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sexta-feira, 22 de maio de 2026

DESFRAGMENTO DO SER . Alma em Construção ...

Uma conversa silenciosa com a alma... Entre o efêmero e o que permanece. 

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Estive conversando com uma amiga de adolescência e hoje já em nossa maturidade, também escritora de suas memórias e sentimentos, falávamos sobre um dos meus textos, que leu, e me disse: ___ tem momentos que parecem poesia, passando sentimento espiritual, convidando à reflexão, um desabafo, ou tudo alinhado. É isso, há autores que contam histórias, e há outros que em tênues e simples poemas, recolhem pedaços do existir — quase como quem junta folhas secas guardadas dentro de livros antigos para descobrir o perfume do tempo. Meus escritos caminham muito por aí.

Ao reler esta reflexão de 2023, vejo uma mulher debruçada na janela da própria vida, observando o movimento do mundo sem muita pressa de acompanhá-lo. 

Do meu sentimento espiritual, recordo um romance de Chico Xavier belíssimo, e muito forte, que narra a vida de Jesus, e particularmente com personagens também importantes de sua comunidade: "Há dois mil anos", que independente de nossa religiosidade, deveríamos ler.

Nesse romance, quando Jesus já está na cruz no monte do Gólgota a esposa de um senador, do poder romano, tinha o hábito de se desfragmentar da sua identidade como esposa de um político, se vestindo como uma de suas amas, e se dirigia aos encontros com Jesus, só para lhe ouvir as palavras de ternura que a cativou. 

E foi em um dado momento da crucificação de Jesus, já quase ao final da tarde, que ela se debruça na janela e olha em direção ao monte, com um misto de sentimentos: entristecido e amoroso, ela sente naquele momento, no fundo de sua alma, que o seu olhar se encontra com o olhar triste e também amoroso de Jesus na cruz, é um momento enobrecedor, de almas afins que se abraçam com intuito do auxílio. 

Talvez por isso me veja como mulher de fases, que às vezes sai — para cumprir deveres, visitar pessoas, enfrentar o cotidiano — e depois retorna ao seu abrigo interior, esse lugar silencioso onde pensamentos se assentam e a fé encontra morada. Mas nem sempre o caminho é de ida; por vezes a existência parece uma película antiga rodando ao contrário, e imagens, certezas, sonhos e dores voltam desordenados, obrigando-nos a revisitar quem fomos, e ao mesmo tempo nos revitalizar.

Talvez seja isso um desfragmento do ser: pequenos pedaços de nós espalhados entre perdas, esperanças, medo do efêmero, desejo de permanência e busca por algo eterno. Fragmentos que não desapareceram — apenas aguardavam ser reencontrados.

Sim, tem momentos que ao "pensar na materialidade dói em mim", esse é um pensar que chega de fora de mim, percebo então, quão são efêmeras as ilusões da vida, que tudo é transitório, tudo é conhecimento, tudo passa e segue o curso natural junto às estações do ano... assim, faço do tempo e do pensamento, meus aliados.

Às vezes, é necessário sim, que se deixe ir, para que sequem as lágrimas, que se curve diante da vida, dos sonhos, alentos e desejos. E que saiba desejar. Esse é um convite ao desapego das ilusões mundanas.

É preciso que mergulhe profundo nos veios que levam ao futuro, que está apenas começando, sem medo de se arriscar, se fazer feliz, e seguir pelas abstratas alamedas que despontam na contramão da vida.

É certo que é um jogo no escuro, o qual devemos com ele ter paciência, mesmo nem sempre sendo clarividente. Outras vezes, é preciso que se deixe levar pelas asas da prontidão, legando-te a liberdade de voar, voar, além das íntimas muralhas, comungando-te com as verdades que ainda habitam em ti.

Tem momentos que pensando sobre “todas as coisas” me sinto só, na alcova dos meus medos, e me pego questionando:

___Para que louvar então o efêmero?

Sacrificando os dias no pulsar da vida, tornando-se dela dependente... Aqui percebo que, o importante é chegar no final do entardecer dos dias, não em desespero, mas com a certeza de missão cumprida, em entrega total ao Amor que une e nos abraça.

Paz e bem.

MângelaCastro – 03/8/2023
Revisitado em 22/5/2026


Enviado por MângelaCastro em 22/05/2026
Código do texto: T8633840
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