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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Déjà-vu: quando a alma reconhece o caminho

Bom dia, boa tarde, boa noite… 

Saúdo assim porque meus leitores habitam muitos lugares do mundo, em estações diferentes da minha. E porque o sentir não obedece ao relógio.

Um spoiler ____Há lugares que visitamos pela primeira vez…
mas a alma reconhece como retorno. Entre natureza, silêncio e sinais sutis, 
vivi um déjà-vu de paz. 🌿✨

Hoje escrevo sobre uma experiência delicada e profunda vivida há duas semanas, durante uma viagem. Compartilho sem a pretensão de explicar ou afirmar verdades, apenas sendo fiel ao que senti.

Fui, a convite, visitar a família da namorada de meu filho, nas cercanias de São Sebastião do Rio de Janeiro. E, hoje, logo pela manhã já em minha casa, quando o mundo amanhece rogando paz, justiça, se celebra São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, e a missa por mim assistida, trouxe uma palavra que confirmou o que vivi: nossos passos são previamente preparados pelo Senhor. Assim como Davi teve seu encontro com Deus, por caminhos já bem traçados, também nós somos levados, mesmo sem perceber.

E convidados a acreditar que o que nos preparou pra vivenciar, é nosso, e ninguém terá o direito de nos tirar, seja o que for, paz, saúde, doença, lugares em que fomos chamados a nascer, tudo tem a Mão de Deus, seu propósito de vida para nós, e ninguém, ninguém, tem o direito disso modificar, sem sofrer as duras consequências!

O que seria apenas uma visita de apresentação transformou-se, para mim, em uma revelação interior. Logo nos primeiros dias, o anfitrião precisou ser internado e permanece em recuperação, inspirando cuidados. A família entrou num tempo de apreensão, vigília, e seguimos em oração.

Em meio a esse cenário, vivi momentos de solitude. Transformei a estadia em um retiro íntimo e orante. A natureza me envolvia com uma serenidade quase curativa. O corpo estava são, mas a alma pedia silêncio, repouso e cuidado.

Ali, algo se confirmou em mim: estamos, sim, nos caminhos que Deus nos prepara. São trajetos inéditos, mas que, ao serem percorridos, despertam uma estranha familiaridade — um déjà-vu da alma. Talvez você já tenha sentido isso: reconhecer pessoas que nunca viu, amar sem saber por quê, não se sentir estrangeiro onde nunca esteve, experimentar alegria mesmo em meio às circunstâncias difíceis.

A psicologia explica o déjà-vu como um fenômeno neurológico. Mas a espiritualidade atravessa camadas mais profundas, onde o tempo não é linear. Santo Agostinho compreendia essas vivências como uma memória da alma em Deus, experiências que ultrapassam os limites da matéria.

Não sei explicar. Só sei que senti.

Aquela casa, aquela família, aquele ambiente… nada me era estranho. Eu caminhava segura, como quem retorna.

Algo também me tocou profundamente: meu filho cuidou de mim de um modo diferente, e silente. Sempre foi atento, mas ali havia um zelo quase instintivo, como se eu precisasse ser protegida, uma responsabilidade assumida por ele, nada podia me acontecer, do que parecia abstrato. Talvez ele também tenha sentido, sem saber explicar: era tempo de cuidado. Até em nossa chegada me senti incomodada, com sua conversa com o motorista do Uber, nada do que dizia fazia sentido naquele momento, parecia um GPS humano mapeando o lugar ....Afinal, eu não era nenhuma chefe de estado chegando kkkk ....

Perguntei-me: será que eu precisava voltar àquele lugar para recompor forças após um longo desgaste emocional? Será que Deus, em Sua delicadeza, conduziu tudo para que eu me refizesse?

Foi assim que senti. E nada quebrou a paz que vivi ali, nem mesmo a preocupação com a saúde do anfitrião.

Houve ainda um episódio simples, mas profundamente simbólico. No segundo dia, a anfitriã me chamou à beira da piscina. Na janela da cozinha, diante de uma grande amendoeira, um grupo de saguis brincava entre os galhos. Saltavam, pareciam celebrar, e até me “apresentaram” um filhotinho. Filmei, sorri, fiquei eufórica. Logo desapareceram. Claudete me disse: “Eles vieram te saudar. Há dias não apareciam.”

Durante toda a estadia, não os vi novamente.

No dia da despedida, algo mudou nos planos: ficamos mais uma semana. Até o retorno aconteceu de forma inesperada e perfeita, como se aquela fosse, de fato, a data preparada — não por nós, mas pela Providência.

Na manhã da partida, um dos saguis apareceu sozinho no galho diante da janela do meu quarto. Ficamos ali, eu de dentro, ele de fora, em silêncio, por alguns minutos. Depois foi embora. Claudete sorriu e disse: “Veio se despedir.”

Eu acredito nessa sintonia. Nessa cumplicidade do puro e do belo. Na forma delicada com que Deus se revela através da criação, como nos lembra Romanos 1:20.

Esses encontros não são novidade em minha vida. Antes da viagem, cuidei de uma pequena pomba ferida em meu quintal. Alimentei, hidratei, observei sua recuperação. Quando chegou o tempo, ela partiu. Nada foi forçado. Tudo aconteceu no tempo certo.

Para mim, isso não é magia. Não é acaso. É providência. É revelação.

E você, o que pensa?
Será que a alma reconhece caminhos antes mesmo da razão?

Com carinho,
MângelaCastro
20/01/2026

P.S> os vídeos e algumas fotos dessa viagem estão na página do meu facebook, no Grupo Catequese do Amor.
 Enviado por MângelaCastro em 20/01/2026
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