Quando Deus sussurra, a alma reconhece. Há chamados que não fazem barulho — apenas pedem presença. ✨
Depois de alguns dias de descanso nas abençoadas litorâneas de São Sebastião do Rio de Janeiro, mais precisamente em Niterói — onde meu filho e eu fomos acolhidos com amor e alegria — retorno ao lar com a alma mais atenta. Nada acontece fora da condução de Deus; tudo é convite, quando sabemos escutar.
Já em casa, após o café da manhã, quando o corpo desperta para o dia e a alma pede silêncio, retorno às escritas. Foi assim, numa manhã comum, durante a prática ergométrica, que um pensamento veio suave e firme, como quem não pede licença:
“Eu sopro aos teus ouvidos.”
Ao revisitar a postagem de ontem, que nasceu com esse mesmo sopro, compreendi o que nela habitava: um chamado ao retorno. E respondi, quase sem pensar, como quem reconhece a voz que sempre esteve ali:
“Eis-me aqui, Senhor.”
Naquela mesma noite, um sonho veio confirmar a entrega. Nele, uma amiga da adolescência me pedia ajuda para favorecer um encontro que parecia simples, mas carregava esperança. Minha resposta foi igualmente simples, nascida do afeto e da confiança:
— Convide-o para um café.
Acordei com o coração leve. Entendi o sonho como sinal: Deus não convoca aos grandes gestos espetaculares, mas à fidelidade cotidiana. Um compromisso renovado de continuar escrevendo palavras que consolem, esclareçam e acendam pequenas luzes no caminho.
Ecoa em mim a invocação que atravessa a história da fé e permanece viva no coração da Igreja:
“Eis-me aqui, Senhor.”
Amanheço atenta também às palavras do Papa Leão XIV ao corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé. Mais do que protocolos, há um apelo urgente ao diálogo, à responsabilidade coletiva e à reconstrução de pontes, em um mundo ferido por guerras, crises humanitárias, deslocamentos forçados e um empobrecimento perigoso da escuta.
O que acontece além de nossos muros não nos é estranho. Reverbera na terra inteira e alcança nossas estruturas humanas, sociais e espirituais. A fé não nos permite a indiferença; chama-nos à vigilância amorosa.
A vida nos convoca, todos os dias, a mover-nos em direção ao outro. Como cristãos, somos chamados a oferecer o melhor de nós — lucidez, oração, ética e gestos concretos de fraternidade — sendo, à maneira de Jesus, lâmpadas para os pés dos caminhantes cansados, que ainda buscam um pouco mais de vida plena.
“Falai, Senhor, porque o vosso servo escuta.”(1 Samuel 3,10)