Bom dia!
___Há despedidas que doem sem explicação.
___Há encontros que a alma reconhece antes do nome.
___Talvez nem tudo precise ser entendido — apenas sentido.
Concorda comigo?
Bora lá, entender um "cadinho" mais essas questões de "mistérios"?
Independentemente das crenças individuais, há vida pulsando para além do que nossos olhos alcançam. Santo Agostinho já nos falava dessa interação entre dois mundos, quando deixamos a veste corporal e nos revestimos das vestes espirituais. Allan Kardec, pesquisador rigoroso e quase cético, também nos apresenta, em seus estudos, essa travessia contínua entre a Terra e o Céu.
Para compreender melhor o que a vida tenta nos dizer, muitas vezes é necessário buscar estudos sérios e responsáveis. Ainda assim, nem tudo nos pode ser revelado. O próprio Jesus advertiu seus discípulos de que nem todas as verdades poderiam ser compreendidas naquele tempo. Nossa mente, por vezes, ainda não está preparada.
Tentei explicar o inexplicável. Às vezes, só a poesia alcança o que a razão não explica. Como no soneto de Camões, quando descreve o amor como contradição viva — dor que não dói, ferida que arde sem se ver.
Compartilhei então uma experiência pessoal: um encontro aparentemente casual, mas profundamente marcado. Fui levada por minha irmã a um lugar onde acreditávamos que ela conversaria com alguém. No entanto, percebi que eu era o verdadeiro motivo daquele encontro. Um senhor, já próximo dos noventa anos, espírita de fé e generosidade, conversou longamente comigo, como se lesse silenciosamente tudo o que eu nunca verbalizara.
Fiquei em silêncio. Só mais tarde compreendi: ele tocava feridas que eu mesma não sabia nomear. Talvez sua última obra de caridade tenha sido essa — ajudar-me a me reerguer, a reencontrar-me.
Disse então ao pai de meu filho: é assim que acontece quando encontramos almas afins. Talvez de outras vidas, talvez apenas de outros tempos do espírito. Almas que estão de partida e que, de algum modo, ainda precisam nos tocar, nos acordar.
Esses encontros são mais comuns do que imaginamos. O que nos falta, muitas vezes, é despertar. Andamos distraídos, voltados apenas para nossos próprios quereres. Quando acordamos, ficamos assim mesmo — sem entender muito, mas profundamente tocados.
Vivemos tempos de festa. E há um ditado popular que combina bem com esse período de grandes avenidas da vida:
“O tempo urge na Sapucaí.”
