Bom dia de sábado!
“Senhor, deixa-a ( a figueira) ainda este ano, até que eu cave em redor dela e lhe ponha adubo.” — Lucas 13,8.
Nem tudo que reluz é ouro. Filho de peixe, peixinho é!
O que você entende desses ditados? Concorda com eles? O que de positivo podemos extrair dessas ideias — ou será que também precisamos questioná-las?
Reflitamos: nossa vida profissional é como uma árvore frutífera. Há ciclos de abundância, outros de menor produção e até estações em que os frutos parecem não chegar. Mas, por isso, devemos arrancá-la pela raiz?
Será que, ao julgar quem já não produz como antes, nos esquecemos da própria história? Quanto trabalho, quantas renúncias e quantas estações foram necessárias para chegarmos até aqui?
Reflitamos sobre os ensinamentos que nos vieram nesta manhã de sábado, ainda meio moroso, como todo final de semana, vai perdendo um pouco sua força, assim é a vida, mas isso não quer dizer que já é o fim... o dia está apenas começando...
A intercessão: alguém que conhece o valor da figueira se coloca entre ela e a decisão de cortá-la.
A dignidade do trabalhador: uma deficiência física jamais deve ser motivo de humilhação ou instrumento para desqualificar uma trajetória.
A esperança coletiva: uma safra menos abundante em um determinado ciclo, não condena a terra; convida à revisão dos cuidados e à renovação do trabalho.
Deus hoje nos convida à misericórdia, sobretudo diante daqueles que, aos nossos olhos, parecem já não produzir os frutos que deles esperávamos. Na homilia desta manhã, a parábola da figueira estéril nos trouxe uma importante lição: antes de arrancar uma árvore que deixou de frutificar, é preciso permitir que alguém cuide dela por mais uma estação.
Em Lucas 13,6-9, Jesus nos apresenta a figura de um proprietário que, não encontrando frutos na figueira, pensa em cortá-la. Mas o trabalhador intercede por ela, pedindo-lhe mais uma oportunidade. Conhecedor da terra e dos ciclos da natureza, ele sabe que nem toda árvore perde sua capacidade de frutificar porque atravessa uma estação menos generosa.
Quantas vezes, na vida, também nos precipitamos em nossos julgamentos? Quantos trabalhadores, depois de anos de dedicação, são considerados descartáveis quando já não correspondem ao ritmo ou às expectativas de seus empregadores? Esquecemo-nos de que cada pessoa tem seu tempo, suas limitações e suas próprias estações. A experiência acumulada não desaparece com o passar dos anos, assim como a dignidade humana não diminui diante de uma deficiência.
O valor de um trabalhador não se mede pela integridade de seus membros, mas pela dignidade de sua história, pelo esforço de suas mãos e pela contribuição que deixou ao longo da vida. Há quem tenha perdido parte de si no exercício do trabalho e, ainda assim, tenha continuado a produzir frutos para sua família, para a sociedade e para o País.
Por isso, precisamos aprender com aquele trabalhador da parábola: em vez de simplesmente condenar uma árvore, ofereçamos-lhe cuidado; em vez de descartar uma pessoa, reconheçamos o que ela já fez e o que ainda pode oferecer. Até mesmo quem chegou à aposentadoria pode continuar frutificando, transmitindo conhecimentos, aconselhando os mais jovens e compartilhando a sabedoria adquirida em tantas estações da vida.
Essa reflexão também se estende ao nosso Brasil, esse grande celeiro de riquezas naturais e humanas. Nem todas as safras são iguais. Há épocas de abundância, outras de dificuldades; há momentos em que precisamos rever nossos caminhos, fortalecer nossas raízes e preparar melhor a terra para a colheita seguinte.
Quando uma safra não corresponde ao esperado, não significa que a terra perdeu sua fertilidade. Talvez seja tempo de rever os cuidados, renovar o adubo, unir forças e valorizar ainda mais as mãos que semeiam e colhem. O que não podemos é desanimar diante das dificuldades, muito menos esquecer aqueles que contribuíram para que chegássemos até aqui.
A parábola nos ensina que a esperança também exige trabalho. A oportunidade concedida à figueira não dispensa o cuidado: é preciso afofar a terra, adubá-la e aguardar, com paciência, a possibilidade de novos frutos.
Que saibamos, portanto, interceder uns pelos outros. Que não sejamos precipitados em nossos julgamentos, nem insensíveis diante das limitações alheias. Antes de decidir que alguém já não tem valor, lembremo-nos de quantas vezes nós mesmos precisamos de paciência, compreensão e uma nova oportunidade.
A misericórdia não significa ignorar as dificuldades, mas reconhecer que ninguém deve ser reduzido a uma limitação, a uma fase difícil ou a uma estação de poucos frutos.
Que Deus nos conceda a sabedoria daquele trabalhador que intercedeu pela figueira e nos ensine a cultivar, com justiça e humanidade, tanto a terra que nos alimenta quanto as relações que sustentam a nossa sociedade.
Porque, enquanto houver vida, cuidado e oportunidade, ainda poderá haver uma nova estação de frutos.
Paz e Bem! 🌿

