Uma reflexão sobre sonhos, relações, fé, responsabilidade e a coragem de fazer a nossa parte.
Há sonhos que não precisam ser interpretados como presságios. Talvez precisem apenas ser escutados como perguntas.
O que o meu sonho está me fazendo pensar sobre mim?
Talvez, ao olhar para dentro, descubramos alguns “fogos” que só poderão ser apagados quando tomarmos atitudes concretas.
🔥 O que ainda está queimando em mim?
🌿 E o que já queimou, mas ainda deixou marcas?
— porque às vezes continuamos vivendo como se o incêndio ainda estivesse acontecendo, quando restaram apenas as marcas.
Foi assim com um sonho que tive recentemente.
Eu estava na cozinha — um espaço muito presente em minha vida cotidiana — quando percebi que o micro-ondas estava em chamas. O fogo ardia dentro dele. Assustei-me, corri para desligá-lo da tomada e, imediatamente, procurei os bombeiros.
Engraçado que no sonho aflita com a situação, tentava lembrar o número de emergência, e me veio esse, mas, eu não tinha certeza, não é que acertei??? 😁Liguei para o 193.
Uma voz feminina me atendeu, dizendo que eu realmente havia ligado para o Corpo de Bombeiros, mas pediu que eu esperasse.
Esperasse?
Meu aparelho estava pegando fogo!
Voltei para ele e, para minha surpresa, o fogo já havia se apagado. Então desliguei o telefone, pensando, com certo humor:
Se eu dependesse deles, estaria “ferrada”!😄Mas na realidade, são bem eficientes, já precisei do corpo de bombeiros, e chegaram bem rápido para o atendimento, nada sério, mas, um foi com enxame de marimbondos, outro, foi com uma panela de óleo que pegou fogo e chegou a queimar o exaustor, nada tão sério, mas solicitei ajuda, esses eventos podem ocorrer em nosso cotidiano, e se tornarem bem drásticos. Mas esse sonho, analiso sob outros aspectos.
Em minhas ocorrências no dia a dia, conto com meu filho, sempre pronto para ajudar. E com você, tem ajuda também de algum familiar pronto para o auxílio?
Voltando para o sonho. Depois, encontrei-me em uma espécie de sala de aula e conversei com uma jovem. Contei-lhe o que havia acontecido e ela me disse que conversaria com seu “amigo espiritual” para saber o que ele teria a dizer.
Perguntei:
— Mas, para conversar com um amigo espiritual, não precisamos orar ou entrar em meditação?
Ela respondeu tranquilamente que não. Bastava conversar.
E eu, dentro do próprio sonho, questionei.😏
Mais tarde, encontrei algumas roupas queimando no quintal. Joguei água sobre elas. A fumaça subiu, as roupas estavam bem chamuscadas, marcadas pelo fogo, mas já não havia mais chamas.
E pensei:
“Pronto. Agora não há mais perigo.”
Acordei.
Depois de refletir sobre esse sonho, percebi que talvez ele não precise ser entendido como uma previsão, nem como uma mensagem sobrenatural pronta para ser decifrada.
Talvez ele possa ser simplesmente uma pergunta.
Quantas vezes, na vida, percebemos que alguma coisa está “pegando fogo” e imediatamente esperamos que alguém venha apagar?
Esperamos um telefonema.
Uma visita.
Uma palavra.
Uma atitude.
Esperamos que alguém perceba aquilo que estamos sentindo sem que precisemos pedir.
E, algumas vezes, esperamos tanto que descobrimos, depois de algum tempo, que precisamos tomar a iniciativa.
Não porque não precisemos uns dos outros.
Precisamos.
Somos seres de relação. Ninguém atravessa a vida completamente sozinho.
Mas existe uma diferença entre precisar do outro e entregar ao outro a responsabilidade por aquilo que também nos cabe fazer.
Talvez alguns dos incêndios da nossa vida precisem, sim, de ajuda.
Mas outros exigem de nós uma atitude concreta.
É preciso desligar alguma coisa.
É preciso colocar limites.
É preciso conversar.
É preciso pedir perdão.
É preciso perdoar.
É preciso procurar ajuda.
É preciso sair de determinado lugar.
É preciso abandonar um hábito.
É preciso, algumas vezes, simplesmente parar de esperar que o outro faça aquilo que somente nós podemos fazer.
Existe um antigo ditado popular que diz:
“Se queres algo bem feito, faça você mesmo.”
Eu acrescentaria uma pequena ressalva:
Não precisamos fazer tudo sozinhos.
Mas precisamos fazer a nossa parte.
E talvez seja justamente aí que o sonho encontre a espiritualidade.
Fé não significa permanecer parado esperando que Deus faça aquilo que está ao alcance das nossas mãos.
A oração não deveria ser uma substituta da atitude.
Podemos pedir luz e, depois, caminhar.
Podemos pedir discernimento e, depois, escolher.
Podemos pedir força e, depois, agir.
Talvez a fé amadureça justamente quando compreendemos que nem sempre o milagre será o fogo desaparecer sozinho.
Às vezes, o milagre pode estar na coragem que encontramos para procurar a tomada, desligar o aparelho e jogar água sobre aquilo que ainda está ardendo.
E talvez Deus também esteja presente na sabedoria de reconhecer:
“Eu preciso de ajuda.”
Porque pedir ajuda também é uma atitude.
Mas há algo ainda mais interessante no final do sonho.
As roupas estavam queimadas.
A fumaça ainda subia.
As marcas permaneciam.
Mas o fogo havia acabado.
Quantas vezes confundimos as marcas do que aconteceu com o perigo que ainda existe?
Uma experiência pode deixar cicatrizes sem continuar nos ferindo.
Uma perda pode deixar saudade sem continuar nos destruindo.
Uma decepção pode deixar marcas sem determinar nosso futuro.
Uma fase difícil pode deixar fumaça no coração, mesmo depois que as chamas já se apagaram.
Talvez seja preciso aprender a distinguir:
o que ainda está queimando daquilo que simplesmente já queimou.
E quanto aos nossos sonhos?
Talvez devêssemos ter cuidado para não transformá-los imediatamente em revelações ou presságios.
Podemos escutá-los de outra maneira.
Como quem abre uma janela para dentro de si.
O que este sonho despertou em mim?
Que medo ele revelou?
Que relação ele trouxe à memória?
Que necessidade minha apareceu?
O que estou esperando dos outros?
O que está ao meu alcance fazer?
E, sobretudo:
que fogo da minha vida precisa ser apagado com uma atitude concreta?
Talvez cada um de nós tenha, em algum canto da própria “casa interior”, um pequeno incêndio acontecendo.
E talvez nem sempre precisemos esperar pelos bombeiros.
Às vezes, a primeira providência é nossa.
Desligar.
Agir.
Pedir ajuda quando necessário.
E depois, com serenidade, olhar para a fumaça que ficou e reconhecer:
“Ainda há marcas, mas já não há perigo.”
Talvez isso também seja amadurecer.
Talvez isso também seja fé.
Talvez isso também seja aprender a cuidar da própria vida sem deixar de reconhecer que, quando o caminho pesa demais, precisamos uns dos outros.
E sempre de Deus, tal qual um Pai amoroso, zeloso, cuidador, tudo sabe, nos ausculta, nos ama infinitamente, nos indicando a melhor atitude, o melhor caminho, aquele que precisamos para percorrer em aprendizados, para pedir sabedoria, mas, temos que ser obedientes, seguir os bons conselhos ...
"Tu és o meu socorro e o meu libertador; meu Deus, não te demores!" (Salmos 34:19) FELIZ E ABENÇOADO DIA DOS PAIS!
Paz e bem.
MângelaCastro - 08/8/2026
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