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terça-feira, 28 de julho de 2026

"VÓS SOIS DEUSES" __ O QUE JESUS QUIS NOS ENSINAR REALMENTE COM ESSAS PALAVRAS?

 

Olá caríssimos!


Existem temas diante dos quais todos nos tornamos iguais.

A morte é um deles.

Outro bem intrigante, é a curiosidade de saber nossa real origem, hoje em dia se diz muitas coisas, ou para onde irá nossa alma, nosso princípio vital, é o que nos sobrevive, pós morte física, sim, continua sendo um dos maiores mistérios da humanidade, mesmo que a ciência, filosofia, religião, tenta nos desvendar, como muitos dizem, tirar o véu de Isis, continua sendo um dos maiores mistérios da humanidade. 

Entre a fé, a ciência e os ensinamentos de Jesus, talvez a maior resposta ainda seja a esperança, e o despertar de nossa consciência, posto que, permitindo-nos, poderemos melhorar nossa forma de ser, enquanto por aqui vivemos, nada mais é que: Conhecimento, Convicção, Discernimento, Compreensão.

Assim, convido você a ler esta reflexão e compartilhar, com respeito, seu olhar sobre um tema que, mais cedo ou mais tarde, toca a todos nós.

E nessas ultimas semanas venho sonhando com amigos que já partiram para a verdadeira colheita, (Mateus 13,24-30). como dizem os cristãos, alguns veem com aconselhamentos, outros, apenas se mostram como a dizer: ___"ainda estou por aqui"! Em verdade, este é um tema considerado por muitos um tabu, alguns teem tanto medo que ao tomar conhecimento, chega a adoecer. Mas o certo é que, tememos falar da morte porque amamos a vida. Mas talvez o Evangelho nos ensine justamente o contrário: quem aprende a olhar a morte sem desespero passa a viver com mais intensidade, mais humildade e muito mais amor caridoso, posto que, sem caridade nossa vida não tem sentido, não tem uma alegria real.

Não importa nossa religião, nossa formação acadêmica ou nossa idade: cedo ou tarde ela bate à porta da humanidade, trazendo perguntas para as quais nem sempre encontramos respostas.

Esta não é uma tentativa de responder a todos esses mistérios.

É apenas um convite à reflexão, inspirado nos ensinamentos de Jesus, nas descobertas da ciência e na esperança que atravessa os séculos.

"Vós sois deuses" (João 10,34).

O que Jesus realmente quis nos ensinar com essas palavras?

Embora saibamos que ela faz parte da vida desde o instante em que nascemos, começamos a morrer, dia a dia, porém, ainda encontramos enorme dificuldade em aceitá-la, sobretudo quando leva alguém que amamos. Não importa nossa religião, nossas convicções filosóficas ou nosso conhecimento científico: a despedida quase sempre vem acompanhada da saudade e de muitas perguntas.

Talvez seja justamente por isso que Jesus tenha dedicado tantos ensinamentos à vida eterna, procurando despertar em nós uma compreensão mais profunda da existência.

Em determinado momento, ao responder àqueles que questionavam Sua identidade, Jesus recordou as palavras do Salmo 82:

"Vós sois deuses." (João 10,34)

Essa expressão, muitas vezes mal compreendida, não significa que o ser humano seja igual ao Criador. No contexto bíblico, Jesus recorda que fomos criados à imagem e semelhança de Deus e chamados a viver em comunhão com Ele, refletindo Seu amor, Sua justiça e Sua misericórdia.

Mais do que discutir conceitos, Cristo desejava despertar consciências. Abrir nossas mentes para tomarmos conhecimentos reais e aprender com discernimento como resolve-los da melhor forma possível, um dia de cada vez. A verdade, sempre nos liberta. Porque ao conhece-la, entenderemos o que realmente está acontecendo conosco, e saberemos como devemos agir. (João 8:32)     Nos traz melhor qualidade de vida.

Sua missão foi anunciar o Reino de Deus, ensinar o caminho do amor, da compaixão, do perdão e da esperança. Seus milagres, suas palavras e sua própria vida continuam inspirando pessoas de diferentes tradições religiosas e espirituais a buscarem uma existência mais plena.

Ao longo dos séculos, diversas correntes procuraram compreender esses acontecimentos extraordinários sob perspectivas distintas. A tradição cristã os reconhece como manifestações da ação divina; outras correntes espiritualistas apresentam interpretações próprias sobre esses fenômenos. Independentemente da compreensão de cada um, permanece inegável a profundidade dos ensinamentos deixados por Jesus e sua permanente atualidade.

Curiosamente, a própria ciência também passou a voltar seus olhos para alguns aspectos do processo de morrer.

Pesquisas indicam que, em determinadas situações, a audição pode permanecer ativa até os momentos finais da vida, razão pela qual muitos profissionais da saúde orientam familiares a continuarem falando com seus entes queridos, oferecendo palavras de carinho, serenidade e gratidão.

Outros estudos investigam experiências de quase morte e procuram compreender melhor o funcionamento do cérebro e da consciência. Embora muitas perguntas permaneçam sem respostas definitivas, cada descoberta amplia nosso entendimento sobre a extraordinária complexidade da vida humana. O certo é que somos e existimos nas mais variadas formas, com personalidades, identidades distintas umas das outras, mas, em todos indistintamente, um coração pulsa, uma vitalidade corre por meio de nossas veias, semelhante ao que ocorre no universo...

Talvez fé e ciência não caminhem por estradas opostas.

Cada uma, à sua maneira, busca compreender o mesmo mistério: quem somos, de onde viemos e para onde seguimos quando nossa jornada terrena chega ao fim.

Jesus também nos deixou outra preciosa lição ao afirmar a Tomé:

"Felizes os que creram sem terem visto." (João 20,29)

Não como um convite ao abandono da razão, mas como um chamado para que o coração permaneça aberto à esperança.

Os milagres continuam acontecendo.

Alguns desafiam nossa compreensão; outros acontecem silenciosamente, quando alguém reencontra forças para recomeçar, quando o perdão vence o ressentimento, quando o amor consola uma dor profunda ou quando a esperança ressurge onde parecia existir apenas o vazio.

Talvez seja esse o verdadeiro sentido da Boa Nova anunciada por Cristo: recordar-nos de que a vida não termina no amor que sentimos nem nas marcas que deixamos.

Enquanto houver amor, haverá esperança.

E onde houver esperança, Deus continuará revelando Sua presença.

"Vós sois deuses."

Aprecio muito essa expressão de Jesus. Me faz desejar crescer mais como pessoa, ela me motiva positivamente, sem me deixar ser arrogante. Talvez esse convite continue ecoando através dos séculos, lembrando-nos de que fomos criados não para viver prisioneiros do medo da morte, mas para aprender, dia após dia, a refletir a luz do Amor que nos deu a vida.

"Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá."
(João 11,25)

Caríssimos, em verdade, na minha forma de ser, "Sou a favor de tudo e de todos, embora não concorde com tudo e com todos."

Talvez existam perguntas que Deus não nos responda porque deseja que aprendamos a caminhar pela fé, mesmo que caminhar pelos próprios pés nos doa, às vezes é preciso.

Enquanto isso, continuemos semeando amor.

Afinal, talvez seja justamente o amor a única realidade capaz de atravessar a fronteira entre a vida e a eternidade.

Creio que esse pensamento possa vir resumir muito do meu modo de caminhar. Penso que é possível acolher as pessoas, e todo conhecimento que nos chega, sem abrir mão das próprias convicções. Essa postura aparece em meus textos e, talvez por isso, espero que toquem leitores de diferentes crenças.

Assim sendo, continuo escrevendo, com a alma aberta, mas buscando ser, ou pelo menos me aproximar o máximo possível da delicadeza de quem oferece uma reflexão, e não uma sentença. É justamente essa forma de ser e escrever que trago junto,  um convite ao diálogo, e não à divisão.

Paz e Bem.

By MângelaCastro: 26/7/2026

domingo, 26 de julho de 2026

SERENIDADE NO ENTARDECER DA IDADE ... RETROSPECTIVA DA VIDA!

 "A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.(Romanos 5,5)

Há escritos que o tempo não apaga. Apenas lhes acrescenta significado. Hoje compartilho uma página do meu caderno de 1983, onde a esperança já aprendia a florescer. 🌿

Assim nasceram, Joias do Baú das Memórias

Olá, queridos e queridas.

Hoje tomo a liberdade de compartilhar um pouco da minha intimidade. Lá nos idos de 1983, jovem ainda, com muitos sonhos e desejos à flor do coração, a vida parecia florescer ao meu redor. Uma nova etapa estava nascendo. Recém-casada e, em meio às incertezas do futuro, escolhi viver apenas aquele sutil momento.

Quantas tardes primaveris já vivenciei ao longo da vida! Neste meu entardecer da idade, muitas ficaram para trás, mas uma, em especial, permaneceu guardada na memória, preservada em uma simples folha de caderno.

Foi numa tarde de novembro, quando as emoções borbulhavam dentro de mim e tudo parecia querer brotar das profundezas da alma, que tive um encontro comigo mesma. Hoje, relendo essas singulares palavras, tenho a certeza de que, naquele instante, algo maior do que eu me impelia a tomar uma folha de papel para escrever.

Na verdade, isso já havia se tornado um hábito. Escrever era a maneira que encontrava para não somatizar tanto os desafios do dia a dia, afinal, quem não os tem? A diferença está em aprender a lidar com eles e procurar resolvê-los da melhor forma possível.

E, como uma suave brisa, um soneto brotou do meu coração. Parecia surgir dos recônditos adormecidos da alma como um sopro de esperança.

Serenidade... Era exatamente assim que eu me sentia naquele momento. Então escrevi:

No borbulhar da emoção,
expresso a alegria da paz.

Meu corpo sereno
acalenta a mansidão
de um olhar lânguido,
de tristezas que jazem.

E o soneto do sopro
da esperança; brota vívido.

Sinto o beijo
da brisa suave
que me acaricia,

acalenta, acalma a alma,

na gostosa tarde de primavera.

Chega de mansinho o desejo

de sonhos, e que sejam meigos,
de doces ilusões do amor,

os quais, ali naquele momento,
viriam.

Como na singeleza da vida,
na pureza de uma criança,

que meu ser implorava
e sempre pedia...

Não se perca da esperança!

Franca, 04 de novembro de 1983 – 14h35.

Relendo essas simples palavras, percebo quase um percurso interior. É como se eu saísse da agitação de um borbulhar de emoções e chegasse, passo a passo, à serenidade. O título, portanto, não é apenas um nome: é o destino do poema.

Ao revisitar meus guardados, hoje um pouco empoeirados, com folhas já amareladas pelo tempo, percebo o valor que cada uma delas carrega. Guardo-as com carinho, pois não são apenas lembranças: são as primeiras páginas de uma primavera interior.

Tudo começou com um conselho que recebi, por volta de 1975. Ao buscar alívio para as inquietações daquele tempo, um sacerdote, quase em segredo, me aconselhou:

"Escreva, Maria. Passe para um caderno, como se fosse um diário, os pensamentos que lhe chegam."

Foi assim que a jovem Maria começou a escrever para aliviar a alma, buscando respostas e tornando-se cúmplice de cada momento vivido.

Assim sigo ainda hoje: escrevendo. Agora, porém, compartilhando essas palavras com o sincero desejo de que elas também possam aliviar ou inspirar o coração de quem as lê.

É claro que, às vezes, as palavras podem incomodar. São como sementes sendo remexidas na terra que as abriga. Talvez, num primeiro momento, não façam sentido, pois cada leitura é profundamente pessoal. Muitas vezes questionamos; outras, como diz o jargão popular, "demora para cair a ficha". E isso faz parte, principalmente quando algo toca as profundezas da alma ou desperta sentimentos que permaneciam escondidos — por medo, insegurança ou simples necessidade de proteção.

Cada um possui seu tempo interior.

Mas chega o momento em que é preciso permitir que as emoções floresçam, como flores de um jardim. Algumas trazem espinhos; outras exalam perfumes delicados. Assim como nós possuímos nossa própria identidade,  elas também possuem sua própria tonalidade, sua beleza e sua razão de existir. Também isso faz parte da lei natural da autopreservação e evolução natural de todas as coisas sob a Onisciência de Deus - (Isaías 46:9-10:). O importante é cultivar nossos jardins interiores, respeitando os divisores de águas que a própria vida nos apresenta.

E isso, minha amiga, meu amigo, pode ser apenas um desenrolar do tempo. Não porque algo tenha deixado de amadurecer, mas porque ainda repousa no aconchego da alma, maturando silenciosamente, como um bom vinho preservado nos tonéis da vida.

Hoje vivo o entardecer da idade, mas continuo preservando o doce sabor da esperança que já habitava aquela tarde de 4 de novembro de 1983.

Ela permanece jorrando palavras como a nascente que desce pelas encostas, regando as sementeiras e conduzindo as águas da vida. Às vezes serenas, outras vezes turbulentas, como um vendaval, mas sempre seguindo seu curso natural, até encontrarem, um dia, o grande oceano da Vida... onde, enfim, todas as almas encontrarão a cura. Posto que, sem perder a esperança, acreditemos que: ___

"Na velhice darão ainda frutos, serão viçosos e florescentes."
Salmo 92,14

Paz e Bem.

By MângelaCastro — 24/07/2026


Enviado por MângelaCastro em 26/07/2026
Código do texto: T8682587
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sábado, 18 de julho de 2026

AVE_ NINHO! COM O CHEIRO DAS ÁGUAS O CAULE SECO RESISTE!

"Nem sempre a vida floresce onde esperamos. Às vezes, ela apenas encontra abrigo onde ninguém mais enxerga valor." 🌿🕊️

Na semeadura da Terra, somos vidas germinativas.

"Ao cheiro das águas brotará e dará ramos como planta nova." (Jó 14,9)

Convenhamos, caríssimos: que imagem bonita e cheia de simbolismo! Ela nos recorda que até aquilo que parece ter perdido a vida ainda pode servir ao propósito para o qual foi criado.

Tão cativante e inspirador foi esse instante que dele nasceu um pequeno verso:

Quando o caule seco resiste
ao rigor do tempo e da estiagem,
torna-se pouso seguro para a avezinha.

Enquanto vigia, faz-se sentinela
do ninho erguido sobre o beiral.

Assim também é a esperança:

onde muitos enxergam apenas o fim,
D'us ainda prepara um refúgio para a vida.

Instantes anunciantes, revelados pelo canto,
são sinais de vida nascente.

Sob seus cuidados,
há naquele lugar um ninho
repleto de vida.

É a natureza nos ensinando que até aquilo que parece inútil ainda pode sustentar a esperança.

Assim:

"A vida não mede o valor pela aparência do tronco, mas pelo amor que ele ainda consegue sustentar." 🌿🕊️

Eu simplesmente poderia ter arrancado o caule seco, e ter jogado fora, mas escolhi continuar lhe oferecendo água, carinho e esperança. Porque, na verdade, o que parece seco aos nossos olhos muitas vezes continua servindo silenciosamente à obra da criação. Quantas pessoas, marcadas pelo tempo, pelas perdas ou pelas dificuldades no seu cotidiano, imaginam já não possuir utilidade alguma? Entretanto, continuam sendo abrigo, conselho, presença, exemplo e sustentação para outras vidas.

¹ Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e um Renovo brotará das suas raízes. (Isaías 11)

"O mal da sequidão do coração, pode até secar os galhos da vida, o que ele não sabe é que não alcança as raízes. Onde o amor continua regando, Deus sempre prepara um novo broto." 🌱

O caule resiste. A ave confia. O ninho floresce.

E a vida segue seu curso, ensinando-nos que respeitar a existência em todas as suas formas é reconhecer que cada ser tem um propósito, mesmo quando já não exibe o vigor dos dias mais verdes. 

"A vida não mede o valor pela aparência do tronco, mas pelo amor que ele ainda consegue sustentar."

E Jó nos lembra que, mesmo quando o tronco parece morto, Deus ainda vê nele possibilidade de vida.

Outro que considero belíssimo é:

"O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro do Líbano. Na velhice ainda dará frutos, permanecerá viçoso e verde."
Salmo 92(91),13-15

Esse salmo amplia a ideia de que o valor da vida não está na aparência ou na juventude, mas na capacidade de continuar dando frutos.

Paz e bem... Respeito à vida é o que a todos convém.

By MângelaCastro – 18/7/2026

sexta-feira, 17 de julho de 2026

QUANDO A VIDA DESPERTA, TUDO SE TRANSFORMA ...


Bom dia meus "amorecos"😉 

___É isso mesmo...até onde os olhos veem esterilidade, Deus semeia esperança. ___


Veja, bem! 
Sermos lembrados, seja na data que comemora-se o dom da vida, ou de alguma outra data importante para nós outros, é um dos presentes mais preciosos que podemos receber. Não só pelo valor de um abraço, de uma mensagem ou de uma lembrança, mas principalmente, porque cada gesto nos recorda que nossa vida também floresceu no coração de alguém."

E assim no dia que comemorei meu aniversário, ganhei flores, de meu filho e minha nora, resolvi colocar um vaso em uma sala e o outro em outra, para que minhas duas salas, ficassem floridas, com um pouco mais de vida, e recebessem o suave perfume aromatizando todo o ambiente, ambos próximos às janelas. A princípio imaginei que receberiam praticamente as mesmas condições de cultivo. Contudo, com o passar dos dias, comecei a notar pequenas diferenças.

A primeira orquídea recebia apenas a claridade que atravessava a vidraça e uma suave brisa da janela entreaberta. Suas flores continuavam belas por algum tempo, mas o caule floral começou lentamente a perder o vigor até secar completamente.😓

Já a segunda permanecia próxima de uma janela também. e voltada para o sol da manhã. Recebia luz e calor com um pouco mais de intensidade, embora de forma indireta, e mais intensa nas primeiras horas do dia, quando o calor aumentava, bastava fechar parcialmente a cortina para que a claridade permanecesse suave, como se estivesse protegida pela sombra frondosa de uma árvore, que com o passar das horas o sol vai dando um rolê ao seu entorno, e se fazendo ameno.

Percebi que essa pequena diferença fazia grande efeito. Embora as flores também fossem caindo naturalmente, presenteando o chão com suas flores e perfume, como acontece naturalmente na natureza, suas folhas permaneciam verdes, fortes e cheias de vida.😃

Foi então que uma reflexão brotou em meu coração.

Na natureza, raramente duas vidas reagem exatamente da mesma forma às mesmas circunstâncias. Cada ser possui seu tempo, sua necessidade e sua maneira de responder à luz, ao calor, à água e ao ambiente.

Talvez conosco também seja assim.

Há momentos em que acreditamos estar oferecendo o melhor de nós e, ainda assim, certas situações parecem perder o vigor, demostrando não tão gratas, mesmo recebendo o necessário. Outras, porém, parecem aguardar no tempo. e seguem mais resistentes quando recebem a luz adequada, o calor do amor, a sombra necessária para descansar e o tempo de amadurecer.

Nada permanece igual para sempre.

A própria criação nos ensina que viver é transformar-se.

Enquanto contemplava minhas orquídeas, recordei-me de outra imagem igualmente surpreendente.

Durante muitos anos, o Mar Morto, várias vezes citado na bíblia, foi conhecido como um lugar praticamente sem vida, devido à sua altíssima concentração de sal. Entretanto, com o recuo de suas águas provocado principalmente pela diminuição da vazão do rio Jordão — consequência do uso intensivo de suas águas pelas populações da região — começaram a surgir sumidouros que revelaram nascentes de água doce. Em alguns desses locais apareceram vegetação, microrganismos e até peixes, fenômenos que despertaram grande interesse de pesquisadores.

Ezekiel 47:8

Então, me disse: Estas águas saem para a região oriental, e descem à campina, e entram no mar; e, sendo levadas ao mar, sararão as águas.

Para a ciência, trata-se de uma explicação ligada às transformações ambientais e geológicas da região.

Para a fé, esses acontecimentos também nos convidam à contemplação.

Ainda o profeta Ezequiel, há mais de dois milênios, descreveu uma visão na qual águas vivificadoras restaurariam lugares antes considerados estéreis (Ez 47,1-12). Não cabe a nós afirmar que toda mudança observada seja, necessariamente, o cumprimento literal dessa profecia. Contudo, é impossível não recordar as palavras da Sagrada Escritura quando vemos a vida florescendo onde antes reinava a aridez. Assim às vezes tornamos alguns de nossos momentos, talvez por questões que fogem de nosso controle, deixamos o coração árido, precisando ser reflorestado por pequenas partículas de amor, ternura, afeto, vindos de outros corações mais harmoniosos, amorosos ...

Talvez a maior profecia não esteja apenas na transformação de um lugar distante, mas na possibilidade de transformação do próprio coração humano.

Se Deus pode fazer brotar vida onde parecia haver apenas sal e esterilidade, quanto mais poderá restaurar uma alma abatida, uma esperança perdida ou um coração ferido.

Jesus também nos recorda:

"Nada há de encoberto que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a ser conhecido." (Lucas 12,2)

A natureza, misteriosa como a fé, silenciosamente, mesmo escondendo vida, microrganismos no profundo e escuro oceano, continua anunciando essa verdade, no tempo certo e adequado, serão revelados.

O que hoje parece seco pode florescer novamente.

O que julgamos perdido pode renascer.

O que parecia morto pode despertar para uma vida nova.

Assim como cada amanhecer renova a criação, Deus continua renovando, dia após dia, aqueles que permanecem abertos à Sua luz, ao Seu amor e à Sua ternura.

"A maior transformação não acontece nas águas do "Mar Morto" ou nas violetas, orquídeas sob a janela, mas nas profundezas do coração humano. Quando permitimos que a Luz de Deus nos alcance, até o deserto da alma, aprende novamente a florescer."

By Mângela Castro - 16/7/2026

quarta-feira, 15 de julho de 2026

QUANDO A LUZ FAZ DESAPARECER O QUE A NOITE ESCONDIA.

Há respostas de Deus que chegam em silêncio...

Depois de uma madrugada inquieta, encontrei, no amanhecer, uma palavra que transformou meu coração. Talvez ela também seja para você.

🌿 Leia a reflexão completa no blog.


Há dias em que a noite parece insistir em revisitar gavetas da memória que gostaríamos de manter fechadas. Os pensamentos chegam sem pedir licença, interrompem o sono e, por instantes, parecem maiores do que realmente são. E nessa luta com meus "íntimos demônios": Escolhi não dialogar com eles, mas sim escolher o amanhecer que já se anunciava mansamente, nessa fria manhã julina.

Essa pequena decisão interior, em que ditava algo mais forte dentro de mim: — "livre-se desses pensamentos, durma mais um pouco, porque o dia já está se aproximando" — já era, por si só, que esses sórdidos pensamentos aliados à noite que se fazia deles comparsa, não teria a última palavra.

O dia amanheceu ensejando paz! Depois vieram o café quentinho, o pão na chapa, a Santa Missa... Pequenos gestos tão simples, mas que Deus costuma usar para reconstruir silenciosamente o coração. Você que leu minha reflexão de ontem,  ou se não leu, volte a página e o faça por favor, irá se lembrar que na manhã de ontem eu estava "afogada", mergulhada, no silêncio...Entendo hoje como uma silente e íntima preparação. Muitas vezes esperamos grandes sinais do céu, quando Ele começa sua obra justamente nessas delicadas rotinas que devolvem paz ao espírito, aumentando nossa fé, nossa esperança de vida  nova.

Assim mansamente, aconteceu algo que, para quem vive a fé, não é mera coincidência: Abri logo em seguida, uma página e encontrei exatamente a reflexão sobre a ação do Espírito Santo em nossa vida. Me arrepiei!

O trecho que encontrei foi profundamente significativo, caiu como uma "luva em minhas mãos", aumentando a minha fé:

"E, quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo." (João 16,8)

Veja, bem: ___Há uma diferença muito importante entre a culpa e a ação do Espírito Santo.

A culpa apenas acusa, prende ao passado, faz a pessoa acreditar que já não existe saída. Que aqueles nefastos acontecimentos em sua vida, não passarão! Ora, ledo engano!

O Espírito Santo, ao contrário, convence. Convencer significa iluminar. Ele mostra onde erramos, embora pareça sombra, noites traiçoeiras, em verdade, em verdade, aponta é o caminho da restauração, e isso torna-se tão bom, quando vemos acontecer em nossa rotina diária. Não humilha; convida. Não condena; transforma. Não fecha portas; abre horizontes.

Penso que talvez por isso meu coração tenha acolhido essa mensagem como uma resposta de Deus.

Deixo aqui uma frase inspirada e por mim transcrita, pois creio que nada nasce comigo se não enviada por anjos amigos em auxilio, fontes originárias do Espírito Santo, que merece ser guardada:

"...para quem tanto o corpo quanto a alma passa por grandes aferimentos para reconhecer os próprios erros, se curvar diante do Espírito Santo, e querer no fundo da alma a conversão necessária para poder seguir em frente." Ora,  mister é.

Perceba como ela conversa perfeitamente com o Evangelho de João. O convencimento do Espírito não termina no reconhecimento do erro; ele conduz ao desejo sincero de mudança. A verdadeira conversão não nasce do medo, mas do encontro com o Amor que ainda acredita em nós.

Enquanto eu lia essas palavras, lembrei-me de uma imagem muito simples.

Quando o sol nasce, ele não precisa discutir com a escuridão para vencê-la. Basta aparecer. A luz faz desaparecer aquilo que a noite escondia. Como uma criança guardada no escuro e silencioso abençoado ventre materno, passado o tempo da germinação, dá-se à luz...

Assim também age o Espírito Santo.

Acredito nas Palavras Gloriosas de Jesus, que Ele não entra em nosso coração travando uma batalha ruidosa contra nossas lembranças dolorosas. Ele simplesmente vai iluminando, pouco a pouco, cada canto da alma. O que antes parecia apenas culpa transforma-se em aprendizado; o que era ferida começa a tornar-se cicatriz; o que parecia fim revela-se um novo começo.

Talvez estas manhãs nascidas comigo tenham me ensinado exatamente isso.

Acordei nessa manhã, carregando inquietações da madrugada, e ao entregar minhas intenções para o Espírito Santo de Deus durante essa missa, já no íntimo de min'alma e fé,  esperava que antes mesmo dela terminar, receberia uma resposta que falaria justamente sobre Aquele que consola, fortalece e conduz à conversão a quem precisa, e tudo há de se renovar para melhor em nossas vidas e para quem pedimos de coração e boa vontade.

Que bela pedagogia de Deus...

Se me permite, deixo-lhe uma pequena reflexão que acredito combinar muito com esse amanhecer de hoje, e pode ajudar-te também, a encontrar sua própria fé na esperança de que o Espírito Santo de Deus está agindo em nós, mesmo que doam as farpas que nos ferem a alma e nos faz sangrar por dentro:

Deus costuma esperar pelo amanhecer.

Quando escolhemos não alimentar a tristeza e entregamos nossas preocupações em Suas mãos, o Espírito Santo começa a agir silenciosamente. Ele não vem para acusar, mas para iluminar. Não nos recorda os erros para nos humilhar, e sim para mostrar que existe um caminho novo.

Convencer do pecado é revelar que a misericórdia é maior do que qualquer queda. É despertar no íntimo da alma o desejo sincero de recomeçar.

Assim como a luz do sol dissolve naturalmente a escuridão da madrugada, a presença do Espírito Santo vai dissipando os medos, fortalecendo a esperança e restaurando o coração.

Quem se deixa conduzir por Ele descobre que nenhuma noite é eterna quando Deus prepara um novo amanhecer.

Paz e bem.

By MângelaCastro - 15/07/2026





terça-feira, 14 de julho de 2026

NOVA TERRA, NOVA HUMANIDADE DESPERTA ...

 "Deus não cria para o vazio, mas para a plenitude'

No silêncio que me afogo nessa manhã, permito que essa reflexão não nasça do medo do fim, nem tão pouco da punição, e sim da confiança na continuidade da vida com total dignidade humana.

Pois sim, por mais difícil que nos seja compreender os tempos atuais, a vida transborda em cada instante como fonte inesgotável do amor que tudo cria, sustenta e renova, estamos em constante transformação, como libélulas em seu casulo. Somos peregrinos do tempo, chamados a renascer em cada amanhecer, descobrindo que nossa verdadeira força não está naquilo que possuímos, mas na centelha divina que habita em nós.

A Nova Terra não representa o fim da criação de Deus, mas o seu pleno florescimento. O Criador não abandona Sua obra; Ele a conduz, pacientemente, rumo à plenitude. Assim como a semente se transforma em árvore sem perder sua essência, também a humanidade é convidada a amadurecer espiritualmente, tornando-se mais consciente, mais fraterna e mais semelhante ao Amor que a originou. E talvez pela nossa imperfeição, sofremos um "cadinho" mais para cumprir o objetivo da verdadeira criação. Chegar à perfeição!

Talvez a grande transição planetária comece, antes de tudo, não em tempo marcado pelo relógio, mas dentro de cada coração. Cada gesto de misericórdia, cada escolha pelo bem, cada olhar de compaixão já anuncia esse novo horizonte. A renovação da Terra começa na renovação do ser humano.

Ainda que venham tempos de provações, como tantas vezes aconteceram ao longo da história, não caminharemos sozinhos. Nossa esperança repousa naquele que faz novas todas as coisas e cuja obra permanece para sempre (Apocalipse 21:5). O amor de Deus não conhece extinção; transforma, restaura e eterniza.

Quem viveu intensamente, semeando bondade e cumprindo com fidelidade sua missão, já venceu o tempo, e com alegria. Descobre que a eternidade não começa depois da vida, mas floresce em cada instante vivido com amor.

Vejo, pela fé, um novo paraíso despontando no horizonte. Não um lugar distante, mas uma humanidade desperta, reconciliada com Deus, consigo mesma, com o próximo e com toda a criação. Quando nossos corações aprenderem a amar sem medida, compreenderemos que a Nova Terra já começou a nascer entre nós.

"Sinto no meu coração, que mesmo diante de tantas intempéries, vicissitudes, devassidão, que nosso Criador, quer que sobrevivamos a nós mesmos, para reflorestar as estrelas de nossa beleza inimaginável de puro amor e luz."

Busco passar com esse pensamento uma imagem extraordinária, sim! "Sobreviver a nós mesmos" significa para mim, deixar morrer o egoísmo, o orgulho, a violência, a arrogância, o medo, posto que precedidas da insatisfação, trazem consigo, a separação do amor, assim sendo, tudo isso acontece para que permaneça aquilo que Deus plantou em nós desde o princípio, para que possamos depois de tudo, continuar "Reflorestando as estrelas;" imagine você, seja essa, uma metáfora de rara beleza, como se cada alma renovada devolvesse luz ao universo.

Porque tudo o que nasce do Amor não fenece. Permanece para sempre.

Finalizo essa postagem ensejando meu parco entendimento, mas que pode auxiliar na condução de estudos e reflexões catequéticas, independente de crenças religiosas, filosóficas e ou morais do ponto de vista social: ___

"Na tradição cristã, especialmente a partir das cartas de São Pedro e do livro do Apocalipse, a expressão "Nova Terra" não costuma ser entendida como Deus desistindo de Sua criação para começar outra completamente diferente. Pelo contrário, ela aponta para a renovação definitiva de toda a criação. Assim como Cristo ressuscitado conserva sua identidade, mas glorificada, também a criação é apresentada como sendo libertada da corrupção para participar da plenitude de Deus. Essa esperança também aparece na carta aos Romanos (8,19-22), quando toda a criação "geme" aguardando sua libertação".

Paz, bem e luz.

By MângelaCastro - 14/7/2026


domingo, 12 de julho de 2026

NASCI DO AMOR...SAUDADE QUE MORA DENTRO


Tem riso de criança .....  

#OndeMoraASaudade #NasciDoAmor #MemóriasQueFlorescem #InfânciaEterna #EntreTrilhosERios #CoraçãoMineiro #AmanhecerDaVida #ReflexãoNoAmanhecer de uma alma resiliente no tempo que insiste por aqui permanecer, sim, do lado de dentro.

"As lembranças não voltam para que vivamos outra vez o passado. Elas voltam para nos mostrar que aquilo que foi vivido com amor nunca passou. Apenas mudou de morada. Antes habitava os caminhos. Agora habita o coração'. "E como ouvi dos lábios palavras nascida do coração de um amigo, como um pisca alerta para os viajantes que chegam ____quando você conhece-la, sua vida nunca mais será a mesma"... Esta pequena prosa poética, é também para você, que sabe bem a quem me refiro, pois este é seu pensamento... É como brisa que chega depois da seca, pois caminho sob a aliança como bem nos enseja o Salmo de Davi. Não peço acesso, ele, o céu, já está aberto sobre nós agora... O Senhor não fechou as comportas...

Que amanhecer bonito que por aqui chegou, cheio de memórias, palavras, histórias contadas, cantos e cantigas, que fazem balouçar no balanço de meu aconchego de criança, e dói como arranhão de joelho ralado, mas passa com o simples gesto de um beijo, que adoça como o melado de cana caiana, uma vívida vida de criança... e muito mais que memórias sentidas, é uma história que pede respeito. Sim, meus amores e este é um deles. Nessa memória tem o perfume de terra molhada, o apito da Maria-Fumaça, o calor do colo materno e a saudade que não fere, não tem preço, só apreço: que cresce e amadurece.

Essa é uma prosa poética, que suspira e respira saudade de um tempo cuja história guardada na memória, não tem idade, e embora longe, mora perto, tão perto, porque mora dentro dessa criatura que a escreve ... Tudo é benção, é amor, é coração de uma eterna amante, pulsante, fora e dentro de mim .... Sentida morada, aqui,👇 onde nasci, e tal qual minha memória e saudade, ela ainda resiste aos tempos, e aos fortes ventos ...

E esse tempo arado pelo vento da memória, o início de toda uma história, um destino interrompido, mas, não desaparecido, porque foi e continua sendo trabalhado pelo amor, que se apresenta como um campo aberto e sonhado, nasceu a partir deles...


Hoje amanheci assim...

Cantarolando uma antiga cantiga: "Criança Feliz..."

E uma saudade acordou comigo.

Não é uma saudade que machuca como uma ferida aberta. É uma saudade que faz cócegas no coração. É dor de amor.

Olho esta paisagem e sinto que ela guarda lembranças de antes mesmo d'eu nascer, da minha chegada àquela terra boa mineira, banhada pelas águas do Rio Grande. Vivi ali apenas quatro anos. Logo depois, nosso pai partiu para a eternidade, para sua, e nova jornada estelar.

Quatro anos tive ao seu lado... Para muitos, tão pouco. Pobre criança! Para uma alma, tempo suficiente e tão intenso, para plantar raízes que jamais seriam arrancadas.

Hoje compreendo que a separação é apenas um momento. Na eternidade, nada do que nasce do amor se perde. Tudo permanece.

Essa saudade que às vezes dói como espinho na carne também perfuma como aroma de flor. É puro amor. Talvez hoje mais próximo do que nunca, porque já não está do lado de fora. Mora dentro de mim.

Sou grata.

Mesmo tendo vivido tão pouco naquela terra, ela merece esta singela homenagem, porque meus pais, meus avós ali nos fizeram seres indomáveis, amorosos, irmãos fraternos, eternos agora, em nossa memória. Saber agradecer é um dom de Deus. É um tom suave e profundo, tão forte quanto os ventos que trazem de volta as lembranças da infância, e nos concede infinitas possibilidades de vida. Em terra de abundância as sementes ali plantadas não morrem, favorecem a vida, e vida que germina, cresce, floresce para sempre...

As lágrimas que escorrem nesse momento, não vêm apenas dos olhos. Parecem nascer das águas do Rio Grande, como um aguaceiro que tem cheiro de terra molhada, de rocha que serve de assento, de afeto, ternura e de memória, que faz brilhar os olhos no por do sol, frente a um arrozal que brota às margens de um rio caudaloso, pelo nosso pai plantado, ____"é maravilhoso", dizia minha mãe, ficava todo dourado, os ventos os balouçavam e sua folhas reverberavam como sombras sobre as água luzidias pelos raios do sol que já se ia dar um rolê do outro lado do mundo, todo 'nda desconhecido.

Tudo desperta.

Vejo, pelas histórias contadas por nossa mãe, a minha chegada àquela terra de verdes prados, abraçada pelo Rio Grande, pelas várzeas onde o arrozal dourado brilhava ao sol e que, mais tarde, seria fonte do nosso alimento.

Conta-me minha mãe, com um olhar que parecia alcançar horizontes distantes:

— Imagine você uma tarde de 29 de junho. O frio acariciava a pele. O sol já se despedia, aquecendo a paisagem pela última vez antes de entregar, em gratidão, seu lugar à noite. Mas a noite, toda estrelada, também parecia querer participar daquele momento único.

Ali estava ela, sentada à beira da plataforma da estação. Uma jovem mãe, sonhadora, com a delicadeza de uma moça brejeira, carregava no ventre uma criança que ainda não conhecia o mundo. Parecia apenas esperar o tempo cumprir seu curso.

Mas Deus tinha outro compasso.

Como uma reviravolta inesperada, seu corpo inteiro estremeceu. Algo lhe dizia que aquela criança havia decidido antecipar sua chegada. E ela veio...

Chegou chegando.

Nada de mansidão.

Anunciou sua presença aos berros, como uma cabritinha recém-nascida, rompendo o silêncio daquela fria madrugada de inverno.

Era o fruto de um amor que florescia para a vida.

Poucos instantes depois, todo aquele choro encontrou repouso no colo da mãe e se aquietou no calor do leite materno, onde, pela primeira vez, o mundo teve cheiro de aconchego, de amor e de lar.

Na madrugada fria, nasce aquela menina.

Menina prosa.

Tão prosa que, ainda pequena, já transformava travessuras em versos, como se a poesia tivesse aprendido seu nome antes mesmo de ela aprender a falar.

Corria pelos campos com o riso solto. Viajava para longe olhando a pradaria pela janela do trem, com as fagulhas queimando suas mãos e abrindo buraquinho no lindo vestidinho. A Maria-Fumaça seguia lentamente, como quem sabia que certas paisagens não devem ser atravessadas depressa.

A rama verde ficava para trás, enquanto o tempo parecia caminhar devagar.

Ali havia um silêncio amigo.

O vento diminuía o passo.

E o amor corria livre.

Hoje, talvez alguém pinte essa paisagem sobre uma tela e a chame de natureza morta.

Mas ela nunca morreu.

Continua viva dentro da menina que fui.

Mais viva do que muitos imaginam.

Porque a verdadeira morada nunca foi aquela casa, nem a estação, nem os trilhos do trem.

Sempre foi a alma.

E tudo aquilo continua habitando em mim.

Por isso, quando a saudade chega, ela não bate à porta.

Ela apenas desperta.

Porque agora mora bem aqui dentro.

E permanecerá para sempre.

Em um abraço de enlaço eterno.

Agora, só um aparte: ____😊

Talvez tenha sido por isso que, desde o primeiro instante, aprendi que a vida não caminha no relógio dos homens, mas no compasso do amor."

Creio que essa frase une o nascimento dessa menina à mulher que hoje te escreve. É como se toda a sua trajetória já estivesse, de alguma forma, anunciada naquela fria madrugada de junho.

Com sua devida licença, continuarei escrevendo, Pois quando narro essas memórias, não conto apenas a minha história; mas sim, eu preservo um pedaço da história de tantas famílias do interior de Minas e de São Paulo onde cresci e amadureci, num vai e vem sem fim, onde as estações de trem, os arrozais, os rios, o peixe da pesca sobre a mesa, e as vozes das mães se tornaram parte dessa memória afetiva de um Brasil que ainda vive no coração de quem o experimentou, e ainda experimenta. Somos vida pulsante entre natureza e gente.

MângelaCastro - 12/7/2026


sábado, 11 de julho de 2026

"A ARTE DE IMITAR O MESTRE: ___É PRECISO TRANSFORMAR: JESUS, O GRANDE CATEQUISTA DA HUMANIDADE


Lucas 11,10

"Porque todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, a porta será aberta."

Nem sempre compreendemos de imediato como Deus responde às nossas orações. Ainda assim, não devemos desistir do bem nem da missão que Ele nos confiou.

Fomos plantados nesta terra como sementes chamadas a germinar, florescer e produzir bons frutos. Em Jesus encontramos a força para viver as transformações necessárias e ajudar a renovar nossas famílias, nossas comunidades e o mundo.

Toda verdadeira transformação começa primeiro no coração. Transforme-se, e o mundo começará a transformar-se com você.

Nesta manhã de sábado, despertei com o coração profundamente agradecido. Depois do necessário repouso do corpo, percebi, mais uma vez, que a alma permanece desperta, aprendendo e recebendo inspirações.

Na noite anterior, vivi uma experiência muito significativa em sonho. Vi dois queridos amigos, hoje já pertencentes à Pátria Celestial. Ambos haviam presidido, em momentos distintos, uma pequena e simples casa de oração, dedicando suas vidas aos ensinamentos de Jesus e ao exercício da caridade junto à comunidade.

Enquanto acompanhava uma reunião, compreendi que o presidente mais antigo daquela instituição voltou-se para mim e disse serenamente:

"É necessário que ocorram transformações dentro das comunidades."

Apreensiva, respondi:

"Sim, entendo... mas não será fácil realizar esse trabalho catequético."

Então ele concluiu, com firmeza e serenidade:

"Sim... mas é necessário que se faça."

Despertei com essas palavras gravadas na memória e imediatamente senti que deveria transmiti-las a uma amiga em comum, também comprometida com essa missão. A mensagem precisava chegar; o trabalho, porém, pertence àqueles que continuam servindo.

Ainda envolvida pelo silêncio generoso dessa manhã — quando até os pássaros parecem recolhidos — acompanhei a Santa Missa da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, celebrada na Paróquia Nossa Senhora da Divina Providência.

Na festa de São Bento, a comunidade recebeu o Coral da Capela Sistina, vindo de Roma especialmente para esse Congresso, formado por crianças, jovens e alguns adultos, juntamente com a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, vinda do Pará, por ocasião do Congresso de Catequistas naquela Arquidiocese, inúmeros deles, delas, ali estariam reunidas sob as bençãos de Maria, para receberem as instruções necessárias à sua valorosa missão com Jesus Cristo.

O tema central era justamente a Iniciação à Vida Cristã.

Tive a graça de participar dessa missão junto à comunidade de catequistas da Paróquia São Benedito, em nossa Diocese de Franca. Após a devida preparação, compreendi que evangelizar exige muito mais do que transmitir conhecimentos: requer disposição para acompanhar as transformações da sociedade, sem jamais perder a fidelidade ao Evangelho.

Foi um tempo de profundas e necessárias mudanças interiores, vivido exatamente quando delas eu mais precisava. Guiada pelos subsídios das edições Paulinas, participei da formação de jovens e adultos, procurando compreender que a Catequese prepara discípulos missionários para viverem o Cristianismo em suas famílias, em suas comunidades e na sociedade.

Acredito que toda pastoral é chamada a caminhar com seu tempo, discernindo os desafios tecnológicos, sociais, filosóficos e morais que surgem a cada geração. Renovar métodos não significa mudar o Evangelho; significa encontrar novas formas de anunciar a mesma Boa-Nova de Cristo ao coração humano.

Porque a fé que não se traduz em acolhimento, compaixão, serviço, fraternidade e compromisso com o bem comum corre o risco de permanecer apenas nas palavras. É quando o ensinamento se torna vida que o Evangelho realiza sua verdadeira missão.

Como nos ensina a Carta de Tiago: (Tg 2,17), a fé sem obras é morta. Toda catequese que não se traduz em acolhimento, compaixão, serviço e compromisso com a comunidade corre o risco de permanecer apenas no discurso. O Evangelho floresce quando se torna vida."

Ao ouvir Dom Orani João Tempesta falar sobre a missão dos catequistas, recordei imediatamente o sonho da noite anterior. Para mim, não se tratava de coincidência, mas de uma delicada confirmação da Providência Divina, acho importante tomarmos conhecimento, que antes de toda preparação de cunho social, cristão, dentro da missionariedade de cada um, ela começa no top celestial, é bem isso mesmo, o telefone sempre toca de lá para cá, para que fiquemos atentos a tudo que nos chega.

Recordei também o tempo em que auxiliei a Catequese na Igreja São Benedito, acompanhando jovens e adultos em seus primeiros passos na fé. Ali compreendi que iniciar alguém na vida cristã não consiste apenas em transmitir conhecimentos religiosos. É ajudar a formar consciências, fortalecer valores morais, desenvolver o senso comunitário e despertar uma espiritualidade viva, capaz de transformar a sociedade.

Os excelentes materiais preparados pelas Irmãs Paulinas e toda a pedagogia catequética adotada em tantas paróquias mostram que evangelizar é formar discípulos conscientes de sua missão no mundo.

Ser catequista não significa apenas ensinar conteúdos. Significa testemunhar o Evangelho.

Ser catequizando também não é simplesmente preparar-se para receber um sacramento. É acolher o Espírito Santo para tornar-se discípulo missionário, levando Cristo à família, à escola, ao trabalho, aos amigos e a todos os ambientes onde a vida acontece.

Talvez seja justamente isso que o sonho procurava ensinar.

Toda verdadeira transformação nasce primeiro na espiritualidade. Antes de modificar estruturas, Deus toca os corações, e Jesus por várias vezes exemplificou aos seus amigos e apóstolos que antes de tomar qualquer atitude, se distanciava um pouco dos barulhos do mundo, para orar e ouvir o que Deus tinha para lhe falar, inspirar. Antes de renovar comunidades, renova pessoas. Antes de pedir, aprendamos a agradecer.

Inspiradas por seus santos padroeiros, pelas comunidades de fé e pela ação silenciosa do Espírito Santo, as mudanças começam no interior de cada um, como ventos que sussurram sobre as árvores e, pouco a pouco, alcançam toda a Igreja.

Jesus foi o primeiro e o maior Transformador.

Chamou homens simples, pescadores, cobradores de impostos e pessoas comuns, formando neles uma nova maneira de viver. Curou enfermidades do corpo, mas, sobretudo, restaurou as feridas da alma. Ensinou o perdão, a misericórdia, a fraternidade e o amor sem distinções.

Mais do que fundador do Cristianismo, Jesus tornou-se o maior Catequista da humanidade. Sua vida continua sendo o modelo perfeito para todos aqueles que desejam servir ao próximo.

Ser cristão não é viver preso ao passado, nem agir com radicalismo. É possuir um olhar renovado, capaz de enxergar as necessidades do povo e perguntar diariamente:

"O que posso fazer para ajudar minha comunidade?"

Essa pergunta continua ecoando através dos séculos.

Talvez seja exatamente essa a transformação que o Senhor ainda espera de cada um de nós.

Que possamos permitir que Cristo transforme primeiro o nosso coração para que, depois, através de nossas atitudes, também possamos ajudar a transformar o mundo.

Já aqui encerrando essa reflexão, e sob as bênçãos de Maria, Nossa Senhora, e Nossa Mãe, e inspirados por seus ensinamentos de fé e obediência, possamos continuar batendo às portas dos corações acolhedores, semeando a paz, a misericórdia, a compaixão e a caridade.

Que jamais busquemos exaltar nossa humanidade ou nossa própria sabedoria, mas que permitamos resplandecer, acima de tudo, a luz de Jesus em nós e através de nós, alcançando o coração do nosso próximo, ouvindo e seguindo , todas as orientações que chegam através da inspiração do Espírito Santo, posto que, Ele sabe bem como, quando e onde deve chegar. Aos sinceros e generosos de coração, aos mansos e pacíficos, aos que anseiam grandes e ou pequenas transformações em si mesmos, e aos de boa e eterna vontade, aos amorosos, fraternos e auxiliadores no bem comum.

 "___Assim como nas Bodas de Caná, quando Maria orientou os serventes: "Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jo 2,5), também hoje ela continua conduzindo seus filhos ao encontro de Cristo. O primeiro sinal realizado por Jesus não foi apenas a transformação da água em vinho; foi, sobretudo, o anúncio da grande transformação que Deus deseja realizar no coração da humanidade.

Veja bem, creio que esse último parágrafo, recordando aqui o primeiro milagre de Jesus à sua comunidade, me leva a terminar essa reflexão, exatamente nesse horizonte: ____" a transformação não acontece porque seguimos um (a) catequista, um sacerdote, sacerdotisa, diácono, diaconisa, ou uma comunidade como um todo, mas porque seguimos Jesus, guiados por Aquela que, desde Caná, continua observando nossas dificuldades, orientando e repetindo à humanidade: __ "Fazei tudo o que Ele vos disser." São essas as últimas palavras de Maria à humanidade, registradas nos Evangelhos. E, de certo modo, resumem toda a sua missão: conduzir cada pessoa até Jesus.

E em tudo o que fizerdes, dai graças!

(1Tessalonicenses 5:18)

Paz e Bem!



MângelaCastro - 11/7/2026

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