às incertezas do futuro, escolhi viver apenas aquele sutil momento.

Quantas tardes primaveris já vivenciei ao longo da vida! Neste meu entardecer da idade, muitas ficaram para trás, mas uma, em especial, permaneceu guardada na memória, preservada em uma simples folha de caderno.

Foi numa tarde de novembro, quando as emoções borbulhavam dentro de mim e tudo parecia querer brotar das profundezas da alma, que tive um encontro comigo mesma. Hoje, relendo essas singulares palavras, tenho a certeza de que, naquele instante, algo maior do que eu me impelia a tomar uma folha de papel para escrever.

Na verdade, isso já havia se tornado um hábito. Escrever era a maneira que encontrava para não somatizar tanto os desafios do dia a dia, afinal, quem não os tem? A diferença está em aprender a lidar com eles e procurar resolvê-los da melhor forma possível.

E, como uma suave brisa, um soneto brotou do meu coração. Parecia surgir dos recônditos adormecidos da alma como um sopro de esperança.

Serenidade... Era exatamente assim que eu me sentia naquele momento. Então escrevi:

No borbulhar da emoção,
expresso a alegria da paz.

Meu corpo sereno
acalenta a mansidão
de um olhar lânguido,
de tristezas que jazem.

E o soneto do sopro
da esperança; brota vívido.

Sinto o beijo
da brisa suave
que me acaricia,

acalenta, acalma a alma,

na gostosa tarde de primavera.

Chega de mansinho o desejo

de sonhos, e que sejam meigos,
de doces ilusões do amor,

os quais, ali naquele momento,
viriam.

Como na singeleza da vida,
na pureza de uma criança,

que meu ser implorava
e sempre pedia...

Não se perca da esperança!

Franca, 04 de novembro de 1983 – 14h35.

Relendo essas simples palavras, percebo quase um percurso interior. É como se eu saísse da agitação de um borbulhar de emoções e chegasse, passo a passo, à serenidade. O título, portanto, não é apenas um nome: é o destino do poema.

Ao revisitar meus guardados, hoje um pouco empoeirados, com folhas já amareladas pelo tempo, percebo o valor que cada uma delas carrega. Guardo-as com carinho, pois não são apenas lembranças: são as primeiras páginas de uma primavera interior.

Tudo começou com um conselho que recebi, por volta de 1975. Ao buscar alívio para as inquietações daquele tempo, um sacerdote, quase em segredo, me aconselhou:

"Escreva, Maria. Passe para um caderno, como se fosse um diário, os pensamentos que lhe chegam."

Foi assim que a jovem Maria começou a escrever para aliviar a alma, buscando respostas e tornando-se cúmplice de cada momento vivido.

Assim sigo ainda hoje: escrevendo. Agora, porém, compartilhando essas palavras com o sincero desejo de que elas também possam aliviar ou inspirar o coração de quem as lê.

É claro que, às vezes, as palavras podem incomodar. São como sementes sendo remexidas na terra que as abriga. Talvez, num primeiro momento, não façam sentido, pois cada leitura é profundamente pessoal. Muitas vezes questionamos; outras, como diz o jargão popular, "demora para cair a ficha". E isso faz parte, principalmente quando algo toca as profundezas da alma ou desperta sentimentos que permaneciam escondidos — por medo, insegurança ou simples necessidade de proteção.

Cada um possui seu tempo interior.

Mas chega o momento em que é preciso permitir que as emoções floresçam, como flores de um jardim. Algumas trazem espinhos; outras exalam perfumes delicados. Assim como nós possuímos nossa própria identidade,  elas também possuem sua própria tonalidade, sua beleza e sua razão de existir. Também isso faz parte da lei natural da autopreservação e evolução natural de todas as coisas sob a Onisciência de Deus - (Isaías 46:9-10:). O importante é cultivar nossos jardins interiores, respeitando os divisores de águas que a própria vida nos apresenta.

E isso, minha amiga, meu amigo, pode ser apenas um desenrolar do tempo. Não porque algo tenha deixado de amadurecer, mas porque ainda repousa no aconchego da alma, maturando silenciosamente, como um bom vinho preservado nos tonéis da vida.

Hoje vivo o entardecer da idade, mas continuo preservando o doce sabor da esperança que já habitava aquela tarde de 4 de novembro de 1983.

Ela permanece jorrando palavras como a nascente que desce pelas encostas, regando as sementeiras e conduzindo as águas da vida. Às vezes serenas, outras vezes turbulentas, como um vendaval, mas sempre seguindo seu curso natural, até encontrarem, um dia, o grande oceano da Vida... onde, enfim, todas as almas encontrarão a cura. Posto que, sem perder a esperança, acreditemos que: ___

"Na velhice darão ainda frutos, serão viçosos e florescentes."
Salmo 92,14

Paz e Bem.

By MângelaCastro — 24/07/2026


Enviado por MângelaCastro em 26/07/2026
Código do texto: T8682587
Classificação de conteúdo: seguro
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

domingo, 12 de julho de 2026

NASCI DO AMOR...SAUDADE QUE MORA DENTRO


Tem riso de criança .....  

#OndeMoraASaudade #NasciDoAmor #MemóriasQueFlorescem #InfânciaEterna #EntreTrilhosERios #CoraçãoMineiro #AmanhecerDaVida #ReflexãoNoAmanhecer de uma alma resiliente no tempo que insiste por aqui permanecer, sim, do lado de dentro.

"As lembranças não voltam para que vivamos outra vez o passado. Elas voltam para nos mostrar que aquilo que foi vivido com amor nunca passou. Apenas mudou de morada. Antes habitava os caminhos. Agora habita o coração'. "E como ouvi dos lábios palavras nascida do coração de um amigo, como um pisca alerta para os viajantes que chegam ____quando você conhece-la, sua vida nunca mais será a mesma"... Esta pequena prosa poética, é também para você, que sabe bem a quem me refiro, pois este é seu pensamento... É como brisa que chega depois da seca, pois caminho sob a aliança como bem nos enseja o Salmo de Davi. Não peço acesso, ele, o céu, já está aberto sobre nós agora... O Senhor não fechou as comportas...

Que amanhecer bonito que por aqui chegou, cheio de memórias, palavras, histórias contadas, cantos e cantigas, que fazem balouçar no balanço de meu aconchego de criança, e dói como arranhão de joelho ralado, mas passa com o simples gesto de um beijo, que adoça como o melado de cana caiana, uma vívida vida de criança... e muito mais que memórias sentidas, é uma história que pede respeito. Sim, meus amores e este é um deles. Nessa memória tem o perfume de terra molhada, o apito da Maria-Fumaça, o calor do colo materno e a saudade que não fere, não tem preço, só apreço: que cresce e amadurece.

Essa é uma prosa poética, que suspira e respira saudade de um tempo cuja história guardada na memória, não tem idade, e embora longe, mora perto, tão perto, porque mora dentro dessa criatura que a escreve ... Tudo é benção, é amor, é coração de uma eterna amante, pulsante, fora e dentro de mim .... Sentida morada, aqui,👇 onde nasci, e tal qual minha memória e saudade, ela ainda resiste aos tempos, e aos fortes ventos ...

E esse tempo arado pelo vento da memória, o início de toda uma história, um destino interrompido, mas, não desaparecido, porque foi e continua sendo trabalhado pelo amor, que se apresenta como um campo aberto e sonhado, nasceu a partir deles...


Hoje amanheci assim...

Cantarolando uma antiga cantiga: "Criança Feliz..."

E uma saudade acordou comigo.

Não é uma saudade que machuca como uma ferida aberta. É uma saudade que faz cócegas no coração. É dor de amor.

Olho esta paisagem e sinto que ela guarda lembranças de antes mesmo d'eu nascer, da minha chegada àquela terra boa mineira, banhada pelas águas do Rio Grande. Vivi ali apenas quatro anos. Logo depois, nosso pai partiu para a eternidade, para sua, e nova jornada estelar.

Quatro anos tive ao seu lado... Para muitos, tão pouco. Pobre criança! Para uma alma, tempo suficiente e tão intenso, para plantar raízes que jamais seriam arrancadas.

Hoje compreendo que a separação é apenas um momento. Na eternidade, nada do que nasce do amor se perde. Tudo permanece.

Essa saudade que às vezes dói como espinho na carne também perfuma como aroma de flor. É puro amor. Talvez hoje mais próximo do que nunca, porque já não está do lado de fora. Mora dentro de mim.

Sou grata.

Mesmo tendo vivido tão pouco naquela terra, ela merece esta singela homenagem, porque meus pais, meus avós ali nos fizeram seres indomáveis, amorosos, irmãos fraternos, eternos agora, em nossa memória. Saber agradecer é um dom de Deus. É um tom suave e profundo, tão forte quanto os ventos que trazem de volta as lembranças da infância, e nos concede infinitas possibilidades de vida. Em terra de abundância as sementes ali plantadas não morrem, favorecem a vida, e vida que germina, cresce, floresce para sempre...

As lágrimas que escorrem nesse momento, não vêm apenas dos olhos. Parecem nascer das águas do Rio Grande, como um aguaceiro que tem cheiro de terra molhada, de rocha que serve de assento, de afeto, ternura e de memória, que faz brilhar os olhos no por do sol, frente a um arrozal que brota às margens de um rio caudaloso, pelo nosso pai plantado, ____"é maravilhoso", dizia minha mãe, ficava todo dourado, os ventos os balouçavam e sua folhas reverberavam como sombras sobre as água luzidias pelos raios do sol que já se ia dar um rolê do outro lado do mundo, todo 'nda desconhecido.

Tudo desperta.

Vejo, pelas histórias contadas por nossa mãe, a minha chegada àquela terra de verdes prados, abraçada pelo Rio Grande, pelas várzeas onde o arrozal dourado brilhava ao sol e que, mais tarde, seria fonte do nosso alimento.

Conta-me minha mãe, com um olhar que parecia alcançar horizontes distantes:

— Imagine você uma tarde de 29 de junho. O frio acariciava a pele. O sol já se despedia, aquecendo a paisagem pela última vez antes de entregar, em gratidão, seu lugar à noite. Mas a noite, toda estrelada, também parecia querer participar daquele momento único.

Ali estava ela, sentada à beira da plataforma da estação. Uma jovem mãe, sonhadora, com a delicadeza de uma moça brejeira, carregava no ventre uma criança que ainda não conhecia o mundo. Parecia apenas esperar o tempo cumprir seu curso.

Mas Deus tinha outro compasso.

Como uma reviravolta inesperada, seu corpo inteiro estremeceu. Algo lhe dizia que aquela criança havia decidido antecipar sua chegada. E ela veio...

Chegou chegando.

Nada de mansidão.

Anunciou sua presença aos berros, como uma cabritinha recém-nascida, rompendo o silêncio daquela fria madrugada de inverno.

Era o fruto de um amor que florescia para a vida.

Poucos instantes depois, todo aquele choro encontrou repouso no colo da mãe e se aquietou no calor do leite materno, onde, pela primeira vez, o mundo teve cheiro de aconchego, de amor e de lar.

Na madrugada fria, nasce aquela menina.

Menina prosa.

Tão prosa que, ainda pequena, já transformava travessuras em versos, como se a poesia tivesse aprendido seu nome antes mesmo de ela aprender a falar.

Corria pelos campos com o riso solto. Viajava para longe olhando a pradaria pela janela do trem, com as fagulhas queimando suas mãos e abrindo buraquinho no lindo vestidinho. A Maria-Fumaça seguia lentamente, como quem sabia que certas paisagens não devem ser atravessadas depressa.

A rama verde ficava para trás, enquanto o tempo parecia caminhar devagar.

Ali havia um silêncio amigo.

O vento diminuía o passo.

E o amor corria livre.

Hoje, talvez alguém pinte essa paisagem sobre uma tela e a chame de natureza morta.

Mas ela nunca morreu.

Continua viva dentro da menina que fui.

Mais viva do que muitos imaginam.

Porque a verdadeira morada nunca foi aquela casa, nem a estação, nem os trilhos do trem.

Sempre foi a alma.

E tudo aquilo continua habitando em mim.

Por isso, quando a saudade chega, ela não bate à porta.

Ela apenas desperta.

Porque agora mora bem aqui dentro.

E permanecerá para sempre.

Em um abraço de enlaço eterno.

Agora, só um aparte: ____😊

Talvez tenha sido por isso que, desde o primeiro instante, aprendi que a vida não caminha no relógio dos homens, mas no compasso do amor."

Creio que essa frase une o nascimento dessa menina à mulher que hoje te escreve. É como se toda a sua trajetória já estivesse, de alguma forma, anunciada naquela fria madrugada de junho.

Com sua devida licença, continuarei escrevendo, Pois quando narro essas memórias, não conto apenas a minha história; mas sim, eu preservo um pedaço da história de tantas famílias do interior de Minas e de São Paulo onde cresci e amadureci, num vai e vem sem fim, onde as estações de trem, os arrozais, os rios, o peixe da pesca sobre a mesa, e as vozes das mães se tornaram parte dessa memória afetiva de um Brasil que ainda vive no coração de quem o experimentou, e ainda experimenta. Somos vida pulsante entre natureza e gente.

MângelaCastro - 12/7/2026


PRA FRENTE, BRASIL! — O QUE ESPERO DO PRÓXIMO GOVERNO. MILAGRES SÃO POSSÍVEIS.

De pois de ler comentários sobre a primeira sabatina dos candidatos à Presidência e ouvir suas propostas, fiquei pensando que talvez precise...