Olá, caríssimos!
Uma reflexão para quem aprecia revisitar suas atitudes e reavaliar suas posições nas relações humanas.
Boa leitura!
Veja bem, quando você lê ou ouve alguém dizer "amor sem limites", o que lhe vem à mente?
Talvez essa carta dialogue com seu coração...
"Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, considere cada um os outros superiores a si mesmo. Não cuide cada um somente do que é seu, mas também do que é dos outros." (Filipenses 2,3-4)
O que é "pick me girl". Recentemente lendo uma reportagem a respeito, me coloquei de lado para refletir"!
Mais do que discutir um rótulo, a reportagem me levou a refletir sobre um comportamento que, em maior ou menor grau, todos nós já presenciamos: o esforço exagerado para conquistar a aprovação ou a atenção de alguém, em vários setores de nossa vida social.
Na natureza, observamos cenas impressionantes de cortejo. Há aves que dançam, pavões que exibem sua exuberante plumagem, cervos que disputam entre si e inúmeras outras espécies em que os machos desenvolvem estratégias para atrair a fêmea, bem como há também uma briga por pertencimentos de espaços de convivência. Não há vaidade nem julgamento moral nesses comportamentos. Trata-se, em grande parte, de mecanismos naturais voltados à preservação da espécie.
O ser humano, porém, embora também carregue impulsos biológicos, possui algo que amplia sua liberdade: a capacidade de refletir, ponderar, escolher e atribuir sentido às próprias ações. Nossa inteligência, nossa consciência e nossos valores nos permitem ir além do instinto.
"Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará."
(João 8,32)
É justamente por isso que vale a pena perguntar:
Até que ponto o desejo de ser aceito pode nos fazer deixar de ser quem realmente somos?
A Psicologia nos mostra que todos necessitamos de pertencimento e reconhecimento. A Sociologia também revela que muitos comportamentos são aprendidos culturalmente. Não é raro percebermos pessoas que se vestem, falam, consomem ou vivem determinadas experiências muito mais em busca de aceitação social do que por verdadeira identificação.
Isso acontece com mulheres e homens.
Ao longo dos séculos, podemos ver e sentir na história que algumas mulheres gostam de se produzir para si mesmas. Outras para expressar sua personalidade. Outras, ainda, encontram satisfação em serem admiradas por seu grupo social. Da mesma forma, muitos homens também buscam reconhecimento por meio da aparência, da profissão, do patrimônio ou do status. Somos seres sociais e todos apreciamos ser valorizados.
O problema não está em cuidar de si ou desejar ser admirado.
O problema começa quando a necessidade de aprovação se torna tão intensa que passamos a representar um personagem para sermos aceitos, abrindo mão da própria identidade.
"O homem vê as aparências, mas o Senhor vê o coração."
(1 Samuel 16,7)
Sempre fui uma pessoa tímida. Nunca recorri a estratégias para conquistar um parceiro. Talvez porque sempre tenha acreditado que quem me amar deve faze-lo exatamente como sou.
Também nunca gostei da ideia de disputar alguém. Se um relacionamento chega ao ponto de um dos dois voltar constantemente os olhos para outra pessoa, talvez seja um sinal de que algo já não esteja tão inteiro entre eles. O importante é ter confiança em si mesmo, ser exatamente como é.
Então, por que competir? Por que me desgastar? Por que permitir que minha dignidade dependa da escolha de outra pessoa, ou da forma pensamento sobre mim?
Ninguém é propriedade de ninguém, ninguém nos conhece tão bem a não ser nós mesmos e o próprio D'us, portanto o que o outro pensa a nosso respeito merece ser questionado, filtrado, isso me faz bem? O amor não deveria exigir que representássemos um personagem.
"Acima de tudo, guardai o vosso coração, porque dele brotam as fontes da vida." (Provérbios 4,23)
Se alguém permanece em nossa vida, que seja porque encontrou motivos verdadeiros para ficar.
Se parte, talvez já não existissem raízes suficientes para sustentá-lo.
Mais do que ser escolhidos por alguém, talvez o maior desafio da vida seja aprendermos a escolher a nós mesmos, preservando nossa autoestima, nossa dignidade e nossa paz.
"Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei."(João 13,34)
É interessante notar que Jesus não disse: "Competi uns com os outros", nem "Buscai ser mais admirados". Ele apresentou um caminho completamente diferente: o amor que nasce da dignidade, do serviço e do respeito.
Essa reflexão também pode ser útil quando pensamos em relacionamentos marcados pelo controle, pela manipulação ou pela violência. Fortalecer a autoestima não significa responsabilizar quem sofre uma agressão; significa ajudá-lo a reconhecer o próprio valor e a compreender que ninguém precisa abrir mão da própria dignidade para merecer amor. A violência jamais encontra justificativa em quem a sofre — a responsabilidade é sempre de quem a pratica.
Na minha perspectiva de vida entendo que o verdadeiro encontro acontece quando duas pessoas podem ser exatamente quem são, sem máscaras, sem disputas e sem vencedores, se assim não for, não prospera.
Porque, no amor maduro, ninguém precisa vencer.
Ambos apenas caminham juntos.
Talvez o maior encontro da vida não seja encontrar alguém que nos escolha, mas reencontrar a pessoa que somos quando deixamos de viver para a aprovação alheia.
"Mais do que sermos escolhidos pelos outros, D'us nos chama a viver reconciliados com nossa própria identidade. Quem descobre o próprio valor aprende a amar sem competir, sem diminuir o próximo e sem perder a si mesmo."
Em verdade, somos como taça de cristal, frágeis, delicadas, e devemos muito bem dela cuidar para que não caia e se quebre...
E você?
Alguma vez já deixou de ser quem realmente era para ser aceito?
Quantas escolhas da sua vida nasceram do desejo de agradar aos outros, e quantas nasceram da fidelidade a si mesmo?
"Acima de tudo, guardai o vosso coração, porque dele brotam as fontes da vida." (Provérbios 4,23)
❤️ Paz e bem!
By MângelaCastro - 05\8\2026
