___Entre o entardecer que dói e o amanhecer que promete ___ ...
Sinto que nem todo cárcere tem grades. Alguns exigem silêncio, espera e fé no amanhecer.
Talvez a imagem suscite a prisão, mas,
o pássaro não se debate,
não rompe a grade à força,
ele vigia o horizonte, porque sabe que o céu não se perde.
Permito-me partilhar, a partir do meu próprio testemunho de vida,
o entendimento de que o silêncio cura
enquanto o amanhecer não chega.
Nos grilhões do tempo, presença, esperança.
Às vezes me sinto assim:
como um pássaro impedido de voar longas e desejadas distâncias.
Resta-me sonhar, enquanto contemplo o entardecer.
No meu silêncio, diante do sol que se despede, faço pedidos.
Peço que ele leve consigo a força dos meus sentimentos,
como um presente lançado além do horizonte, além-mar.
E fico ali, nessa partilha segredada, aguardando um novo amanhecer —
que seja bom e que me liberte dos grilhões do tempo.
Quantos, como eu, também não se sentem aprisionados?
Seja nas dores profundas, à cabeceira de um leito,
nos próprios medos, nas dúvidas que martirizam,
nas inseguranças que nos cercam.
E como fazer?
Bastaria uma varinha de condão, como nas histórias?
Claro que não.
Por trás dessas grades, há um processo.
E todo processo precisa ser caminho.
É nesse tempo escondido, silencioso e fiel,
que Deus nos prepara.
Antes do envio, há sempre um segredo confiado,
uma escuta atenta,
um coração disposto.
Então, quando a voz finalmente pergunta:
“A quem enviarei? Quem irá por nós?”
Algo em nosso interior já sabe responder.
___Não com pressa,
___não por impulso,
___mas com a serenidade de quem atravessou a espera:
“Eis-me aqui, envia-me.” Senhor!(Isaías 6:8)
By MângelaCastro - 15/1/2026
Enviado por MângelaCastro em 17/01/2026
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