ENTRE O CAFÉ E A PALAVRA, FUMEGA AMOR.
“Uma pausa entre o aroma do café e a força da fé — onde a palavra aquece mais do que o fogo do fogão.”
Entre o som do chuveiro e o tilintar da xícara,
o café foi coado com o mesmo carinho de todos os dias.
Depois que ele partiu,
ficou no ar o cheiro do pão na chapa e da média fumegante.
O corpo se aqueceu,
e a alma, ainda desperta,
esperava a missa matinal na televisão.
Há um friozinho de reflexão pairando no ar,
misturado ao vapor do café
e à lucidez da observação.
Deixando por um instante um silêncio frio,
forte como o café que desce amargo pela garganta.
Talvez o interlocutor da homilia do dia, tenha se deixado levar
por uma pontinha de decepção —
afinal, sua companheira de tantas viagens
decidiu não participar daquela,
dizendo que o tour estava caro demais.
Curioso…
nas terras por onde Jesus andava,
era comum cruzar com os beduínos —
povos nômades do deserto.
E o que isso tem a ver com a homilia?
Tudo — afinal, também se tratava de viagens.
A Palavra também corrige, é verdade.
Jesus o fazia, sim, com firmeza...
mas nunca com desdém.
Ele sabia quando erguer a voz
e quando calá-la no amor.
Corrigir, sem ferir.
Ensinar, sem humilhar.
Porque nem sempre é o que se diz que fere —
é como se diz.
E talvez aquela “rica senhora”
já doe sem alarde,
como ensina o Evangelho:
“O que a mão direita dá,
a esquerda não precisa saber.”
Mateus 6:3, parte do Sermão do Monte.
É certo que, zelo é virtude,
mas quando se afasta da polidez,
perde o perfume da caridade.
Entre o café e a palavra...
fumega amor —
quando o coração é o filtro,
e a fé, o aroma que se espalha pela casa.
✨ Reflexão final:
Há dias em que a palavra aquece como o café — e outros em que, se dita no tom errado, pode amargar o coração de quem ouve, e ou lê, deixando o momento mais tórrido.
By MângelaCastro: _ 21/10/2025