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sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Ponto de Vista. Nem lá, nem cá: as contradições na vida de um professor

 

Somos sempre vigiados por estudantes, familiares, colegas de trabalho ou gestores. É como se fôssemos artistas famosos, mas sem o glamour e a remuneração da fama, afirma Thailise Maressa, professora há 15 anos. A vida, de uma forma geral, é cheia de contradições. O paradoxal “Ser ou não ser, eis a questão…”, de Hamlet*, já mostrava que a vida sempre foi permeada de conflitos, e se você é um professor, então, essas contradições fazem ainda mais parte da sua vida e a transformam em um constante dilema.

Tudo começa antes mesmo de você se tornar um educador. Afinal, se você sempre sonhou em lecionar, você é visto como louco e julgam sua escolha como ruim; mas se você nunca pensou em ser professor e acaba na licenciatura, você é um indeciso que não sabia ao certo o que queria da vida e acabou optando pelo caminho “mais fácil”.

Já lecionando, a vida do professor vira um grande dilema em vários sentidos. Se temos práticas de ensino mais tradicionais, somos chamados de ultrapassados, e dizem que não sabemos fazer aulas interessantes por não acompanharmos a modernidade. Mas se somos inovadores e aplicamos metodologias ativas ao ensino, somos acusados de não darmos aula “direito” e de abrirmos espaço para que ela seja uma “bagunça”.

Se somos muito rígidos e exigentes, somos tachados como carrascos e inflexíveis, podendo ganhar, inclusive, "haters"("odiadores", perseguindo falando mal das pessoas) pela escola. Mas se somos muito acessíveis e compreensíveis, vão nos chamar de permissivos, de “amiguinho” de aluno que não tem o controle da turma e o respeito dos estudantes.

Se somos engajados em causas importantes e propomos aulas que estimulam o senso crítico e o olhar questionador dos estudantes, recebemos o título de doutrinadores. No lado oposto, se não enriquecemos as aulas com temas do cotidiano e não relacionamos o conteúdo trabalhado à vida real, chamam nossas aulas de vazias, sem sentido e sem valor agregado.

Na vida pessoal

Até mesmo a vida para além dos muros da escola tem seus dilemas se você é um professor. Se criamos perfis em redes sociais, vivenciamos grandes impasses: deixar ou não deixar público? Postar ou não postar o que quero? Ser ou não ser o que sou? Somos sempre observados por estudantes, familiares, colegas de trabalho ou gestores em nossas ações. É como se fôssemos artistas famosos, sempre vigiados, mas sem o glamour e a remuneração da fama.

Quando vivemos violências nas escolas, temos de ter uma inteligência emocional de seres altamente evoluídos. Um único gesto mal calculado ou uma reação mais espontânea a uma violência são suficientes para nos tirarem do papel de vítimas e nos estamparem nas capas dos jornais como desequilibrados e uma vergonha para a educação. E não adianta ter tido uma linda caminhada de doação e entrega ao sistema educacional, isso não vai lhe dar imunidade se você cometer alguma falha. Não há anistia se você é professor e comete um erro. Nós somos julgados, punidos, demitidos. Claro que não estou aqui defendendo pagar violência com violência, só estou dizendo que a régua que julga um professor é sempre diferente, pendendo mais para a forca.

Passamos tanto tempo exercendo o papel de educadores, que, muitas vezes, temos dificuldade de nos desvencilhar do “personagem” e acabamos sendo professores 24 horas por dia. Muitas vezes dedicamos mais tempo dando a nossa melhor versão para os filhos dos outros do que para os nossos próprios filhos. Outro impasse vivido por quem ousa ter vida para além da sala de aula.

E assim seguimos, divididos entre o amor e o compromisso com a profissão e a vontade de viver em equilíbrio. Num constante dilema entre descansar no final de semana ou aproveitar o tempo livre para colocar o trabalho em dia.

Vale a pena?

Quando um estudante me pergunta se vale a pena ser professor, eu também vivo uma grande contradição para elaborar a resposta. Por segundos passa um filme na minha mente e eu vejo desvalorização, violências diversas, falta de estrutura, excesso de trabalho. Mas também vejo esperança, emancipação, mudança. E eu lembro que precisamos de mais professores no mundo, e de mais pessoas que ainda acreditam na transformação do nosso país pela educação, pessoas que possam nos ajudar a mudar essa cultura de descaso e de desvalorização.

Apesar de todas essas contradições, a vontade de desabafar as mazelas torna-se menor do que a de exaltar as maravilhas dessa profissão, que, apesar dos desafios e dos paradoxos, também pode proporcionar poder e transformação. Então solto um sonoro: eu amo o que eu faço! E se você acredita na Humanidade e quer lutar por um mundo melhor, seu lugar é na sala de aula sendo professor também.

A vida me fez professora, mas eu amo ainda mais ser aprendiz.

* Hamlet, tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601

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Vozes da Educação é uma coluna semanal escrita por jovens do Salvaguarda, programa social de voluntários que auxiliam alunos da rede pública do Brasil a entrar na universidade. Revezam-se na autoria dos textos o fundador do programa, Vinícius De Andrade, e alunos auxiliados pelo Salvaguarda em todos os estados da federação. Siga o perfil do programa no Instagram em @salvaguarda1.

Este texto, escrito por Thailise Maressa, professora há 15 anos e graduada em Letras e Pedagogia pela Universidade de Brasília, reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW.

O post Nem lá, nem cá: as contradições na vida de um professor apareceu primeiro em Planeta.

Ao Mestre com carinho....


terça-feira, 15 de agosto de 2023

EDUCAÇÃO - CRIANÇAS REJEITADAS? COMO ASSIM? CENAS IMPACTANTES PARA CONSCIENTIZAÇÃO



#EnsinoFundamental

#oiiiComoAssim?

#CriançasImportam

#art227CF88

#CuidadoCenasImpactantes!

A violência é o reflexo da educação de nosso país! Não dá para ficar calado(a) diante das tragédias diárias contra nossas crianças, nossos jovens e mestres... Não dá! URGE, fazer o melhor em educação, melhores cndições estruturais de nossas escolas, SEGURANÇA, saúde, bem estar, lazer sem ter medo de sair de casa....

O nosso atual Ensino Fundamental, é um retrato de como não deve ser! Uma agressão aos alunos, às famílias que entregam seus filhos ao Estado, à sociedade como um todo, uma vergonha nacional, não estão e não se sentem seguras.... A nossa pasta da Educação Pública tem que mudar para melhor, modificar a Lei de Diretrizes de bases. Afinal o que se tem feito realmente pelas nossas crianças e jovens, que andam a perder suas preciosas vidas°

"Um estudo recente confirmou o que muitos já suspeitavam: o ensino fundamental é mais desafiador para alunos pouco atraentes ou pouco atléticos. A pesquisa acompanhou 600 crianças de 10 a 13 anos durante um período de 12 semanas. Os participantes identificaram colegas de classe que consideravam pouco atraentes, impopulares ou pouco atléticos, além de relatarem sentimentos de solidão. As descobertas indicaram que aqueles que não eram considerados atraentes ou atléticos sofriam repercussões sociais. Os pesquisadores enfatizaram a crueldade no mundo social dos adolescentes, desmascarando as noções de cumplicidade. Surpreendentemente, os efeitos do bullying foram observados igualmente em meninos e meninas. O estudo lançou luz sobre a questão persistente do bullying entre os estudantes, apesar das campanhas nacionais para acabar com esse problema antigo". 

By MângelaCastro - 15/08/2023

ENTRE A FÉ E A HISTÓRIA: QUANDO O CONHECIMENTO NOS ENSINA A PERGUNTAR E CONHECER!

  “Que tenhamos sempre a humildade de aprender, a coragem de pensar e a delicadeza de respeitar.” Que tenhamos uma manhã que já vai longe, ...