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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

🌿 Entre Cinzas e Caminhos: Santidade em Construção🌿

 

✨ Caríssimos, sem perder a luz, iniciamos o tempo quaresmal.

Entre cinzas, conflitos e recomeços, seguimos…
Não santos prontos — mas santos a caminho. ✨

Quarenta dias que nos convidam ao silêncio, ao jejum, à oração e à caridade — começando dentro de nós.

Talvez eu não participe de todas as celebrações na igreja como em outros tempos. Mas, aqui de casa, no recolhimento do coração, faço minha parte como cristã, respeitando minhas origens católicas e minha história de fé. Porque a Quaresma não começa no altar. Começa na consciência.


E como sempre gosto de dar meu testemunho, porque sem ele não conseguimos alcançar o coração de quem lê, pois cronistas, poetas, escritores, evangelizadores também tem sentimentos...

A manhã chega silenciosa.
Mas o silêncio não pesa — apenas anuncia um novo despertar.

Despertar que nasce das cinzas.
Das mesmas cinzas que nos recordam a origem:
somos pó… e, ainda assim, carregamos eternidade.

Silêncio de mortais.
Silêncio de santos e pecadores.

Porque antes de sermos pecadores — como de fato somos, frágeis e humanos —
somos também chamados à santidade, através de uma íntima conversão diária.

E foi nesse ponto que uma lembrança me atravessou.

Houve um tempo em que, ao final de uma conversa difícil — uma dessas tentativas de entendimento onde digo "alho e escutam bugalho", o que em verdade, em verdade, escutam o que desejam ouvir de fato — saí com o coração pesado. Pensei em desistir de tudo.

Enquanto me dirigia à porta, ouvi:

Santa.

Virei-me séria:

Não sou santa.

E a réplica veio:

Está a caminho.

Passaram dias eu pensando sobre esse desfecho coloquial e cheguei à conclusão de que  caminho dos santos e santas é deveras árduo.
Penoso.
Conflitante.
Às vezes entediante.
Às vezes exaustivo.

Há momentos em que o orgulho fere, a vaidade cega, o bom senso se perde — e a única atitude possível é parar.

E eu parei.

Há dias em que o desejo é mandar tudo embora. Me esvaziar por completo. Tapar os ouvidos, deixar de olhar o mundo como ele é, empoeirado, calar a boca, fechar a porta do coração. Há instantes em que o ódio tenta sufocar o amor como o tentador o fez com Jesus no deserto, que um dia foi puro, valoroso, vibrante.

E a alma sussurra:

Pai, por que me abandonaste nesta via-crúcis?

Assim nos sentimos enquanto atravessamos nossos desertos pessoais.

As guarnições da festa se recolhem.
Os tambores cessam.
A lua parece esconder seu brilho.
O pássaro volta ao ninho.

Uma outra avenida se abre diante de nós.

Não de lantejoulas e aplausos.
Mas de passos silenciosos.
Uma Via-Sacra íntima, feita de quedas e recomeços, de lágrimas ocultas e decisões difíceis.

E, ainda assim, pontilhada por esperança.

Porque existe em nós uma centelha de eternidade que insiste em florescer.
Uma chama que não se apaga, mesmo quando queremos fechar todas as portas.
Aparece em sua frente um abraço afetuoso, ou um sorriso largo, palavras que brincam e não machucam, esse é o renascer do novo, do pleno.

Durante esses quarenta dias quaresmais que possamos seguir assim:
recolhidos, mas não apagados.
Feridos, mas não vencidos.
Em silêncio, mas não vazios.

Não somos santos prontos.
Somos santos a caminho.

E continuar caminhando — mesmo cansados, mesmo incompreendidos —
sofrendo injustiças, já é fé em movimento.

Ele, Senhor dos ares, dos mares, dos céus e da terra, nos convida, num sussurro, ___ continue a brilhar enquanto é tempo.

Convida-nos ao recolhimento quando necessário.
e que nunca deixemos de ser luz.

E vida plena.

By MângelaCastro - 18/02/2026



🌿 Entre Cinzas e Caminhos: Santidade em Construção🌿

  ✨  Caríssimos, sem perder a luz, iniciamos o tempo quaresmal. Entre cinzas, conflitos e recomeços, seguimos… Não santos prontos — mas sant...