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terça-feira, 30 de junho de 2026

A SAUDADE QUE ORA CONOSCO

"Há laços de afetividade que a morte não interrompe; apenas muda o lugar onde continuam florescendo: da presença para a memória, e da memória para a oração. 

Em tudo dai graças pelo dom da vida, ela floresce a cada amanhecer seja aqui, seja lá em algum cantinho do céu .... Neste mês de junho já finalizando, eu não poderia comemorar mais uma primavera, sem me lembrar dessas três amizades, que foram tão especiais em minha vida, e fazem aniversário neste final de mês ...___"In Memoriam : Thaisa Helena, Claudinei Machado ...


Os aniversários não contam apenas os anos que vivemos. Contam também as mãos que nos sustentaram, os amigos que deixaram perfume na memória e as orações que continuam atravessando o tempo. Talvez Deus permita que algumas lembranças floresçam justamente nesses dias para que descubramos que o amor verdadeiro não envelhece. Ele apenas muda a forma de permanecer conosco.

Que amanhecer abençoado!

Na solitude desta manhã de domingo, meu coração foi inundado de gratidão. Participar da Santa Missa com Padre Marcelo Rossi é, para mim, sempre um convite à boas lembranças de amizade, esperança, fé alegria. Era exatamente dessa renovação interior que eu precisava.

Enquanto preparava meu café, aconteceu algo muito simples e, ao mesmo tempo, profundamente significativo. Num rápido reflexo do espelho da sala de jantar, talvez pela sombra de uma ave voando à sua frente, mas, o que bastou para me inspirar, me levando a ter a impressão de ver alguém passar. Foi apenas um lampejo, mas imediatamente um nome brotou em meu pensamento: Augusta.

Minha saudosa amiga.

A lembrança veio inteira, acompanhada de um carinho imenso. Augusta era manicure, confeiteira de mãos talentosas e, sobretudo, uma mulher de fé inabalável. Quantas vezes fui recebida em sua casa com alegria, conversas sinceras e muito afeto.

Mais tarde, a doença chegou. Caminhamos juntas durante aquele período difícil. Procurei ajudá-la como pude, sem jamais imaginar que aqueles momentos se transformariam em uma das maiores lições de amizade que recebi.

Mesmo carregando sua própria cruz, Augusta continuava atendendo algumas clientes, preparando seus belos bolos e, principalmente, conservando a esperança. Sua família era sempre sua maior prioridade, seguida dos amigos, aos quais dedicava enorme carinho.

Foi ela quem me apresentou, com entusiasmo, às missas e às músicas do Padre Marcelo Rossi. Gostava tanto que, sempre que podia, eu lhe presenteava com um CD. Recordo-me de que certa vez ela saiu ainda de madrugada para participar pessoalmente de uma celebração. Sua fé e sua vontade de viver intensamente, era contagiante.

Assim que me lembrei dela, procurei a missa no YouTube. Para minha surpresa, a celebração estava acontecendo ao vivo.

Senti aquilo como uma providência de Deus.

Rezei por Augusta. Ofereci por ela minhas preces, minha comunhão espiritual, minhas intenções e também por minha família. No silêncio da oração, senti que a amizade verdadeira não termina quando a vida muda de dimensão. Ela apenas encontra outra forma de permanecer.

Augusta foi uma das amizades mais sinceras que tive nesta cidade. que resido com minha família há mais de quarenta anos, ela tiraria as roupas do próprio corpo para presentear um amigo (, ou um familiar, se necessário fosse. Conhecia-me desde a adolescência, acreditava em mim e nunca permitia que comentários injustos encontrassem espaço entre nós (viu?, existem ainda amigos(as) que fiam em nós, sem perder a noção das coisas, como bem diz meu filho: ___confiar, mas com os pés no chão, e eu respondo: ____ e com os pensamentos em Deus Nosso Senhor, como nos ensejou a homilia desta manhã: "__Não tirem nunca os olhos de Jesus, nos alertou o Padre, atravessando você, a tormenta que for!. A lealdade dessa amiga era um presente, e como nesse frio e final mês de junho, comemoro mais uma primavera nessa existência, claro, ela sempre tão presente em nossa vida, seja em momentos de tristezas, e ou comemorações, não poderia ser diferente, a vida nos conecta por um fio.

Hoje compreendo que algumas pessoas continuam visitando nossa memória para reacender aquilo que construíram em nosso coração.

A homilia do Padre Marcelo também me tocou profundamente. Ninguém atravessa a vida sem desertos. Todos somos falíveis, todos experimentamos quedas. O que realmente faz diferença é a maneira como caminhamos por essas provações: com revolta ou com oração; com desânimo ou com confiança em Deus.

A fé não elimina nossas dores, mas transforma nossa maneira de carregá-las.

A música entoada durante a celebração resumiu lindamente essa esperança:

"Terra e santos passarão, mas o Céu permanecerá."

Lembrei-me também das palavras atribuídas a Santo Agostinho: aqueles que amamos não desaparecem; apenas seguem por um caminho que um dia também percorreremos.

Por isso, termino esta manhã apenas com uma palavra:

Gratidão.

Gratidão pela amizade vivida.

Gratidão pela visita da saudade, que hoje se transformou em oração.

Gratidão aos que tantas vezes levou alegria ao coração de Augusta e continua fortalecendo também o de tantos cristãos!

Que Deus a envolva, e aos amigos Thaisa Helena, e Claudinei Machado que comemoraram alguns aniversários junto ao meu, todos "In memoriam" guardados em meu coração, todos de uma amizade infinita e de gratitude, muitas trocas de amor afetivo, compreensão, consolo, aconselhamentos, caminhamos nessa terra juntos, sempre nos apoiando, e é presente de Deus para nós outros, que Deus Todo Poderoso nos conserve sempre em Sua infinita paz e que nós jamais deixemos de cultivar a fé, porque quem ora nunca caminha sozinho.

Amém? Gratidão vida reflorescente!

By MângelaCastro - 30/06/2026




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