Bom dia com alegria,
Entre o ninho e o voo existe um aprendizado indispensável: viver em comunidade. Uma reflexão sobre família, pertencimento, crescimento e os caminhos que nos ensinam a voltar para casa. 🍃
Família
| (Ninho de beija-flor em nossa varanda ...foram seis(6) ninhadas consecutivas)... |
A terra já desperta para a vida, tem a sua própria sonoridade, como o bem-te-vi, ouço ao longe um chamado diferenciado e melódico durante o romper da aurora. ___Quem me chama à vivência?
Desde os primórdios, somos comunidade. Necessitamos uns dos outros para aprender, crescer e atravessar os dias. Ninguém vive sozinho.
Nós, pais, por amor, muitas vezes colocamos nossos filhos em "domos" de vidro, tentando protegê-los das intempéries do mundo, do que presumimos ser, inadequado para eles. Sem perceber, podemos enfraquecê-los. E quando chega a adolescência, fase em que procuram suas próprias tribos, suas afinidades e pertencimentos, sentem mais dificuldade para construir seus próprios ninhos.
A boa notícia é que, enquanto houver vida, sempre haverá oportunidade de corrigir rotas e aprender novos voos.
Reunimo-nos em grupos conforme nossas necessidades, afinidades e propósitos. Isso é saudável para o crescimento humano, espiritual e intelectual. É também nesses espaços que construímos nossas memórias afetivas.
Valeu a pena. Conviver nem sempre é fácil, porém são esses aprendizados, construídos no encontro com os outros, que levamos para o resto da vida. São eles que fortalecem nossas asas para os voos futuros e, quando necessário, nos ajudam a encontrar o caminho de volta ao ninho.
Hoje, já na maturidade da vida, sinto alegria ao recordar que convivi com muitas "tribos" além da família. Uma delas foi a Igreja, através do catecismo. Lembro-me da querida Dona Galdina nos ensinando as orações, os Dez Mandamentos e os fundamentos da fé. Eu achava o Credo muito comprido e custava a decorar a Salve Rainha. Hoje, curiosamente, é uma das orações que mais rezo e com a qual faço meus pedidos, até neste tempo de entardecer da idade.
Recordo também das pequenas provas catequéticas. O padre nos chamava para recitar as orações e eu tremia da cabeça aos pés. As regras eram rígidas e precisávamos ter tudo na ponta da língua. Naquele tempo parecia difícil, mas hoje sorrio ao lembrar de mim mesma.
Valeu a pena.
Eu primeira comunhão em Pedregulho...Conviver nem sempre é fácil, porém são esses aprendizados, construídos no encontro com os outros, que levamos para o resto da vida. São eles que fortalecem nossas asas para os voos futuros e, quando necessário, nos ajudam a encontrar o caminho de volta ao ninho.
É verdade, vivemos tempos inquietos. Pessoas mais agitadas, ansiosas e nervosas, parecem que já intuíram que estão perdendo chão. Especialistas observam profundas transformações sociais e ambientais que afetam nossa forma de sentir e viver.
Como parte da Terra, também somos influenciados por essas mudanças. Mas também percebo que a nova geração, nossas crianças transitam por nossos espaços com passos firmes, como se tudo já conhecessem, e querendo nos dizer: ___ esse chão é meu, conheço bem e sem cambalear vão conquistando o seu próprio mundo!
Ainda assim, quem cultiva vínculos verdadeiros dificilmente se perde. Há sempre um chamado silencioso, semelhante ao canto dos pássaros ao amanhecer. Não o vejo, mas o ouço. Ele fortalece, orienta e recorda o caminho de volta.
Foi assim em meu sonho dessa noite, quando uma jovem senhora e seu filho aparentando 9 a dez anos de idade, sobem uma ladeira comigo, e depois, mais à minha frente, dobram uma esquina à esquerda e os perco de vista. Penso comigo, onde entraram? Para onde foram? A princípio fiquei preocupada, meio temerosa. Sem respostas, meio que só os vendo no pensamento com um leve sorriso nos lábios, tomo decisão, penso, se foram, daqui para frente estou só comigo mesma, e sigo em frente ...
A verdade, embora alguns dizem ser relativa, nos mostra que nossa casa — de tijolos ou de barro, ou um ninho de pássaro construído com arquitetura e sólidas bases, seguem firmes mesmo em um galho de árvore, somos sustentados por fortes raízes — continua sendo o ninho onde aprendemos a recomeçar, a preparar novos voos. Como aves ainda em aprendizado, somos guiados pelo amor, pelo exemplo e pelos laços que nos unem.
"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam, e nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como qualquer deles." E nós com todos nossos defeitos, fragilidades, ainda somos considerados mais importantes que eles. Não é descaso de Deus por outras "coisas", é um chamado de motivação, um convite ao desapego, e à aliança com Ele, nossa força interior, pois, Ele está no comando e não nos deixará perdidos por aí, e nada nos faltará. (Mateus 6:28-29)"
Viver em comunidade nem sempre é fácil. Cada pessoa pensa, sente e age de maneira diferente, mas devemos ser respeitados. A essência humana, e de todos os seres nesse planeta, permanece a mesma: todos desejamos acolhimento, compreensão e pertencimento.
Por isso, é necessário viver em comunidade. É nela que aprendemos a reconhecer nossos erros, corrigir a direção do voo e fortalecer nossas asas.
Talvez seja esse o verdadeiro crescimento: avançar sem perder o vínculo com aqueles que nos ensinaram a voar, e como no sonho, me acompanharam por um pequeno período no trajeto, uma vez em segurança, soltaram minhas mãos.
Enfim, 🍃 "Nenhuma ave aprende a voar apenas dentro do ninho; é na convivência com o mundo que fortalece as asas e descobre o caminho de volta." — MângelaCastro - 30/5/2026
Como nos recorda o Evangelho de Lucas (2,52):
"E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens."
Um feliz e Santo sábado para todos, hoje comemoramos mais uma primavera, do nosso irmão mais novo, rogo oração por ele, o Rico, desejo-lhe tudo de bom nessa vida, e muitas bençãos e frutos que ainda virão a ser colhidos... Te amamos de muintão....Parabéns!
Temos que reaprender diuturnamente, a amar, perdoar, valorizar nossos aprendizados, respeitar as diferenças e reflorescer todos os dias de nossas vidas... Paz e bem.