____Às vezes, Deus nos fala em silêncio — e os sonhos se tornam pontes de auxílio, cuidado e autoconhecimento. Ouvir o que a alma revela também é uma forma de se evangelizar, se educar para a vida. ____
Assim, hoje eu vos convido a: ___observar, acolher, discernir, agradecer pelo dom da vida e as experiências que Deus nos concede todos os dias de infinitas formas e sinais, pontes de amor, de alivio para o cansaço, de fortaleza e cura para a alma, para enriquecer nossa jornada… e seguir.
E assim desperto para mais um dia de trabalho e partilha espiritual, com desejos de um bom dia e de paz para os paises em guerra, em conflitos, fazendo acordos, principalmente os que se intitulam cristãos!
Deus conosco, sob as bênçãos de Nossa Senhora! Assim, sem contestar os caminhos que Deus preparou para essa minha jornada, seja envolta em marés revoltas, ou brandas com leve sopro para a alma, então, me sentindo abraçada por essa proteção, que iniciei minha manhã orante e reflexiva. Pois, na noite passada, que se despedia — já quase amanhecendo — vivi um encontro que ficou pulsando em mim como revelação silenciosa. Um sonho que me inspirou às verdades de Jesus. (Atos 2:17: "Jeremias 29:11, Daniel 2;28, Gênesis 37:5)
Esses versículos mostram que Deus pode usar os sonhos para comunicar Seus planos e orientar nossas vidas.
Veja bem, foram anos valorosos para mim o que agora compartilho. Estive com uma irmã de fé, de caminhada e de trabalho no bem. Mulher íntegra, caridosa, de profunda espiritualidade e amor ao serviço fraterno. Como todo grupo que se propõe a evangelizar pelo exemplo, vivia os ensinamentos de Jesus na prática cotidiana da caridade, do acolhimento e da fraternidade. Foi uma irmã entre tantas outras que presidiu, com dedicação e amor, uma casa de sopa onde aprendi a servir, por mais de dez anos — um tempo de preparo espiritual vivido de forma simples e quase anônima. Essa experiência sempre me recordou o próprio Jesus, que antes de sua vida missionária passou por um período de recolhimento, oração e amadurecimento espiritual junto a comunidades de profunda fé e vida fraterna, como a dos essênios. Ali a pedido da espiritualidade da casa, muito bem dirigida, aprendi a exercer meu dom de escrevente e cresci na escuta interior, compreendendo que a verdadeira evangelização começa no silêncio do coração e se expressa no cuidado com o outro.
No sonho, essa amada irmã,(deixo de citar nomes para cuidar da privacidade familiar, e aqui, denominar pessoas não é o objetivo da postagem mas compartilhar minha experiência espiritual e filosofia de vida.) ela estava com seu esposo, agora viúvo, que ainda caminha no meio de nós, em um quarto muito pequeno, simples, quase provisório. Parecia que haviam chegado ali a convite de um senhor que lhes arrumara aquele espaço em um prédio. Sentei-me ao seu lado, numa cama ainda por arrumar. Tudo ali me dizia que o ambiente precisava ser reorganizado, preparado.
Ao nosso lado, havia uma colcha de retalhos, bem colorida. E eu, inquieta, insisti em perguntar:
— É isso mesmo que você quer, a chamando pelo seu nome!?
Com a calma que sempre lhe foi própria, ela me respondeu:
— Sim, Maria. É preciso fazer de novo. Tentar de novo, me respondeu ela…
"___nascer novamente, sendo velho. Jesus esclareceu que o novo nascimento é
espiritual, não físico, e envolve nascer "da água e do Espírito" (João 3:5).
Depois que saí daquele lugar, deparei-me com uma jovem mãe, com dois filhos ainda bebês. Em meus braços, eu segurava uma menininha — que no sonho seria filha do meu filho. Vi então meu próprio filho dormindo tranquilamente entre duas crianças.
Disse à moça, que no sonho era amiga dele:
— Olhe… não precisa se preocupar. Eles estão bem. Estão em paz.
Na terceira e última cena, vi minha irmã saindo de carro. Um carro diferente dos que estamos acostumados a ver. Na carroceria, havia uma grande pele de um animal — parecia a pele de um boi. Dentro do carro, três moças que não conheço, que não fazem parte do meu círculo de convivência. Elas seguiam para uma festa, estavam bem trajadas e com cores claras, o carro era sem capota, estilo de jovem, e tinha uma tonalidade creme bem suave.
No fundo, senti um leve receio. Mas, ao mesmo tempo, sabia que tudo seguia conforme precisava ser.
De repente, uma das moças desceu do carro e resolveu voltar para casa. Sentiu medo. Logo atrás dela vinha minha irmã, correndo de volta também.
Perguntei:
— O que aconteceu, Margo? Por que estão voltando?
Ela me respondeu:
— Ela não quis mais seguir viagem. Então resolvi voltar com ela, para que não voltasse sozinha.
E então acordei.
O que ficou em mim, sobretudo do encontro com a irmã da casa da sopa, foi a sensação clara de preparação. Como se ela estivesse se organizando para refazer sua vida, em outro plano, em outro tempo, em outra forma de serviço.
Porque, como ela mesma me disse:
____“É preciso, Maria, tentar de novo. fazer de novo” (João 3:5)
Dessa forma, percebo que nossas idas e vindas sejam exatamente isso: convites da espiritualidade para recomeços necessários. É como coser uma grande colcha de retalhos, nossos pedaços de vida, vamos assim fechando um quadro e abrindo um novo, nada deve ficar por fazer, incompleto ...
Lembro-me de Chico Xavier, em aparição a José de Paula, esse mesmo contou-me quando lhe fiz uma visita no leito de dor, segundo ele em visão em sua casa, Chico lhe disse com doçura e humor, o chamando por um apelido mútuo, cujo não mais me recordo :
— Você está pensando que estou aqui descansando numa rede? Nada disso, meu amigo… sigo trabalhando.
José de Paula, foi presidente de um centro espírita em Franca, também Kardecista, de fraternidade e oração, distribuíam sopas, pães, cobertores no frio, confidenciou-me certa vez quando retornei à sua casa a seu convite para falarmos sobre os tempos de Jesus, que tinha medo de partir e deixar seu trabalho incompleto, eu lhe respondi, que ele podia ficar tranquilo porque nada fica incompleto. Algum tempo depois, também ele retornou à Pátria Espiritual, acometido por um câncer, seu trabalho aqui entre nós, com certeza segue no auxilio. E ficou para mim como legado, sua afirmação, quando saindo da casa de sopa se voltando para trás, olhou para mim, e me disse: ______Nunca te esquecerei!! Você pode "bater" a sua batida não dói"! Foi o ultimo aconselhamento que guardo comigo como tesouro de vida...
Hoje compreendo melhor: o trabalho não cessa. Ele apenas muda de plano, de forma, de vestimenta.
E talvez, no silêncio dos sonhos, o céu encontre maneiras delicadas de nos contar isso.
🌙 LEITURA ESPIRITUAL DO SONHO (EM SÍNTESE)
O quarto pequeno e simples → espaço transitório, preparo, adaptação espiritual
A cama por arrumar → continuidade do trabalho, nada está “finalizado”
A colcha de retalhos → vidas costuradas por experiências, perdas, recomeços
“É preciso fazer de novo” → lei do progresso, serviço contínuo
As crianças dormindo em paz → proteção espiritual, confiança no amparo
O carro e a festa → escolhas da vida, caminhos distintos
Voltar para não deixar ninguém sozinho → amor, responsabilidade espiritual, solidariedade que transcende planos
