Bom dia caríssimos e amantíssimos do Pai...
Quantas vezes você viveu pelos outros… e esqueceu de si? Por onde andas agora? Em qual caminho se situa?
🌿 Leia. Sinta. Reflita.
UM DESABAFO…
Há manhãs em que a alma nos chama para pensar…
não superficialmente, mas profundamente —
como quem revisita os alicerces da própria vida.
Hoje, acordei assim.
Refletindo sobre valores que um dia foram bússola:
morais, éticos, espirituais…
criados para orientar caminhos humanos,
mas que, aos poucos, parecem ter sido deixados de lado.
Vivemos tempos de pressa, de excessos, de aparência.
E, no meio disso, me pergunto:
o que estamos oferecendo àqueles que chegam depois de nós?
Crianças…
algumas tão sensíveis, tão despertas,
que parecem carregar em si uma missão silenciosa.
Mas… que estrutura estamos dando a elas?
Um lar deveria ser ninho.
Ritmo.
Presença.
Segurança.
E o que vemos, muitas vezes,
são rotinas quebradas, valores dispersos,
um cotidiano que confunde mais do que forma.
Será que estamos preparando almas…
ou apenas entretendo corpos?
—
Volto então ao meu próprio caminho.
Minha mãe… foi intensa.
Amou à sua maneira. Viveu à sua maneira.
E nós… apenas seguíamos.
Fomos muitas vezes arrancados de um lugar para outro,
como pequenas plantas em constante replantio.
Aprendi muito, é verdade.
A vida me ensinou a resistir.
Mas também me ensinou, sem que eu percebesse,
a dificuldade de criar raízes.
E hoje entendo:
sobreviver não é o mesmo que se sentir pertencente.
—
Mais tarde, fiz minhas escolhas.
Escolhi meu filho.
Escolhi minha família.
Escolhi estar presente.
E, entre essas escolhas…
fui me deixando por último.
Não por falta de amor por mim,
mas por excesso de amor pelos outros.
Hoje, me pergunto:
isso foi acerto… ou ausência de mim mesma?
—
Vivemos uma época em que tudo parece permitido,
desde que traga prazer imediato.
Mas educar… é também dizer “não”.
Amar… é também orientar.
Cuidar… é também estruturar.
E isso exige coragem.
—
Não escrevo para julgar o outro.
Escrevo na primeira pessoa…
porque é em mim que posso tocar.
Mas não consigo ignorar o que vejo:
vidas sendo conduzidas sem direção,
almas sendo nutridas apenas com o que é material.
E isso não sustenta ninguém por dentro.
—
E agora… aqui estou.
Entre o que vivi
e o que ainda posso viver.
Não sei se devo recomeçar,
se devo permanecer,
ou apenas ressignificar.
Só sei que há algo dentro de mim pedindo espaço.
Pedindo vida.
Pedindo verdade.
—
Talvez não seja sobre escolher entre mim e os outros…
mas sobre, finalmente, não me deixar mais para depois.
Afinal, eu tenho o caminho, a verdade, a vida, com Jesus, mas não basta ler, é preciso aplicar cotidianamente, de preferência, sem retrocessos, em frente sempre. (João 14:6)🌿
— MângelaCastro