Paulo Sérgio, é o quarto agachado da esquerda para a direita, era exatamente assim que gostava de estar, entre amigos, e amigos é família, e foi assim a sua ultima viagem, entre família...
Quantos de nós já não nos deparamos em algum momento de nossas vidas, com essa pergunta: ___Será que eu não poderia ter feito mais? Ajudado mais? O que esse sonho tentou me dizer? Sim ...
Há sonhos que simplesmente passam por nós ao despertar. Outros, porém, permanecem. Não sabemos exatamente por quê, mas alguma coisa dentro de nós insiste em revisitá-los.
Foi assim comigo na madrugada do dia 11 de setembro p.p, pasmem, exatamente um mês do aniversário de nascimento de um dos meus primos.
Sim. Enquanto meu primo Paulo era socorrido, por volta das três horas da madrugada, eu sonhava que conversava com um médico amigo nosso aqui da cidade onde moramos. Eu lhe pedia, quase desesperadamente, que fizesse alguma coisa. Ele segurava nas mãos um pequeno bloco de folhas brancas, talvez um receituário, e me respondia:
— Nada mais a ser feito.
Eu insistia:
— Como assim, nada a fazer? ___Nada mais pode ser feito, reafirmou ele, até meio já nervoso com minha insistência, e me deixou ali meio que sem muito concordar com a sua resposta, tipo: __Como assim? No sonho eu me sentia incomodada, angustiada, porque eu queria que algo ainda pudesse ser feito, só que não!
O dia amanheceu e acordei ainda discutindo, em pensamento, com aquela resposta.
Como assim, nada mais a fazer? Por que? Para quem será que eu pedia ajuda àquele médico?
Depois do meu desjejum matinal, abri o WhatsApp. Ali estava a notícia enviada pelo pai de meu filho:
Alessandra me notificou: ___“Seu primo Paulo faleceu esta madrugada. Infarto fulminante. Nada pôde ser feito.”
Parei. O céu parecia desabar sobre mim naquele instante, o coração parecia que ia sair pela boca. Meu estômago se encheu de borboletas. Que susto!!! Miltinho tem dessas coisas, não é lá muito das práticas de psicologia para dar notícias, quase nos mata de susto rsss ...Entre surpreendida pela notícia, e para mim a resposta do sonho... inacreditável!!
As mesmas palavras. ____Nada pôde ser feito!___
E então fiquei diante de uma pergunta para a qual não tenho resposta: teria sido apenas uma coincidência do inconsciente, ou teria minha consciência percebido, de alguma maneira que desconheço, aquilo que estava acontecendo enquanto eu dormia?
Não sei. Só sei que eu não estava apenas dormindo, algo em mim permanecia desperto e buscando ajuda!
E talvez não seja necessário saber.
Prefiro deixar o acontecimento no território do mistério, onde algumas coisas da vida parecem pertencer.
Lembrei-me então de uma passagem do Evangelho de João, quando Jesus diz:
“É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado.”
(João 12,23)
Para Jesus, aquela “hora” apontava para a sua Paixão, morte e glorificação. Para nós, seres humanos, também existe uma hora que nenhum de nós conhece, mas que um dia chega.
E quando ela chega, há momentos em que realmente não há mais nada que a medicina, o dinheiro, a força humana ou a vontade dos que amam possam fazer.
Resta-nos então, orar.
Resta-nos entregar.
Resta-nos amar.
Paulo teve sua trajetória como todos nós temos. Foi jovem, jogou futebol com os amigos, foi por eles acordado em alguma manhã, com um suco e alguns pedaços de bolo carinhosamente ofertado por sua mãe, antes da partida de futebol, assim, foi também muito bem lembrado pelo amigo Gilson Paranhos, Paulinho da Anita, como era conhecido,
(Nessa foto uma das viagens esportiva com o amigo então já do outro lado da vida, João do Bidi, o da esquerda, quem sabe agora, estarão juntos contando novas histórias, novidades?)
Amigos que viajaram, namoraram, frequentaram a piscina do pequeno clube da cidade, João do Bidi, era nosso seresteiro, tocava violão e cantava belamente para as meninas, serenatas, debaixo de suas janelas, deixando nelas, uma flor, em altas madrugadas, foram a bailes, viveram intensamente como todo jovem na sua idade. Até que encontrou uma jovem que, juntamente com sua mãe, ajudou-o a enxergar a vida por outro ângulo. Foi então que sua vida começou uma nova etapa. Paulinho casou-se!
Não foi uma transformação sem relutâncias. Mas ele venceu sua íntima batalha.
Construiu uma família bonita e numerosa. Tornou-se marido, pai, trabalhador, companheiro. Continuou viajando, mas agora levando consigo aqueles que havia escolhido amar e proteger.
E talvez seja justamente essa a maior herança que alguém possa deixar: uma família que permanece unida depois que ele parte.
É bonito observar os jovens primos, amigos entre si, próximos uns dos outros. Como se a própria vida dissesse que uma família não se sustenta apenas pelo sangue, mas pelos laços que escolhemos alimentar.
Foi também assim que Jesus caminhou entre nós.
Passou pelas intempéries da existência como todo ser humano, da inocência de uma criança, pela puberdade e adolescência, até alcançar a fase adulta, e já nessa fase conheceu a dor, a incompreensão e a solidão, mas ensinou que a paz somente encontra morada onde existe amor uns pelos outros.
1 Pedro 4:8: "Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobrirá a multidão de pecados." Esses versículos enfatizam a importância do amor e da paz na vida cristã.
Assim, na sua humanidade, no domingo, exatamente no dia de Nosso Senhor, no dia 12, despedimo-nos de Paulo Sérgio com tristeza, mas também com gratidão, o entregamos em definitivo ao Pai Celestial. Como criança volta ao colo Paterno.

Talvez aquela viagem recente para a Europa com a sua família, aliás, era seu desejo que um dos amigos que tanto gostava e que fez parte de sua juventude, de passeios na praia, de futebol, e até os dias atuais, o Miltinho, também fizesse essa viagem com a família, que não foi realizada, por ordem de saúde, mas, esse desejo, quiçá, fica para uma próxima, e sem que ninguém soubesse, essa era a última despedida.
E talvez aquele sonho tenha sido apenas um sonho.
Ou talvez tenha sido uma dessas misteriosas manifestações da consciência que nos fazem parar diante daquilo que não conseguimos explicar.
Não tenho respostas.
Tenho apenas a certeza de que, quando chega a nossa hora, não podemos impedir a partida.
Podemos, entretanto, ter vivido de modo que aqueles que ficam encontrem em nossas lembranças alguma luz.
Paulinho da Anita, partiu.
Mas deixou uma história, uma família e muitas lembranças.
E toda essa demonstração de afeto, foi expressada através de presenças amigas, familiares, e muitas, muitas corbelhas de flores, esse será seu novo lar, o jardim do Bom Pastor, com aroma de amor, e das flores, como bálsamo para acalmar e elevar seu espírito ... Um perfume de almas ...
E quando chega a hora de voltar para aquela que nossa fé chama de Pátria Celestial, talvez o que realmente permaneça seja exatamente aquilo que Jesus nos ensinou:
O amor e a alegria que fomos capazes de oferecer enquanto ainda estávamos aqui.
E que console sua esposa Heloisa, seus filhos: Ana Paula, Amanda, Alessandra e Paulo Aníbal, seus nove netinhos, e todos demais genros, nora e familiares, e todos nós que hoje sentimos sua ausência, mas que ficará sua presença tatuada em nossa alma como boas e eternas lembranças.
Descanse em paz, querido primo-irmão Paulo Sérgio, pois fomos criados juntos, uma vez que seus pais foram também um pouco pais para mim e meus irmãos, tio Paulo, tia Ana, Vó Nicota, Vó Perina. Ficarão com certeza muitas boas recordações e agora, saudades. Sim. Dói muito!

BY MângelaCastro - 14\9\2026

