"Nem sempre seguimos em frente às vezes, é voltando nas páginas da vida que nos encontramos".
Tenho um velho hábito… digo velho, porque caminha comigo desde a infância. Talvez desde os meus seis anos, quando fui alfabetizada — o que, para o meu tempo, já era quase um prenúncio.
Mas há um detalhe curioso em mim.
Quando pego algo para ler — seja um livro, uma revista de moda ou até aquelas de celebridades, que encontramos nos salões enquanto esperamos — começo sempre… de trás para frente.
Simples assim. E, ao mesmo tempo, tão estranho.
Durante muito tempo, achei que fosse única nisso — olha a pretensão… 😋
Não necessariamente iguais — mas igualmente marcadas por algo que vem de dentro.
Na quietude deste feriado de 21 de abril, o dia amanhece com um silêncio quase sagrado. Lá fora, o som tímido de uma ave rompe a calmaria, enquanto aqui dentro, sento-me diante do teclado.
E então, as palavras vêm.
Hoje, o Brasil relembra Joaquim José da Silva Xavier, símbolo da Inconfidência Mineira.
Um homem cuja imagem foi sendo construída ao longo dos anos — assim como tantas outras na história.
Pouco se sabe, com exatidão, sobre sua verdadeira aparência. Assim como também pouco se sabe sobre a fisionomia de Jesus Cristo.
E talvez isso não seja por acaso.
Ainda assim, ao longo do tempo, a imagem de Tiradentes foi sendo associada à de Cristo — sobretudo pela ideia de martírio, de entrega, de alguém que enfrentou a injustiça em nome de algo maior.
Uma construção simbólica.
Uma tentativa humana de compreender, através de comparações, aquilo que toca o sagrado.
Mas a verdade — essa, absoluta — não está nas imagens.
Está na essência.
E assim, entre lembranças, história e fé, volto ao meu ponto de partida.
Talvez viver seja isso:
By MângelaCastro – 21/04/2026