A noiva já estava pronta — não pela perfeição, mas pela disponibilidade.
Sim, e é como devemos estar, para quando Jesus passar em nossas vidas, no tempo e na vontade do Pai, e o meu dia, começou ainda na madrugada quente, silenciosa, tendo por testemunha somente as estrelas suplicantes cobrindo o manto escuro do céu...
Em sonho, eu ajudava a preparar uma noiva.
Corria de um lado a outro, tentando ajustar enfeites, colar arranjos, esconder pequenos defeitos.
Nada estava perfeito, e isso me incomodava e me fazia correr com os acertos, para tudo estar pronto para quando a noiva viesse — e, no fundo, eu não queria que a noiva percebesse.
Mas percebi: mesmo imperfeita, ela estava pronta.
E eu dei um jeito.
Então a vi entrar no salão.
Vestia-se de branco, como toda noiva.
Mas nos pés, sapatos masculinos, marrons.
A tiracolo, uma bolsa também marrom.
Não trazia buquê — trazia caminho.
Admirei-me.
E quase resmunguei em silêncio:
— Está tudo certo… embora os sapatos marrons.
Depois, me vi numa fila para entrar no salão das bodas.
Ali estavam amigas da adolescência — não mais meninas, mas mulheres maduras, mães, inteiras.
Uma delas se aproximou, sorriu, nos abraçamos com carinho, mais do que um simples abraço, um anelo, um deleite para minha alma.
E seguimos juntas, em fila.
Ao despertar, preparei o café e liguei a televisão para a missa matinal, como faço todos os dias.
E então, a confirmação.
A despedida do Frei Bartolomeu, Franciscano, líder da Pastoral da Saúde no Santuário de Aparecida.
Uma festa de envio.
Ele entregava sua missão a outros dois freis e seguia para uma nova caminhada.
A evocação dizia tudo:
“Envia-nos, Senhor.”
Naquele instante compreendi:
o sonho não falava de perfeição, falava de disponibilidade.
A Igreja, como noiva, segue vestida de branco — mas calça sapatos de estrada, poeira nos pés.
Carrega menos flores e mais missão.
Menos ornamentos, mais serviço.
Aqui entendi, eu não estava ali para deixar tudo "perfeitinho", mas como missão, dom, o que quiseres entender, em verdade eu estava ali, para aprender a ser SERVIL AO PRÓXIMO, e claro, é uma missão árdua de idas e vindas, mas também de gratitude, de alegria para o coração, fraternidade!
Eu não tinha porque me preocupar, posto que, Deus já preparava a despedida.
Já alinhava os passos.
Já organizava a fila.
E nela, mães, mulheres, amigas — sustentando o caminho com silêncio, fé, alegria, posto que todas sorriam e abanavam a cabeça com um SIM, quando me viram aproximar, era um grupo de mulheres da fraternidade, da grande e real amizade, e marcavam com suas presenças.
Nada estava perfeito.
Mas estava consagrado.
E isso basta.
Encerrando por hoje, assim espero, porque a vontade é sempre do Pai, não a minha, deixo um versículo bíblico: _
A noiva, nas Escrituras, representa a Igreja e também cada alma disponível, não perfeita, mas atenta, vigilante e pronta para responder ao chamado. Ela se prepara não com luxo, mas com fidelidade, serviço e missão — exatamente como no sonho.
____Preparar-se, biblicamente, não é adornar-se — é dizer “Eis-me aqui Senhor”.
— By MângelaCastro - 14/1/2026