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domingo, 6 de setembro de 2026

O SAPATINHO DE NOSSA SENHORA

 “Há muros que precisamos preservar; e há muros que precisamos aprender a não deixar entrar em nossa alma.”





Quando o amor recebido se transforma em legado

Há presentes, que quem o doa, nem pressente, como a viagem dessa foto, cuja fiz em dezembro 2025, quando já há anos não viajava, talvez para muitos não passou de um simples passeio, quando o celular toca e a voz do outro lado me diz: __Mana, você não vai voltar mais? Já era a saudade e a preocupação batendo forte. Mas para mim foi de muita significância, eu diria, um passeio para o conforto de minha alma, um carinho para ela, são mimos de filho, e de nora, que chegam às nossas mãos como simples objetos, apenas um passeio, de apresentação, ou apenas um vaso de flor, uma passagem de ônibus, mas foi muito mais além de atravessar fronteiras, beiras, estradas, deixando tudo para trás, paisagem, passarinhos, riachos, minha alma e eu, uníssonas, cúmplices uma da outra', fomos de encontro do descanso, e da paz tão desejada, e a encontramos, mesmo que de uma forma não tão convencional, mas, "Deus tem dessas coisas", como disse um dia Papa Francisco. Ele simplesmente faz o que precisa ser feito. Só gratidão e solidariedade.

Outros presentes chegam como sementes, ou vasos de flores já plantados e floridos.

E existem aqueles que somente compreendemos verdadeiramente depois que quem nos presenteou já não está mais aqui.

Minha mãe me deu um vaso de Sapatinho de Nossa Senhora.

Naquele momento, talvez fosse apenas uma planta bonita, com suas delicadas flores cor-de-rosa, dessas que enfeitam silenciosamente um cantinho da casa, ou de sua área "verde", e atraem beija-flores e passarinhos, se fazendo doce alimento e ninhos.

Mas o tempo transforma algumas coisas.

Hoje, a viagem tão significativa para mim, já é boa lembrança, esse vaso já não é apenas uma planta que minha mãe me deu.

É um legado.


Eu o regava, cuidava dele e gostava de vê-lo florido, de ver os beija-flores de minha janela que eu abria a tardezinha, ver o pequeno passarinho ameaçando os primeiros voos. Até que, um dia, algo aconteceu e aquela planta, tão bonita, começou a secar, mesmo cuidando, tendo carinho por ele, aguando uma vez por semana, os raios do sol matinal o aquecia e fazia a fotossíntese acontecer.

Olhei para seus galhos frondosos minguando, e senti tristeza. Como assim? 😠💔😞😓

Guardei parte deles. Deus sabe de todas as coisas.

Não por apego ao que havia morrido, mas porque, de alguma maneira, aqueles galhos secos, como da figueira seca que Jesus menciona em suas parábolas nos evangelhos, passaram a representar para mim uma história, uma lembrança, um ensinamento de que a vida flui independente de sua sequidão às vezes: há coisas na vida que podem ser feridas sem que suas raízes sejam destruídas.💕

Na natureza, "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Ensinava o químico Antoine Lavoisier:

  • A promessa de Jesus de renovar o mundo e a vida das pessoas é um convite a aceitar a transformação que Ele traz em nossas vidas. Esses ensinamentos nos lembram que, apesar das dificuldades, sempre a possibilidade de renovação e crescimento natural e espiritual.

E então aconteceu aquilo que somente a natureza sabe fazer tão silenciosamente.

Da raiz nasceu novamente uma pequena planta.

Depois vieram novas folhas.

E, quando percebi, para minha alegria, e quiçá para o espírito de minha mãe, já que a morte não existe, pois a vida apenas muda de forma, a nossa plantinha, estava florescendo outra vez.

Talvez por isso eu tenha decidido mudá-la de lugar.

Não porque achasse que ali não lhe era favorável, mas por amá-la, respeita-la em sua essência, resolvi dar-lhe nova oportunidade de refazimento, e às vezes mudar de lugar, é preciso.

Ao contrário, do que nossa vã consciência dita, os jardineiros em seus sábios conhecimentos, ensejam que quando a planta não resiste às intempéries de um lugar, melhor mudar.

Assim, como algumas coisas que amamos precisam ser retiradas de determinados lugares não para serem abandonadas, mas para serem preservadas.

E fiquei pensando...

Quantas vezes fazemos isso conosco?

Passamos por situações que nos ferem.
Ouvimos palavras que nos machucam.
Encontramos pessoas que não compreendem nossa maneira de ser.
Somos julgados sem que nos conheçam.
Às vezes, até aquilo que construímos com carinho parece ameaçado.

E então pensamos que estamos secando.

Que perdemos a força.

Que alguma parte de nós morreu.

Mas talvez estejamos olhando apenas para os galhos.

Porque a vida verdadeira permanece escondida nas raízes.

Minha mãe já não está aqui para ver o seu presente florescer.

Como o Sr César (tio César) também já não está mais entre nós,

para dar continuidade e cuidado, no grande jardim de sua casa, que foi para mim

porto de paz e carinho.

Mas talvez esteja justamente aí a beleza do legado.

Ela me entregou uma planta.

Eu recebi uma lembrança.

E a vida transformou essa lembrança em ensinamento.

Hoje, quando vejo aquelas pequenas flores cor-de-rosa, ou as fotos da viagem tão significativa, já não vejo somente uma planta, ou apenas uma foto.

Vejo minha mãe.

Vejo Tio César e Claudete me oferecendo guarida, remanso.


Vejo cuidado.

Vejo permanência.

Vejo a delicadeza da vida.

E de pessoas boníssimas, acolhedoras, que ainda existem, guardadas no meu coração.

E SINTO GRATIDÃO.

E vejo, sobretudo, que nem tudo aquilo que parece morrer realmente morre.

Há raízes que permanecem.

Se não nas profundezas da terra, em nosso coração e pensamento.

Há amores que permanecem.

Há ensinamentos que permanecem.

Há pessoas que partem, mas deixam em nós pequenas sementes de sua presença, esperando apenas o tempo certo para florescer.

Por isso, quando olho para o meu Sapatinho de Nossa Senhora, ou para as fotos de minha viagem, penso que talvez minha mãe, tio César, tenham deixado muito mais do que imaginavam naquele dia.

Eles me deixaram um legado vivo. E muito ensinamento de como é viver bem.

E agora sou eu quem precisa cuidar dele, perseverar, não desanimar, do vaso do Sapatinho de Nossa Senhora, e do meu coração emotivo.

Não apenas regando suas folhas e contemplando suas flores, ou ouvindo as fortes batidas do meu coração, mas lembrando que aquilo que recebemos com amor também traz consigo uma responsabilidade:

continuar cuidando daquilo que nos foi confiado.

Talvez seja essa a verdadeira herança.

Não aquilo que recebemos.

Mas aquilo que conseguimos manter vivo dentro de nós principalmente.

🌿🌸💓☝👉💑

MângelaCastro - 05/9/2026
Paz e bem.

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Enviado por MângelaCastro em 05/09/2026
Código do texto: T8712898
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O SAPATINHO DE NOSSA SENHORA

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