Bom dia amigos(as) leitores!
___"Há pessoas que olham para uma vitrine e veem roupas. Há outras que enxergam histórias esperando para serem lidas." ✨📖🌷
Diante dos mistérios da vida para nós outros, um sonho, uma homilia (livro de Reis.1Rs 21,17-29) acaba que sendo uma reflexão sobre os sinais que a vida nos apresenta quando estamos dispostos a olhar além das aparências, e claro, o que me tocou foi essa leitura, talvez pelo meu momento, mas, cada um se sente tocado no coração, e na própria consciência com alguma outra leitura litúrgica diária. Somos diferentes, agimos, pensamos, conforme nossas experiências de vida cotidiana.
Veja, bem. Enquanto caminhamos pela vida, há momentos em que precisamos nos afastar alguns passos de nós mesmos e simplesmente observar.Como quem assiste a uma peça, vemos desfilar lembranças, sonhos, inquietações e esperanças.
Nem sempre compreendemos tudo o que vemos. Mas cada cena, cada símbolo e cada sentimento podem guardar preciosas lições de autoconhecimento e crescimento interior.
Esta manhã acordei pensativa.
Durante a noite, sonhei que estava em um local semelhante a um teatro. Pessoas assistiam a uma espécie de encenação onde mulheres eram conduzidas em macas, marcadas por ferimentos e sofrimento. A cena passava diante de nós como um desfile silencioso de dores humanas.
Quando me levantei e me aproximei de uma janela, vi algo que me impressionou profundamente.
Sob nuvens escuras e pesadas, uma águia sobrevoava o céu. Ao seu redor havia uma luz prateada, quase indescritível. Chamei uma mulher que estava ao meu lado para que também observasse aquela cena.
Por um instante, a ave desapareceu entre as nuvens.
Pensei que tivesse sumido.
Mas voltou.
Continuou voando em círculos até aproximar-se da janela. Então aconteceu algo estranho: a águia já não era uma águia. Diante de mim estava um homem de olhar firme e silencioso, envolto por um azul tão profundo que não encontro palavras para descrevê-lo.
Senti respeito.
Senti temor.
E despertei com aquela imagem guardada na alma.
Mais tarde, ao ouvir a homilia baseada no Livro dos Reis, sobre o arrependimento de Acab, algo dentro de mim encontrou eco. Não porque eu tenha recebido uma explicação completa para o sonho, mas porque compreendi uma lição importante.
A vida nos apresenta cenas que nem sempre entendemos.
Às vezes observamos dores que não podemos curar.
Às vezes enxergamos sinais que outros não enxergam.
Às vezes procuramos livros e encontramos roupas.
Procuramos respostas e recebemos perguntas.
No mesmo sonho entrei em uma pequena loja porque vi livros expostos na parede. Quando entrei, porém, havia apenas roupas. Insisti que tinha visto livros. Ninguém parecia acreditar.
Hoje me pergunto se não acontece o mesmo conosco.
Quantas vezes vemos apenas a aparência das coisas?
Quantas vezes deixamos de perceber os livros escondidos atrás das roupas, o conhecimento por trás das aparências, a essência por trás das formas?
Talvez a grande mensagem não estivesse na águia, nem nas nuvens, nem mesmo no teatro.
Talvez estivesse no fato de eu não querer permanecer assistindo à mesma peça.
No sonho, decidi sair dali.
Já havia visto aquela cena.
Era hora de caminhar.
Mesmo com as sandálias mal ajustadas.
Mesmo sem compreender tudo.
Talvez seja assim que Deus nos conduz.
Não revelando todos os mistérios de uma vez, mas convidando-nos a continuar caminhando.
Entre nuvens e claridades.
Entre perguntas e respostas.
Entre livros visíveis e livros invisíveis.
Confiando que aquilo que desaparece atrás das nuvens nem sempre deixou de existir.
Às vezes, apenas continua voando onde nossos olhos ainda não conseguem alcançar. O homem que me acolheu no sonho, me fez lembrar São Benedito, ou talvez, um amigo espiritual de origem Indiana. "Sensações de Maria."
"As nuvens podem esconder a ave por um instante, mas não apagam o céu onde ela continua voando."
By MângelaCastro - 16/06/2026
