Antes de tudo, é importante dizer:
a expressão “a cor da verdade” não pertence à teologia,
nem à Bíblia de forma literal,
nem à filosofia clássica.
Não é um conceito formal.
Mas isso não diminui sua força.
Pelo contrário — revela sua natureza simbólica,
a linguagem pela qual a alma, muitas vezes, nos fala.
Há madrugadas em que o silêncio não é ausência…
é presença.
E, por vezes, sou acordada por essa voz interior
que me chama com suavidade e firmeza: e nessa noite
não foi diferente. Ela me disse:
— A cor da verdade.
É nesse instante que entro em sintonia comigo mesma,
e com minha espiritualidade, com minhas próprias verdades.
E, como confirmação delicada,
na manhã seguinte, ao ouvir a homilia da missa pela Rede Vida,
o sacerdote falava — não sobre a cor da verdade,
mas sobre a "cor do pecado",
aquele que nos consome quando o escondemos dentro de nós.
Suas palavras não trouxeram novidade,
mas luz.
Apenas iluminaram aquilo que, silenciosamente,
já havia sido semeado em mim.
Ser verdadeira em meus atos não é algo extraordinário.
É compromisso.
É fidelidade ao que venho aprendendo
nesses amanheceres e caminhares da vida.
A verdade não tem cor física.
Mas nós precisamos de imagens para compreendê-la.
Por isso, a fé também se expressa em formas, rostos e símbolos —
nas imagens dos santos, nas diversas faces de Cristo,
e até na tentativa humana de imaginar o invisível.
Assim, quando surge algo como “a cor da verdade”,
não se trata de aparência,
mas de revelação.
A forma como ela chega.
A maneira como é recebida.
E o estado interior de quem a acolhe.
Porque há quem ouça… mas não escute.
Há quem veja… mas não queira enxergar.
E, quando a verdade se mistura às próprias ilusões,
nasce o engano — muitas vezes doloroso.
Mas não posso ser conivente com uma verdade distorcida,
nem em mim, nem no outro.
A verdade liberta.
A ilusão aprisiona.
Na tradição cristã, a verdade está ligada à luz.
E não por acaso.
A luz revela, ilumina, não esconde.
E como disse Cristo:
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” (João 14:6)
Foi assim que compreendi, nessa madrugada:
A verdade não tem uma única cor.
Ela não se limita ao que os olhos veem,
mas ao que a alma suporta enxergar.
Há verdades que chegam como luz — revelando caminhos.
Outras, como dor — curando o que estava oculto.
Algumas acalmam…
outras inquietam.
A verdade não muda.
Mas nós mudamos diante dela.
E essa voz, que por vezes me visita,
não vem para impor nem para confundir.
Vem para despertar-me.
É no encontro entre a fé, a consciência e o silêncio interior
que a verdade encontra espaço para se revelar.
Não como algo externo que domina,
mas como uma presença que alinha.
Chamo de voz…
mas poderia chamar de consciência iluminada,
de escuta espiritual,
ou de um íntimo diálogo com Deus.
Porque, quando o coração aquieta
e o bom senso guia,
a verdade se mostra.
E em verdade, em verdade,
todas as noites antes de adormecer
Oro, agradeço, e rogo por todo aquele
que de minhas preces precisem.
Não é vaidade, é verdade!
E talvez esse seja o seu maior mistério:
A verdade: não a cor que possui,
mas a forma como se revela em cada um de nós.
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
— João 8:32, esteja ela onde estiver ...
By MângelaCastro — 29/04/2026

