O mundo no estrangeiro arde.
O café ainda perfuma a casa.
E a consciência escolhe amar.
Despertei no domingo, em minha solitude.
Aqui, apenas as tagarelas maritacas no telhado.
Ouço músicas de raiz — quietude —rádio sintonizado
dessas que afagam o coração
como os frutos de um doce pé de mamão,
nascido só, no fundo do quintal, ao relento.
Como moça que sente o frescor do amanhecer…
Estão sós, mas se alimentam.
Inalando o aroma do café preto, coado na hora,
senti-me sentada ao "pé do fogão", imaginativo.
onde o tempo é memória
e parece não ter pressa,
e a alma aprende a escutar
os próprios sussurros —
como as folhas escutam
os ventos que cantam ao relento.
Há uma paz que nasce assim:
simples, doméstica, silenciosa.
Mas lá fora…
o mundo estilhaça.
Diante das notícias aterrorizantes
que chegam dos países do Oriente Médio,
minhas estruturas estremecem.
Ali, no eco dos rojões ensurdecedores,
não vejo religião,
não vejo temor a Deus —
vejo enfrentamentos,
vejo ausência de discernimento.
Hoje, embora a paz reine em meu lar,
o que vem de fora me obriga a repensar
propósitos.
Vida vicejante.
Flor no deserto.
Líderes que deveriam ser segurança e esperança
tornam-se conflito e sentença mortuária.
E o que resta ao povo
senão o medo e a solidão?
Como viver bem consigo mesmo,
se a vida que deveria ser poesia
escreve histórias de terror?
Se o que deveria ser paz
descarrila o amor?
Pergunto à luz que ilumina a escuridão:
por que, às vezes, te tornas clarão de escravidão,
de morte e explosão?
O que deveria ser raiz fértil
torna-se sistema envenenado.
O que deveria ser noite de ternura
transforma-se em pesadelo
em plena luz do dia.
E a mortalidade da alma se faz presente —
arrepiando até as entranhas
que me parecem tão estranhas.
Psiu…
Não é mais fácil construir vida do que morte?
Não é mais leve colocar, sobre o console,
um botão de rosa que alegre o cômodo
do que uma bala caída ao chão
ao lado de um corpo exaurido de si mesmo?
Por que escolher o peso
quando se pode escolher o florescer?
Há tempos que se perdem
antes mesmo de nascer.
Mas ainda assim…
Enquanto houver um café sendo coado
em alguma casa do mundo,
enquanto uma mãe embalar seu filho
mesmo sob o som distante dos estrondos,
enquanto alguém orar em silêncio
pedindo discernimento aos que governam —
o amor não estará vencido.
Aqui, ao "pé do fogão" imaginário,
eu escolho mantê-lo aceso.
Quando fevereiro já se foi, e as águas
com Março chegou...
By MângelaCastro - 01/3/2026
A ideia central deste poema/poesia, é que Deus ordena ao seu povo tratar o estrangeiro com justiça e compaixão. Não afligirás nem oprimirás o estrangeiro, reconhecendo a vulnerabilidade dessas pessoas que vivem entre os israelitas e chamando para uma prática de cuidado e dignidade. (1Pedro 2-11)
By MângelaCastro - 01/3/2026
Enviado por MângelaCastro em 01/03/2026
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