___Há saudades que não têm memória,
mas habitam a alma como se sempre estivessem ali.
Talvez não seja do que vivi, mas do que sempre soube que era possível sentir. ___
Um convite, não solte o fio!! ...
Há janelas que não se abrem para fora,Hoje amanheci com uma alegria mansa no coração,
Notícias que atravessam fronteiras, trazem alívio,
respostas pras manhãs em oração ....
E ...
uma fé lagrimosa, dessas que não fazem alarde,
mas dão resposta em silêncio —
como se a missa tivesse falado direto comigo.
Nos meus despertares da vida, quase incontáveis,
muitas foram as vezes em que me debrucei
na janela da minha casa.
Desde a adolescência até a maturidade,
experimentei ali minha solitude.
E então vinha — vem ainda —
uma saudade estranha.
Não tem imagens, não tem cores definidas,
não traz sons, perfumes ou sabores, apenas o encanto
de olhar para o céu a noite e piscar no ritmo das estrelas,
ou no por do sol que lentamente se esconde trás o monte ...
É uma falta que se faz presente sem memória.
Lembro da brisa leve roçando meu rosto de menina,
Não via, mas sentia a energia...
ainda sem compreender a vida que já se mostrava difícil.
Eu, sozinha com minhas emoções,
sem saber nomeá-las,
sem segredar os sentimentos que se entrelaçavam
como galhos, folhas e flores ao vento.
Meus pensamentos vazios.
Há apenas eu
e uma saudade que dói.
Sem história.
Sem passado.
Mas viva.
Sentir falta de algo que nunca foi vivido
pode parecer contradição,
mas aprendi com o tempo,
que é experiência comum da alma humana.
Ela nasce da memória, da imaginação
e das escolhas que ficaram pelo caminho.
É uma nostalgia antecipada, até engraçada!
Uma saudade imaginária. sentindo carinho.
A mente cria cenários, olhando para estrelas, pores do sol,
sentindo desencontros e possibilidades
tão carregados de afeto, como nuvens trazendo consigo ventos,
que passam a doer como lembranças reais.
Muitas vezes, o que falta não é o fato, não é afeto,
mas o que ele simboliza:
o desejo de pertencer,
de amar profundamente,
de ser livre,
de ser reconhecida.
E para isso não se tem idade...
Eterna é nossa mocidade...
Talvez não seja explicado e do que não aconteceu,
mas do que a alma sempre soubeque era possível sentir. Vozes que nascem
